LUTE

Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas - 1 Timóteo 6:12

SE DEIXE TRANSFORMAR

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus - Romanos 12:2

ACEITE O SACRIFÍCIO

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - João 3:16

VÁ NA CONTRA-MÃO

Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras, e vocês permanecerão na terra que o Senhor deu a vocês e aos seus antepassados para sempre. Não sigam outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los; não provoquem a minha ira com ídolos feitos por vocês. E eu não trarei desgraça sobre vocês - Jeremias 25:5-6

REFLITA A LUZ DE JESUS

Pois Deus que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo - 2 Coríntios 4:6

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26 de maio de 2017

O MAL NUNCA ADMITIDO

zona na véspera de mudança

Faz mais de um ano que não posto nada neste blog. Creio que, se há ainda algum leitor assíduo, ele bem sabe como sou dado a esse tipo de comportamento. E o motivo é o mesmo de sempre: a vida me bate tão forte quanto em todo mundo, mas minha sensibilidade me faz sofrer mais do que eu devia. Depressão é isso e muito mais. Lutar contra ela cansa demais e não tenho vontade de fazer nada, muito menos de escrever aqui.

Como tenho este blog como uma espécie de diário público para a posteridade, com o tempo venho dedicando a ele apenas registros de situações realmente importantes em minha vida. Creio que esta seja uma delas: vou me mudar. Amanhã já.

Vim para casa hoje falando para a minha esposa o quanto isso está me matando por dentro e o quanto mudanças me deixam transtornado. O processo de decisão da mudança foi desconfortável e até agora me deixa um sabor ruim na boca. Por mais que eu tenha decidido me mudar em conjunto com minha esposa, eu fui obrigado a fazer isso. Não foi uma escolha portanto, mas sim uma imposição das circunstâncias.

Minha vizinhança é muito barulhenta para o meu gosto. Não é de hoje que eu sofro com isso, como pode ser visto aqui e aqui por exemplo. Meu quadro depressivo me torna uma pessoa que não suporta barulho. Barulho me incomoda mais do que a maioria absoluta das pessoas, e desperta em mim um caos que não desejo a ninguém, nem mesmo aos que me tem causado esse sofrimento - desconfio - propositalmente. Tenho tido crises nervosas quando há barulho, minha pressão cai e eu fico tremendo.

Meu irmão mais velho e sua esposa gentilmente nos cederam um apartamento que eles tentavam alugar faz tempo, em um condomínio maior e mais bem organizado, cerca de 8km daqui, no 7º andar, em uma avenida sem comércios barulhentos. Sem vizinhos loucos - assim espero no Senhor. No Senhor espero reaver um pouco da paz perdida nos últimos anos.

O que mais me incomoda no entanto é perceber o quanto a humanidade decai sem parar.

Esse caso todo envolvendo barulho é apenas um exemplo, bastante pertinente é verdade, mas apenas um exemplo. Eu poderia falar sobre a verdadeira "mãe de todas as tempestades de merda" que vem assolando o Brasil há alguns anos e que piora cada dia que passa, com escândalos de corrupção por todo lado e a operação Lava Jato gastando bilhões de litros de água para limpar toda a lama aparentemente infinita desses malditos filhos da puta que tanto tem fodido o Brasil, mas isso milhares de outros sites já fazem. Ambos os casos mostram apenas como o ser humano tem piorado.

Meus vizinhos de fora do meu condomínio gostam de fazer barulho, de falar alto, de ouvir música alta quando bem lhes der vontade, de fazer festas ruidosas, etc. Se forem chamados a atenção, se revoltam achando que são vitimas. Os vizinhos de dentro do condomínio gostam de deixar seus filhos correrem como gazelas pelos corredores e escadarias do prédio, e gostam de ouvir música ou TV bem alto (neste exato momento, enquanto digito isso alguém no meu bloco está assistindo a Globo e eu sei disso porque consigo ouvir tudo)

Todos eles são incapazes - veja bem: VERDADEIRAMENTE INCAPAZES - de reconhecer que fazem mal aos outros com suas ações e omissões. Conseguem ver a realidade apenas sob sua própria perspectiva, sem qualquer preocupação com quem não faz parte daquilo que eles entendem como circulo de amizades. Sociedade, para eles, é um conceito abstrato, sem significado prático quando suas próprias vontades entram em conflito com ela. Moralmente, são aleijados.

Conversava esta semana com um motorista do Cabify sobre isso, e ele, da minha mesma idade, quicá um pouco mais velho, concordava e complementava de uma forma que me marcou. Ele disse mais ou menos o seguinte:

Transporto muito adolescente e jovem no meu trabalho, e vejo como eles se comportam e como são. Sempre querendo ser "espertões". Sempre querendo levar vantagem em algo de alguma forma. Nossa geração não era santa, mas essa geração atual é nojenta. Eles não sabem viver em sociedade, e nem parecem querer. Para eles tudo pode, tudo é permitido, desde que não façam mal aos outros. Porém, o conceito que eles tem sobre o que significa "fazer o mal ao outro" é doentio. Para eles pode fazer tudo, menos matar.

Voltando aos meus atuais vizinhos: fosse eu reclamar pessoalmente, no mínimo debochariam de mim. Provavelmente me ignorariam. Possivelmente me agrediriam verbalmente, ou até fisicamente.

"Mas você nunca foi falar pessoalmente com eles então não tem como saber" você pode pensar. Bem, fui sim, em alguns casos. E mesmo após isso, nada mudou. Mesmo após eu reclamar dezenas de vezes com o vizinho pessoalmente, com o síndico, com a prefeitura, abrir boletins de ocorrência na PM (estes para vizinhos de fora do condomínio), enfim, mesmo após eles receberem diversos sinais claros de que estavam incomodando muito, nada mudaram. Na verdade, pareceram até piorar, de birra. "Faço o que eu quero e você não tem o direito de achar ruim". Essa parece ser a nova dinâmica social. Bem diferente do que eu fui ensinado por minha mãe.

Alguns problemas foram resolvidos, como foi o caso da academia. Mas outros vão surgindo. E isso me deixou em frangalhos emocionalmente, dia após dia, mês após mês.

Assim, não estou me mudando. Estou fugindo.

Meu pastor, com quem tenho tido encontros periódicos em um treinamento de coaching, me disse animado "puxa, até que você decidiu rápido sobre essa mudança". Infelizmente tive que jogar um balde de água gelada na cabeça dele. "Mas eu não decidi nada. Decidiram por mim. Teoricamente, me botaram para fora da minha própria casa".

