LUTE

Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas - 1 Timóteo 6:12

SE DEIXE TRANSFORMAR

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus - Romanos 12:2

ACEITE O SACRIFÍCIO

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - João 3:16

VÁ NA CONTRA-MÃO

Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras, e vocês permanecerão na terra que o Senhor deu a vocês e aos seus antepassados para sempre. Não sigam outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los; não provoquem a minha ira com ídolos feitos por vocês. E eu não trarei desgraça sobre vocês - Jeremias 25:5-6

REFLITA A LUZ DE JESUS

Pois Deus que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo - 2 Coríntios 4:6

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7 de agosto de 2018

SEM FOCO


Não há mente no mundo que seja efetivamente multi-tarefa. Quem diz ser multitarefa mente. Na melhor das hipóteses, pode ser muito bom em modular entre tarefas distintas tendo uma curva de retomada anormalmente baixa, mas o fato é que todos nós só conseguimos focar nossa mente consciente em uma tarefa por vez.

O mercado de trabalho sempre foi exigente. Mas nos últimos meses, especialmente nesses anos de 2017 e 2018, a coisa esta mais feia. Seja pela idade estar começando a me deteriorar mais intensamente, seja pelas situações tensas pelas quais passei no tocante à vida familiar, seja pelas mudanças ininterruptas, vertiginosas e muitas vezes agressivas e excessivas no ambiente de trabalho, a impressão de que estou novamente atolado se faz mais uma vez presente.

Não é a primeira vez. Acho que não será a última.

Evidências de que entra ano, sai ano, eu não consigo mudar em minha vida aquelas mesmas coisas que precisam ser mudadas.

Somos escravos ou vítimas do acaso? Somos condutores ou passageiros com ilusão de controle?

Eu sei lá, bixo.... só sei que estou cansado pra caramba.

16 de julho de 2018

PEDINDO PARA IR

Desabafo sem nenhum orgulho que tenho pedido a Deus para morrer enquanto durmo. Não morrer "um dia qualquer", mas sim "esta noite". Por que Ele não faz isso?

Ontem mesmo, antes de dormir, foi isso o que pedi. Apenas isso. Um pedido egoísta, ingênuo, mas verdadeiro. "Me leve esta noite para morar com Você, pois não suporto mais, não aguento mais essa dor, essa vida vazia, essa preocupação constante, essa eterna sensação de fazer absolutamente tudo errado, de ser apenas odiado e rejeitado, de não significar nada para ninguém, de não aguentar fazer mais nada, de vislumbrar apenas a decadência dia após dia, de ser um traste humano".

Não suporto mais. Apenas leve minha vida e a dê a alguém que saiba usá-la, porque eu não sei.

Mas pela manhã, acordo, ainda vivo.

Engraçada essa sina de, vez ou outra, tudo desmoronar em meu coração, e tudo ser doloroso, e nada parecer ser bom em mim, e estar constantemente preocupado com as reações que provoco nos outros pelas minhas ações, de analisar minhas próprias reações e me arrepender, e pensar que nada em minha vida justifica qualquer esperança, e que tudo tende a se deteriorar cada vez mais até um final triste e extremamente doloroso, solitário, frio, decadente e miserável.

Sejam minhas relações de qualquer espécie, seja minha saúde ou a saúde dos que me rodeiam, seja tudo o mais que consigo pensar, nada me dá esperanças de que "vai melhorar" ou "vai ficar bom". Tudo o que observo, tudo o que penso, tudo o que anseio me parecem extremamente finitos, tendendo à entropia, trabalhoso ao extremo, complicado, cansativo, desnecessário e fatalmente equivocado. Na hora mais negra não tenho visto nenhuma luz. Apenas trevas. Na hora do desespero, nem uma gota de esperança. Não nesta vida, apenas no que há após ela. Não na vida, mas na vida após a morte.

Me sinto isolado de tudo aqui. Para ser sincero, me sinto invisível à maioria das pessoas, não apenas emocional e psicologicamente, mas fisicamente também. Sempre me senti, mas ultimamente essa sensação é muito mais palpável. Ao ponto das pessoas passarem por mim sem me ver, literalmente. Só posso imaginar que me odeiam tanto que fingem que não me enxergam, ou me temem. Um homem de 1,80m e 115kg não ser percebível é algo estranho. "Melhor fingir que não o vi, assim não tenho que falar com ele, e nem me relacionar com ele de alguma forma". No trabalho me sinto uma ferramenta que pode ser substituída a qualquer instante por falhas devido a desgaste. E que desgaste...

Me pego estes dias - não apenas estes dias, mas muitos outros dias - fantasiando em como seria ter amigos. Amigos de verdade, não colegas. Amigos de verdade são poucos, dois, três no máximo. Daqueles que vem na sua casa apenas pra jogar conversa fora contigo (ou vídeo-game) mesmo sem serem convidados. Que vão contigo pagar conta em banco, que te chamam pra ir no cinema ou tomar um chopp no fim de semana, que organizam uma festa de aniversário pra você mesmo sabendo que você odeia mas no fundo vai gostar, que aturam seu mal humor e ficam fazendo piada sobre isso até que você ria, e por ai vai. Alguém por quem você faria o mesmo.

Não sei se é a depressão que tira as relações ou se é o fim das relações que causam a depressão em alguns casos, mas em muitas vezes, uma coisa anda de mãos dadas com a outra.

Me sinto insignificante, solitário, miserável, esperando a morte me levar, então por que ela não me leva agora, neste exato momento, e me poupa da ansiedade de esperar anos e anos até minha saúde finalmente ceder, me levando a um sofrimento que eu não quero enfrentar? Deus sabe o que faz. Mas vou continuar pedindo.

Uma pessoa certa vez me disse que eu sou viciado em sofrimento, que eu gosto de sofrer, mesmo que de forma inconsciente.

Gostaria de dizer a ela que é o contrário. Que odeio sofrer, mas que eu o suporto o sofrimento por me importar com algumas pessoas que sei que vou afetar muito se eu partir, e porque se eu decidir não sofrer mais... bem, minha velha e constante fantasia de subir em um prédio bem alto e me atirar lá de cima solucionaria tudo.

21 de janeiro de 2018

SIGNIFICÂNCIA DO SOFRIMENTO


A palavra de Deus é rica em nos confortar diante do medo e da ansiedade diante do sofrimento e das incertezas da vida, afirmando e reafirmando constantemente que não devemos ter medo e que teremos paz em nossa fé em Cristo.

Há, na Bíblia eletrônica da Youversion, um plano chamado "Ansiedade" que oferece todos os dias, durante 7 dias, versículos que reforçam isso:

  1. A ansiedade no coração deixa o homem abatido, mas uma boa palavra o alegra
    Provérbios 12:25
  2. E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
    Mateus 6:27
  3. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus
    Filipenses 4:6,7
  4. Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação
    Timóteo 1:7
  5. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito
    Romanos 8:28
  6. Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai no SENHOR perpetuamente; porque o SENHOR DEUS é uma rocha eterna
    Isaías 26:3,4
  7. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal
    Mateus 6:33,34
Porém, muito me intriga que todo o consolo do Senhor não implica (necessariamente) em passar incólume pelos percalços e desgraças da vida. Desemprego, doença, morte, abandono e solidão fazem parte  de diversos momentos de nossas vidas, sejamos cristãos ou não. Vamos sofrer mais cedo ou mais tarde, como eu tenho sofrido nas ultimas semanas de forma mais incisiva e sei que vou sofrer mais no futuro, possivelmente.

Tenho um entendimento particular, apoiado por tudo o que li e vi em minha vida até aqui, que sofrer faz parte da missão que temos nesse mundo, e que mais importante do que o sofrimento é o significado que damos a ele. A forma como decidimos ser afetados e como lidamos com esse sofrimento nos molda e nos transforma.

Jesus sofreu, e Ele próprio re-significou aquele sofrimento, nos salvando a todos por meio dele.

Tenho orado por livramento sim, pro misericórdia e abreviação do sofrimento, porque não tem sido nada fácil. No olho do furacão, no centro da dor, em meio a tempestade, no interior do ventre da besta, não conseguimos pensar nem raciocinar nada. Apenas choramos, imploramos e padecemos até a proximidade com as portas da morte.

É irreal achar que Deus vai dar esse livramento com certeza porque eu entendo que, além do sofrimento ser uma constante na vida de todos ser humano em maior ou menor grau, o sofrimento tem um propósito e uma lição dolorosa a ensinar.

A mais obvia lição que o sofrimento trás e a humildade. A dor de estar a mercê de uma situação ruim e se ver sem saída por suas próprias forças é humilhante e desesperador. E apesar de não ser esse o desejo do Senhor para nós (Ele nunca nos quer ver sofrer), o sofrimento pode trazer nossos corações de volta a Ele.

