LUTE

Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas - 1 Timóteo 6:12

SE DEIXE TRANSFORMAR

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus - Romanos 12:2

ACEITE O SACRIFÍCIO

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - João 3:16

VÁ NA CONTRA-MÃO

Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras, e vocês permanecerão na terra que o Senhor deu a vocês e aos seus antepassados para sempre. Não sigam outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los; não provoquem a minha ira com ídolos feitos por vocês. E eu não trarei desgraça sobre vocês - Jeremias 25:5-6

REFLITA A LUZ DE JESUS

Pois Deus que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo - 2 Coríntios 4:6

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11 de novembro de 2009

VITTORIO, O VAMPIRO

Anne Rice, 1999

Nos estudos que tenho feito para escrever meu livro (que patina mais do que um membro do Holiday on Ice) eu tenho lido muitos livros diferentes, e um deles foi este, pois queria ler uma obra de terror para entender a dinâmica deste estilo e quem sabe utilizar algo em meu próprio texto. Minha esposa havia comprado este livro já há alguns anos, mas eu nunca tinha me interessado por ele. Agora, após a insistência dela, o li.

Vittorio é um livro relativamente curto (206 páginas), e a história é, digamos, parecida e ao mesmo tempo diferente de outras histórias de vampiro. Sua trama se passa aparentemente no mesmo universo de histórias que Anne Rice criou em suas outras tantas obras vampirescas, mas diferente destas não se passa nos dias atuais e muito menos em New Orleans. Passa-se na Toscana, região da Itália no ano de 1450. Trata-se das memórias de um antigo vampiro de nome Vittorio, que nos conta como se tornou o que é e sobre sua trágica vida.

A primeira coisa interessante do universo criado por Anne Rice é que os vampiros são representados sob sua mitologia clássica. Esqueça histórias torpes sobre o vampirismo ser uma doença ou uma mutação genética. Nas histórias de Anne Rice eles são como são por causa de Lúcifer, ou seja, são criaturas satânicas, não demônios propriamente ditos, mas pessoas decaídas e contaminadas com o sangue de Satã e dotadas de poderes sobrenaturais e uma sede de sangue infinita, sejam obrigadas, sejam de comum acordo por algum pacto satânico. O terror começa ai.

Vittorio conta como era sua vida de nobre filho de senhor de terras, admirador de arte e devoto fervoroso da igreja católica, sendo inclusive um leitor das obras de Santo Agostinho ainda aos 16 anos de idade. Vampiros matam sua família, mas uma vampira de nome Ursula o deixa viver pois se apaixona por ele. O rapaz é pego pelos vampiros mais tarde, que se chamavam de Corte Rubra, e é deixado em Milão, aonde fica desorientado por alguns dias pois tinha sido dado a ele sangue de vampiro para beber.

É a partir daí que algo estranho e que me chamou a atenção deste livro acontece. Vittorio começa a ver e falar com anjos. Anjos da guarda para ser mais exato, que ele vira antes retratados em obras de seu pintor predileto, o que lhe faz pensar se não estava ficando louco. Os anjos o ajudam a cumprir sua vingança contra os vampiros, mas obviamente ele não consegue matar Ursula pois a amava. E assim ela o transforma em um vampiro, e ambos permanecem juntos até os dias atuais.

Vittorio é uma história que fala muito de arte e da situação política da Itália no séc. XIV, e também é carregado da sedução que a aura da figura dos vampiros carregam. Cenas mais picantes aparecem em momentos chave para demonstrar carnalmente o amor e a paixão que os personagens nutriam um pelo outro.

A arquitetura dos lugares e as vestimentas são bem detalhados mas em certos momentos cansam. O fato do personagem ser um adolescente algumas vezes irrita, mas isso é uma opinião pessoal minha, pois ele se comporta de forma tola em muitos momentos, totalmente inexperiente.

O mais estranho sobre este livro é que não me assustei nada ao lê-lo. E ai é que eu descobri que uma história de terror não é uma história que lhe cause sustos, mas sim uma história aonde ocorram coisas terríveis, como a cena em que Vittorio invade a cripta dos vampiros e mata um a um deles os decapitando porcamente com sua espada, e quando estas eram jogadas ao Sol queimavam e derretiam vazando gordura dos olhos e sangue negro de onde antes eram suas gargantas.

De qualquer forma é um livro interessante para passar o tempo, e uma literatura diferente da que eu costumo ler.

8 de outubro de 2009

ON THE ROAD

Jack Kerouac, 1957

Fazia tempo que eu desejava ler “On the Road”. Terminei de lê-lo há umas 2 semanas, e só agora consigo escrever algo sobre ele.

Li na internet a opinião que outras pessoas tiveram dele, e o que entendo é que este é um livro bastante incompreendido. A maioria das pessoas pensa que este deveria ser como um livro moderno, com uma trama bem elaborada com começo, meio e fim, e que tenha uma história para entreter o leitor. São pessoas que leem por entretenimento e não para reflexão ou abstração da realidade. São pessoas que leem para passar o tempo e não para expandir sua capacidade poética, sua sensibilidade e sua visão crítica.

Enfim, a maioria destas pessoas se decepciona com o texto, que tem um ritmo alucinante, com muitas coisas acontecendo em curto espaço de tempo e com personagens que entram e saem da história a todo instante. Sentem também uma aparente falta de foco, afinal a história parece não lhe levar a lugar algum.

A verdade é que os personagens não tem de fato um objetivo claro como esperamos em um livro como os modernos, uma missão, um foco. Mas a história toda te leva a uma profunda reflexão da humanidade, do que significa viver, e nos ajuda a redefinir o que realmente é importante.

A verdade é que achei o livro tão genial quanto pensava. Sempre ouvi que ele foi inspiração para muitas pessoas formadoras de opinião, e hoje entendo o porque. É um livro sobre descobertas de vida, sobre diversidade e coexistência. É acima de tudo um livro sobre amizade. Sim, amizade! Uma amizade muito louca entre os protagonistas Dean Moriarty e Sal Paradise, uma amizade que enfrenta separações de longos anos, decepções, estranhamentos e aceitação. Aceitação que um tem pelo outro, por seus jeitos, por seus gostos. É uma amizade tão forte quanto frágil, porque todas as amizades no final das contas são fortes e fracas ao mesmo tempo: fortes pelo que elas podem nos proporcionar e fracas pelo fato de que sua natureza é frágil e exige cuidados constantes.

A história de On The Road é simples: no final dos anos 40 um escritor viaja de costa a costa pelos EUA e na sua última viagem vai até o México. Nestas viagens vai cruzando com pessoas extremamente interessantes, não porque sejam fantásticas ou façam coisas incríveis, mas porque são pessoas comuns. Foi como pegar uma lupa e por sobre algumas pessoas desconhecidas no mundo, e assim você fica sabendo das pequenas desgraças que assolam a vida de pessoas como você, de suas lutas, de suas dificuldades e dramas. Você conhece pessoas reais, como só pode fazer em uma viagem como esta.

O maior mérito do livro é lhe levar de carona com os personagens nesta viajem, e ver em primeira mão o que eles descobrem, seus desesperos, suas dificuldades, suas loucuras, seus estilos de vida, suas filosofias, seus gostos e o jeito com que curtem seu tempo.

O livro tem, obviamente, um ar melancólico em certos momentos, o que me fez lembrar muito da mesma sensação que tive ao ler, anos atrás, “Perdidos na Noite” (Midnight Cownboy). É um misto de comédia, aventura, realidade, dor, sofrimento, amor, superação, degradação e culpa, só que neste caso, coroado com o prolixidade de Dean, que fala muitas coisas em pouco tempo, de forma quase alucinada.

On The Road foi escrito para garotos e jovens daquela época, mas não para garotos e jovens dos dias atuais. E isso é interessante porque mostra a diferença da realidade entre estas gerações. Naquela época os jovens liam Prost, o próprio Jack Kerouac, Neal Cassady (seu amigo e inspiração para Dean Moriart) dentre outros. Liam coisas pesadas, que os ajudaram a construir um país rico e próspero, que os fez pensar, que os levou a refletir e a encarar a realidade bruta, com tudo de bome ruim que ela tem, com naturalidade.

Hoje os jovens leem Harry Potter, Crepúsculo e outros livros semelhantes. Hoje os jovens leem apenas livros de fantasia, como se tentassem fugir da realidade, que convenhamos, é complexa, fria e brutal demais para que eles queiram encará-la. Isso explica porque livros icônicos como On The Road não façam mais tanto sucesso com os jovens. A realidade é outra. A realidade é virtual.

31 de agosto de 2009

GRANDE SERTÃO: VEREDAS


Guimarães Rosa, 1956

Neste final de semana terminei de ler um dos livros mais difíceis que já li na minha vida. “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa. Difícil não pela história em si, mas pela linguagem e rítmica adotada.