E assim, com um sentimento amargo de expulsão, estou deixando meu lar e encarando todas as dificuldades de começar outro temporário para, quem sabe, com a graça de Deus, eu possa encontrar outro um pouco menos temporário. Porque temporária é a própria vida, e meu lar eterno com Jesus, com o qual tanto sonho, ainda há de vir.

11 de abril de 2016

LOBO SOLITÁRIO


Lobos são criaturas sociais. Eles vivem em alcateia, e os relacionamentos sociais dentro do grupo são bastante complexos. Dentro do grupo cada indivíduo tem um papel, uma posição e um grau de importância e poder (que se espelha muitas vezes na ordem de comer), mas todos são importantes para o grupo pois é na união deles que conseguem enfrentar todas as adversidades. Uma alcateia é, de fato, uma família. Lembra das próprias relações humanas, de forma primitiva é verdade.

Porém, existem aqueles lobos que não conseguem ou não podem ficar em um grupo, e a esses é dado o nome de "Lobo Solitário". Existem basicamente 3 tipos de lobos solitários na natureza:
  • Lobos jovens que abandonam a alcateia para procurar um novo grupo para fazer parte, ou então  fundar um novo e ser seu macho alfa.
  • Lobos velhos e doentes expulsos do grupo pelo macho alfa ou pelos membros mais jovens (por entenderem que ele os está atrasando e pondo a alcateia toda em perigo).
  • Lobos fortes ou agressivos demais para viver em alcateia.
Na sociedade humana os motivos de afastamento de uma pessoa do grupo não parecem ser muito diferentes, né?

No geral, em humanos, se dá o nome de "Lobo Solitário" a aquele indivíduo que prefere a solidão, que é dado a introversão ou que prefere trabalhar sozinho (ou que os demais acham que prefere, ou que os demais se confortam por achar isso dele). E neste caso, há ainda um tipo que é chamado de "O Lobo Solitário do Grupo" que é uma pessoa que faz parte de um grupo, interagindo com todos a ponto de ser considerado como integrante, mas que ao mesmo tempo não tem uma forte (ou padronizada) ligação com os outros membros a ponto de não ser visto por eles exatamente como um igual - gerando aquela sensação de estranhamento do qual os introvertidos normalmente são alvos, sendo neste ponto classificados como antipáticos, desinteressados, arrogantes, etc.

Nos últimos tempos, é exatamente como me sinto.

O grupo, diante da estranheza dessa falta de profundidade de relacionamento que o lobo solitário demonstra, pode até tentar botá-lo para fora e quebrar os poucos laços que ainda existem, afastando-o definitivamente em uma clara atitude de rejeição (as vezes de forma bem velada como por exemplo com uma boa e velha negligência), o obrigando a ser um eterno lobo solitário que não busca mais nenhum grupo, ou um lobo que busca um novo grupo ou tenta criá-lo aos moldes do antigo mas com algumas adaptações a fim de ser aceito por ela em definitivo.

Mas lobos são o que são.

Um ser humano pode tentar se adaptar às regras sociais de um grupo a fim de emular o padrão esperado de interação e com isso estabelecer os laços que lhe permitam usufruir da convivência social com os demais, mas isso seria artificial e a pessoa não estaria sendo ela mesma, o que anularia todos os benefícios que ela por ventura viesse a conquistar.

Mas muitas vezes, humanos também são o que são.

Difícil haver alguém que seja introvertido, tímido ou fechado porque quer ser assim. Normalmente é o traço mais forte da personalidade de alguém - a parte que esta pessoa mais odeia por lhe trazer tanto sofrimento. Como mudar isso? Deus mudaria uma pessoa introspectiva? Deus quer mudar quem somos, nossa personalidade? Isso é realmente um traço de personalidade ou é educação - ou doença?



Um último fator sobre o lobo solitário que é igual em lobos e humanos é o sofrimento.

Por mais que seja dado a solidão, tanto lobos quanto humanos precisamos de relacionamentos para dar significado a suas vidas. Sozinhos sofremos muito, seja porque não é efetivo caçar de forma solitária sendo um lobo, seja porque não é efetivo produzir e subsistir como humano. Em ambos os casos, ainda há uma infinidade de outras necessidades emocionais e psicológicas que apenas com relacionamentos pode-se suprir: toque, companhia, amor, dentre várias outras.

Não vou me aprofundar mais nisso, acho que já deu pra entender.

Eu só queria registrar que eu sei que eu sou um lobo solitário há muito tempo, porque nunca me senti integrado a nenhum grupo além da minha família sanguínea. E as vezes, como tem sido nos últimos meses, isso me deixa bastante triste e frustrado.

Eu sei que não é culpa do grupo me rejeitar, afinal as relações sociais são construídas a base de afinidade principalmente. Mas também não é culpa minha ser quem sou. Tão pouco é de Deus. As coisas são como são, não há porque buscar culpados, mas sim minimizar ou anular os efeitos negativos. O que me resta aqui é a auto-aceitação. Entender que nunca vou ter  as relações sociais com as quais eu sonho, que nunca vou ter amizades profundas ou grandes amigos confidentes para os quais posso falar dos meus medos e vergonhas, e ter conselhos e apoio, simplesmente porque eu sou de um jeito que afasta qualquer pessoa que pudesse o ser.

Hoje, vejo que todos os anos de terapia eram provavelmente apenas isso: eu comprava horas com uma pessoa para ter uma emulação paga desse tipo de relacionamento, porque ela me ouvia, me dava conselhos, não me julgava e me apoiava.

O que alguém que contrata prostitutas tem de diferente de mim neste caso? Não que minha psicóloga fosse uma prostituta, entenda o que quero dizer: em ambos os casos a pessoa contrata os serviços de alguém para que lhe seja suprido algo que, se tudo fosse normal, ele teria de graça.

Tudo bem. Como disse, é a vida, e a vida não é fácil e nem tem respostas prontas para essa questão existencial.

9 de abril de 2016

SOCIEDADE JUSTA



Outro dia perguntaram qual o meu conceito de uma sociedade justa. A palavra “conceito” entrava aí com um sentido antes americano e pragmatista do que greco-latino. Em vez de designar apenas a fórmula verbal de uma essência ou ente, significava o esquema mental de um plano a ser realizado. Nesse sentido, evidentemente, eu não tinha conceito nenhum de sociedade justa, pois, persuadido de que não cabe a mim trazer ao mundo tão maravilhosa coisa, também não me parecia ocupação proveitosa ficar inventando planos que não tencionava realizar.