Sofrimento de outros nos gera compaixão. Compaixão nos estimula a agirmos no intuito de ajudar a quem sofre, esta ajuda é a manifestação do amor ao próximo e isso é o próprio reino de Deus.

Mas depois, quando nos deslocamos para outro lugar dentro ou fora do sofrimento, começamos a ver com mais clareza. A esperança que Jesus nos dá brilha radiante!

Durante muito tempo, isso foi um mistério para mim, mas agora me é bastante claro.

A esperança de Jesus é a salvação dEle para vivermos uma vida eterna sem sofrimento, de eterna paz e alegria junto a Ele. A esperança de Jesus é, portanto, nossa morte sepultando não apenas nosso corpo físico, mas também toda a dor, sofrimento e choro que passamos aqui neste mundo.

11 de janeiro de 2018

A NECESSIDADE DE EQUILIBRAR CONCEITOS


Voltar a escrever aqui me trouxe algum consolo. Perdi o hábito de escrever sobre o que se passa na minha cabeça e no meu coração conforme envelheci, seja porque alguns conflitos internos eu resolvi, seja porque passei a fazer uso de analgesias diversas para as dores da vida (dentre elas, Netflix é uma das mais poderosas).

Chego aos 40 anos (esse ano vou para 41) com uma sensação de que a vida não vale a pena ser vivida. Calma, não é para se preocupar tanto. Não vou tirar minha vida, nem desistir de nada. Afinal, 8 anos de terapia me ajudaram em algumas coisas, e hoje consigo manter sob controle qualquer impulso negativo grave.

Eu apenas vislumbro que, para a minha personalidade, as coisas ruins tem um peso muito maior do que as coisas boas. Uma coisa ruim tem peso 5 enquanto que uma coisa boa tem peso 1. Assim, se me acontecem 5 coisas boas e 1 coisa ruim, no panorama geral a balança de julgamento da minha vida tende a se equilibrar. Se 2 coisas ruins ocorrerem porém, a coisas descamba para uma avaliação ruim da minha vida, e é o que tem ocorrido comigo.

É claro que a realidade não pode ser vivenciada de maneira saudável por muito tempo dessa forma. Me forço a reavaliar as coisas e considerar que, apesar de toda a situação terrível que eu e minha esposa temos passado com o acidente de minha sogra, ainda temos muitos motivos para continuar em frente com esperança. Jesus é a maior de todas. Ele tem nos sustentado sobrenaturalmente nesses tempos difíceis.

O que eu preciso é mudar o foco. Focar nas coisas boas e não nas ruins, pelo menos não mais do que o necessário para avaliá-las na tentativa de resolvê-las. Como dizem, "o que não tem remédio, remediado está". Mas isso é um esforço racional. Emocionalmente a coisa é bem diferente.

A sensação emocional diante das coisas ruins que vem ocorrendo é a de afogamento em um oceano sem ondas de lágrimas sangrentas, sob um céu escuro, além de qualquer salvação ou ajuda, numa condenação eterna de dor crescente. É uma visão do inferno.

Não consigo deixar de temer pelo futuro. Como será daqui a alguns anos com minha sogra, quando o dia dela chegar? Ela vai partir tranquila e rapidamente ou vamos passar por todo esse sofrimento de novo? O que eu vou fazer quando eu e minha esposa ficarmos idosos (com uma aposentadoria ridícula), sem filhos para nos ajudar como nós estamos ajudando minha sogra? O que farei quando minha esposa pedir demissão do emprego para cuidar da mãe dela?

Deus nos fala em Matheus 6:34 que "Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.". Nos conclama a negar a ansiedade descansar no fato de que Deus está no controle de tudo. Mas como fazer isso?

Submeter o emocional ao racional é um dos maiores desejos humanos, e não é diferente comigo.

9 de janeiro de 2018

DESAMPARO


Tudo começou a menos de um mês atrás, no segundo dia das minhas férias de fim de ano, quando minha sogra caiu dentro do ônibus e quebrou o colo do fêmur. Se você já passou por isso em sua família vai saber o que veio em seguida: descaso total da companhia de ônibus (que falou que não vai se responsabilizar por nada - vamos entrar com processo), desespero ao correr para uma Unidade de Pronto Atendimento, desespero ao transferir minha sogra para um hospital público que esta caindo aos pedaços - no nosso caso foi mais grave já que o hospital está sob intervenção devido a escândalos de corrupção e havia uma total indefinição de quando a cirurgia para colocação de prótese ocorreria, já que não tinha nem algodão, quanto mais uma prótese de quadril.

Some a isso o fato de minha sogra ser uma idosa de 72 anos cheio de problemas médicos como lúpus e perda de visão, viúva, filha única, e minha esposa ser a única filha dela. Some a isso minha sogra não ter plano de saúde por ter desistido do dela (por ser caro demais) sem nos consultar e pedir ajuda para pagá-lo (o que teria evitar muito do desespero pelo qual passamos). Some a isso a situação toda ter ocorrido entre o natal e o ano novo, e absolutamente tudo estar diversas vezes mais difícil de fazer porque todos estão de férias ou folga, ou simplesmente de saco cheio da vida e não querem colaborar em um ambiente naturalmente estressante (hospitais).

Por providência divina, minha sogra, servidora estadual aposentada, paga o plano do IAMSPE (http://www.iamspe.sp.gov.br), e o hospital deles em São Paulo (Hospital do Servidor Público, um excelente hospital) a aceitou para fazer a cirurgia.

Fora o fato de minha esposa ter morado em um hotel próximo ao hospital por quase duas semanas e eu ter pago uma fortuna por uma ambulância u.t.i. móvel para transferir minha sogra de Campinas para São Paulo (nem ambulância nos ofereceram), tudo deu certo, a cirurgia foi feita, minha esposa conseguiu trazer minha sogra de volta para a casa dela e está morando com ela até a recuperação  terminar (o que pode levar de 4 a 6 meses).

Durante todo esse tempo, haverá custos de fisioterapia, viagens para São Paulo a fim de realizar os acompanhamento da cirurgia, medicação, troca de carro para um maior e mais alto (já que minha sogra não vai mais poder andar de ônibus vamos ter que levar ela nos lugares em que ela precisar), custos com acompanhante/enfermeiro e, possivelmente, minha esposa parando de trabalhar para ajudá-la.

Some a isso eu estar sozinho em casa, ajudando-as com tudo o que eu posso presencialmente e financeiramente, mas ainda assim me sentindo um imprestável. Some a isso eu ter crises de ansiedade e depressão sozinho em casa e (tentar) esconder isso de todos, perder totalmente o apetite, não conseguir me concentrar no trabalho devidamente, não conseguir dormir, começar a beber com mais frequência e me sentir totalmente desamparado tendo que amparar minha esposa e sogra, motivá-las, acalmá-las, ser uma referência de segurança a ambas.

É claro que não estou legal.

A sensação de desamparo em um momento desses é massacrante. Nunca em minha vida, nem nos momentos mais baixos da minha depressão, me senti tão... tão... nem tenho uma palavra para definir isso. Acho que eu nem quero definir isso. É mais que desamparo, é ver-se como Jó, totalmente obliterado por uma terrível situação que é incontrolável por mim, totalmente a mercê da situação, tendo apenas no Senhor esperanças, mas morrendo por dentro.

Só houve e está havendo uma única coisa que me mantém inteiro, que tem mantido minha sogra e minha esposa inteiros: Jesus.

Como falei em uma das diversas conversas que tive com minha sogra esses dias, Deus nos permite passar por todo tipo de situação, todas com seus próprios propósitos segundo a vontade dEle. Todas com a finalidade de tratar coisas em nós.

O que ele tratou em mim com essa história toda provavelmente só vou saber totalmente no dia em que eu morrer e, pela graça de Jesus, for aos céus. Até lá, só posso supor, e esperar que isso realmente tenha me aperfeiçoado de alguma forma para Ele, e não que seja um trauma que vá me machucar por mais e mais tempo.

26 de maio de 2017

O MAL NUNCA ADMITIDO

zona na véspera de mudança

Faz mais de um ano que não posto nada neste blog. Creio que, se há ainda algum leitor assíduo, ele bem sabe como sou dado a esse tipo de comportamento. E o motivo é o mesmo de sempre: a vida me bate tão forte quanto em todo mundo, mas minha sensibilidade me faz sofrer mais do que eu devia. Depressão é isso e muito mais. Lutar contra ela cansa demais e não tenho vontade de fazer nada, muito menos de escrever aqui.

Como tenho este blog como uma espécie de diário público para a posteridade, com o tempo venho dedicando a ele apenas registros de situações realmente importantes em minha vida. Creio que esta seja uma delas: vou me mudar. Amanhã já.

