LUTE

Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas - 1 Timóteo 6:12

SE DEIXE TRANSFORMAR

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus - Romanos 12:2

ACEITE O SACRIFÍCIO

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - João 3:16

VÁ NA CONTRA-MÃO

Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras, e vocês permanecerão na terra que o Senhor deu a vocês e aos seus antepassados para sempre. Não sigam outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los; não provoquem a minha ira com ídolos feitos por vocês. E eu não trarei desgraça sobre vocês - Jeremias 25:5-6

REFLITA A LUZ DE JESUS

Pois Deus que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo - 2 Coríntios 4:6

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16 de julho de 2018

PEDINDO PARA IR

Desabafo sem nenhum orgulho que tenho pedido a Deus para morrer enquanto durmo. Não morrer "um dia qualquer", mas sim "esta noite". Por que Ele não faz isso?

Ontem mesmo, antes de dormir, foi isso o que pedi. Apenas isso. Um pedido egoísta, ingênuo, mas verdadeiro. "Me leve esta noite para morar com Você, pois não suporto mais, não aguento mais essa dor, essa vida vazia, essa preocupação constante, essa eterna sensação de fazer absolutamente tudo errado, de ser apenas odiado e rejeitado, de não significar nada para ninguém, de não aguentar fazer mais nada, de vislumbrar apenas a decadência dia após dia, de ser um traste humano".

Não suporto mais. Apenas leve minha vida e a dê a alguém que saiba usá-la, porque eu não sei.

Mas pela manhã, acordo, ainda vivo.

Engraçada essa sina de, vez ou outra, tudo desmoronar em meu coração, e tudo ser doloroso, e nada parecer ser bom em mim, e estar constantemente preocupado com as reações que provoco nos outros pelas minhas ações, de analisar minhas próprias reações e me arrepender, e pensar que nada em minha vida justifica qualquer esperança, e que tudo tende a se deteriorar cada vez mais até um final triste e extremamente doloroso, solitário, frio, decadente e miserável.

Sejam minhas relações de qualquer espécie, seja minha saúde ou a saúde dos que me rodeiam, seja tudo o mais que consigo pensar, nada me dá esperanças de que "vai melhorar" ou "vai ficar bom". Tudo o que observo, tudo o que penso, tudo o que anseio me parecem extremamente finitos, tendendo à entropia, trabalhoso ao extremo, complicado, cansativo, desnecessário e fatalmente equivocado. Na hora mais negra não tenho visto nenhuma luz. Apenas trevas. Na hora do desespero, nem uma gota de esperança. Não nesta vida, apenas no que há após ela. Não na vida, mas na vida após a morte.

Me sinto isolado de tudo aqui. Para ser sincero, me sinto invisível à maioria das pessoas, não apenas emocional e psicologicamente, mas fisicamente também. Sempre me senti, mas ultimamente essa sensação é muito mais palpável. Ao ponto das pessoas passarem por mim sem me ver, literalmente. Só posso imaginar que me odeiam tanto que fingem que não me enxergam, ou me temem. Um homem de 1,80m e 115kg não ser percebível é algo estranho. "Melhor fingir que não o vi, assim não tenho que falar com ele, e nem me relacionar com ele de alguma forma". No trabalho me sinto uma ferramenta que pode ser substituída a qualquer instante por falhas devido a desgaste. E que desgaste...

Me pego estes dias - não apenas estes dias, mas muitos outros dias - fantasiando em como seria ter amigos. Amigos de verdade, não colegas. Amigos de verdade são poucos, dois, três no máximo. Daqueles que vem na sua casa apenas pra jogar conversa fora contigo (ou vídeo-game) mesmo sem serem convidados. Que vão contigo pagar conta em banco, que te chamam pra ir no cinema ou tomar um chopp no fim de semana, que organizam uma festa de aniversário pra você mesmo sabendo que você odeia mas no fundo vai gostar, que aturam seu mal humor e ficam fazendo piada sobre isso até que você ria, e por ai vai. Alguém por quem você faria o mesmo.

Não sei se é a depressão que tira as relações ou se é o fim das relações que causam a depressão em alguns casos, mas em muitas vezes, uma coisa anda de mãos dadas com a outra.