O que estava ao meu alcance, em vez disso, era apenas analisar a ideia mesma de “sociedade justa” – o seu conceito no sentido greco-latino do termo – para ver se fazia sentido e se tinha alguma serventia.

Desde logo, os atributos de justiça e injustiça só se aplicam aos entes reais capazes de agir. Um ser humano pode agir, uma empresa pode agir, um grupo político pode agir, mas “a sociedade”, como um todo, não pode. Toda ação subentende a unidade da intenção que a determina, e nenhuma sociedade chega a ter jamais uma unidade de intenções que justifique apontá-la como sujeito concreto de uma ação determinada. A sociedade, como tal, não é um agente: é o terreno, a moldura onde as ações de milhares de agentes, movidos por intenções diversas, produzem resultados que não correspondem integralmente nem mesmo às intenções deles, quanto mais às de um ente genérico chamado “a sociedade”!

“Sociedade justa” não é portanto um conceito descritivo. É uma figura de linguagem, uma metonímia. Por isso mesmo, tem necessariamente uma multiplicidade de sentidos que se superpõem e se mesclam numa confusão indeslindável, que basta para explicar por que os maiores crimes e injustiças do mundo foram praticados, precisamente, em nome da “sociedade justa”. Quando você adota como meta das suas ações uma figura de linguagem imaginando que é um conceito, isto é, quando você se propõe realizar uma coisa que não consegue nem mesmo definir, é fatal que acabe realizando algo de totalmente diverso do que imaginava. Quando isso acontece há choro e ranger de dentes, mas quase sempre o autor da encrenca se esquiva de arcar com suas culpas, apegando-se com tenacidade de caranguejo a uma alegação de boas intenções que, justamente por não corresponderem a nenhuma realidade identificável, são o melhor analgésico para as consciências pouco exigentes.

Se a sociedade, em si, não pode ser justa ou injusta, toda sociedade abrange uma variedade de agentes conscientes que, estes sim, podem praticar ações justas ou injustas. Se algum significado substantivo pode ter a expressão “sociedade justa”, é o de uma sociedade onde os diversos agentes têm meios e disposição para ajudar uns aos outros a evitar atos injustos ou a repará-los quando não puderam ser evitados. Sociedade justa, no fim das contas, significa apenas uma sociedade onde a luta pela justiça é possível. “Meios” quer dizer: poder. Poder legal, decerto, mas não só isso: se você não tem meios econômicos, políticos e culturais de fazer valer a justiça, pouco adianta a lei estar do seu lado. Para haver aquele mínimo de justiça sem o qual a expressão “sociedade justa” seria apenas um belo adorno de crimes nefandos, é preciso que haja uma certa variedade e abundância de meios de poder espalhados pela população em vez de concentrados nas mãos de uma elite iluminada ou sortuda. Porém, se a população mesma não é capaz de criar esses meios e, em vez disso, confia num grupo revolucionário que promete tomá-los de seus atuais detentores e distribuí-los democraticamente, aí é que o reino da injustiça se instala de uma vez por todas. Para distribuir poderes, é preciso primeiro possuí-los: o futuro distribuidor de poderes tem de tornar-se, antes, o detentor monopolístico de todo o poder. E mesmo que depois venha a tentar cumprir sua promessa, a mera condição de distribuidor de poderes continuará fazendo dele, cada vez mais, o senhor absoluto do poder supremo.

Poderes, meios de agir, não podem ser tomados, nem dados, nem emprestados: têm de ser criados. Caso contrário, não são poderes: são símbolos de poder, usados para mascarar a falta de poder efetivo. Quem não tem o poder de criar meios de poder será sempre, na melhor das hipóteses, o escravo do doador ou distribuidor.

Na medida em que a expressão “sociedade justa” pode se transmutar de figura de linguagem em conceito descritivo viável, torna-se claro que uma realidade correspondente a esse conceito só pode existir como obra de um povo dotado de iniciativa e criatividade – um povo cujos atos e empreendimentos sejam variados, inéditos e criativos o bastante para que não possam ser controlados por nenhuma elite, seja de oligarcas acomodados, seja de revolucionários ávidos de poder.

Aquele que deseja sinceramente libertar o seu povo do jugo de uma elite mandante não promete jamais tomar o poder dessa elite para distribuí-lo ao povo: trata, em vez disso, de liberar as forças criativas latentes no espírito do povo, para que este aprenda a gerar seus próprios meios de poder – muitos, variados e imprevisíveis –, minando e diluindo os planos da elite – de qualquer elite – antes que esta possa sequer compreender o que se passou.

Autor: Olavo de Carvalho
Todos os destaques são deste blog.

5 de abril de 2016

DIRETO DO INFERNO


O clamor obsessivo dos intelectuais, dos políticos e da mídia pela "supressão das desigualdades" e por uma "sociedade mais justa" pode não produzir, mesmo no longo prazo, nenhum desses dois resultados ou qualquer coisa que se pareça com eles. Mas, de imediato, produz ao menos um resultado infalível: faz as pessoas acreditarem que o predomínio da justiça e do bem depende da sociedade, do Estado, das leis, e não delas próprias. Quanto mais nos indignamos com a "sociedade injusta", mais os nossos pecados pessoais parecem se dissolver na geral iniqüidade e perder toda importância própria.

Que é uma mentira isolada, uma traição casual, uma deslealdade singular no quadro de universal safadeza que os jornais nos descrevem e a cólera dos demagogos verbera em palavras de fogo do alto dos palanques? É uma gota d'água no oceano, um grão de areia no deserto, uma partícula errante entre as galáxias, um infinitesimal ante o infinito. Ninguém vai ver. Pequemos, pois, com a consciência tranqüila, e discursemos contra o mal do mundo.

Eliminemos do nosso coração todo sentimento de culpa, expelindo-o sobre as instituições, as leis, a injusta distribuição da renda, a alta taxa de juros e as hediondas privatizações.

Só há um problema: se todo mundo pensa assim, o mal se multiplica pelo número de palavras que o condenam. E, quanto mais maldoso cada um se torna, mais se inflama no coração de todos a indignação contra o mal genérico e sem autor do qual todos se sentem vítimas.