Vim para casa hoje falando para a minha esposa o quanto isso está me matando por dentro e o quanto mudanças me deixam transtornado. O processo de decisão da mudança foi desconfortável e até agora me deixa um sabor ruim na boca. Por mais que eu tenha decidido me mudar em conjunto com minha esposa, eu fui obrigado a fazer isso. Não foi uma escolha portanto, mas sim uma imposição das circunstâncias.

Minha vizinhança é muito barulhenta para o meu gosto. Não é de hoje que eu sofro com isso, como pode ser visto aqui e aqui por exemplo. Meu quadro depressivo me torna uma pessoa que não suporta barulho. Barulho me incomoda mais do que a maioria absoluta das pessoas, e desperta em mim um caos que não desejo a ninguém, nem mesmo aos que me tem causado esse sofrimento - desconfio - propositalmente. Tenho tido crises nervosas quando há barulho, minha pressão cai e eu fico tremendo.

Meu irmão mais velho e sua esposa gentilmente nos cederam um apartamento que eles tentavam alugar faz tempo, em um condomínio maior e mais bem organizado, cerca de 8km daqui, no 7º andar, em uma avenida sem comércios barulhentos. Sem vizinhos loucos - assim espero no Senhor. No Senhor espero reaver um pouco da paz perdida nos últimos anos.

O que mais me incomoda no entanto é perceber o quanto a humanidade decai sem parar.

Esse caso todo envolvendo barulho é apenas um exemplo, bastante pertinente é verdade, mas apenas um exemplo. Eu poderia falar sobre a verdadeira "mãe de todas as tempestades de merda" que vem assolando o Brasil há alguns anos e que piora cada dia que passa, com escândalos de corrupção por todo lado e a operação Lava Jato gastando bilhões de litros de água para limpar toda a lama aparentemente infinita desses malditos filhos da puta que tanto tem fodido o Brasil, mas isso milhares de outros sites já fazem. Ambos os casos mostram apenas como o ser humano tem piorado.

Meus vizinhos de fora do meu condomínio gostam de fazer barulho, de falar alto, de ouvir música alta quando bem lhes der vontade, de fazer festas ruidosas, etc. Se forem chamados a atenção, se revoltam achando que são vitimas. Os vizinhos de dentro do condomínio gostam de deixar seus filhos correrem como gazelas pelos corredores e escadarias do prédio, e gostam de ouvir música ou TV bem alto (neste exato momento, enquanto digito isso alguém no meu bloco está assistindo a Globo e eu sei disso porque consigo ouvir tudo)

Todos eles são incapazes - veja bem: VERDADEIRAMENTE INCAPAZES - de reconhecer que fazem mal aos outros com suas ações e omissões. Conseguem ver a realidade apenas sob sua própria perspectiva, sem qualquer preocupação com quem não faz parte daquilo que eles entendem como circulo de amizades. Sociedade, para eles, é um conceito abstrato, sem significado prático quando suas próprias vontades entram em conflito com ela. Moralmente, são aleijados.

Conversava esta semana com um motorista do Cabify sobre isso, e ele, da minha mesma idade, quicá um pouco mais velho, concordava e complementava de uma forma que me marcou. Ele disse mais ou menos o seguinte:

Transporto muito adolescente e jovem no meu trabalho, e vejo como eles se comportam e como são. Sempre querendo ser "espertões". Sempre querendo levar vantagem em algo de alguma forma. Nossa geração não era santa, mas essa geração atual é nojenta. Eles não sabem viver em sociedade, e nem parecem querer. Para eles tudo pode, tudo é permitido, desde que não façam mal aos outros. Porém, o conceito que eles tem sobre o que significa "fazer o mal ao outro" é doentio. Para eles pode fazer tudo, menos matar.

Voltando aos meus atuais vizinhos: fosse eu reclamar pessoalmente, no mínimo debochariam de mim. Provavelmente me ignorariam. Possivelmente me agrediriam verbalmente, ou até fisicamente.

"Mas você nunca foi falar pessoalmente com eles então não tem como saber" você pode pensar. Bem, fui sim, em alguns casos. E mesmo após isso, nada mudou. Mesmo após eu reclamar dezenas de vezes com o vizinho pessoalmente, com o síndico, com a prefeitura, abrir boletins de ocorrência na PM (estes para vizinhos de fora do condomínio), enfim, mesmo após eles receberem diversos sinais claros de que estavam incomodando muito, nada mudaram. Na verdade, pareceram até piorar, de birra. "Faço o que eu quero e você não tem o direito de achar ruim". Essa parece ser a nova dinâmica social. Bem diferente do que eu fui ensinado por minha mãe.

Alguns problemas foram resolvidos, como foi o caso da academia. Mas outros vão surgindo. E isso me deixou em frangalhos emocionalmente, dia após dia, mês após mês.

Assim, não estou me mudando. Estou fugindo.

Meu pastor, com quem tenho tido encontros periódicos em um treinamento de coaching, me disse animado "puxa, até que você decidiu rápido sobre essa mudança". Infelizmente tive que jogar um balde de água gelada na cabeça dele. "Mas eu não decidi nada. Decidiram por mim. Teoricamente, me botaram para fora da minha própria casa".

E assim, com um sentimento amargo de expulsão, estou deixando meu lar e encarando todas as dificuldades de começar outro temporário para, quem sabe, com a graça de Deus, eu possa encontrar outro um pouco menos temporário. Porque temporária é a própria vida, e meu lar eterno com Jesus, com o qual tanto sonho, ainda há de vir.

26 de abril de 2016

UM DIA COMO OUTRO QUALQUER NA VIDA DE UM DEPRIMIDO EM NEGAÇÃO


Em um rápido levantamento, descobri que em cerca de 27% dos meus posts neste blog foram relativos a depressão, desânimo e tristeza. Cerca de 1/4 de tudo o que escrevi aqui, por baixo, está ligado a como me sinto mal, mas pode ser bem mais do que isso.

Seria errado dizer que, no mínimo 1/4 dos meus dias são assim? Acho que 27% é até otimista demais. Não porque minha vida seja uma droga, pelo contrário. Mas sim por causa da maldita depressão e personalidade que me torna muito mais sensível do que o normal às pequenas e grandes agruras deste mundo.

E hoje não é diferente.

Como em várias outras situações deprimentes, o que sinto é uma fata de energia tremenda. Como se 3/4 da minha energia vital tivessem me deixado. Levantar, respirar e trabalhar são atividades penosas. Não fossem os anos de terapia, as doses intensas de café e a forma com que aprendi a me forçar a fazer as coisas mesmo estando péssimo internamente, acho que estaria enrascado.

Eu gosto de me enganar em muitos aspectos. Gosto de negar que estou com um problema ao mesmo tempo em que estou completamente ciente dele. Duplipensamento, se é que isso é possível. Ou viver em negação. Sou um deprimido em negação. Sei que estou deprimido, mas não quero aceitar e nem me limitar por tal estado. Tem gente que acha que eu não devia me forçar assim, que eu não devia posar de forte ou valente, mas não é nada disso, eu só acho que devo lutar até onde puder lutar, até cair de joelhos sem forças e ser vencido. Só me entregar quando realmente não tiver mais nada a ser feito.

No momento estou cambaleando. Fraco, mas ainda de pé. Só Deus sabe se vou melhorar ou se uma hora meus joelhos vão falhar. Mas por enquanto, "tudo está bem".


11 de abril de 2016

LOBO SOLITÁRIO


Lobos são criaturas sociais. Eles vivem em alcateia, e os relacionamentos sociais dentro do grupo são bastante complexos. Dentro do grupo cada indivíduo tem um papel, uma posição e um grau de importância e poder (que se espelha muitas vezes na ordem de comer), mas todos são importantes para o grupo pois é na união deles que conseguem enfrentar todas as adversidades. Uma alcateia é, de fato, uma família. Lembra das próprias relações humanas, de forma primitiva é verdade.

Porém, existem aqueles lobos que não conseguem ou não podem ficar em um grupo, e a esses é dado o nome de "Lobo Solitário". Existem basicamente 3 tipos de lobos solitários na natureza:
  • Lobos jovens que abandonam a alcateia para procurar um novo grupo para fazer parte, ou então  fundar um novo e ser seu macho alfa.
  • Lobos velhos e doentes expulsos do grupo pelo macho alfa ou pelos membros mais jovens (por entenderem que ele os está atrasando e pondo a alcateia toda em perigo).
  • Lobos fortes ou agressivos demais para viver em alcateia.
Na sociedade humana os motivos de afastamento de uma pessoa do grupo não parecem ser muito diferentes, né?