Segundo li sobre esta obra, Guimarães Rosa o escreveu da forma com que o fez de propósito. Riobaldo, o narrador da trama e seu personagem principal, é um ex-jagunço, ou seja, fala de maneira muito incorreta e usa linguagem muito regional, típica dos sertanejos de Minas Gerais e da Bahia. Usa termos desconhecidos, neologismos, vícios de linguagem, repetições, lacunas, ilustrações verbais, músicas, comparações e o que mais você puder imaginar para representar a história sob a ótica do personagem. Deste ponto de vista é de fato uma obra prima.

Outra coisa muito difícil para mim neste livro é o fato de que ele não tem capítulos. A história é enorme e não há uma pausa natural na narração para que você pare, descanse e retome a leitura mais adiante. E o começo... puxa vida, como o começo é árido! Teobaldo conta histórias desconexas, aparentemente com o firme propósito de lhe deixar completamente sem rumo, totalmente perdido. Deste ponto em diante você só tem uma escolha: deixar que ele lhe guie pelas veredas de sua história, que começa a ganhar corpo quase 100 páginas depois do livro começado.

A história em si é bonita, vibrante, violenta e interessante. Mas é curta. Sim, curta! O que a torna aparentemente longa é a forma com que Riobaldo a narra, cheia de voltas, trilhando caminhos obscuros e por vezes estranhos. A história poderia ser facilmente escrita em 100 páginas, mas ela tem mais de 500 por causa da forma sertaneja com que é contada. Com 100 páginas o livro perderia, porém, muito do seu efeito. Ao final da história estamos cansados, como se realmente estivéssemos ao lado do personagem naquelas centenas e centenas de quilômetros de viagens perigosas e de guerras e batalhas.

“Grande Sertão: Veredas” é uma história que se trata de amor, de vingança e de amizade. Trata-se também do diabo, e de Diadorim, um dos maiores segredo já vistos em nossa literatura, revelado apenas nas últimas páginas. Trata-se de uma tragédia.

O que descobri lendo este livro é que me identifico muito com o Riobaldo, principalmente em sua forma de pensar a vida e o mundo, em seus questionamentos acerca de muitas coisas que a maioria absoluta das pessoas a sua volta sequer notam que existem, sobre o fato de possuir dúvidas, medos e um sentimento de não saber ao certo o que se quer na vida. Me identifico acima de tudo com suas descobertas. O amor, a poesia, o ódio, o poder, o dever, a filosofia...

Existem lições importantes nesta obra. Sobre liderança. Sobre amizade. Sobre a dureza da vida e a natureza do ser humano em condições adversas e não tão adversas assim. Sobre a própria psicologia básica do ser humano. Tudo do ponto de vista de um jagunço, um sertanejo, que conversa com um viajante que se hospeda em sua casa, a quem relata toda a sua vida e a quem questiona se o diabo existe.

O Sertão é a Vida. O Sertão são todas as possibilidades que existem no Universo. O Sertão é o mundo. Nossas vidas são apenas Veredas neste Sertão. Não podemos vislumbrar o Sertão inteiro de uma vez só, tão pouco o conheceremos totalmente porque ele é muito maior do que nós. O Sertão dá a vida e dá a morte. No Sertão se nasce e no Sertão se Morre.

Se Shakespeare conhecesse o Sertão, não tenho dúvidas: diria que o Sertão é cheio de Som e Fúria.

8 de setembro de 2008

AS CRÔNICAS DE PRYDAIN


Lloyd Alexander – 1964~1968


“Taran é um porqueiro assistente em Caer Dalben”...

Assim começa a história de um dos livros mais leves e fáceis de ler que peguei nos últimos anos: “Crônicas de Prydain”, de Lloyd Alexander.

A série estava juntando pó nas estantes em casa, pois minha esposa a havia comprado há bastante tempo, mas nunca concluiu a leitura. São 5 livros médios, de leitura fácil e leve, com uma narrativa que não explora linha paralelas de ação. Ou seja: você está acompanhando o herói, Taran, o tempo todo, sem se afogar em personagens, ações e temporalidades diferentes. Isso torna as coisas muito mais compreensíveis, se bem que monótonos algumas vezes. Mas isso não deixa que o livro se torne chato.

Na verdade é uma história bem complexa, que reserva algumas surpresas bem agradáveis durante a leitura. Principalmente no final do último livro, quando tudo parece que vai terminar bem, mas ao mesmo tempo, de maneira horrível.

Não leve em conta a tosca adaptação que a Disney fez da história lá pelos anos 70 ou 80 (não me lembro). “O Caldeirão Mágico” (The Black Caldron) foi uma quimera que a Disney fez tentando sintetizar em um único longa de animação 5 livros inteiros. Obviamente não foram inteiros, e se você ler o livro e ver a animação, fica decepcionado, pois os personagens foram simplificados demais, e muitos outros personagens e eventos importantes simplesmente não aparecem. Fflewddur, o rei bardo, que é o personagem mais cômico e um dos mais marcantes em todos os 5 livros, foi retratado no desenho da Disney como um velhote, sendo que, quando você lê o livro, tem a impressão de que ele é bem mais novo (e forte).

Taran é criado na propriedade do mago Dalben, cuidando da porca oracular Hen Wen. Durante a história toda ele e seus amigos enfrentam Araw, lorde da morte na terra de Prydain. Com o passar do tempo, Taran amadurece, indo de um garoto tolo e raivoso até um adulto forte, calmo, sábio e ponderado, que estava destinado a cumprir uma grande profecia. Tudo nele o direcionava para tal conclusão.

Acompanhar Taran, a princesa Eilonwy, Fflewddur, Gurgi, Gwydion e tantos outros personagens cativantes mostrou-se uma delícia após aquela situação toda que li na última série de livros que tive acesso: A Bússola de Ouro.

Por muito tempo eu me perguntei porque as histórias tem que ter finais felizes, já que a vida nem sempre tem (como foi o caso da Bússola de Ouro). Hoje me dou conta de que a literatura, como expressão da imaginação, presta um serviço maravilhoso ao coração humano. Quando lemos uma história em um livro, a magia das letras nos fazem ver, viver e experimentar aquilo pelo que o personagem passa.

A literatura, e mais ainda a literatura fantástica, existem para este fim: nos dar a oportunidade de experimentarmos sensações, emoções e visões que não teríamos de outra forma. É uma experiência de se colocar no lugar de outra pessoa (no caso, do personagem). Ninguém quer que coisas ruins aconteçam consigo mesmo, não é? Desta forma hoje em prefiro finais felizes e absolutos, como o bom e velho “e viveram felizes para sempre” ou então outro que eu gosto mais: “e foram felizes até sua tardia morte”. É como a mitologia. A que conhecemos hoje, milenar, é a que sobreviveu por força de sua moral. Da mesma forma são os bons livros (ao meu entender): só devem falar daquilo que realmente importa. E o que importa? O amor, a bondade e a felicidade. Contra isso não existe objeção de nenhum ser humano.

27 de julho de 2008

A LUNETA ÂMBAR / THE AMBER SPYGLASS


Philip Pullman – 2002


Devido a uma série de atividades que tive nos últimos dias, não tive tempo de escrever sobre este assunto, que admito, é complexo e extenso. Mas o fato é que terminei de ler o livro na terça-feira passada, e resolvi deixar as coisas digerindo um pouco em minha mente, porque muita coisa ficou em minha cabeça depois da última página.


O último volume da trilogia “Fonteiras do Universo” pode ser considerado por muitos como o encerramento de uma das obras mais heréticas de todos os tempos. Ou então, o final (se bem que não é tão final assim) de uma boa história.


Philip Pullman sabe escrever. Não tenho capacidade de dizer o quanto em termos acadêmicos (creio que seja muito, pois é professor de língua inglesa da Universidade de Oxford), mas posso dizer que foi o bastante para me cativar. Só houve uma obra que eu havia lido com tanta “fome” quanto A Luneta Âmbar: O Senhor dos Anéis.


A história começa com Lyra sendo raptada por sua mãe, que a mantém adormecida por uma poção. Em seu sono, ela sonha com seu amigo morto no primeiro livro. Ele está no mundo dos mortos, aonde ela deseja ir para falar com ele e pedir perdão.


Após inúmeras batalhas Will consegue resgatá-la com a ajuda da Faca Sutil, mas a faca se quebra quando tenta cortar uma abertura e ao mesmo tempo pensa em algo que ama mas que o deixa triste: sua mãe. Porém, com a ajuda do urso de armadura, Iorek, eles conseguem reforjá-la. E então parte para o mundo dos mortos, que era um mundo como outro qualquer por onde eles haviam ido com a faca, mas ao mesmo tempo, diferente.