Me sinto insignificante, solitário, miserável, esperando a morte me levar, então por que ela não me leva agora, neste exato momento, e me poupa da ansiedade de esperar anos e anos até minha saúde finalmente ceder, me levando a um sofrimento que eu não quero enfrentar? Deus sabe o que faz. Mas vou continuar pedindo.

Uma pessoa certa vez me disse que eu sou viciado em sofrimento, que eu gosto de sofrer, mesmo que de forma inconsciente.

Gostaria de dizer a ela que é o contrário. Que odeio sofrer, mas que eu o suporto o sofrimento por me importar com algumas pessoas que sei que vou afetar muito se eu partir, e porque se eu decidir não sofrer mais... bem, minha velha e constante fantasia de subir em um prédio bem alto e me atirar lá de cima solucionaria tudo.

21 de janeiro de 2018

SIGNIFICÂNCIA DO SOFRIMENTO


A palavra de Deus é rica em nos confortar diante do medo e da ansiedade diante do sofrimento e das incertezas da vida, afirmando e reafirmando constantemente que não devemos ter medo e que teremos paz em nossa fé em Cristo.

Há, na Bíblia eletrônica da Youversion, um plano chamado "Ansiedade" que oferece todos os dias, durante 7 dias, versículos que reforçam isso:

  1. A ansiedade no coração deixa o homem abatido, mas uma boa palavra o alegra
    Provérbios 12:25
  2. E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
    Mateus 6:27
  3. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus
    Filipenses 4:6,7
  4. Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação
    Timóteo 1:7
  5. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito
    Romanos 8:28
  6. Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai no SENHOR perpetuamente; porque o SENHOR DEUS é uma rocha eterna
    Isaías 26:3,4
  7. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal
    Mateus 6:33,34
Porém, muito me intriga que todo o consolo do Senhor não implica (necessariamente) em passar incólume pelos percalços e desgraças da vida. Desemprego, doença, morte, abandono e solidão fazem parte  de diversos momentos de nossas vidas, sejamos cristãos ou não. Vamos sofrer mais cedo ou mais tarde, como eu tenho sofrido nas ultimas semanas de forma mais incisiva e sei que vou sofrer mais no futuro, possivelmente.

Tenho um entendimento particular, apoiado por tudo o que li e vi em minha vida até aqui, que sofrer faz parte da missão que temos nesse mundo, e que mais importante do que o sofrimento é o significado que damos a ele. A forma como decidimos ser afetados e como lidamos com esse sofrimento nos molda e nos transforma.

Jesus sofreu, e Ele próprio re-significou aquele sofrimento, nos salvando a todos por meio dele.

Tenho orado por livramento sim, pro misericórdia e abreviação do sofrimento, porque não tem sido nada fácil. No olho do furacão, no centro da dor, em meio a tempestade, no interior do ventre da besta, não conseguimos pensar nem raciocinar nada. Apenas choramos, imploramos e padecemos até a proximidade com as portas da morte.

É irreal achar que Deus vai dar esse livramento com certeza porque eu entendo que, além do sofrimento ser uma constante na vida de todos ser humano em maior ou menor grau, o sofrimento tem um propósito e uma lição dolorosa a ensinar.

A mais obvia lição que o sofrimento trás e a humildade. A dor de estar a mercê de uma situação ruim e se ver sem saída por suas próprias forças é humilhante e desesperador. E apesar de não ser esse o desejo do Senhor para nós (Ele nunca nos quer ver sofrer), o sofrimento pode trazer nossos corações de volta a Ele.

Sofrimento de outros nos gera compaixão. Compaixão nos estimula a agirmos no intuito de ajudar a quem sofre, esta ajuda é a manifestação do amor ao próximo e isso é o próprio reino de Deus.

Mas depois, quando nos deslocamos para outro lugar dentro ou fora do sofrimento, começamos a ver com mais clareza. A esperança que Jesus nos dá brilha radiante!

Durante muito tempo, isso foi um mistério para mim, mas agora me é bastante claro.

A esperança de Jesus é a salvação dEle para vivermos uma vida eterna sem sofrimento, de eterna paz e alegria junto a Ele. A esperança de Jesus é, portanto, nossa morte sepultando não apenas nosso corpo físico, mas também toda a dor, sofrimento e choro que passamos aqui neste mundo.