No geral, em humanos, se dá o nome de "Lobo Solitário" a aquele indivíduo que prefere a solidão, que é dado a introversão ou que prefere trabalhar sozinho (ou que os demais acham que prefere, ou que os demais se confortam por achar isso dele). E neste caso, há ainda um tipo que é chamado de "O Lobo Solitário do Grupo" que é uma pessoa que faz parte de um grupo, interagindo com todos a ponto de ser considerado como integrante, mas que ao mesmo tempo não tem uma forte (ou padronizada) ligação com os outros membros a ponto de não ser visto por eles exatamente como um igual - gerando aquela sensação de estranhamento do qual os introvertidos normalmente são alvos, sendo neste ponto classificados como antipáticos, desinteressados, arrogantes, etc.

Nos últimos tempos, é exatamente como me sinto.

O grupo, diante da estranheza dessa falta de profundidade de relacionamento que o lobo solitário demonstra, pode até tentar botá-lo para fora e quebrar os poucos laços que ainda existem, afastando-o definitivamente em uma clara atitude de rejeição (as vezes de forma bem velada como por exemplo com uma boa e velha negligência), o obrigando a ser um eterno lobo solitário que não busca mais nenhum grupo, ou um lobo que busca um novo grupo ou tenta criá-lo aos moldes do antigo mas com algumas adaptações a fim de ser aceito por ela em definitivo.

Mas lobos são o que são.

Um ser humano pode tentar se adaptar às regras sociais de um grupo a fim de emular o padrão esperado de interação e com isso estabelecer os laços que lhe permitam usufruir da convivência social com os demais, mas isso seria artificial e a pessoa não estaria sendo ela mesma, o que anularia todos os benefícios que ela por ventura viesse a conquistar.

Mas muitas vezes, humanos também são o que são.

Difícil haver alguém que seja introvertido, tímido ou fechado porque quer ser assim. Normalmente é o traço mais forte da personalidade de alguém - a parte que esta pessoa mais odeia por lhe trazer tanto sofrimento. Como mudar isso? Deus mudaria uma pessoa introspectiva? Deus quer mudar quem somos, nossa personalidade? Isso é realmente um traço de personalidade ou é educação - ou doença?



Um último fator sobre o lobo solitário que é igual em lobos e humanos é o sofrimento.

Por mais que seja dado a solidão, tanto lobos quanto humanos precisamos de relacionamentos para dar significado a suas vidas. Sozinhos sofremos muito, seja porque não é efetivo caçar de forma solitária sendo um lobo, seja porque não é efetivo produzir e subsistir como humano. Em ambos os casos, ainda há uma infinidade de outras necessidades emocionais e psicológicas que apenas com relacionamentos pode-se suprir: toque, companhia, amor, dentre várias outras.

Não vou me aprofundar mais nisso, acho que já deu pra entender.

Eu só queria registrar que eu sei que eu sou um lobo solitário há muito tempo, porque nunca me senti integrado a nenhum grupo além da minha família sanguínea. E as vezes, como tem sido nos últimos meses, isso me deixa bastante triste e frustrado.

Eu sei que não é culpa do grupo me rejeitar, afinal as relações sociais são construídas a base de afinidade principalmente. Mas também não é culpa minha ser quem sou. Tão pouco é de Deus. As coisas são como são, não há porque buscar culpados, mas sim minimizar ou anular os efeitos negativos. O que me resta aqui é a auto-aceitação. Entender que nunca vou ter  as relações sociais com as quais eu sonho, que nunca vou ter amizades profundas ou grandes amigos confidentes para os quais posso falar dos meus medos e vergonhas, e ter conselhos e apoio, simplesmente porque eu sou de um jeito que afasta qualquer pessoa que pudesse o ser.

Hoje, vejo que todos os anos de terapia eram provavelmente apenas isso: eu comprava horas com uma pessoa para ter uma emulação paga desse tipo de relacionamento, porque ela me ouvia, me dava conselhos, não me julgava e me apoiava.

O que alguém que contrata prostitutas tem de diferente de mim neste caso? Não que minha psicóloga fosse uma prostituta, entenda o que quero dizer: em ambos os casos a pessoa contrata os serviços de alguém para que lhe seja suprido algo que, se tudo fosse normal, ele teria de graça.

Tudo bem. Como disse, é a vida, e a vida não é fácil e nem tem respostas prontas para essa questão existencial.

8 de abril de 2016

DEPRESSÃO E SEUS REFLEXOS: ANSIEDADE, MEDO E SÍNDROME DO IMPOSTOR


Estou há praticamente 3 meses sem terapia, e há mais de 4 sem medicação.

A sensação é de ansiedade. Controlada, por bem ou por mal. Mas a ansiedade, que é no final das contas um tipo de medo, que acaba incitando minha síndrome do impostor que por sua vez retro-alimenta o ciclo todo, gerando mais ansiedade. Noto e racionalizo toda essa situação. Mas desde quando racionalizar algo resolve uma angústia gerada por pura emoção irracional?

O cuidado em manter-me longe de fatores de estresse exacerbado é o que me mantém minimamente equilibrado, mas você sabe bem como é a vida, não é mesmo? Ainda mais nestes tempos obscuros de crise em todas as esferas que vivemos nestes anos estranhos e conturbados que tornam as atividades já tensas em algo muito mais tenso. Você simplesmente não tem controle de nada e isso é jogado na sua cara a todo instante, e você percebe que não conduz nada mas sim que é conduzido, na maioria das situações, como uma folha morta pela enxurrada.

"Controle" sempre foi uma ilusão, que no final das contas aumenta mais ainda o problema com a ansiedade e todo o resto. A gente cresce sendo educado e ouvindo que tem que se controlar, que tem que ter o controle de sua vida em suas mãos, e que pessoas de sucesso controlam suas atitudes, suas escolhas e colhem o que plantam, e que você tem que ser assim. Nada mal pensar dessa forma, ser alguém de atitude!

Mas ai você cresce, começa a lidar com a vida e vai percebendo que as coisas não são bem assim. Você começa a perceber que você, na verdade, controla muito pouco ou quase nada, e que as pessoas que detém o controle são poucas, muito poucas, e que eu, dentre a grande maioria dos membros da sociedade, não faço parte desta elite controladora. Entre winners e losers, a maioria são losers e eu estou nesse meio.

Não estou entrando no mérito de que em Cristo somos mais do que vencedores. A esperança que alimenta a minha fé é a de que a salvação de Jesus é uma graça, porque se eu tivesse que fazer qualquer coisa para tê-la, eu não conseguiria.

Já a síndrome do impostor sempre me afeta. Tudo anda bem até que algo, por menor que seja, explode na minha cara, e quando isso acontece, é como se um milhão de pessoa apontassem para mim dizendo "você não controla nada, sua suposta competência no que faz é falsa porque é fruto do acaso e não do seu próprio esforço, se alguma pequena coisa der errado você não é capaz de corrigi-la porque você não tem controle de nada afinal, e sua incompetência se tornará evidente".

Uma destas pequenas coisas explodiu estes dias. Numa escala de 0 a 10 em importância, pensando de forma bem objetiva, isso foi algo entre 1 e 2 no máximo, mas mesmo assim foi suficiente para disparar o gatilho deste indesejado processo.

17 de fevereiro de 2016

PARANDO COM A TERAPIA


Parei com a terapia semana passada. Foram quase 8 anos ininterruptos. Uma mudança de horários na minha rotina diária me impossibilitava de continuar no mesmo dia e horário, e minha terapeuta não tendo outra disponibilidade, encerrei o atendimento.

Ela me ajudou bastante nestes 8 anos, mas há tempos eu sinto que eu só ia lá para desabafar, para falar das minhas encanações, entender algumas coisas do meu dia-a-dia que me incomodavam, e só. Não sentia que havia uma evolução há bastante tempo. Eu não sentia que estava progredindo, mas apenas trabalhando para me manter no patamar em que me encontrava.

É claro que estou inseguro. Foram 8 anos de acompanhamento terapêutico. Será que terei uma recaída? Será que vou conseguir manter minha mente minimamente saudável para pelo menos continuar como estou atualmente, conseguindo trabalhar, conseguindo levar minha vida de forma razoavelmente bem? Conseguindo não ficar deprimido? Eu parei com a medicação há uns 3 meses e estou bem, pelo menos por enquanto.

Minha terapeuta sempre me disse que eu tenho sérios problemas com sentimento de culpa, ansiedade , baixa auto-estima e complexos derivados da associação destes. Estou consciente deles, mas não sei se isso bastará para mantê-los sob controle.

Associando isso a um período de estudos em minha igreja, noto que algo está para ocorrer em minha vida e me deixa preocupado. Por muito tempo eu vinha me perguntando no quanto a terapia me ajudava e ao mesmo tempo poderia estar me impedindo de evoluir como um cristão, já que na terapia muitas coisas que como cristão eu achava que eram problemas na verdade eram tratadas como coisas normais que eu devia aceitar por ser, afinal, humano. Justamente agora que estou saindo da terapia, na EBD em minha igreja, começamos a estudar sobre o que significa ser um discípulo de Deus, e já nos primeiros estudos vou percebendo o quão absolutamente falho eu sou.