Começa ai a parte mais herética da história, aonde se vê que A Autoridade aprisionava na escuridão as almas de todos os mortos, sejam eles bons ou ruins. Elas eram guardadas por Harpias repugnantes que odiavam a mentira e se alimentavam do mal das almas que ali estavam, e para isso, quando a pessoa dormia elas iam até ela sussurrar em seu ouvido todas as coisas ruins que a pessoa havia feito em vida, a ponto de ela se odiar e ter nojo de si mesma.


No fim, a missão de Lyra e Will neste mundo foi a de criar uma passagem para as almas irem para um mundo físico novamente, e assim como seus dimons (todos tinham dimons, mesmo que ocultos em seus corações), de desintegrariam no ar, e todos os átomos de seu ser misturariam ao Universo, e eles viveriam eternamente na chuva, nos pássaros, nos rios e nos animais. Esta era “a morte da morte” a qual seu pai, lorde Asriel, havia falado no fim do primeiro livro.


Daí para frente entra-se em uma espiral de acontecimentos que deixariam qualquer sacerdote cristão de cabelos em pé. Começamos com o início: A Autoridade nada mais era do que a primeira matéria a tomar consciência de si mesma, e todos os demais que vieram depois dele ele nomeou anjos, lhes dizendo que ele os havia criado. O Criador, que teria criado o Universo, bem... deste ninguém sabia. Nem mesma a autoridade. Uma visão ateísta de certa forma.


A rebelião nos céus ocorreu porque o anjo que o mundo chamou de Lúcifer era, na verdade, bom! Ele queria que as pessoas tivesse conhecimento e inteligência, enquanto que a Autoridade queria manter toda a matéria mergulhada na inconsciência. Ou seja: uma inversão de idéias comparada ao cristianismo. Fora a figura de Metatron, O Regente, a quem a Autoridade havia instituído em seu lugar. No fim, A Autoridade se deixa desintegrar, e o Regente é morto por Lorde Azriel e a Sra. Colter, pai e mãe de Lyra, que o fazem por amor à filha (afinal Metatron temia Lyra pela tentação que ela teria, e queria matá-la).


O assunto geral do livro é muito complexo, como falei. Mas resume-se à idéia de que Lyra sofreria a mesma tentação que Eva, e que sua decisão iria influenciar o Universo da mesma forma. A tentação foi feita pela Serpente, que era a cientista que Lyra havia conhecido em nosso mundo quando veio até aqui no segundo livro. Esta cientista havia sido freira, e a “tentação” em si foi ela contar a ela e Will sobre como ela havia deixado de ser freira. Ela explicou como havia se apaixonado por um homem, e no que isso significava, e em todas as coisas maravilhosas que o amor era capaz de proporcionar a uma pessoa, e em como ele fazia com que a vida ganhasse um significado verdadeiramente especial.


Assim, Lyra e Will, que já demonstravam possuir uma afeição grande um para com o outro, se bem que de maneiras velada, terminam por dar vazão a seus sentimentos. E ambos se beijam, se abraçam, se declaram apaixonados, e ficam juntos. Isso por si mesmo foi capaz de resolver o problema no qual o Universo estava mergulhado e explicava o significado do Pó, que intrigava a todos desde o primeiro livro: a capacidade de pensar, tomar decisões e... amar!


No fim, e se você não leu o livro e não quiser saber, que não leia o seguinte: Lyra e Will são separados. Descobre-se que o Pó, que era o que permitia a todos serem conscientes, estava sendo tragado pelo abismo e pelos espectros criados pela Faca Sutil cada vez que ela criava uma passagem entre as dimensões. Como uma pessoa não podia viver com saúde por muito tempo em um mundo diferente daquele em que nasceu, vê-se uma das separações mais dolorosas das quais eu já tenha tomado conhecimento na literatura. Eles tinham que fechar todas as passagens entre os diversos mundos (e isso os anjos rebeldes fariam), e a faca deveria ser quebrada para selar qualquer chance de que o vazamento do Pó ocorresse novamente, colocando todos os Universos em perigo novamente.


A moral da história é que o corpo físico é tão importante quanto o espirito (no caso, os dimons) e a alma (nossa essência). Todas as experiências físicas que temos de dor e prazer são tão válidas e tem um propósito tão importante quanto aquelas no plano espiritual. Afinal, para que seriamos capazes de sentir estas coisas e experimentar estas sensações se elas não fossem importantes? Eu ainda me perguntava sobre isso, e então me lembrei do que o apóstolo Paulo disse: “Posso todas as coisas, mas nem tudo me convém”.


Uma vez separados e em seus mundos, Will quebra a faca, e com a cientista, cria uma amizade que lhe permitiria resolver os problemas que tinha com sua mãe doente. Ele e Lyra se amavam e estavam mergulhados em uma grande dor. Sabiam que nunca mais se veriam e que só teriam lembranças um do outro. E marcam de irem uma vez por ano no mesmo lugar (que havia em seus dois mundos) no mesmo horário, e fingirem que estavam juntos por uma hora. Não sei você, mas eu achei isso muito triste e bonito.


A história termina, mas para mim, não de uma maneira cabal. Ficaram abertas certas brechas que permitiriam uma possível continuação. Que se houver algum dia, eu e muitos leitores esperam que seja para permitir que Will e Lyra fiquem juntos definitivamente.


A história é herética sim. Mas não fosse por isso, seria uma história maravilhosa e, de certa maneira, impecável. Por mais que eu tenha entendido que a crítica final é à instituição IGREJA (devido a todas as falhas e desgraças que ela causou no decorrer da história humana) e não ao Deus criador (que o escritor deixa claro em sua história que “ele não sabe se existe ou não, e se existe, ninguém sabe dele”), muita gente o condena. Eu não os critico, pois compreendo o quão fundo este homem enterrou o punhal nas fundações da igreja. Porém, digo que achei os livros muito bons.


Por fim, sobre o nome dos dimons...


Semana passada estava andando pela livraria Cultura, do Shopping Iguatemi. Calhei de entrar na parte de dicionários, e a Cris olhou para um exemplar de um Dicionário de Símbolos. Livro muito interessante, quero comprar um em breve! Mas voltando ao assunto...


Peguei o livro em mãos, e com mais de 700 páginas, era muito detalhado em explicar o significado de diversas simbologias distintas. Imagine só você que, totalmente sem querem, eu me deparei com a palavra “dimon”.


Esta palavra é de origem grega, e de fato originou a palavra em inglês “deamon” e em português “demônio”. Sabe a explicação que é dada para a origem desta palavra no grego? Não me lembro exatamente das palavras, mas a idéia é: o dimon é o gênio pessoal do ser humano, o homem interior, a essência de uma pessoa e seu verdadeiro eu. É sua consciência, é o Ego racional divino. É o homem natural, com suas paixões e instintos, suas virtudes e defeitos, que à luz dele não são bons nem ruins, mas são apenas o que deviam ser. Philip Pullman sabia disso com toda certeza, e eis ai o motivo do nome dos dimons.


Fico pensando se o termo “demônio” não foi cunhado assim para tentar colocar a culpa de nossas ações não muito honradas em um ser externo, que nos tenta, que nos direciona ao mal. Uma terminologia para o homem que somos e que de certa forma nunca deixaremos de ser, mas que insistimos em renegar.


Não digo que não exista uma guerra espiritual no mundo e que não existam anjos caídos. Eu sei que eles existem e que o inimigo é ardiloso e esperto. Mas sabendo sobre este termo agora, remete-se a aquela idéia de que somos seres muito mais complexos do que as pessoas tentam determinar nas igrejas ou faculdades, e que somos capazes de ações de bem ou mal extremos, sem nenhuma influência de Deus ou do Diabo. O bem por si mesmo não lhe trás a salvação, e o mesmo eu creio que se possa falar do mal e da condenação à morte eterna.


As pessoas podem ser salvas por Cristo e ainda assim cometer certos pecados (mal) dos quais não consegue escapar porque são aqueles maus que estão inerentes à natureza humana, que são o que são. Da mesma maneira que um ateu pode ser capaz de atos de bondade extrema.

1 de julho de 2008

A FACA SUTIL / THE SUBTLE KNIFE

Philip Pullman – 1997


Ontem a noite, não mais sozinho mas isolado em meu quartinho de leitura, terminei de ler o segundo livro da série “Fronteiras do Universo” (His Dark Materials). É aquele mesmo que muita gente leu em e-mails espalhados pela Internet e cujo conteúdo dizia ser este livro satânico, incutidor de idéias anti-cristãs, blasfemo e outras coisas mais.


No post em que eu falei sobre o primeiro livre eu disse que a história era boa. Termino o segundo dizendo que a história continua ótima, e a narrativa melhorou tanto que em certas partes era quase impossível parar de ler. Mas tem algo a ser falado sobre este livro e que provavelmente vai contradizer em parte o que eu falei antes sobre esta história.