11 de janeiro de 2018

A NECESSIDADE DE EQUILIBRAR CONCEITOS


Voltar a escrever aqui me trouxe algum consolo. Perdi o hábito de escrever sobre o que se passa na minha cabeça e no meu coração conforme envelheci, seja porque alguns conflitos internos eu resolvi, seja porque passei a fazer uso de analgesias diversas para as dores da vida (dentre elas, Netflix é uma das mais poderosas).

Chego aos 40 anos (esse ano vou para 41) com uma sensação de que a vida não vale a pena ser vivida. Calma, não é para se preocupar tanto. Não vou tirar minha vida, nem desistir de nada. Afinal, 8 anos de terapia me ajudaram em algumas coisas, e hoje consigo manter sob controle qualquer impulso negativo grave.

Eu apenas vislumbro que, para a minha personalidade, as coisas ruins tem um peso muito maior do que as coisas boas. Uma coisa ruim tem peso 5 enquanto que uma coisa boa tem peso 1. Assim, se me acontecem 5 coisas boas e 1 coisa ruim, no panorama geral a balança de julgamento da minha vida tende a se equilibrar. Se 2 coisas ruins ocorrerem porém, a coisas descamba para uma avaliação ruim da minha vida, e é o que tem ocorrido comigo.

É claro que a realidade não pode ser vivenciada de maneira saudável por muito tempo dessa forma. Me forço a reavaliar as coisas e considerar que, apesar de toda a situação terrível que eu e minha esposa temos passado com o acidente de minha sogra, ainda temos muitos motivos para continuar em frente com esperança. Jesus é a maior de todas. Ele tem nos sustentado sobrenaturalmente nesses tempos difíceis.

O que eu preciso é mudar o foco. Focar nas coisas boas e não nas ruins, pelo menos não mais do que o necessário para avaliá-las na tentativa de resolvê-las. Como dizem, "o que não tem remédio, remediado está". Mas isso é um esforço racional. Emocionalmente a coisa é bem diferente.

A sensação emocional diante das coisas ruins que vem ocorrendo é a de afogamento em um oceano sem ondas de lágrimas sangrentas, sob um céu escuro, além de qualquer salvação ou ajuda, numa condenação eterna de dor crescente. É uma visão do inferno.

Não consigo deixar de temer pelo futuro. Como será daqui a alguns anos com minha sogra, quando o dia dela chegar? Ela vai partir tranquila e rapidamente ou vamos passar por todo esse sofrimento de novo? O que eu vou fazer quando eu e minha esposa ficarmos idosos (com uma aposentadoria ridícula), sem filhos para nos ajudar como nós estamos ajudando minha sogra? O que farei quando minha esposa pedir demissão do emprego para cuidar da mãe dela?

Deus nos fala em Matheus 6:34 que "Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.". Nos conclama a negar a ansiedade descansar no fato de que Deus está no controle de tudo. Mas como fazer isso?

Submeter o emocional ao racional é um dos maiores desejos humanos, e não é diferente comigo.

9 de janeiro de 2018

DESAMPARO


Tudo começou a menos de um mês atrás, no segundo dia das minhas férias de fim de ano, quando minha sogra caiu dentro do ônibus e quebrou o colo do fêmur. Se você já passou por isso em sua família vai saber o que veio em seguida: descaso total da companhia de ônibus (que falou que não vai se responsabilizar por nada - vamos entrar com processo), desespero ao correr para uma Unidade de Pronto Atendimento, desespero ao transferir minha sogra para um hospital público que esta caindo aos pedaços - no nosso caso foi mais grave já que o hospital está sob intervenção devido a escândalos de corrupção e havia uma total indefinição de quando a cirurgia para colocação de prótese ocorreria, já que não tinha nem algodão, quanto mais uma prótese de quadril.

Some a isso o fato de minha sogra ser uma idosa de 72 anos cheio de problemas médicos como lúpus e perda de visão, viúva, filha única, e minha esposa ser a única filha dela. Some a isso minha sogra não ter plano de saúde por ter desistido do dela (por ser caro demais) sem nos consultar e pedir ajuda para pagá-lo (o que teria evitar muito do desespero pelo qual passamos). Some a isso a situação toda ter ocorrido entre o natal e o ano novo, e absolutamente tudo estar diversas vezes mais difícil de fazer porque todos estão de férias ou folga, ou simplesmente de saco cheio da vida e não querem colaborar em um ambiente naturalmente estressante (hospitais).