OK, respiro fundo, tento ter calma para abstrair os ensinamentos a fim de evoluir como pessoa e como cristão sem me deprimir. Isso porque, olhando o alvo que eu teoricamente devo atingir (o padrão que a Bíblia estabelece para nós como cristãos), ele me parece inatingível sob quase todos os pontos de vista.

Eu sei que é um processo de vida. Sei que ninguém além do Senhor Jesus foi ou será perfeito. Mas fico sempre incomodado, com a sensação de que estou devendo muito ao Senhor, de que não me esforço o bastante e que "deixo rolar" meus pecados sem lutar o tanto que posso contra eles, e que por isso mesmo estou tentando me enganar, tentando enganar aos outros e tentando enganar a Deus.

Enfim, parece não ter sido uma boa hora para parara com a terapia. Ou será que foi a hora ideal?

Só o tempo dirá.

15 de maio de 2015

DO PRISTIQ AO VELIJA

Semana passada tive nova consulta com meu psiquiatra, e o balanço que fiz nesses 30 dias com o Pristiq (succinato de desvenlafaxina monoidratado), que comecei tomando 25mg e depois de 1 semana passei a tomar 50mg, foi de que não estava fazendo nenhum efeito, seja por ainda estar exposto a situações estressantes (ao menos na minha cabeça) seja porque minhas compulsões não haviam cedido em nada.

O recomendado foi tentar uma outra medicação chamada Velija (cloridrato de duloxetina), que comecei tomando 30mg por dois dias e depois passei a tomar 60mg (hoje já é o 2º dia com 60mg). A ideia segundo meu psiquiatra é que pacientes que não respondiam bem ao Pristiq respondiam bem ao Velija, e ele queria tentar essa mudança.

Tive um sono absurdo no primeiro dia com 60mg. Mas fora isso, não sei se é efeito placebo ou se é porque os eventos que estavam me estressando estão bem menores, ou ainda se é porque a medicação realmente está fazendo efeito, mas estes últimos dias tem sido bem melhores: o humor melhorou, o sono melhorou (o frio ajuda um pouco), a ansiedade melhorou.

O fato de que espiritualmente estou mais engajado, pela graça de Deus, com toda certeza está contribuindo para isso pois, além de mais tranquilo (creio que devido a isso) as compulsões estão começando a voltar ao patamar de controláveis.

Estou esperançoso. Creio que a medicação, somado às mudanças que assumi em minha vida (visando simplificá-la) assim como a graça de Deus vão me tirar dessa com toda certeza.

6 de maio de 2015

ÓDIO DE ESTIMAÇÃO

Infelizmente, uma das características mais marcantes da minha personalidade, contra a qual eu luto bastante, é meu mal-humor. É notório que em momentos como este pelo qual estou passando eu tendo a entrar nesse estado de intolerância com tudo e todos mais facilmente. Era sim desde o ginásio, com colegas e familiares.

Eu fiquei sem escrever neste blog por muito tempo, pois desde meados de setembro do ano passado eu passei por muitas mudanças no meu emprego, virando supervisor. E mudanças são o inferno para mim.

A pressão era muito grande. Eu nunca desejei tal posição, mas aceitei por achar que "era o correto" porque afinal de contas todos olham para promoções como prêmios. Debati o assunto à exaustão na terapia, mas no final das contas eu não conseguia lidar positivamente (do ponto de vista emocional) com o cargo. A experiência não foi ruim, pelo contrário: foi melhor do que eu esperava e me rendeu uma melhora na auto-estima. Mas era pressão demais para mim, e novas mudanças ocorreram mês passado e eu não aguentei - já não vinha aguentando.

Ano de crise, empresa exercendo forte pressão por mudanças, desorganização inerente a um período de mudanças estruturais profundas... eu pedi para sair da supervisão e voltei a minhas antigas atividades, porém com uma carga maior de atribuições, então não estou sentindo tanto alívio, e a medicação que citei no post anterior não parece estar exercendo efeito algum.

A ansiedade e desespero diante de uma enxurrada de trabalho, associada a depressão que voltou (mais fraca que antes mas voltou), mais a situação política e econômica do país me desestabilizaram. E com essa desestabilização, meu mal e velho ódio de estimação roeu a corda da coleira e está dando voltas em meu coração brincando com a depressão. Estou correndo atrás dos desgraçados, mas eles são difíceis de segurar.

Eu até consigo disfarçar o ódio (não é bem ódio, está mais para um mal humor) e a depressão no dia-a-dia, até porque ninguém merece estar do lado de alguém assim, e principalmente porque murmurar não é o que Deus deseja de nós durante as tribulações da vida. Então, como sou educado, responsável e profissional, NA MAIORIA DAS VEZES eu consigo desassociar o sentimento das iterações que realizo. Mas algumas vezes escapa, eu fecho a cara e ou descompensar de alguma forma não muito positiva.

Acho que não posso fazer nada com relação a isso. Apesar de toda minha neurose, continuo a ser tão humano e falho quanto sempre fui e sempre serei.

13 de abril de 2015

PRISTIQ - INÍCIO

Depois de 4 anos de remissão da depressão, fiquei mal de novo devido a muitas mudanças em minha vida, que me bagunçaram internamente. Só de observar que essa é apenas a 2ª postagem que faço aqui este ano, dá pra ter uma ideia do quanto ando sem tempo para nada. Foi uma questão de tempo, infelizmente. Um dia eu explico os motivos. Basicamente é trabalho, mas mais profundamente do que isso, é uma total falta de confiança em mim mesmo.

Meu psiquiatra receitou o Pristiq de 50mg, com uma introdução de 25mg/dia por 4 dias. A previsão do uso da medicação é de 6 meses, mas quando comecei com a fluoxetina/lexapro também era por pouco tempo, e acabei ficando em tratamento por quase 3 anos.

Agora, no segundo dia da introdução, sinto uma leve apatia e sono. Diante do estresse diário, isso é até um alívio.

Não sei bem o que pensar. estou um pouco preocupado, ganhei muitas responsabilidades nos últimos meses e isso tem me zoado bastante. Agora, além de não confiar em mim mesmo, tenho dúvidas se tomei as decisões corretas, pois afinal elas me levaram a essa situação. Mas se não as tivesse tomado, podia estar me arrependendo por não tê-las tomado. Parece ser uma situação onde não tem como ganhar.

Sem me preocupar com os "se", tenho que seguir em frente de uma forma ou de outra. Conto com o Senhor ao meu lado sempre. Mas cá entre nós, estou com um pouco amedrontado diante de toda a situação. Preciso de fé acima de tudo. O Senhor é sempre bom. Tenho paz em saber que mesmo que eu sofra, tudo tem um propósito.

A medicação pode me estabilizar quando atingir a concentração sanguínea de trabalho, o que deve ocorrer daqui uns 7 dias (comecei a tomar sábado, dia 11/04/2015) . Vamos ver.

7 de janeiro de 2015

MORTALMENTE FERIDO


Hoje eu queria me esconder da dor de estar vivo. Me eximir do tributo a ser pago por viver entre mortais. Hoje eu queria me entocar em um esconderijo, lamber minhas feridas, repousar de tudo o que me mata.

Hoje eu queria um fim para a agonia. Um anestésico para a alma. Um lenço para a lágrima. Uma sutura para os cortes invisíveis que carrego em agonia, uma festa para o cadáver que carrego dentro de mim... um fim, derradeiro, terminal e completo fim.

A dor de viver enquanto se esvai a alma em terrores que ninguém vê está emoldurada em uma parede encardida em um quarto nos fundos de uma casa decrépita em um bairro isolado de periferia sob o título de "frescura". Ninguém vê, ninguém se importa, ninguém dá a devida atenção. É a miséria humana, a tragédia silenciosa que aflige a humanidade, é a tristeza condensada em sua mais pura forma.

O mundo é um lugar inóspito, frio e cheio de pessoas que gostam de ferir. Há aqueles que aprendem a ferir em retribuição, há aqueles que se resignam em sofrer em silêncio e aqueles que com medo do ferimento matam quem tenta se aproximar. Que cansaço é o mundo e todos que nele estão. Tudo é tão difícil...

12 de dezembro de 2014

ABANDONANDO O PANTOPRAZOL


ATUALIZAÇÃO: INFELIZMENTE ISSO NÃO FUNCIONOU, LEIA AQUI.

Já faz 4 meses que não posto nada. Muita coisa aconteceu nesse período, muitas mudanças de vida, e na correria nunca sobra um tempo para escrever.