Algumas pessoas que viram o primeiro filme não acharam grandes coisas sobre os perigos que a história transmite sobre uma visão totalmente invertida de Deus. Quem ler o primeiro livro, ao terminar, acharia a mesma coisa. Mas o caldo engrossa bastante no segundo livro.


Se não gosta de spoillers (estraga-surpresas), não leia. Mas se quer saber um pouco mais, continue abaixo, pois vou falar um pouco mais sobre a história.


Termina-se o primeiro livro com lorde Azriel tendo quebrado a barreira entre os mundos (dimensões diferentes, ou realidades paralelas). Ele foi para outro mundo e Lyra foi atrás, imaginando que ao contrário do que o pai dela achava, o tal pó (citado como poeira do universo, impregnada em tudo, mas de maneira mais concentrada em pessoas adultas e com dimons imutáveis) não era uma coisa ruim a ser destruída, mas sim algo bom a ser preservado.


A citada Faca Sutil do título é uma faca que foi feita no mundo para onde o portal que lorde Azriel criou. Um undo repleto de crianças de dimons, com adultos que eram mortos-vivos, sugados por Espectros que não de interessavam por crianças, deixando-as em paz. Da faca, falo depois.


Pulando a enrolação, para este mundo vai um rapaz, Will, que é do nosso mundo, esta terra mesmo que conhecemos, com seus cinemas, coca-cola, polícia, tv, desenho animado e muito mais. Ele encontrara um portal para aquele mundo e lá se encontrou com Lyra, e a partir daí ocorrem diálogos e ações em ambos os mundos que constatam o que já era inferido no primeiro livro.


Dimons são a alma da pessoa. Lyra a principio acha estranho que Will não tenha um dimon, mas depois ela percebe e lhe fala que ele tem um sim, mas que está dentro dele, escondido. Depois, constata-se que o tal pó o que chamamos em nossa física de “matéria escura”. E a partir daí começam as coisas que engrossaram o caldo, como citei.


Descobre-se que o aletiômetro (a bússola de ouro do primeiro livro) é um objeto que manifesta a consciência do pó/matéria escura, que, no final das contas, não só é senciente como manipula o Universo. Eles dizem que os humanos os chamam de pó, ou de matéria escura, mas que na verdade estes mesmos humanos os conhecem desde tempo imemoriais por outro nome: anjos!


A partir daí fica-se claro que, na história, o pó é a manifestação do poder de Deus, que prende os humanos em destinos que a grande maioria, principalmente Azriel, acham cruel. Ele simplesmente começa a reunir um exército gigantesco de anjos (sim, anjos), feiticeiras e diversas criaturas de infindáveis mundos que, como ele, tinha este objetivo: acabar com o pó, terminando uma guerra que, segundo eles, havia sido travada nos céus há muito, muito tempo atrás.


Azriel quer terminar o que o Diabo começou, entendendo que o criador (eles não usam o nome Deus) é um tirano. Se ele não o for, seus representantes (a igreja, em infindáveis mundos) se apresentam como tal, e portanto, este mesmo criador seria co-participante com eles da tirania da igreja, que sempre buscou matar tudo o que há de belo, prazeroso e e natural na vida humana, tentando atirá-lo em um abismo de ignorância em contra-partida daquilo que eles criam ser o destino do ser humano: se tornarem nobres, evoluídos e bons pela busca do conhecimento, da lógica e da razão. Falam com ódio contra este ser que criou os humanos e os aprisionou em um universo de dor e sofrimento como aqueles em que viviam (pois eram muitos os Universos, mas era apenas um só Deus).


O interessante é que fica-se subentendido que não é só Deus quem eles querem destruir, mas também o Diabo. Dizem que a vida humana é disputada por dois poderes “que brigam o tempo todo para poder manipular cada resultado da evolução da humanidade, tirando este controle um dos dentes do outro em um combate feroz e mortal”. E o que Azriel quer é que os humanos não sejam mais manipulados por lado algum nunca mais. É, portanto, uma visão não satanista a do escritor, mas meramente ateísta! Bem radical, diga-se de passagem.


Obviamente imagina-se que isso tudo é ridículo. O exército de Azriel, segundo criaturas antigas na história, era muito mais numeroso, forte, bem preparado e comandado do que o exército que fez o levante no passado (de Lúcifer, que não foi citado até aqui). Mas fica-se sabendo que sem uma determinada coisa, a missão deste exército seria impossível. E é justamente ai que a faca sutil entra.


Criada naquele mundo intermediário (que ligava todos os mundos diferentes), esta faca parecia normal, mas era extremamente especial; era, de fato, única. Fora criada como uma experiência de filósofos e físicos, que resultou em algo inacreditável, cujos criadores sequer se deram conta do que tinham em mãos. Criaram uma faca com o fio tão perfeito, tão absurdamente afiado, que podia contar qualquer coisa. QUALQUER UMA.


Usavam-na, por exemplo, para fazer o que nossos aceleradores de partículas fazem hoje nos grandes centros de pesquisa da matéria no mundo. Quebravam átomos com esta faca. Em nosso mundo, quebramos átomos originando partículas nucleares chamadas de prótons, nêutrons e elétrons. Quebramos estas partículas e obtemos sub-partículas atômicas como os quarks e os neutrinos. E dentro destes, não se tem idéia do que há, pois não é possível quebrá-los de tão pequenos e compactos que são. Mas com a faca sutil, era possível quebrá-los em pedaços muito, muito menores, até destruí-los por completo e simplesmente extinguir qualquer coisa a nada.


A faca sutil podia cortar o próprio tecido do espaço-tempo e da realidade, criando portais para dimensões paralelas. Esta faca podia cortar o incortável, sendo capaz de cortar até mesmo a matéria escura, que logo se entende ser a manifestação etérea do que conhecemos como espírito (no livro, que fique bem claro). Esta faca, por mais absurdo que se possa parecer, além de criar portais interdimensionais... podia matar Deus!


Sob esta ótica, agora fica-se claro os motivos que levaram igrejas a alertar sobre estes livros. A idéia de matar deus é abominável e impossível. Para os religiosos, mesmo em um livro isso sequer devia ser vislumbrado.


Mas volto a dizer: é uma história extremamente criativa e empolgante, que prende o leitor e o leva a reinos de imaginação que, pelo menos eu, nunca tinha visto. Mas é preciso lê-lo com critério, e o critério e simples: foi escrito por alguém que não gosta da igreja por motivos que de certa forma eu acabo compartilhando, infelizmente. A igreja, volto a afirmar, errou e erra muito, seja católica, evangélica, muçulmana, mórmon ou de outras religiões. Em muitos casos representam interesses terrenos, políticos e pessoais (de cunho financeiro e até sexual). É natural que tentem confrontá-las colocando seu objeto de adoração, ou seja, seu Deus, em xeque.


Mas eu simplesmente leio a história sem me preocupar ou deixar contaminar com estas coisas. No final das contas, eu sempre tive a visão que em uma história, em um livro, os personagens vivem em um Universo de verdade, e o deus deste Universo em que estão inseridos não é o nosso Deus, mas sim o próprio escritor. Ele é quem criou aquele mundo e aquelas pessoas. Então, se fala mal daquele deus, o citando como um tirano, fala mal de si mesmo, impondo seus personagens destinos cruéis e dolorosos.


Mas vale lembrar que Lyra desconfia que seu pai, lorde Azriel, esteja totalmente equivocado. Então, ainda preciso ler o último volume para ter uma visão completa da obra e saber aonde isso tudo vai terminar.


Toda história precisa de acontecimentos ruins para que os bons ocorram, conflitos e situações que exijam a ação dos personagens. Em uma história de cunho fantástico como esta, que situação mais época poderia existir se não uma guerra contra o próprio criador do Universo? É a rebeldia mais escrachada que se pode ter, e por mais que se diga que não, todos temos uma natureza rebelde, que com Cristo, tentamos suprimir. No mínimo, por mais enojados que possamos ficar, sempre há uma identificação, por menos que gostemos de admitir.


24 de junho de 2008

A BÚSSOLA DE OURO / THE GOLDEN COMPASS

Philip Pullman – 1995


Ontem a noite, sozinho em casa, terminei de ler o primeiro livro da série “Fronteiras do Universo” (His Dark Materials). É aquele mesmo que muita gente leu em e-mails espalhados pela Internet e cujo conteúdo dizia ser este livro satânico, incutidor de idéias anti-cristãs, blasfemo e outras coisas mais.


O livro, na minha opinião, é muito bom e não trás nada de tão perigoso assim. O fato do autor ser um ateu declarado, e ele tratar sobre assuntos religiosos e filosóficos incomodou muita gente entre católicos e protestantes. O fato da história demonstrar a igreja como uma figura controladora e castradora piorou mais ainda. Fora o elemento narrativo chamado de Dimon, que muita gente disse serem “deamons”, ou seja, demônios. Isso inclusive é citado no começo do segundo livro.