Por providência divina, minha sogra, servidora estadual aposentada, paga o plano do IAMSPE (http://www.iamspe.sp.gov.br), e o hospital deles em São Paulo (Hospital do Servidor Público, um excelente hospital) a aceitou para fazer a cirurgia.

Fora o fato de minha esposa ter morado em um hotel próximo ao hospital por quase duas semanas e eu ter pago uma fortuna por uma ambulância u.t.i. móvel para transferir minha sogra de Campinas para São Paulo (nem ambulância nos ofereceram), tudo deu certo, a cirurgia foi feita, minha esposa conseguiu trazer minha sogra de volta para a casa dela e está morando com ela até a recuperação  terminar (o que pode levar de 4 a 6 meses).

Durante todo esse tempo, haverá custos de fisioterapia, viagens para São Paulo a fim de realizar os acompanhamento da cirurgia, medicação, troca de carro para um maior e mais alto (já que minha sogra não vai mais poder andar de ônibus vamos ter que levar ela nos lugares em que ela precisar), custos com acompanhante/enfermeiro e, possivelmente, minha esposa parando de trabalhar para ajudá-la.

Some a isso eu estar sozinho em casa, ajudando-as com tudo o que eu posso presencialmente e financeiramente, mas ainda assim me sentindo um imprestável. Some a isso eu ter crises de ansiedade e depressão sozinho em casa e (tentar) esconder isso de todos, perder totalmente o apetite, não conseguir me concentrar no trabalho devidamente, não conseguir dormir, começar a beber com mais frequência e me sentir totalmente desamparado tendo que amparar minha esposa e sogra, motivá-las, acalmá-las, ser uma referência de segurança a ambas.

É claro que não estou legal.

A sensação de desamparo em um momento desses é massacrante. Nunca em minha vida, nem nos momentos mais baixos da minha depressão, me senti tão... tão... nem tenho uma palavra para definir isso. Acho que eu nem quero definir isso. É mais que desamparo, é ver-se como Jó, totalmente obliterado por uma terrível situação que é incontrolável por mim, totalmente a mercê da situação, tendo apenas no Senhor esperanças, mas morrendo por dentro.

Só houve e está havendo uma única coisa que me mantém inteiro, que tem mantido minha sogra e minha esposa inteiros: Jesus.

Como falei em uma das diversas conversas que tive com minha sogra esses dias, Deus nos permite passar por todo tipo de situação, todas com seus próprios propósitos segundo a vontade dEle. Todas com a finalidade de tratar coisas em nós.

O que ele tratou em mim com essa história toda provavelmente só vou saber totalmente no dia em que eu morrer e, pela graça de Jesus, for aos céus. Até lá, só posso supor, e esperar que isso realmente tenha me aperfeiçoado de alguma forma para Ele, e não que seja um trauma que vá me machucar por mais e mais tempo.

26 de maio de 2017

O MAL NUNCA ADMITIDO

zona na véspera de mudança

Faz mais de um ano que não posto nada neste blog. Creio que, se há ainda algum leitor assíduo, ele bem sabe como sou dado a esse tipo de comportamento. E o motivo é o mesmo de sempre: a vida me bate tão forte quanto em todo mundo, mas minha sensibilidade me faz sofrer mais do que eu devia. Depressão é isso e muito mais. Lutar contra ela cansa demais e não tenho vontade de fazer nada, muito menos de escrever aqui.

Como tenho este blog como uma espécie de diário público para a posteridade, com o tempo venho dedicando a ele apenas registros de situações realmente importantes em minha vida. Creio que esta seja uma delas: vou me mudar. Amanhã já.

Vim para casa hoje falando para a minha esposa o quanto isso está me matando por dentro e o quanto mudanças me deixam transtornado. O processo de decisão da mudança foi desconfortável e até agora me deixa um sabor ruim na boca. Por mais que eu tenha decidido me mudar em conjunto com minha esposa, eu fui obrigado a fazer isso. Não foi uma escolha portanto, mas sim uma imposição das circunstâncias.