Bem, uma das mudanças é com relação a minha recente tentativa de abandonar o uso da medicação chamada pantoprazol, que tem efeito similar ao omeprazol, atuando no aumento do p.h. do estômago diminuindo sua acidez excessiva que causa refluxo gastroesofágico.

Apesar de tomar a dosagem mínima de 20mg diárias e de ter tido informações sobre a segurança da medicação (de fato, esses anos todos gastrite não foi um problema para mim e não tive nenhum efeito colateral) eu já o usava a 5 anos (desde quando tive uma incrível dor no tórax que acabou sendo diagnosticada como refluxo) e após ler artigos que indicam o perigo do uso prolongado de antiácidos (por mais de 2 anos, como no meu caso), eu decidi tentar parar de tomar.

Na verdade minha nutricionista já havia me falado sobre a necessidade de suspender a medicação devido a esse risco muito antes desses artigos começarem a surgir. O fato do p.h. natural do estômago ser mudado com tal medicação impede que a digestão e absorção de vários nutrientes ocorra adequadamente, com destaque para alguns mais importantes como cálcio e vitamina B12.

Mas o fato é que sem a medicação, a gastrite volta. Estresse (que nestes últimos meses tem sido intensos), ansiedade, alimentação inadequada e sedentarismo ajudam, mas o fato é que desde criança eu tenho esse problema, que era tratado de forma totalmente caseira com leite de magnésia e sal de fruta.

Comecei a pesquisar sobre opções da medicina natural e me deparei com o limão, por mais estranho que isso possa parecer a princípio. Como o limão, que é ácido, pode ajudar a diminuir a acidez? As repostas encontrei no site Doce Limão.

Descobrir que o limão, apesar de ácido, desempenha forte efeito alcalinizante no estômago me deixou surpreso. Funcionando como uma espécie de omeprazol natural, o limão tem inúmeras outras vantagens, sendo a vitamina C a mais conhecida, mas atuando também como um poderoso desintoxicador do organismo.

Depois de ler os depoimentos a respeito do uso do limão contra a gastrite e azia, me animei a começar um teste. Após ler mais alguns artigos, me convenci de que deveria tentar a substituição do pantoprazol pelo limão de forma sistemática, contínua e moderada.

Assim, há duas semanas parei de tomar pantoprazol e comecei a tomar o limão. O suco de um limão inteiro espremido logo pela manhã, em jejum (puro, sem água, açúcar, mel ou adoçante) e um repeteco dessa mesma dose a noite, antes do jantar. De preferência 30 minutos antes de comer ou beber qualquer coisa.

Fiz isso acompanhado de mudanças significativas de alimentação, procurando comer mais verduras e vegetais crús (vivos, como a autora do site cita) e não beber mais durante as refeições (principalmente bebidas adoçadas e carbonadas). Diminuir as doses de café também estavam no pacote. O restante não era um problema para mim (não fumo e consumo pouco álcool), mas sair do sedentarismo ainda é difícil devido a outros problemas. Mas manter a alimentação "na linha" é algo difícil para mim. Ontem mesmo quase fraquejei e comi uma pizza. Consegui optar por um lanche natural cheio de alface e rúcula.

Os resultados do teste foram os seguintes até aqui:


  1. No primeiro dia não senti absolutamente nenhum aumento da acidez.
  2. No segundo e terceiro dias, tive um pouco de azia. Mas depois descobri que isso ocorreu porque, ao parar com o pantoprazol, o organismo teve um efeito rebote. Enquanto se toma a medicação o organismo entende que há uma supressão da acidez e isso o obriga a produzir um nível maior de ácido estomacal na tentativa de manter a acidez adequada. Quando se tira o remédio a acidez elevada continua por um tempo até que o organismo entenda que não tem mais nada suprimindo. Ai os níveis de acidez se normalizam novamente após algum tempo. Por isso que a retirada do pantoprazol (ou omeprazol) devem ser feitas aos poucos e sob orientação médica.
  3. Do quarto dia em seguida as coisas melhoraram, pois foi um final de semana onde dormi muito e descansei bastante, e onde passei 2 dias comendo apenas peixe fresco e comendo salada e frutas (evitando aquelas coisas que o site indicava como ruins para a acidez, como cebola e tomate).
Atualmente estou indo para a 3ª semana de limão. Apesar de ser inicialmente incômodo o sabor (acaba-se acostumando) e ter que bochechar com água após a ingestão (para impedir que o ácido do limão ataque o esmalte dos dentes), a experiência está sendo muito boa. A qualidade da saúde se mantém e o fantasma de enfrentar uma desnutrição silenciosa sumiu e agora sei que agora meu organismo vai absorver os nutrientes com eficiência. A vitamina C diária será um reforço positivo para o sistema imune, e o valor que gasto semanalmente com limões, na ponta do lápis, é bem inferior ao do pantoprazol. A digestão melhorou, e associada a mudança que já havia feito anos atrás de comer bem cedo e deitar apenas umas 3 ou 4 horas depois de me alimentar, continuo sem nenhum episódio de refluxo noturno.

Não me arrisquei a fazer o tratamento de desintoxicação com limão que compreende a ingestão progressiva de sucos de limão inteiros (com casca e tudo) chegando a tomar 10 frutos por dia. Acho isso radical demais. Além disso meu foco não é a desintoxicação em si, mas sim controlar a gastrite, e para isso 2 limões por dia parecem ser o suficiente.

Se você busca uma alternativa natural ao omeprazol e pantoprazol, o limão pode ser sua opção. Leia os artigos do site Doce Limão e se tiver disposição consulte um médico ayurvédico para lhe orientar adequadamente.

E que Deus o abençoe a todos nós com uma melhora de saúde!

20 de janeiro de 2014

DEPRESSÃO E IDENTIDADE

Eu sabia que a depressão seria uma espécie ferida que nunca cicatrizaria. Que estaria comigo todos os dias, espreitando alguma fraqueza para poder se alimentar de novo e voltar a ter o tipo de prioridade que tinha em minha vida até alguns anos atrás. Me mudando novamente, fazendo com que eu deixasse de ser eu mesmo mais uma vez. Eu era uma pessoa e passei a ser uma segunda, e agora essa segunda passou a ser uma terceira. Não sei mais quem sou, e como tal não sei o que quero, nem o que aspiro. Não tenho sonhos, desejos, gostos ou propósitos. Estou perdido dentro de um labirinto em mim mesmo.

A depressão me parecia distante até algum tempo atrás. Pelo menos até hoje de manhã, quando vinha andando para o trabalho e, em um lugar muito ruim para se andar, onde a calçada quase não existe e onde eu tenho que andar praticamente na avenida - que é muito movimentada - e observei os carros passando a uma velocidade grande bem próximos a mim e pensei: e se eu "escorregasse" e caísse na frente de um desses carros? Tudo estará resolvido, toda a minha dor desaparecerá, eu não estarei mais vivo e nenhum questionamento e aflição permanecerão.

A ideia pareceu fazer sentido por alguns instantes, que duraram uma eternidade em minha mente.

Pensei se sentiria dor ao ser atropelado por um carro a 80km/h ou se eu sentiria apenas uma inércia confortante, um silêncio e uma paz que não encontro em lugar, momento ou pessoa algumas.

Obviamente constatei que sentiria dor - muita. E ainda haveria o risco de não morrer mas sim ficar aleijado, entrevado em uma cama, sofrendo por anos, definhando, e arrastando minha família comigo.

Isso me fez desistir.

Como já li em muitos lugares, suicídio não é para os fracos e covardes. Uma pessoa precisa de muita coragem para dar fim a própria vida - uma coragem que eu não tenho e nem sei se um dia terei. E se a pessoa tem coragem para isso, por que não tem coragem para algo menos drástico, como por exemplo dar uma guinada em sua vida e mudar o que tanto lhe aflige?

Porque essa pessoa não tem poder para mudar o que lhe aflige já que o que lhes afligem é a própria vida, as próprias pessoas, o próprio conceito de viver.

Me sinto oco novamente. Vazio, repleto de dor, aflição, ansiedade, auto-piedade, abandono e ódio. Muito ódio. Ódio contra o mundo e contra mim mesmo. Ódio devido a impotência diante de tudo. A incapacidade de resolver qualquer coisa, de solucionar o menor dos problemas, de ser alguém... alguém que nunca serei. Ódio das pessoas por vê-las bem e felizes (algo que me parece ofensivo e patético). Ódio por me sentir totalmente diferente delas, inferior. Ódio por não ser capaz de sentir e viver e apreciar o mundo. Ódio, ódio, ódio... apenas ódio por me ver preso em armadilhas mortais, amarrado a situações das quais poderia me desamarrar mas com medo das conseqüências não o faço. Ódio por ser um covarde, por temer mudanças, por não ser seguro de quem sou e do que posso fazer e de como me sairei. Ódio, apenas ódio... e vergonha, e medo, e pânico, e nojo de mim mesmo.