É preciso ser um cego, um idiota ou completo alienado da realidade para não notar que, na história dos últimos séculos, e sobretudo das últimas décadas, a expansão dos ideais sociais e da revolta contra a "sociedade injusta" vem junto com o rebaixamento do padrão moral dos indivíduos e com a conseqüente multiplicação do número de seus crimes. E é preciso ter uma mentalidade monstruosamente preconceituosa para recusar-se a ver o nexo causal que liga a demissão moral dos indivíduos a uma ética que os convida a aliviar-se de suas culpas lançando-as sobre as costas de um universal abstrato, "a sociedade".

Se uma conexão tão óbvia escapa aos examinadores e estes se perdem na conjeturação evasiva de mil e uma outras causas possíveis, é por um motivo muito simples: a classe que promove a ética da irresponsabilidade pessoal e da inculpação de generalidades é a mesma classe incumbida de examinar a sociedade e dizer o que se passa. O inquérito está a cargo do criminoso. São os intelectuais que, primeiro, dissolvem o senso dos valores morais, jogam os filhos contra os pais, lisonjeiam a maldade individual e fazem de cada delinquente uma vítima habilitada a receber indenizações da sociedade má, e, depois, contemplando o panorama da delinquência geral resultante da assimilação dos novos valores, se recusam a assumir a responsabilidade pelos efeitos de suas palavras. Então têm de recorrer a subterfúgios cada vez mais artificiosos para conservar uma pose de autoridades isentas e cientificamente confiáveis.

Os cientistas sociais, os psicólogos, os jornalistas, os escritores, as "classes falantes", como as chama Pierre Bourdieu, não são as testemunhas neutras e distantes que gostam de parecer em público (mesmo quando em família se confessam reformadores sociais ou revolucionários). São forças agentes da transformação social, as mais poderosas e eficazes, as únicas que têm uma ação direta sobre a imaginação, os sentimentos e a conduta das massas. O que quer que se degrade e apodreça na vida social pode ter centenas de outras causas concorrentes, predisponentes, associadas, remotas e indiretas; mas sua causa imediata e decisiva é a influência avassaladora e onipresente das classes falantes.

Debilitar a consciência moral dos indivíduos a pretexto de reformar a sociedade é tornar-se autor intelectual de todos os crimes - e depois, com redobrado cinismo, apagar todas as pistas. A culpa dos intelectuais ativistas na degradação da vida social, na desumanização das relações pessoais, na produção da criminalidade desenfreada é, no seu efeito conjunto, ilimitada e incalculável. É talvez por eles terem se sujado tanto que suas palavras de acusação contra a sociedade têm aquela ressonância profunda e atemorizante que ante a platéia ingênua lhes confere uma aparência de credibilidade. Ninguém fala com mais força e propriedade contra o pecador do que o demônio que o induziu ao pecado. O discurso dos intelectuais ativistas contra a sociedade vem direto do último círculo do inferno.

14 de março de 2014

ACADEMIA, BARULHO E VIZINHANÇA - PERDENDO A PACIÊNCIA

Zumba - muito barulho por nada
Por que o ser humano se afunda em um ambiente repleto de barulho e poluição sonora? Mais especificamente: por que o ser humano obriga outros seres humanos a imergir num oceano de barulho, som alto e ruídos que incomodam tanto quanto ou até mais do que outros tipos de poluição?

Vou responder isso no final deste post. Antes, um retrato de minha atual condição.

Eu moro na frente de uma academia aqui em Campinas. Ela se chama "Estrutura do Corpo", na Vila Industrial. E por muitos anos nunca tive problemas com eles porque na verdade meu prédio dava para os fundos dessa academia.

Tudo estava bem até o instante em que os proprietários fizeram uma "reforma" no estabelecimento, e no lugar de uma garagem de uso privado dos proprietários surgiu uma sala de musculação. Esta sala, devido a uma total inadequação acústica (o nível da academia é bem precário e improvisado) e total falta de respeito para com a vizinhança, tornou-se uma especie de direcionador sonoro para toda a gritaria e música absurdamente alta que inexplicavelmente tem feito parte deste tipo de ambiente (aulas barulhentas como zumba ou simplesmente a música ambiente das salas de musculação tem sido semelhantes aos de casas noturnas não só no estilo como no volume).

Duvida? Então olhe esse vídeo, que gravei em diferentes dias e horários, por duas semanas:


As janelas ficam constantemente abertas, direcionando e amplificando todo o som do estabelecimento para o meu prédio, tornando meus dias um inferno e me levando a situações emocionalmente desesperadora: irritação, depressão (que estava sob controle mas que diante desse barulho todo se descontrola) e sentimentos de ódio e violência poluem minha mente. Sim, ódio e violência.


O desejo de que o barulho pare é desesperador e frustrante, pois não tenho nenhum controle sobre sua emissão. Pensamentos maléficos de retaliação e vingança surgem do meio do meu desespero, o que para uma pessoa que procura ser seguidora de Jesus é algo bastante perturbador, doloroso, deprimente e frustrante.

Não quero o mal para ninguém, mas esse desejo surge involuntariamente - direcionado ao estabelecimento - com o ódio que me aflora devido a me sentir invadido em minha própria residência, local que em última instância é meu bastião pessoal, meu refúgio final de um mundo já extremamente agressivo e opressor.

Não tenho problemas com ruídos funcionais, como o dos ônibus que passam pela rua - e causam um barulhão também - porque sei que eles são curtos e tem significância (as pessoas precisam usar transporte público para trabalhar e ir e vir em suas vidas), mas o som da academia não é funcional (você não precisa de música alta pra fazer exercícios, e se acha que precisa pode muito bem usar fones de ouvido). Também não é um ruído de curta duração, tão pouco agradável, muito menos suportável. É tão ruim quanto os idiotas e débeis mentais que passam pela rua com seus carros com equipamentos de som absurdamente potentes, tocando funk ou qualquer outra porcaria do tipo (e nesse caso podia ser até mesmo a música que eu mais amo, não iria importar, ei iria odiar da mesma forma).