Minha vizinhança é muito barulhenta para o meu gosto. Não é de hoje que eu sofro com isso, como pode ser visto aqui e aqui por exemplo. Meu quadro depressivo me torna uma pessoa que não suporta barulho. Barulho me incomoda mais do que a maioria absoluta das pessoas, e desperta em mim um caos que não desejo a ninguém, nem mesmo aos que me tem causado esse sofrimento - desconfio - propositalmente. Tenho tido crises nervosas quando há barulho, minha pressão cai e eu fico tremendo.

Meu irmão mais velho e sua esposa gentilmente nos cederam um apartamento que eles tentavam alugar faz tempo, em um condomínio maior e mais bem organizado, cerca de 8km daqui, no 7º andar, em uma avenida sem comércios barulhentos. Sem vizinhos loucos - assim espero no Senhor. No Senhor espero reaver um pouco da paz perdida nos últimos anos.

O que mais me incomoda no entanto é perceber o quanto a humanidade decai sem parar.

Esse caso todo envolvendo barulho é apenas um exemplo, bastante pertinente é verdade, mas apenas um exemplo. Eu poderia falar sobre a verdadeira "mãe de todas as tempestades de merda" que vem assolando o Brasil há alguns anos e que piora cada dia que passa, com escândalos de corrupção por todo lado e a operação Lava Jato gastando bilhões de litros de água para limpar toda a lama aparentemente infinita desses malditos filhos da puta que tanto tem fodido o Brasil, mas isso milhares de outros sites já fazem. Ambos os casos mostram apenas como o ser humano tem piorado.

Meus vizinhos de fora do meu condomínio gostam de fazer barulho, de falar alto, de ouvir música alta quando bem lhes der vontade, de fazer festas ruidosas, etc. Se forem chamados a atenção, se revoltam achando que são vitimas. Os vizinhos de dentro do condomínio gostam de deixar seus filhos correrem como gazelas pelos corredores e escadarias do prédio, e gostam de ouvir música ou TV bem alto (neste exato momento, enquanto digito isso alguém no meu bloco está assistindo a Globo e eu sei disso porque consigo ouvir tudo)

Todos eles são incapazes - veja bem: VERDADEIRAMENTE INCAPAZES - de reconhecer que fazem mal aos outros com suas ações e omissões. Conseguem ver a realidade apenas sob sua própria perspectiva, sem qualquer preocupação com quem não faz parte daquilo que eles entendem como circulo de amizades. Sociedade, para eles, é um conceito abstrato, sem significado prático quando suas próprias vontades entram em conflito com ela. Moralmente, são aleijados.

Conversava esta semana com um motorista do Cabify sobre isso, e ele, da minha mesma idade, quicá um pouco mais velho, concordava e complementava de uma forma que me marcou. Ele disse mais ou menos o seguinte:

Transporto muito adolescente e jovem no meu trabalho, e vejo como eles se comportam e como são. Sempre querendo ser "espertões". Sempre querendo levar vantagem em algo de alguma forma. Nossa geração não era santa, mas essa geração atual é nojenta. Eles não sabem viver em sociedade, e nem parecem querer. Para eles tudo pode, tudo é permitido, desde que não façam mal aos outros. Porém, o conceito que eles tem sobre o que significa "fazer o mal ao outro" é doentio. Para eles pode fazer tudo, menos matar.

Voltando aos meus atuais vizinhos: fosse eu reclamar pessoalmente, no mínimo debochariam de mim. Provavelmente me ignorariam. Possivelmente me agrediriam verbalmente, ou até fisicamente.

"Mas você nunca foi falar pessoalmente com eles então não tem como saber" você pode pensar. Bem, fui sim, em alguns casos. E mesmo após isso, nada mudou. Mesmo após eu reclamar dezenas de vezes com o vizinho pessoalmente, com o síndico, com a prefeitura, abrir boletins de ocorrência na PM (estes para vizinhos de fora do condomínio), enfim, mesmo após eles receberem diversos sinais claros de que estavam incomodando muito, nada mudaram. Na verdade, pareceram até piorar, de birra. "Faço o que eu quero e você não tem o direito de achar ruim". Essa parece ser a nova dinâmica social. Bem diferente do que eu fui ensinado por minha mãe.