Que fique claro: o autor nunca explica com todas as palavras o que são os dimons, mas quanto mais você lê, mais claro fica o que são. Dá-se a entender que eles são uma manifestação física da própria alma da pessoa. Humano e dimon podem aparentar o contrário, mas não são duas entidades separadas. São sim um ser único (alma e corpo), tanto que não podem se afastar muito um do outro sob pena de grande desespero e sofrimento.


Dimons de adultos tem uma forma fixa que, mais adiante, você percebe representar características de personalidade e atitude de seu humano, enquanto que dimons de crianças podem assumir centenas de formas diferentes, de acordo com sua vontade. É uma alegoria ao fato de que, quando crianças, temos potencial para sermos qualquer coisa que quisermos ser, e quando adultos, somos este algo definido com o passar do tempo e com a morte da inocência pelo acúmulo de experiência.


De certa forma todo este burburinho em torno do livro tem sua origem na mesma fonte de onde saíram as condenações a outros livros infanto-juvenis envolvendo visões mágicas e fantásticas, como a série Harry Potter (que eu nunca li, mas que vi todos os filmes até aqui). Philip Pullman, assim como outros autores criticados, pisou em um terreno perigoso do qual muitos escritores desviam: criticar não o cristianismo, mas sim a igreja.


Ele criou um universo aonde não só o cristianismo era disseminado, como trechos da Bíblia neste universo foram alterados. Se todos os humanos tinham dimons, era natural que no livro de Gênese deste Universo Adão e Eva também tivessem dimons lá no éden. A história gira em torno de elementos que, ao final do livro, vão se revelando extremamente polêmicos tanto dentro quanto fora da história, para personagens e leitores.


Declarar que as escrituras podiam sugerir que Deus afirmava ter uma natureza em parte pecaminosa é algo que sempre faz com que os crentes fiquem indignados. A mesma indignação pode ser vista nestas mesmas pessoas quando se afirma que não existe um céu e um inferno, mas sim infinitos céus e infernos, que nada mais são do que realidades paralelas de acordo com todas as possibilidades até o nível sub-atômico (basicamente, um dos conceitos mais polêmicos da física quântica).


O detalhe é que o escritor, até onde eu sei, não esperava destas pessoas outra reação se não essa: indignação. Mas a reação destas pessoas ultrapassa a mera indignação, e é igual à reação da igreja dentro da história: intolerância, perseguição, acusação de possessão e satanismo, abafamento. Coisas que foram vistas na igreja em épocas obscuras como a santa inquisição. Coisas que ainda vemos em certos meios mas que muita gente não quer admitir que ainda ocorrem, se bem que de maneira velada e sutil.


A história fala basicamente sobre a intolerância religiosa e sobre o desejo de posse exclusiva da verdade por parte da igreja, ao ponto de excluir antecipadamente qualquer outra possibilidade, utilizando para tal os mais variados meios, sejam eles éticos ou não.


A igreja sempre afirmou que não podem haver dúvidas sobre Deus e sobre a fé. Se houverem opiniões divergentes, as dúvidas imediatamente surgirão, então é melhor acabar com outras hipóteses para manter a ordem e o controle. Mas controle de quem?


Sem grandes pretensões, é uma história muito boa que ressalta os valores da amizade, coragem, amor, perseverança e do conhecimento. Lyra é um exemplo de sagacidade e de processo de amadurecimento, deixando de ser uma menina irritante para se mostrar uma garota de valor, que descobre sua futilidade e passa a dar valor a aquelas coisas realmente importantes.


Em nenhum momento o autor afirma que Deus não existe. De fato, em certa parte do livro ele afirma o contrário, pelo menos no primeiro livro (já comecei a ler o segundo).


O problema todo é a intolerância e o preconceito. E o fato de que muitos crentes e religiosos não sabem olhar para uma história, para um livro, e vê-lo como isso que é. Gostam de ver motivações e propósitos ocultos e subliminares que muitas vezes não existem. Porque podem ver livros como “As Crônicas de Nárnia” e até “O Senhor dos Anéis” (gosto muito de ambos) e vê-los como histórias inocentes, enquanto que histórias como “Harry Potter” e “A Bússola Dourada” são tachadas como obras de Satanás para desviar as crianças e adolescentes dos caminhos de Deus? É pelo mero fato de que Lewis e Tolkien terem sido cristãos (principalmente Lewis, que era pregador) e Pullman e Rowling serem ateus ou não praticantes? Não seria isso aquilo que Pullman critica em sua obra? Preconceito e intolerância?


Se você olhar e comparar estas obras, verá que elas não são assim tão diferentes entre si. Todas tem elementos chave semelhantes, como magia, mundos paralelos, eventos sobrenaturais e batalhas épicas entre o bem e o mal. As pessoas deviam parar de usar dois pesos e dias medidas, e deixar de ver pêlo em ovo e mudar a forma com que vêem o mundo. Deus criou o Universo com a diversidade que o infinito pode acomodar. Porque tentamos sempre impor limites, tentando adequar a realidade a nossa míope e limitada capacidade de compreensão das coisas?


Deus é fato, assim como Cristo é fato. O resto é mera suposição. Cristo não deixou evidências físicas de sua existência justamente porque evidências físicas podem ser forjadas, manipuladas e alteradas. As provas que Ele nos deixou são espirituais, e tendo-se estas provas, nada mais é capaz de lhe fazer deixar de crer. Nem mesmo um livro.


No site do filme, que eu ainda não vi mas pretendo ver em breve, existe um teste para descobrir qual é o seu dimon. Fiz o meu e não sei se deu certo. Meu dimon é a Rhianna, um leopardo da neve, porque me classificaram como alguém de fala mansa, afirmativo, flexível, solitário e modesto. E ela é fêmea porque dimons quase sempre são do sexo oposto a de seus humanos.

Sequiser fazer, o site é http://www.goldencompassmovie.com

27 de dezembro de 2007

Atrasado

Veja só você... eu, um eterno projeto de escritor (na verdade um projeto de um monte de coisas), nunca havia lido um livro sequer de Agatha Christie. Minha prima, advogada, leu todos nos nos 80 e 90, pelo que me lembro.

"A Noite das Bruxas" está se mostrando uma leitura agradável até o momento, estou apenas no capitulo 6, mas já sou grato a minha esposa pela ajuda em escolher este título (versão pocket ainda pra ficar mais barato).


O natal foi muito bom, e espero que todos os meus conhecidos em maior ou menor grau tenham tido bons momentos com quem gostam. E que 2008 seja melhor que 2007, não importando o quanto 2007 tenha sido bom.


Finalmente o imbróglio entre eu e a MRV parece ter chegado ao fim. Sexta passada pegamos as chaves do apartamento, já solicitei ligação de energia elétrica e amanhã já devo ter acertado a autorização de mudança com a administradora do condomínio (eu só não entendo porque tenho que ter autorização de uma imobiliária para ir morar naquilo que é meu).

Agora é torcer para que tudo esteja certo, dentre documentação, recolhimento de impostos e condições internas do imóvel (canos, fiação, revestimentos, etc). Se eu soubesse que comprar imóvel dava tanta dor de cabeça, não sei se eu teria preferido continuar no aluguel, que se por um lado é chato de pagar por algo que não é seu, por outro te livra de um monte de dores de cabeça... mas ta nas mãos de Deus, desde o começo.

21 de junho de 2006

O PEQUENO PRÍNCIPE

De alguma forma a história de O PEQUENO PRÍNCIPE ficou armazenada em minha mente de maneira rasa, quase que de uma forma emocional. Li este livro quando era bem novo (acho que nem bem tinha meus 12 anos), e nos ultimos tempos tenho tido muita vontade de reler esta obra porque, como citação fundamental de um trabalho que fiz com um amigo, usei uma frase do autor do livro, Antoine de Saint-Exupéry. "O essencial é invisível aos olhos; só se vê bem com o coração". Isso de alguma forma mexeu comigo e me deixou mais melancólico do que eu já estava.

Achei, com alegria, um site que tem o livro inteiro para leitura gratuita, só que sem as figuras tão marcantes de minha infância. O endereço é http://home.kc.rr.com/slyon/por.html. Havia me esquecido de como esta história é bonita. Relendo alguns trechos, quase chorei, por que hoje, mais do que ontem, as idéias do texto fazem sentido e se expandem a um patamar mais belo do que sequer imaginava.

26 de janeiro de 2006

O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS


Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável.

Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.

Introdução do livro "O Restaurante no Fim do Universo", de Douglas Adams


Sem sobra de dúvidas o livro O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS foi um dos livros mais gostosos que eu li até hoje. Não é comum eu ler um livro inteiro de mais de 200 páginas em apenas 2 dias, mesmo que esse livro tenha páginas ásperas fáceis de manusear, letras um pouco maiores que o normal e um espaçamento de linha generoso.