Interessante notar o que li quando fazia pesquisa para escrever este artigo. Segundo Fernando Pimentel Souza [4], Professor Titular - UFMG, especialista em neurofisiologia, membro do Instituto de Pesquisa do Cérebro, UNESCO, Paris:

"Se o ruído é excessivo, o corpo ativa o sistema nervoso, que o prepara contra o ataque de um inimigo invisível, sem pegadas, que invade todo o meio embiente pelas menores frestas por onde passa o ar ou por toda ligação rígida à fonte ruidosa. O cérebro acelera-se e os músculos consomem-se sem motivo. Sintomas secundários aparecem: aumento de pressão arterial, paralisação do estômago e intestino, má irrigação da pele e até mesmo impotência sexual."

Isso explica muitas coisas pelas quais venho passando, como dito anteriormente. Além disso, ele [4] complementa:

"Pesquisa nos EUA mostrou que jovens em ruído médio inferior a 71 decibeis, entremeados com pulsos de 85 decibeis só a 3% do tempo, tiveram aumentos médios de 25% no colesterol e 68% numa das substâncias provocadoras de estresse: o cortisol. Mas já a partir de 55 decibeis acústicos a poluição sonora provoca estresse, segundo a Organização Mundial de Saúde. Pelo nível de ruído das nossas cidades e casas, a maioria dos habitantas deve estar sob estresse prolongado, surgindo ou agravando arterioscleroses, problemas de coração e de doenças infecciosas, fazendo inúteis dietas e acabando precocemente com suas vidas."

Ou seja, estou tendo minha saúde mental, espiritual e física afetadas por um lugar que - veja só você - devia ser um promotor de saúde! Uma total inversão de valores! "Venha fazer atividade física e ter saúde!" dizem eles cheios de pompa. Mas às custas da saúde de quem mora por perto, né? Na média, fazem mais mal do que bem!



Não preciso dizer que estou com meu humor e paciência péssimos.

Já reclamei na prefeitura, que disse que iria averiguar ainda no ano passado, mas que até agora não fez nada, ou fez e não surtiu nenhum efeito. Existem normas para que um estabelecimento tenha um alvará de funcionamento, mas ou não está havendo a fiscalização correta ou as exigências para a emissão de alvarás é insuficiente.

Existem normas que estabelecem a questão de ruído e níveis de decibéis em estabelecimentos, assim como questão de tratamento e isolamento acústico [8], a NBR-10152 [6]. Me pergunto se os orgãos públicos averiguam se esta norma está sendo seguida quando emitem um alvará.

O incrível é que o excesso de decibéis não incomoda só os vizinhos, mas faz mal aos próprios profissionais que trabalham no estabelecimento [3], assim como a todos os requentadores. Perda auditiva, além de todos os sintomas que mencionei anteriormente, causam muito mal à mente e ao corpo de todos. Ou seja, não é bom pra ninguém, seja para quem mora perto de academias, seja para quem frequenta academias, seja para quem trabalha em academias.

Tudo se resolveria se esta academia simplesmente fizesse um isolamento acústico [9] adequado e seguisse a normalização [6]. Academias bem estruturadas podem produzir mais barulho do que esta, mas devido ao isolamento, se você passar pela rua na frente do estabelecimento você não ouve NADA. Ou seja, há meios de resolver a situação, mas o estabelecimento em questão sequer pensa a respeito. O que me leva à resposta da pergunta inicial.

Por que o ser humano se afunda em um ambiente repleto de barulho e poluição sonora? Mais especificamente: por que o ser humano obriga outros seres humanos a imergir num oceano de barulho, som alto e ruídos que incomodam tanto quanto ou até mais do que outros tipos de poluição?


Primeiramente, estamos no Brasil. Eu sou uma pessoa terrivelmente crítica quanto ao Brasil porque eu olho as coisas como elas são. Há muitos países com culturas iguais ou piores do que as existentes no Brasil, mas há também muitos países com culturas melhores, e eu precisei de apenas 14 dias no Japão para perceber isso com meus próprios olhos.

No Brasil as pessoas não se importam nem um pouco com as outras. Nem um pouco MESMO. Se preocupam no máximo com amigos. Mas com o vizinho? Com a pessoa na rua? Com estranhos? Com a sociedade em geral? Nunca! Somos indiferentes e egoístas. Só pensamos em nosso próprio conforto e dane-se os outros.

A demagogia da nossa sociedade se manifesta nas grandes e pequena coisas, e a máscara é colocada porque gostamos de nos imaginar como um povo caridoso, bom. Seja nos políticos que fingem fazer tudo pelo bem do povo mas que não estão minimamente preocupados com a opinião pública e que prevaricam e praticam corrupção, seja no cidadão comum que se acha um pilar de bondade, moral é ética, mas que na cortesia de dar a vez no transito ou em não jogar lixo na rua ou em não incomodar as pessoas desnecessariamente é absolutamente falho. Assim, não ser capaz de refletir por alguns instantes sobre algo como "será que meu estabelecimento está incomodando a vizinhança?" é uma manifestação cultural em nossa sociedade. É ser brasileiro. É ser idiota, egoísta e estúpido.

No máximo, o que os proprietários deste estabelecimento pensarão diante disso tudo é o que todo "brasileiro" pensaria: "os incomodados que se mudem". Essa frase, aliás, representa tudo o que mais odeio nessa cultura, que é a de que ninguém nunca admite que está errado, ou que precisa corrigir algo, ou que tem um procedimento incorreto.


O professor Fernando Pimentel Souza [4] ainda disse:

"O ruído estressante libera substâncias excitantes no cérebro, tornando as pessoas sem motivação própria, incapazes de suportar o silêncio. Libera também substância anestesiante, tipo ópio e heroína, que provoca prazer, abrindo campo para o uso de fortes drogas psicotrópicas. As pessoas tornam-se viciadas, dependentes do ruído, paradoxalmente caindo em depressão em ambiente com silêncio salutar, permanecem agitadas, incapazes de reflexão e meditação mais profunda."

Assim, é um ciclo vicioso e até mesmo uma espécie de vingança ou psicopatia. A pessoa passa a achar que viver imerso no barulho é normal e que todo mundo gosta, sem a menor capacidade de refletir que o próximo pode pensar de maneira diferente e querer o silêncio. Essa é uma forma de pensamento bastante idiota. É como o Psicopata Americano, que não se importa com os outros, que sente uma dor (existencial) terrível em sua vida e quer que as outras pessoas a sintam também.