Alguns problemas foram resolvidos, como foi o caso da academia. Mas outros vão surgindo. E isso me deixou em frangalhos emocionalmente, dia após dia, mês após mês.

Assim, não estou me mudando. Estou fugindo.

Meu pastor, com quem tenho tido encontros periódicos em um treinamento de coaching, me disse animado "puxa, até que você decidiu rápido sobre essa mudança". Infelizmente tive que jogar um balde de água gelada na cabeça dele. "Mas eu não decidi nada. Decidiram por mim. Teoricamente, me botaram para fora da minha própria casa".

E assim, com um sentimento amargo de expulsão, estou deixando meu lar e encarando todas as dificuldades de começar outro temporário para, quem sabe, com a graça de Deus, eu possa encontrar outro um pouco menos temporário. Porque temporária é a própria vida, e meu lar eterno com Jesus, com o qual tanto sonho, ainda há de vir.

26 de abril de 2016

UM DIA COMO OUTRO QUALQUER NA VIDA DE UM DEPRIMIDO EM NEGAÇÃO


Em um rápido levantamento, descobri que em cerca de 27% dos meus posts neste blog foram relativos a depressão, desânimo e tristeza. Cerca de 1/4 de tudo o que escrevi aqui, por baixo, está ligado a como me sinto mal, mas pode ser bem mais do que isso.

Seria errado dizer que, no mínimo 1/4 dos meus dias são assim? Acho que 27% é até otimista demais. Não porque minha vida seja uma droga, pelo contrário. Mas sim por causa da maldita depressão e personalidade que me torna muito mais sensível do que o normal às pequenas e grandes agruras deste mundo.

E hoje não é diferente.

Como em várias outras situações deprimentes, o que sinto é uma fata de energia tremenda. Como se 3/4 da minha energia vital tivessem me deixado. Levantar, respirar e trabalhar são atividades penosas. Não fossem os anos de terapia, as doses intensas de café e a forma com que aprendi a me forçar a fazer as coisas mesmo estando péssimo internamente, acho que estaria enrascado.

Eu gosto de me enganar em muitos aspectos. Gosto de negar que estou com um problema ao mesmo tempo em que estou completamente ciente dele. Duplipensamento, se é que isso é possível. Ou viver em negação. Sou um deprimido em negação. Sei que estou deprimido, mas não quero aceitar e nem me limitar por tal estado. Tem gente que acha que eu não devia me forçar assim, que eu não devia posar de forte ou valente, mas não é nada disso, eu só acho que devo lutar até onde puder lutar, até cair de joelhos sem forças e ser vencido. Só me entregar quando realmente não tiver mais nada a ser feito.

No momento estou cambaleando. Fraco, mas ainda de pé. Só Deus sabe se vou melhorar ou se uma hora meus joelhos vão falhar. Mas por enquanto, "tudo está bem".


11 de abril de 2016

LOBO SOLITÁRIO


Lobos são criaturas sociais. Eles vivem em alcateia, e os relacionamentos sociais dentro do grupo são bastante complexos. Dentro do grupo cada indivíduo tem um papel, uma posição e um grau de importância e poder (que se espelha muitas vezes na ordem de comer), mas todos são importantes para o grupo pois é na união deles que conseguem enfrentar todas as adversidades. Uma alcateia é, de fato, uma família. Lembra das próprias relações humanas, de forma primitiva é verdade.

Porém, existem aqueles lobos que não conseguem ou não podem ficar em um grupo, e a esses é dado o nome de "Lobo Solitário". Existem basicamente 3 tipos de lobos solitários na natureza:
  • Lobos jovens que abandonam a alcateia para procurar um novo grupo para fazer parte, ou então  fundar um novo e ser seu macho alfa.
  • Lobos velhos e doentes expulsos do grupo pelo macho alfa ou pelos membros mais jovens (por entenderem que ele os está atrasando e pondo a alcateia toda em perigo).
  • Lobos fortes ou agressivos demais para viver em alcateia.
Na sociedade humana os motivos de afastamento de uma pessoa do grupo não parecem ser muito diferentes, né?