Não, não é nada disso. Na verdade, me dei conta que todos os livros que eu li até hoje eram bacanas, mas chatos. OK, nem todos eram bacanas, mas todos com certeza eram chatos... ao contrário do GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS e suas continuações (começei a ler o segundo, O Restaurante no Fim do Universo ontem a noite mesmo).

Dotado de um humor tão imensamente sem sentido, e recheado de uma inteligência que raramente vi em escritores (normalmente este tipo de inteligência fica restrita à pessoas que ninguém nunca ouviu falar e que nunca se tornaram famosas, mas que eram geniais), nem mesmo as tiradas ateiastas do livro conseguem estragá-lo.

Há na história um peixe amarelo que é enfiado no canal auditido das pessoas e assim permite que seu hospedeiro entenda todo e qualquer idioma do Universo. Se chamava (veja só) Peixe-Babel. Ai chega-se à conclusão que Deus não existe (na história) por que Deus sempre disse que se recusava a provar sua própria existência com fatos materiais, já que isso seria contrario ao principio da fé (de crer em algo sem provas) e sem fé, Ele não era nada.

Ai o homem aparece e diz que ele (Deus) não existe por que ele fez o tal peixe, que era ridicula e absurdamente útil a todo o Universo. Por meio de probabilidades era simplesmente impossível que esse peixe tivesse simplesmente aparecido do nada por meio de evolução natural. Ou seja, estava na cara que Deus havia criado o peixe, e como ele disse que nunca mentia e que nunca provaria que ele existia, e o peixe era uma prova, Deus então disse "Ih, é mesmo, não tinha pensado nisso" e então desaparece em uma núvem de lógica.

Entendeu alguma coisa disso? Esta passagem me fez rir por uns 5 minutos. E acredite que isso não é na verdade a parter mais engraçada da história.

Há o filme que saiu ano passado, muito bom MESMO (vi no cinema e no DVD já). Mas uma das verdades cruéis e imutáveis do Universo, como constatei a tempos, é que os livros sempre são melhores que os filmes. Mesmo que o diretor seja o Peter Jackson.

Como minha noiva sempre diz... viciado em cinema é triste, ainda mais se ele também é viciado em livros.

28 de fevereiro de 2005

MAIS NÁRNIA

O livro chegou! E que maravilhoso ele é! Enorme! Pesa mais de 2Kg! Impresso na Itália! Papel de alta qualidade! Capa dura! Foi uma ótima aquisição, sem sombra de dúvida! E a história... ah a a história! Devo confessar que me empolguei um pouco. Dos 7 livros que existem nesta compilação, já li um neste final de semana. Mas não é culpa minha... a culpa é do autor, que escreveu uma história apaixonante.

Eu sabia que as histórias de Crônicas de Nárnia eram recheadas de simbolismo cristão, com Aslam, o leão criador da terra de Nárnia, representando Jesus e a Rainha Branca representando Lúcifer. Mas fiquei positivamente impressionado com a forma com que C.S. Lewis fez isso em sua história. É de uma beleza ímpar. E mesmo que o leitor não seja cristão, mesmo que o leitor nunca tenha ouvido falar de Jesus, os preceitos básicos do cristianismo estão ali. O bem real e o que apenas aparenta ser o bem mas na verdade é o mal disfarçado. Não dá para explicar, é preciso ler. E tenho certeza que mesmo aqueles que não são cristãos se apaixonam pela história, que é encantadora. Já os cristãos conseguirão detectar claramente a apologia poética e mais do que adequada que o autor faz com a vida cristã. Me impressionei muito. O livro excede a todas as minhas espectativas.

Resta saber agora se o filme da Disney, que estréia neste natal, estará a altura desta obra. Li o Senhor dos Anéis e posso dizer, ao menos da minha parte, que os filmes da trilogia foram felizes na adaptação. Se este filme de Nárnia mantiver o mesmo nível, aguardem... vocês vão ouvir falar muito de 4 irmãos entrando em um guarda-roupas mágico que os leva a uma terra gelada governada por uma rainha má, mas que será derrotada por um enorme leão chamado Aslam... que nada mais é do que uma apologia ao próprio Leão da Tribo de Judá... Jesus.

22 de fevereiro de 2005

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - UM CAPRICHO

Sim, hoje atendi a um capricho meu e fiz algo que normalmente não faço: comprei uma coisa cara para mim mesmo (estou acostumado a comprar só coisas baratas para mim).

Já fazia algum tempo que eu queria muito ler "As Crônicas de Nárnia" de C. S. Lewis (ainda mais depois que fiquei sabendo que a Disney está fazendo o filme inspirado na primeira das crônicas), e então hoje tirei o escorpião do bolso e gastei R$110,00 na obra completa (este livro é a encadernação de todas as 7 crônicas passadas no mundo de Nárnia). É, ao lado de "O Senhor dos Anéis" um dos maiores clássicos da literatura infanto-juvenil inglesa.

Espero que a transação da compra ocorra sem problemas. Estou acostumado a comprar livros no site do Submarino e este eu comprei no site da Saraiva... mas sempre fico com uma pequena apreenção quanto a este tipo de compra. Ainda sou daqueles antiquados que gosta de ir na loja e pagar no caixa, mas a verdade é que eu estava procurando este livro a um bom tempo e não o achava nas livrarias. Não resisti e comprei. No final paguei mais barato (cada um dos 7 livros em separado custava R$32,00).

18 de janeiro de 2005

LIVROS

Não tenho mais dúvidas de que a série de livros "Deixados para Trás" é de fato uma benção tremenda. Para mim ao menos é. A série, que conta com 12 livros sobre os quais já postei aqui no passado, é uma ficção sobre os últimos dias, sobre o arrebatamento, o surgimento do anti-cristo, a batalha do armagedom e o glorioso retorno de Jesus ao mundo, vitorioso, para o seu reinado de 1000 anos e posterior reino eterno de Deus em uma nova terra (E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Ap. 21:01)

No ultimo sábado comprei os últimos 2 livros da série: "Armagedom" e "Retorno Glorioso". Já estou quase terminando o penultimo livro e a cada página me apaixono mais pela história e por Deus. Por mais que as pessoas digam que esta série pode ser um pouco oportunista ou outra coisa qualquer, ela me ajuda a me aproximar de Deus de forma tremenda. Sempre foi assim em momentos de crise espiritual: estes livros, pelo exemplo de fé que os personagens demonstram a cada página, me inspiram. Inspira não a acreditar que o final dos tempos será daquela forma, afinal ninguém sabe quando ou como aquilo será.

Mas me inspiram sim a ter aquela fé, aquele amor imenso por Cristo e por Deus, a não duvidar, a lutar, a perseverar, a enfrentar o mal como instrumento nas mãos do Espírito Santo de Deus. A buscar por ser usado maravilhosamente por Deus, a ser um vaso de bençãos para todos os que me rodeiam. A ser santo, a aceitar o amor e misericórdia de Deus mesmo que eu não entenda como Ele pode me amar desta forma, mesmo eu sendo quem sou, podre e mal desde meu nascimento.

Fora isso, estou treinando 3 vezes por semana, e em uma semana de treinamento, já estou sentindo alguns resultados. É pouco tempo, mas me cansei menos no treino de ontem do que no treino da semana passada.

Minha faculdade começa em fevereiro e espero que estes últimos 6 meses passem logo. Assim como espero que minha dívida com a faculdade seja quitada logo, com a graça de Deus. Após terminar de pagar esta bendita faculdade, vou poder guardar dinheiro para o meu casamento com a Cris, que, coitada, já esperou tanto... e isso tudo só nos fez sofrer. Mas Deus tem os seus propósitos, e tenho certeza de que nós não nos casamos por que não foi da vontade Dele que isso ocorresse ainda.

Para piorar, existem boatos de que o novo prefeito daqui de Campinas vai fechar a minha empresa, que é a empresa de informática da prefeitura. Houve muita veiculação desta notícia nos jornais e TV´s da região nas ultimas semanas. O pessoal daqui está estressado, preocupado, aflito, temeroso. Puro terrorismo, isso está apavorando as pessoas, as fazendo sofrer desnecessariamente. A política é uma coisa podre de fato, pois sabe-se que tudo isso não tem origem na área financeira como se vem alegando. É puramente jogo de poder, e nós estamos bem no meio, levando a maior parte dos tiros.

Deus sabe o que faz. Estou tranqüilo. Sei que Ele me colocou na IMA por algum motivo, e não vai ser para ser mandado embora após 6 meses de trabalho e voltar a sofrer como estava sofrendo sem emprego. Minha noiva também ficou abalada, mas ela terá que entender e se acalmar. Deus está a frente da minha vida, mesmo que em alguns momentos eu seja rebelde (me perdoe por isso, meu Deus) e queira levar as coisas da minha forma. Ele está adiante desta situação também, pois eu nunca tive o menor controle sobre isso que está ocorrendo.