É por isso que pessoa como eu fogem das academias, mesmo precisando se exercitar. Tais locais privam as pessoas tanto do acesso ao silêncio quanto a seus próprios serviços. As academias estão fazendo, com essa cultura do barulho, um mal imenso a médio e longo prazo, e piorando consideravelmente a sociedade, fazendo exatamente o oposto do que devia ser sua missão mais fundamental: levar bem estar e equilíbrio às pessoas. Estão sendo apenas mais um dos agentes do caos.

E assim vamos indo, com a sociedade cada vez mais repleta de estupidez, de egoísmo, de barulho e de falta de paz.

Finalizando: diante de tudo isso, o que eu vou fazer a respeito?


Não sei o que posso fazer, e isso é o que mais me deixa frustrado. Reclamações na prefeitura já foram feitas sem nenhum efeito. Mudar de casa é impossível no momento, com os atuais preços no mercado imobiliário. Retaliação não é uma opção, mesmo que eu quisesse não saberia o que fazer, e não quero por saber que é eticamente incorreto.

Quem sabe mover uma ação? Mas para isso há uma série de preparações necessárias, como laudos, testemunhas, etc. Sem contar os custos de um processo. Ou seja, é algo meio inviável, mesmo porque não tenho um advogado para ver isso para mim.

O que me resta fazer é entregar ao Senhor. Deus é todo poderoso, e peço a Ele que cuide da situação da forma que entenda ser a melhor. DEUS NUNCA ME DECEPCIONOU. Me rendo diante do Pai, e peço perdão pelo sentimento de ódio e desejo de retaliação. Perdão pela mudança de foco. Meu foco não deve ser minha paz e nem meu conforto, mas sim em cumprir a vontade de Deus em minha vida. "Sei que meu comportamento poder ser... errático as vezes" mas quero mudar. Não quero mais sentir ódio, nem raiva com essa situação em especial, e com nenhuma outra na verdade.

"Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus."
Filipenses 4:5-7


Fontes:

  1. http://www.stj.jus.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=108843
  2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Polui%C3%A7%C3%A3o_sonora
  3. http://www.pgedf.ufpr.br/Referencias08/ruido%20em%20academias%20de%20ginastica%20ZN.pdf
  4. http://www.icb.ufmg.br/labs/lpf/2-14.html
  5. http://www.wikihow.com/Prevent-Noise-Pollution
  6. http://querosossego.files.wordpress.com/2008/08/abnt-nbr-10152.pdf
  7. http://querosossego.wordpress.com/
  8. http://pt.wikipedia.org/wiki/Isolamento_sonoro
  9. http://www.isoline.com.br/produtos/isolamento-acustico/

11 de março de 2014

INSENSIBILIDADE DE UM FALSO SAMARITANO

O Bom Samaritano
Ferdinand Hodler

E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.
Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.
Lucas 10:30-37

A passagem do Bom Samaritano é uma das mais marcantes da Bíblia para mim por manifestar uma das principais características que um cristão genuíno tem: a caridade e o comprometimento com o próximo. Essa passagem é direta e prática, carregada de ensinamento e significado, simples... mas absurdamente difícil de ser aplicada no nosso dia a dia.

O "não ajudar a quem parece precisar de ajuda" é um comportamento natural na nossa sociedade, pois muitos espertalhões folgados e mal intencionados se aproveitam da situação para se fazerem de coitados e praticar desde a mendigagem desnecessária até roubos e chantagens. Você provavelmente já passou por isso, tenho certeza.

Mas e quando é claro que uma pessoa precisa de fato de ajuda e você, desacostumado a praticar esse tipo de amor, ignora, olha pro outro lado, se esquiva? Eu passo muito por isso, e todas as vezes me sinto um idiota porque eu devia ter o desprendimento de ser caridoso, de ajudar, de me envolver. Todos nós devíamos. E não por sentimento de culpa - que é usado por muitos para arrancar uma "caridade" sua - ma sim pelo amor e sincero desejo de ajudar um ser humano. Um ser humano! Um ser para o qual desaprendemos a amar.

Estes dias eu estava indo almoçar, e na porta do restaurante havia um morador de rua sentado, meio acabado, olhando para o infinito. Pensei se ele queria algo para comer, mas fiquei com medo de perguntar. Medo dele querer conversar comigo ou de que ele me visse como um salvador e ficasse sempre atrás de mim para dar comida a ele? Medo de me tornar responsável por ele em algum grau? Não importa, foi apenas medo. Mas por que eu não tenho mais medo do fato de não cumprir a vontade de Deus?

Veja bem, não foi pelo dinheiro: uma marmita naquele restaurante seria barata de pagar. Então por que eu não fui lá, perguntei pra ele se ele queria uma marmita? Por que fui omisso?

E esse é só mais um exemplo da minha babaquice e auto-engano. É uma barreira que não consigo quebrar, e assim vou agindo como levita ou como sacerdote... sem me sujar, sem me envolver, sem amar.

Esse post não contém nenhuma reflexão - o ensinamento que Jesus deu ao falar essa parábola é claro como cristal. Este post é apenas um desabafo e um reconhecimento do meu pecado e da percepção - antiga - de que eu preciso mudar e melhorar, não apenas - mas ainda sim - nisso.

Assim, como um falso samaritano, finjo ajudar, finjo me importar, finjo ser o que não sou mas devia ser, e tento me enganar quanto ao estado deplorável que é minha moral e minha ética.

1 de janeiro de 2014

UM AUTÊNTICO ALIENÍGENA

Illustrations from the Nuremberg Chronicle, by Hartmann Schedel (1440-1514)
Um autêntico alienígena. É assim que me sinto em momentos como este - réveillon de 2013 para 2014.

Com a existência do Facebook fica mais fácil experimentar esta sensação. Vejo todos compartilhando fotos e comentários sobre como estão curtindo o momento, festejando com amigos e familiares na praia ou em suas casas ou em shows da virada, queimando fogos de artifício, comendo, bebendo e conversando. E eu aqui, em casa, escrevendo isso, jogando, conversando com minha esposa, ouvindo música, ou seja, passando este período tentando ao máximo possível ignorar o que meu preconceito classifica como reação exagerada de felicidade incondicional, mas que na verdade é apenas a expressão da liberdade individual que cada um tem em comemorar um acontecimento como lhe convêm dentro dos limites legais - e se todos aceitam uma convenção social que lhes diz para usar roupas brancas, queimar fogos de artifício e se comportar de uma certa forma, não tenho o direito de julgar, mas me reservo a opção de não adotar a conduta convencional - não para ser intransigente, mas sim por não gostar desta.