No geral, em humanos, se dá o nome de "Lobo Solitário" a aquele indivíduo que prefere a solidão, que é dado a introversão ou que prefere trabalhar sozinho (ou que os demais acham que prefere, ou que os demais se confortam por achar isso dele). E neste caso, há ainda um tipo que é chamado de "O Lobo Solitário do Grupo" que é uma pessoa que faz parte de um grupo, interagindo com todos a ponto de ser considerado como integrante, mas que ao mesmo tempo não tem uma forte (ou padronizada) ligação com os outros membros a ponto de não ser visto por eles exatamente como um igual - gerando aquela sensação de estranhamento do qual os introvertidos normalmente são alvos, sendo neste ponto classificados como antipáticos, desinteressados, arrogantes, etc.

Nos últimos tempos, é exatamente como me sinto.

O grupo, diante da estranheza dessa falta de profundidade de relacionamento que o lobo solitário demonstra, pode até tentar botá-lo para fora e quebrar os poucos laços que ainda existem, afastando-o definitivamente em uma clara atitude de rejeição (as vezes de forma bem velada como por exemplo com uma boa e velha negligência), o obrigando a ser um eterno lobo solitário que não busca mais nenhum grupo, ou um lobo que busca um novo grupo ou tenta criá-lo aos moldes do antigo mas com algumas adaptações a fim de ser aceito por ela em definitivo.

Mas lobos são o que são.

Um ser humano pode tentar se adaptar às regras sociais de um grupo a fim de emular o padrão esperado de interação e com isso estabelecer os laços que lhe permitam usufruir da convivência social com os demais, mas isso seria artificial e a pessoa não estaria sendo ela mesma, o que anularia todos os benefícios que ela por ventura viesse a conquistar.

Mas muitas vezes, humanos também são o que são.

Difícil haver alguém que seja introvertido, tímido ou fechado porque quer ser assim. Normalmente é o traço mais forte da personalidade de alguém - a parte que esta pessoa mais odeia por lhe trazer tanto sofrimento. Como mudar isso? Deus mudaria uma pessoa introspectiva? Deus quer mudar quem somos, nossa personalidade? Isso é realmente um traço de personalidade ou é educação - ou doença?



Um último fator sobre o lobo solitário que é igual em lobos e humanos é o sofrimento.

Por mais que seja dado a solidão, tanto lobos quanto humanos precisamos de relacionamentos para dar significado a suas vidas. Sozinhos sofremos muito, seja porque não é efetivo caçar de forma solitária sendo um lobo, seja porque não é efetivo produzir e subsistir como humano. Em ambos os casos, ainda há uma infinidade de outras necessidades emocionais e psicológicas que apenas com relacionamentos pode-se suprir: toque, companhia, amor, dentre várias outras.

Não vou me aprofundar mais nisso, acho que já deu pra entender.

Eu só queria registrar que eu sei que eu sou um lobo solitário há muito tempo, porque nunca me senti integrado a nenhum grupo além da minha família sanguínea. E as vezes, como tem sido nos últimos meses, isso me deixa bastante triste e frustrado.

Eu sei que não é culpa do grupo me rejeitar, afinal as relações sociais são construídas a base de afinidade principalmente. Mas também não é culpa minha ser quem sou. Tão pouco é de Deus. As coisas são como são, não há porque buscar culpados, mas sim minimizar ou anular os efeitos negativos. O que me resta aqui é a auto-aceitação. Entender que nunca vou ter  as relações sociais com as quais eu sonho, que nunca vou ter amizades profundas ou grandes amigos confidentes para os quais posso falar dos meus medos e vergonhas, e ter conselhos e apoio, simplesmente porque eu sou de um jeito que afasta qualquer pessoa que pudesse o ser.

Hoje, vejo que todos os anos de terapia eram provavelmente apenas isso: eu comprava horas com uma pessoa para ter uma emulação paga desse tipo de relacionamento, porque ela me ouvia, me dava conselhos, não me julgava e me apoiava.

O que alguém que contrata prostitutas tem de diferente de mim neste caso? Não que minha psicóloga fosse uma prostituta, entenda o que quero dizer: em ambos os casos a pessoa contrata os serviços de alguém para que lhe seja suprido algo que, se tudo fosse normal, ele teria de graça.

Tudo bem. Como disse, é a vida, e a vida não é fácil e nem tem respostas prontas para essa questão existencial.