1 de janeiro de 2014

UM AUTÊNTICO ALIENÍGENA

Illustrations from the Nuremberg Chronicle, by Hartmann Schedel (1440-1514)
Um autêntico alienígena. É assim que me sinto em momentos como este - réveillon de 2013 para 2014.

Com a existência do Facebook fica mais fácil experimentar esta sensação. Vejo todos compartilhando fotos e comentários sobre como estão curtindo o momento, festejando com amigos e familiares na praia ou em suas casas ou em shows da virada, queimando fogos de artifício, comendo, bebendo e conversando. E eu aqui, em casa, escrevendo isso, jogando, conversando com minha esposa, ouvindo música, ou seja, passando este período tentando ao máximo possível ignorar o que meu preconceito classifica como reação exagerada de felicidade incondicional, mas que na verdade é apenas a expressão da liberdade individual que cada um tem em comemorar um acontecimento como lhe convêm dentro dos limites legais - e se todos aceitam uma convenção social que lhes diz para usar roupas brancas, queimar fogos de artifício e se comportar de uma certa forma, não tenho o direito de julgar, mas me reservo a opção de não adotar a conduta convencional - não para ser intransigente, mas sim por não gostar desta.

Voltando ao Facebook, vejo postagens das pessoas se vestindo e maquiando super bem, se produzindo, tirando fotos para mostrar como estão felizes, como tem vidas divertidas, como são bacanas e como a depressão, estresse, miséria psicológica, intriga, maldade, pressão, medo, abandono e tudo o mais podem ser esquecidos por uns instantes. E eu aqui, de pijamas, tentando acalmar meu cachorro que está todo aflito com os barulhos dos rojões, e fazendo questão de viver este momento exatamente como vivo todos os demais.

Sei que momentos como este são importantes do ponto de vista psicológico e emocional. Ciclos são importantes e a comemoração destes (para a maioria das pessoas) é algo muito importante. Não acho nada disso errado. Eu mesmo devia estar na igreja - íamos passar o ano novo lá em uma reunião de oração e comunhão com outros membros e que deve ter sido maravilhosa, mas não fomos por receio das ruas, repletas de pessoas bêbadas guiando carros e porque não bandidos a espreita de pessoas desavisadas indo e vindo de comemorações, totalmente distraídas. Ficamos em casa, como sempre temos ficado há anos. Esperamos os fogos passarem, e então vamos dormir. Este anos fizemos um brinde com Calpis.

Eu sei que sou recluso, e esse tipo de comportamento se repete nas demais festividades coletivas, ou mesmo nas particulares que são comuns a todos (aniversários por exemplo). Eu ão tenho a necessidade de comemorar estas coisas com a mesma importância e intensidade que o coletivo parece precisar - ou desejar. Não vejo motivos para comemorar entusiasticamente uma passagem de ano além de fazer uma simples reflexão do que passou no ano, aprender com os erros e acertos, ser grato a Deus por tudo e no máximo pensar em algumas coisas que gostaria de fazer no ano seguinte, pedindo a orientação de Deus sobre isso e sua benção de acordo com sua vontade.

Na verdade já estou acostumado a ser "estranho" neste sentido - e muitas vezes me sentir estranho por mim mesmo, sem um julgamento ou sensação de julgamento de uma outra pessoa. Ou seja, eu mesmo me acho estranho por não ser como os demais.

Por exemplo: a própria comemoração do Natal já me incomoda há bastante tempo e eu não compartilho do senso comum quanto a como ela deve ser experimentada. O mesmo diz respeito a maioria do modo operante em quase todas as coisas. Eu tenho opiniões próprias quanto a muitas coisas, mas que vão contra o senso comum.

Isso me causava, na infância e adolescência, uma sensação de deslocamento imenso. Isso evoluiu para revolta por muitos anos, e creio que meus familiares se lembram dessa época com medo pois eu era bem revoltado. Depois isso evoluiu para indiferença, e hoje, para o que acho ser o início de uma compreensão mais equilibrada: sou um ser humano como outro qualquer, mas que está fadado a viver com o constrangimento de ser sempre visto como diferente porque de fato eu sou.

Assim, consigo imaginar um pouco como um alienígena se sentiria disfarçado entre nós.

27 de dezembro de 2013

DESCONECTADO

De novo o Natal passou e mais uma virada de ano se aproxima. De novo aquele mesmo ritual de reflexão surge. A desconexão com o mundo, com as pessoas, com a sociedade, permanecem como uma barreira entre mim e todo o resto. E por que, se existem coisas boas na minha vida como minha esposa, minha família, meus amigos e minha saúde?

Moro em um lugar que não gosto, trabalho em um serviço que me desmotiva, com pessoas que não simpatizo, em um país que odeio, com uma cultura que não valorizo e em meio a um povo que julgo estúpido, sórdido, alienado, tolo, ignorante, mau e nocivo, que anda por ai em carros com o som "no talo" e que não se preocupam com o próximo mas sim com as celebridades - e consigo mesmos. Pessoas que se acham excelentes, baluartes da justiça e da educação que são, no máximo, elaborados embustes.

Mas eu ainda persisto. Por que?

O que me move se não uma esperança profundamente baseada na ?

Mas fé no que?

De que as coisas vão melhorar ou que eu vou mudar e não me importar mais com o que tanto me incomoda?

Não, não mudarei. Tão pouco julgo que o mundo vá mudar. As pessoas, idem.

Tudo permanecerá como está, degradando-se cada vez mais, caminhando ao inexorável destino da degradação completa do ser humano e da matéria.

Minha fé não repousa neste mundo e nem em qualquer conquista ou recompensa.

Sofro, choro, agonizo. Mas sei que isso terá um fim. Pois todo desatino, toda maldade, toda espera, toda dor, toda aflição serão sepultadas com meu corpo - ou melhor, queimadas, já que prefiro pensar que serei cremado.

Minha fé repousa no dia da minha morte e no que ocorrerá comigo após abandonar essa realidade.

Só me resta aguentar, suportar a tortura deste mundo, de ver pessoas comendo pessoas, de ver a crueldade cotidiana, mesquinha, gananciosa, opressora e silenciosa da qual ninguém se da conta correndo solta, de ver pessoas em pior estado do que eu, de ver o estimulante para o mal ser distribuído de graça em qualquer esquina, conversa, trajeto, trabalho, computador, revista e relacionamento.

Minha fé repousa na salvação de Deus, minha crença em Jesus Cristo, a quem me machuca envergonhar por todas as minhas falhas e pecados, mas que a cada dia vejo trabalhando em mim um pouco mais, me entristecendo e me  revoltando comigo mesmo, me incomodando com minhas fraquezas, me despertando para seus objetivos. Me preparando não para ser perfeito, mas para entender que a busca pela perfeição representada nEle é o que chamamos de caminho da santificação, e que nunca estaremos aptos ao reino dos céus por nós mesmos, mas sempre e unicamente porque Ele nos ama e nos ofereceu isso de graça.

Continue trabalhando em mim, Senhor. Cada dia que passa fico mais consciente de que em vida nunca serei perfeito como Jesus, e nunca deixarei de pecar. Mas coloco-me em suas mãos para ser moldado pela Sua vontade, pois como disse, toda a minha esperança repousa em Ti.

5 de novembro de 2013

SONHO: INCÊNDIO EM HOTEL ASIÁTICO

O lugar era alguma cidade na Ásia, quente e úmido (Tailândia, Malásia, etc). Em uma cidade com uma luz amarelada, eu estava em um hotel. Estava na cidade para fazer algo, algo que algumas pessoas dessa cidade não queriam que eu fizesse. Era como se eu fosse um agente secreto, buscando alguma coisa oculta na cidade tentando não chamar a atenção, e as autoridades desta cidade não quisessem que eu a encontrasse.

Estas autoridades começam a me procurar, e em uma perseguição eu consigo me esconder. Vejo-os perguntando por mim na recepção, já que toda a ação ocorre dentro do prédio deste hotel.

As autoridades começam a me perseguir novamente, e é neste momento que o prédio do hotel começa a pegar fogo. O fogo está em andares superiores a aquele em que estou, e no meio da multidão, sou evacuado do prédio. Não chego a ver fogo, apenas a fumaça. E assim sei que as autoridades não me pegarão. Me sinto livre, mas ao mesmo tempo triste. O ar parece pesado e eu não estou exatamente feliz. O sentimento é de perda.

E neste momento eu acordei.