Voltando ao Facebook, vejo postagens das pessoas se vestindo e maquiando super bem, se produzindo, tirando fotos para mostrar como estão felizes, como tem vidas divertidas, como são bacanas e como a depressão, estresse, miséria psicológica, intriga, maldade, pressão, medo, abandono e tudo o mais podem ser esquecidos por uns instantes. E eu aqui, de pijamas, tentando acalmar meu cachorro que está todo aflito com os barulhos dos rojões, e fazendo questão de viver este momento exatamente como vivo todos os demais.

Sei que momentos como este são importantes do ponto de vista psicológico e emocional. Ciclos são importantes e a comemoração destes (para a maioria das pessoas) é algo muito importante. Não acho nada disso errado. Eu mesmo devia estar na igreja - íamos passar o ano novo lá em uma reunião de oração e comunhão com outros membros e que deve ter sido maravilhosa, mas não fomos por receio das ruas, repletas de pessoas bêbadas guiando carros e porque não bandidos a espreita de pessoas desavisadas indo e vindo de comemorações, totalmente distraídas. Ficamos em casa, como sempre temos ficado há anos. Esperamos os fogos passarem, e então vamos dormir. Este anos fizemos um brinde com Calpis.

Eu sei que sou recluso, e esse tipo de comportamento se repete nas demais festividades coletivas, ou mesmo nas particulares que são comuns a todos (aniversários por exemplo). Eu ão tenho a necessidade de comemorar estas coisas com a mesma importância e intensidade que o coletivo parece precisar - ou desejar. Não vejo motivos para comemorar entusiasticamente uma passagem de ano além de fazer uma simples reflexão do que passou no ano, aprender com os erros e acertos, ser grato a Deus por tudo e no máximo pensar em algumas coisas que gostaria de fazer no ano seguinte, pedindo a orientação de Deus sobre isso e sua benção de acordo com sua vontade.

Na verdade já estou acostumado a ser "estranho" neste sentido - e muitas vezes me sentir estranho por mim mesmo, sem um julgamento ou sensação de julgamento de uma outra pessoa. Ou seja, eu mesmo me acho estranho por não ser como os demais.

Por exemplo: a própria comemoração do Natal já me incomoda há bastante tempo e eu não compartilho do senso comum quanto a como ela deve ser experimentada. O mesmo diz respeito a maioria do modo operante em quase todas as coisas. Eu tenho opiniões próprias quanto a muitas coisas, mas que vão contra o senso comum.

Isso me causava, na infância e adolescência, uma sensação de deslocamento imenso. Isso evoluiu para revolta por muitos anos, e creio que meus familiares se lembram dessa época com medo pois eu era bem revoltado. Depois isso evoluiu para indiferença, e hoje, para o que acho ser o início de uma compreensão mais equilibrada: sou um ser humano como outro qualquer, mas que está fadado a viver com o constrangimento de ser sempre visto como diferente porque de fato eu sou.

Assim, consigo imaginar um pouco como um alienígena se sentiria disfarçado entre nós.

2 de agosto de 2013

NIHON - O JAPÃO É BOM DEMAIS!

Rokuonki, dentro do templo Kinkakuji - ou simplesmente "O Templo Dourado" em Kyoto
Entre os dias 02 e 13 de julho de 2013 eu e minha esposa realizamos um grande sonho em nossas vidas e visitamos o Japão na melhor viagem que já realizamos até aqui. O país é muito mais do que esperávamos. Beleza natural e urbana estonteantes, organização social e urbana impecáveis, educação social incrível, simpatia do povo, música, TV, animações e cultura em geral de 1ª qualidade, infraestrutura turística e de mobilidade de cair o queixo, cidades bem planejadas, segurança em todos os lugares, comida maravilhosa, e CALPIS (uma bebida deliciosa)... enfim, um país que beira a perfeição – há os terremotos e a pressão social por perfeição que leva muitos lá a depressão é claro, mas é o preço a ser pago por todo o resto, imagino.

Quanto a pressão social, a impressão que eu tive foi diferente. Andei de trem em dias de semana em horários de ida e volta ao trabalho de muita gente. Andei pelas ruas de Shibuya e Nakano em Tokyo em horários de grande movimento, andamos por templos lotados de pessoas e espaços públicos diversos em várias cidades. A maioria das pessoas me pareceu “de boa”, ou seja, sem tristezas ou depressão – na verdade até animadas - por causa de trabalho ou estudos. Havia muita gente passeando, muita gente curtindo a vida – mesmo indo trabalhar ou estudar - sabendo respeitar muito as demais pessoas (silêncio nos trens e locais públicos, nada como aqui no Brasil com gente idiota ouvindo música alta).

Todaji, ou Templo do Grande Buda, em Nara
Seja antes da ida ou depois do meu retorno, muita gente me perguntou porque eu queria ir para o Japão, e mesmo agora, quando falo que fui para lá, sempre me dizem algo como “que viagem diferente”.

De fato, a maioria das pessoas que fazem “grandes viagens” em suas vidas normalmente falam que foram ao mesmo destino: Europa. Alguns fogem do padrão e falam que foram para os EUA, Canadá, México ou para outros países da América do Sul como Argentina ou Chile. Mas são muito poucos os que falam que foram para o Oriente de uma forma geral – seja o Oriente Médio ou para a Ásia, ficando a Oceania como principal destino pelo fato do inglês ser a língua nativa desses países, ou Israel por viagens missionárias.

Gosto de pensar que falam isso pelo fato do Japão – o Oriente em geral - ser extremamente distante de nós aqui do Brasil, e ser muito caro ir até lá – fomos de classe econômica e ainda assim gastamos tudo o que tínhamos, não sobrou nada e nossas economias se foram.

Digo que gosto de pensar assim porque as vezes tenho a impressão que as pessoas na verdade pensam que o Oriente, Ásia e o Japão não são interessantes, o que seria de uma ignorância imensa: são países extremamente ricos culturalmente (e alguns como o Japão são economicamente também), com muitas diferenças quanto ao ocidente é verdade, mas justamente por isso são extremamente interessantes. Sem contar que muitas de suas diferenças são – na minha opinião pessoa – para melhor. Muito melhor.