Termino com o primeiro texto bíblico que eu li quando me converti, e que é muito especial para mim, tendo um significado muito amplo e cada dia mais claro para mim nos tempos em que vivemos. Um texto no qual devo refletir e me inspirar todos os dias:

SALMO 1
BEM-AVENTURADO o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha. Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.

12 de janeiro de 2004

AS 3 PALAVRAS DIVINAS

A algumas semanas atrás teve um programa com a Regina Casé na Globo (o Cena Aberta) onde ela levava alguns atores a uma comunidade qualquer do Brasil para encenar histórias. O ultimo que vi (e pelo que eu saiba foi o ultima vez que este programa foi exibido), achei fantástico. Era uma adaptação do conto "As Três Palavras Divinas" de Leon Tolstoi. Se não viu a história, recomendo que a leia. Se viu, também recomendo que leia o texto, pois o original é bem mais completo e forte do que a adaptação feita pela Globo. Para ler o texto (é um pouco comprido, mas não deixe que isto te desestimule, a história é bacana).

Sobre o que a história trata? Sobre as virtudes que Deus deu ao homem, e sobre sua benevolência para conosco. Ela demonstra no quanto Deus pensa em cada um de nós, a ponto de ter nos dado as 3 palavras divinas. Preciso falar mais alguma coisa?

A história se passa em uma Rússia miserável, provavelmente antes mesmo da revolução comunista que resultou na União Soviética. Tudo gira em torno de um casal muito pobre e de um anjo. Para saber o resto, leia o conto. 10 minutos e você já o terá lido.

20 de fevereiro de 2003

COMBATER O MAL COM O BEM

Li nestes dias o livro "O Senhor dos Anéis e a Bíblia", de Mark Eddy. É um livro bastante curioso, uma vez que mostra muitos paralelos da historia de J. R. R. Tolkien com algumas virtudes cristãs. Incrível ver como existem bons exemplos de fé e comportamento cristão na historia. E já na trama principal da historia. O livro não retrata primariamente a historia da guerra do anel e da destruição do mesmo. A historia fala sobre como pessoas aparentemente frágeis, e que normalmente não seria capazes de fazer nada importante, podem ser encarregadas de cumprir coisas grandiosas e realiza-las adequadamente a mando do bem, que em nosso caso trata-se de Deus.

Não vou comentar mais muitas coisas sobre o livro pois seria legal que, se você gosta da historia, o compre e o leia para averiguar por si mesmo que ao contrario do que muita gente pensa, "O Senhor dos Anéis" não é de todo mal. Claro que existe um ou outro ponto obscuro, que faz parte do próprio estilo de fantasia do livro. Bem, isso já foi assunto aqui antes, se quiser saber mais, procure nos "Archives" e leia minha opinião a respeito.

Queria atentar apenas para um ponto que li neste livro e achei bastante interessante. Um dos pontos que Paulo destaca em sua carta aos Romanos 12:21 (Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem) é o de combater o mal que os outros nos fazem não com mais mal, mas sim com o bem. A idéia de vingança é o tema. "A vingança pertence ao Senhor". Romanos 12:14 (abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis). Tudo isso pode parecer estranho, mas Deus nos diz para fazermos isso, para que tratemos bem nossos inimigos.

Em "O Senhor dos Anéis" vemos um exemplo disso no relacionamento que existe entre Frodo e Sam com Gollum, que passa a ser chamado pelo seu nome original, Smeagol. Gollum passou a historia perseguindo o Um Anel, sendo um inimigo voraz da comitiva, colocando a vida de Frodo em perigo varias vezes. Mas Frodo, ao captura-lo, não o machuca, tão pouco lhe faz mal. Ao contrario, tenta trata-lo bem, lhe falando a verdade sempre. Isso provocou uma mudança em Gollum, que aos poucos foi voltando a ser Smeagol, se sentindo impelido em ajudar "o mestre bonzinho" (Frodo) a chegar a seu destino, e sempre falando a verdade. Sam, por sua vez, se tivesse a oportunidade, não pensaria 2 vezes para matar Gollum, no qual ele não confia e sabe ser uma criatura perdida. Mas mesmo Sam, que foi passando por um aperfeiçoamento no decorrer da jornada de destruição do Um Anel, por fim aprende a misericórdia quando tem a oportunidade de matar Gollum e não o faz. No fim, é isso o que nossos inimigos merecem: nossa misericórdia e nossa bondade.

Na historia, Gollum sente dores ao ouvir Frodo dizer-lhe a verdade, de que iria ate Mordor e queria que ele os guiasse ate lá. Ele se sentiu dividido e confuso quando Frodo foi gentil e amável com ele, retirando a corda elfica que estava em volta do seu pescoço, o queimando por dentro. E Frodo, no fundo, é bondoso com Gollum pois vê nele aquilo no que poderia se tornar se sucumbisse a tentação maléfica do Um Anel. Frodo tem pena de Gollum, e o trata como ele gostaria de ser tratado se estivesse naquela situação, sendo ajudado a se reerguer. Esta é uma coisa que achei bacana no livro "O Senhor doa Anéis e a Bíblia": uma pessoa boa pode compreender os atos de maldade de uma pessoa ma pois pode se colocar em seu lugar, sempre podemos nos imaginar em situações que nos levem a cometer tais pecados, e com isso, ter piedade de nossos inimigos, os abençoando com isso. Mas uma pessoa má não pode compreender os atos bondosos de uma pessoa boa.

Ta vendo só? O Senhor dos Anéis pode ser uma leitura maravilhosa em muitos aspectos. Não é um livro perfeito como a Bíblia, mas é uma historia de onde se pode tirar muitos aspectos positivos para nossa vida. Aspectos que agradem a Deus. E isso é o mais importante: deixarmos Deus feliz com nossas atitudes sinceras e com nossos corações.

24 de janeiro de 2003

UMA LEITURA EDIFICANTE











Tenho lido avidamente os livros da série "Deixados para Trás", de Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins. Já estou no quinto livro da série, e no momento, estou lendo "Estamos Vivendo os Últimos Dias?" também dos dois. Este livro é uma tentativa de explicação para as profecias sobre o final dos tempos da Bíblia, contidas em sua maior parte no livro de Apocalipse, mas também espalhadas pelo restante da Bíblia, parte em Daniel, outra parte em Joel, e outras partes em livros de outros profetas e de apóstolos, no novo e no velho testamento.

Os livros da série "Deixados para Trás" contam uma história fictícia sobre o fim dos tempos. Mas esta história é embasada pelas profecias bíblicas, de forma que é o mais fiel possível a elas, se tornando muito próximo do que possivelmente poderá acontecer. Tudo tem início quando aqueles que amam a Jesus serão arrebatados da Terra e levados aos céus para estarem para sempre com Deus, isso todos ao mesmo tempo, em uma fração de segundos (segundo profecia sobre o arrebatamento). Aqueles que não crêem em Jesus serão deixados para trás aqui na Terra. Muitas desgraças acontecem já que motoristas desaparecem e seus carros desgovernados causam acidentes, pilotos desaparecem e aviões caem, operadores de indústrias somem e as máquinas não tem quem as controlem, e por ai vai.

A história se enfoca em um grupo de pessoas que se convertem após o arrebatamento. Inclusive um pastor que foi deixado para trás por que possuía uma falsa fé. O que acontece é que este grupo se une para enfrentar a pior época da história humana segundo a Bíblia, que seriam os anos de tribulação, onde o anticristo dominaria a Terra, e cujo final seria a batalha do armagedom. Bilhões de pessoas se converteriam a Jesus nesta época de sofrimento inimaginável, mas outros bilhões lhe dariam as costas e adorariam ao anticristo. Como os autores dizem em uma nota, esta não será apenas uma época de tribulação, desgraças e sofrimento (ira de Deus), mas será acima disso uma época de bondade, graça e misericórdia de Deus. Por que ele levará no arrebatamento aqueles que o amam e que amam a Jesus, mas mesmo após isso, até o ultimo instante, ele estará de braços abertos esperando que as pessoas se arrependam de seus pecados e que passem a reconhecer a Jesus como única esperança para suas vidas. Somente Deus, segundo os autores, seria capaz de manter de forma equilibrada estes extremos.

É uma história muito envolvente, principalmente pelo cuidado que os autores tem de seguirem fielmente as escrituras Bíblicas e as profecias. É um livro que me tem feito pensar mais sobre minha fé e meus objetivos como cristão e meus deveres para com Jesus. Me tem feito amar a Jesus mais e mais a cada dia. Se você é um daqueles que quer saber como vai ser o fim dos tempos segundo Deus, leia o livro. Ou veja o filme!