Interessante notar que tenho passado por um momento de estresse mais intenso em meu trabalho e a sensação de depressão vem me atormentando novamente desde então. No dia anterior, na Igreja, tive uma sensação, um pensamento. Foi como se Deus estivesse falando comigo porque um pensamento surgiu do nada, e não foi agradável pois o pensamento foi “você terá que perder tudo o que tem”. Esse pensamento me arrebatou sem um motivo aparente. Pode ter sido apenas minha mente estressada? Pode ter sido uma influência maléfica? Pode ter sido Deus? Não sei.

Acho que quando Deus fala conosco, ainda mais assim, sabemos que foi Ele quem falou por vir acompanhado de uma sensação de paz e liberdade – se bem que Deus pediu a muitas pessoas que fizessem coisas que elas não queriam e que as perturbou bastante também. Paz e felicidade não foi o que eu senti quando o pensamento me surgiu. O que eu senti foi pavor, medo e, acima de tudo, opressão. De onde veio esse pensamento então? Da minha mente cansada e estressada, ou de fora de mim mesmo?

Tentei entender o que essa possível perda significaria. Será que minha vida atual me desvia de Deus de tal forma que tenho que ser despojado de tudo e todos para poder ter uma vida de acordo com a  vontade de Deus? Essa foi a única interpretação que tive, mas mesmo assim, a coisa é muito mais complicada do que meramente meus bens – que na verdade são bem comuns e até simplórios. Ocorre em todo o meu ser – meu comportamento, minhas atitudes, meus desejos, meus pensamentos, meus objetivos (ou falta deles).

Seria a perda relativa a algo diferente do material? Seria a perda, por exemplo, da sanidade? Seria minha depressão voltando? Ou o surgimento de alguma nova condição psicológica, desencadeada pelo estresse e sentimento de prisão, falta de escolha e falta de orientação que se intensificou mais nos últimos tempos? Coisas que debati de forma bastante intensa em minha última sessão de terapia, poucos dias antes deste sonho.

O sonho veio depois disso tudo, e não pude notar de ver estampado nele algumas situações que vivenciei naqueles dias e em momentos anteriores de estresse. Desejo de fuga de uma situação onde me sinto oprimido e perseguido. A fuga ocorrendo por meio de algo que está fora do meu controle, que ocorre de forma quase milagrosa – um incêndio. E o próprio incêndio, analisado do ponto de vista simbólico no subconsciente, sendo o fogo um elemento destruidor e ao mesmo tempo purificador. A mente é uma coisa fantástica e incompreendida, e o subconsciente trabalha medos, ansiedades e memórias de formas estranhas, usando s sonhos para diversas funções. Mas ao mesmo tempo, há muitos casos que demonstram que os sonhos são mais do que mero produto dos processos mentais.

Algo ocorrerá? Sofrerei alguma perda? Sofrerei a perda de tudo que tenho? Ficarei esquizofrênico ou depressivo? Eu não sei. A ansiedade inicial com a situação já diminuiu, de bem que permaneça aqui inconvenientemente.

Porém, ocorrendo alguma perda ou não, que Deus esteja no total controle de minha vida, e seja lá o que for, que me leve cada vez mais para perto de Jesus. O medo de sofrer perdas materiais e/ou emocionais são grandes, ninguém as quer sofrer, muito menos eu. Mas se for ocorrer, que ocorra para a glória de Deus.

2 de agosto de 2013

NIHON - O JAPÃO É BOM DEMAIS!

Rokuonki, dentro do templo Kinkakuji - ou simplesmente "O Templo Dourado" em Kyoto
Entre os dias 02 e 13 de julho de 2013 eu e minha esposa realizamos um grande sonho em nossas vidas e visitamos o Japão na melhor viagem que já realizamos até aqui. O país é muito mais do que esperávamos. Beleza natural e urbana estonteantes, organização social e urbana impecáveis, educação social incrível, simpatia do povo, música, TV, animações e cultura em geral de 1ª qualidade, infraestrutura turística e de mobilidade de cair o queixo, cidades bem planejadas, segurança em todos os lugares, comida maravilhosa, e CALPIS (uma bebida deliciosa)... enfim, um país que beira a perfeição – há os terremotos e a pressão social por perfeição que leva muitos lá a depressão é claro, mas é o preço a ser pago por todo o resto, imagino.

Quanto a pressão social, a impressão que eu tive foi diferente. Andei de trem em dias de semana em horários de ida e volta ao trabalho de muita gente. Andei pelas ruas de Shibuya e Nakano em Tokyo em horários de grande movimento, andamos por templos lotados de pessoas e espaços públicos diversos em várias cidades. A maioria das pessoas me pareceu “de boa”, ou seja, sem tristezas ou depressão – na verdade até animadas - por causa de trabalho ou estudos. Havia muita gente passeando, muita gente curtindo a vida – mesmo indo trabalhar ou estudar - sabendo respeitar muito as demais pessoas (silêncio nos trens e locais públicos, nada como aqui no Brasil com gente idiota ouvindo música alta).

Todaji, ou Templo do Grande Buda, em Nara
Seja antes da ida ou depois do meu retorno, muita gente me perguntou porque eu queria ir para o Japão, e mesmo agora, quando falo que fui para lá, sempre me dizem algo como “que viagem diferente”.

De fato, a maioria das pessoas que fazem “grandes viagens” em suas vidas normalmente falam que foram ao mesmo destino: Europa. Alguns fogem do padrão e falam que foram para os EUA, Canadá, México ou para outros países da América do Sul como Argentina ou Chile. Mas são muito poucos os que falam que foram para o Oriente de uma forma geral – seja o Oriente Médio ou para a Ásia, ficando a Oceania como principal destino pelo fato do inglês ser a língua nativa desses países, ou Israel por viagens missionárias.

Gosto de pensar que falam isso pelo fato do Japão – o Oriente em geral - ser extremamente distante de nós aqui do Brasil, e ser muito caro ir até lá – fomos de classe econômica e ainda assim gastamos tudo o que tínhamos, não sobrou nada e nossas economias se foram.

Digo que gosto de pensar assim porque as vezes tenho a impressão que as pessoas na verdade pensam que o Oriente, Ásia e o Japão não são interessantes, o que seria de uma ignorância imensa: são países extremamente ricos culturalmente (e alguns como o Japão são economicamente também), com muitas diferenças quanto ao ocidente é verdade, mas justamente por isso são extremamente interessantes. Sem contar que muitas de suas diferenças são – na minha opinião pessoa – para melhor. Muito melhor.

Não é de hoje que eu sou admirador da cultura japonesa. Um dos primeiros posts desse blog, de muitos anos atrás, fala justamente de animes, algo pelo qual sou apaixonado até hoje e pelo visto sempre serei. Animes e a culinária foram minha porta de entrada para a cultura japonesa e minha grande admiração por este povo, o que foi extremamente intensificada com minha viagem. Hoje tenho mais admiração por eles do que nunca. Até mesmo vontade de aprender japonês me surgiu e ainda perdura. Quem sabe, quando minha pós terminar, não faço aulas com a sensei de minha esposa?

Japoneses e orientais em geral – e isso inclui os povos árabes – tem muitas qualidades, e na minha opinião esse é um dos fatores que tem feito o oriente ressurgir como potência, levando a liderança do poder político e econômico do mundo para lá novamente depois de muitos séculos. Mesmo os orientais que moram fora de seus países de origem, ou descendentes destes que preservam sua cultura em outros países como é o caso dos japoneses no Brasil se destacam positivamente. Japonês no Brasil tem fama de inteligente, competente e eficiente não é a toa.
Osaka-Jo - Ou Castelo de Osaka, em (adivinhe só) OSAKA!

Outros podem pensar que ir para o Japão ou oriente é complicado por causa do idioma. É verdade que a maioria dos japoneses não fala inglês – e os que falam, não falam muito bem – mas isso não é nenhum impeditivo, pois você consegue se comunicar com eles de várias outras formas, por mais estranho que isso possa parecer.

Eu estava em Tokyo, em um combini, e um cara viu minha camiseta com o logotipo do McDonalds (na verdade estava escrito MACAXEIRA abaixo, é uma camisa que me trouxeram de Natal) e puxou papo! Conseguimos conversar, acredita? E eu não falo praticamente nada de japonês.

Eles tem uma atitude de querer entender o que os estrangeiros falam, então isso facilita tudo, até com mímica. Sem dizer que placas e mapas estão sempre em japonês e inglês. E tudo é organizado, e limpo, e seguro, e eficiente, e bonito... a estética é algo tão importante e natural na cultura japonesa que eu nem sei se eles pensam em fazê-la ou se isso já é algo orgânico, que eles fazem inconscientemente.

Bem, eu poderia escrever paginas e páginas sobre o Japão e o assunto não se extinguiria. Foi maravilhoso, e isso resume bem tudo. É uma viagem que recomendo a todos. O Japão e o povo japonês são maravilhosos. Um dia, se possível, eu volto.
Cruzamento no bairro de Shibuya, em Tokyo