Comprei o DVD do filme "Deixados para Trás" que é a história do primeiro livro (até onde eu saiba vai haver mais de 12 livros). Alguns detalhes insignificantes (onde alguns personagens trabalham, algumas relações de amizade, etc) são mudados, mas o cerne da história é o mesmo. Nos EUA já esta em cartaz o segundo filme, "Comando Tribulação", que não deve demorar para aparecer aqui no Brasil, assim espero.

Escrevi sobre isso por que realmente sinto que, assim como meu pastor e minha comunhão com meus irmãos, este livro tem feito com que eu me aproxime cada dia mais de Jesus, despertando mais curiosidade e fome de saber sobre a palavra de Deus. Tem me aproximado mais de Deus!

Ainda sobre o livro "Estamos Vivendo os Últimos Dias?", só como exemplo, li uma parte em que os autores afirmam que a cidade de Babilônia, segundo as escrituras, deveria ser reconstruída até o final dos tempos, e que Saddam (a Babilônia fica no atual território do Iraque) a estava reconstruindo desde 1980. Fiquei com a pulga atrás da orelha, por que se isso fosse verdade, deveria ser algo noticiado em larga escala. Qual não foi minha surpresa ao constatar que não achava nada a respeito dessa notícia na Internet? Procurei e procurei e nada... até resolver dar uma pesquisada no site da CNN. Qual não foi minha surpresa ao descobrir em um site de notícias indicado pelo site da CNN que Saddam não estava reconstruindo a cidade de Babilônia... por que ele já a havia reconstruído! Em 1999 já estava pronta! Por isso não achava nada noticiando oi assunto, por que era uma notícia de 4 anos! O mesmo espanto tenho ao ver que a Bíblia falava, a mais de 1500 anos atrás, sobre um governo mundial único, sobre uma economia mundial única, e sobre uma religião mundial única! Não se parece com nossa odiada Globalização? É para se pensar...

Não pense que quando eu leio estas coisas eu as leio e aceito o que ali está escrito. Quando tenho dúvidas sobre algo eu oro, converso com outras pessoas sobre o assunto, leio minha Bíblia e procuro confirmar ou não o que está escrito. Ou no caso dos cumprimentos das profecias, como no caso da reconstrução da cidade da Babilônia, eu procuro confirmar a veracidade ou não da informação. Isso é muito importante, por que se não a gente fica alienado e ninguém mais acredita na gente, por que a gente aceita tudo o que nos dizem sem verificar! E precisamos ser críticos quanto a aquilo que chega até nós por meio do mundo. Por que Deus deseja que vivamos a verdade!

16 de janeiro de 2003

FUZUÊ SOBRE HARRY POTTER

A algum tempo tenho ouvido o meio evangélico levantar questões preocupantes quanto a alguns filmes e livros, mais precisamente à Harry Potter. Os discursos tanto pró como contra Harry Potter vão desde acalorados (para não dizer extremistas) até os mais razoáveis. Em conversa com minha prima, via e-mail, ela me enviou uma matéria sobre o assunto, cujo autor (que não tenho o nome) defende ardentemente que Harry Potter é uma ferramenta na mão de satanás para atrair crianças para o ocultismo e assim desviá-las de Deus. Creio que nesta conversa com minha prima eu consegui formular minha opinião sobre o assunto.

Creio, da minha humilde e pueril percepção, que a grande preocupação destas pessoas que dizem para se tomar cuidado com literaturas como Harry Potter (preocupação da qual eu até compartilho) é que milhões de crianças, jovens e adultos pelo mundo inteiro preferem, por exemplo, ler livros como Harry Potter e Senhor dos Anéis, se aprofundar neles (já ouvi falar de algumas pessoas que estudam a língua elfica criada por Tolkien, ou que procuram estudos de ocultismo e magia "só de brincadeirinha", mas de brincadeira ocultismo não tem é nada) do que saber mais sobre Deus. Creio que elas não saibam se expressar direito, ou a idéia que elas tem acerca disso não bate com a minha. Ser Trekker (fã de Jornada nas Estrelas) e estudar a língua Klingon (língua de um povo alienígena guerreiro que era inimigo da humanidade e passou a ser amigo) faz parte disso também, mas ninguém acusa Star Trek de ser instrumento satânico... o fato é se deixar levar pela coisa e transportar aquilo pelo que você é fanático (gostar e ser fanático são coisas bem diferentes) para sua vida real!

O grande Q da questão é esse. O problema não esta no Harry Potter em si. Esta no mundo! A gente prefere se ocupar com leituras que não tenham nada a ver com Deus! Afinal, o que muita gente acha é que ler a Bíblia é chato, ir à igreja é chato, ouvir o pastor ou padre pregar é chato... isso acontece dentro da própria igreja! Você não sabe o quanto é frustrante para os líderes de igrejas verem que seu povo não lê (e pratica) a Bíblia com o mesmo entusiasmo do que se lê a página de esportes do Jornal. Ai o jornal passa a ser o vilão! A culpa é do jornal? Não! A culpa é da pessoa que não consegue entender que ter um relacionamento intimo com Deus por meio de Jesus Cristo é mais importante do que qualquer jornal, livro, filme ou pessoa neste mundo! Como Harry Potter atrai muito mais crianças, e elas não sabem discernir isso, tentam fazer com que as crianças sintam medo de lê-lo, ou melhor, que façam seus pais terem medo de que seus filhos leiam aquilo, e ai eles proíbem seu filhos. Não por que aquilo substitui o foco das crianças em Deus, mas simplesmente por que é coisa "do demo".

O grande escarcéu que se fez com o Harry Potter é que ele é atrativo demais para as crianças, é muito sedutor! Tanto quanto O Senhor dos Anéis é para mim, por exemplo! Ou quanto futebol é para outros... Não me pergunte se tem algo satânico naqueles livros ou filmes, primeiro por que nem li e nem vi os filmes, e segundo por que não sei reconhecer insinuações satânicas nas entrelinhas, só o pouco que conheço, e confio no Espírito Santo de Deus para que dê discernimento quando uma coisa destas aparecer na minha frente e eu possa agir. Pode até ser que tenham mesmo elementos do oculto, mas que são parte da história. Não é possível se contar uma história de um mago sem mencionar o oculto. Então não deveria ter diferença no tratamento dado a outras histórias envolvendo magos e magia em geral. Por isso este gênero se chama fantasia, é algo fantástico que não condiz com o mundo real. Nós crentes sabemos que muitas coisas neste tipo de literatura é perigosa, mas desde o instante em que desejemos copiá-la, desde que tragamos isso para nosso dia a dia. Eu li O Senhor dos Anéis e sei que não devo brincar de imitar o Gandalf (um dos magos da história), primeiro por que no geral as pessoas deveria entender que isso não condiz com a vida normal que levamos, segundo por que sei que isso não agradaria a Deus (me envolver com o oculto). Mas só o fato de ler e gostar da história significa que estou me envolvendo com o oculto? Posso estar errado, mas acho que não, desde que eu mantenha meu olhar crítico em relação ao que eu vejo e ao que eu leio.

Já sobre o Senhor dos Anéis, eu vi em um catálogo de uma livraria evangélica nos EUA um livro que se chamava "Encontrando Deus em O Senhor dos Anéis" que explica as metáforas e citações que o autor faz sobre Deus em sua história. Se você ler "O Silmarillion" vai ver dezenas de menções à Deus na história. Não sei se seria possível fazer isso com Harry Potter, por que não li.

O lance é convencer os pais sobre isso! Não de que seus filhos não leiam mais isso ou aquilo, mas sim de que eduquem seus filhos! Ensinem a eles acerca de Deus, a identificar o que é certo e o que é errado! Conversem com seus filhos para eles entenderem que realidade é realidade e que ficção é ficção! Só isso, sem complicação! Uma criança que conhece e vive a palavra de Deus saberá (ou o pai saberá e lhe falará) o que é certo e o que é errado. Saberá que é impossível voar, que invocar demônios é errado e que não se brinca com o oculto, por que é perigoso, e por que desagrada a Deus, que nos ama! Mas isso não deverá impedi-la de ler um Harry Potter e se divertir com uma literatura de forma um pouco crítica. Mas como fazer isso se muitos pais não querem saber de Deus também? Ai a sociedade entra em um ciclo vicioso, entende? Ai sim é perigoso que as crianças leiam um Harry Potter. Por que elas não terão a orientação da qual falei. Não terão a palavra de Deus para se espelhar. E poderão sim tentar imitar "seu herói", e se aprofundar "de brincadeirinha" no oculto e no sobrenatural. Tudo por que não conhecem o verdadeiro e único herói da humanidade: Jesus Cristo.

Espero que, assim como minha prima, você possa ter compreendido minha opinião sobre este assunto. Se quiser me escrever para comentar o assunto, sinta-se a vontade. Um abraço e fique na paz do Senhor Jesus.