Não é de hoje que eu sou admirador da cultura japonesa. Um dos primeiros posts desse blog, de muitos anos atrás, fala justamente de animes, algo pelo qual sou apaixonado até hoje e pelo visto sempre serei. Animes e a culinária foram minha porta de entrada para a cultura japonesa e minha grande admiração por este povo, o que foi extremamente intensificada com minha viagem. Hoje tenho mais admiração por eles do que nunca. Até mesmo vontade de aprender japonês me surgiu e ainda perdura. Quem sabe, quando minha pós terminar, não faço aulas com a sensei de minha esposa?

Japoneses e orientais em geral – e isso inclui os povos árabes – tem muitas qualidades, e na minha opinião esse é um dos fatores que tem feito o oriente ressurgir como potência, levando a liderança do poder político e econômico do mundo para lá novamente depois de muitos séculos. Mesmo os orientais que moram fora de seus países de origem, ou descendentes destes que preservam sua cultura em outros países como é o caso dos japoneses no Brasil se destacam positivamente. Japonês no Brasil tem fama de inteligente, competente e eficiente não é a toa.
Osaka-Jo - Ou Castelo de Osaka, em (adivinhe só) OSAKA!

Outros podem pensar que ir para o Japão ou oriente é complicado por causa do idioma. É verdade que a maioria dos japoneses não fala inglês – e os que falam, não falam muito bem – mas isso não é nenhum impeditivo, pois você consegue se comunicar com eles de várias outras formas, por mais estranho que isso possa parecer.

Eu estava em Tokyo, em um combini, e um cara viu minha camiseta com o logotipo do McDonalds (na verdade estava escrito MACAXEIRA abaixo, é uma camisa que me trouxeram de Natal) e puxou papo! Conseguimos conversar, acredita? E eu não falo praticamente nada de japonês.

Eles tem uma atitude de querer entender o que os estrangeiros falam, então isso facilita tudo, até com mímica. Sem dizer que placas e mapas estão sempre em japonês e inglês. E tudo é organizado, e limpo, e seguro, e eficiente, e bonito... a estética é algo tão importante e natural na cultura japonesa que eu nem sei se eles pensam em fazê-la ou se isso já é algo orgânico, que eles fazem inconscientemente.

Bem, eu poderia escrever paginas e páginas sobre o Japão e o assunto não se extinguiria. Foi maravilhoso, e isso resume bem tudo. É uma viagem que recomendo a todos. O Japão e o povo japonês são maravilhosos. Um dia, se possível, eu volto.
Cruzamento no bairro de Shibuya, em Tokyo



2 de abril de 2013

A GUERRA SANTA MODERNA

Uma acusação séria, mas no meu entender, improcedente

Discussões acaloradas, bate boca, irritação, divisão. Tudo o que mais odeio na raça humana tem infestado a Internet há muito tempo, mas vem se intensificando muito nos últimos meses. Isso porque o ser humano é puro ego e quer estar sempre certo, não quer se submeter a nada e nem a ninguém, muito menos em termos filosóficos. Cada um vê a vida de uma forma, cada um deseja vivê-la como bem entender. Todos querem estar certos. Mas para sentirem-se certos, precisam que todos a sua volta comportem-se da mesma forma. O certo é o que todo mundo faz, certo?

A Bíblia diz que não. Multidões exaltaram Jesus em sua entrada em Jerusalém, e a mesma multidão, poucos dias depois, pediu por sua crucificação. A multidão é portanto volúvel e manipulável desde a antiguidade, e confiar nela é como confiar suas posses aos políticos ladrões.

Mas como muitos acham que o certo é o que a maioria faz, manipular a massa para uma dada ideia, preconceito ou comportamento é fundamental, e para pessoas com dinheiro, poder e conhecimento, é algo relativamente simples. Os mecanismos usados para isso são os mesmos desde sempre:

  • Falta (restrição) de informação indesejada e isenta
  • Manipulação da pouca informação que chega até as pessoas
  • Uso das paixões e medos (e preconceitos previamente criados inclusive) das pessoas para potencializar a ação da informação manipulada


Diferenças de idéias é algo que existe desde o início dos tempos, e esse planeta já bebeu muito sangue devido a conflitos decorrentes da falta de capacidade que o ser humano tem de conviver e respeitar diferenças. Não há inocentes nessa história: qualquer um dos lados comeria o outro se tivesse oportunidade.

O que vem ocorrendo no Brasil e no mundo é uma polarização de ideais, uma guerra ideológica que usa dos mesmos mecanismos acima citados como "armas de guerra". Dizem que os cristãos - especialmente nós de fé protestante, os genericamente chamados de "evangélicos" - tem síndrome de perseguição, mas no Brasil ao menos o que ocorre é exatamente isso: perseguição.

Uma guerra santa moderna está em andamento. Um preconceito imenso e generalizado toma conta da sociedade. Se uma pessoa no congresso é dita evangélica, e ela é uma má pessoa, não protestam falando que ele é uma má pessoa, mas sim protestam porque ele é evangélico, como se evangélico significasse imediatamente uma pessoa de mal caráter, fundamentalista, preconceituosa e atrasada. Você não vê isso ocorrer com um católico, ou com um espírita, ou com qualquer pessoa de qualquer outra religião.

Como exemplo, vou citar algo que vi hoje: um manifesto na Internet (coisa cada vez mais comum) com abaixo assinado pelo AVAAZ, que conclama as pessoas a se mobilizarem contra o PEC 99/11. Peço que leia ambos os links e note o "aumento" do problema pela declaração que está no AVAAZ. Lá ela afirma  que a aprovação da lei vai, na prática, levar ao fim do Estado Laico. Mas leia bem o que a PEC propõe, e veja se em algum lugar ela diz que isso vai ocorrer direta ou indiretamente.

O que a PEC propõe é, no meu entender, desnecessário. Mas está longe de ser o fim do Estado Laico. Ela apenas propõe algo que eu entendo já ser garantido pela Constituição, que é a de que qualquer um possa questionar a constitucionalidade de uma lei - ou seja, questionar perante o judiciário se uma dada lei fere alguma disposição constitucional prévia. A PEC apenas tenta garantir que entidades religiosas tenham o mesmo direito, o que para mim é redundante. Mas não é perigoso para o Estado Laico.

Entidades religiosas não poderiam chegar ao STF, portanto, e alegar que uma lei não pode ser validada por ir contra a Bíblia ou o Alcorão ou a doutrina espírita ou qualquer outra coisa. A única comparação que poderiam fazer seria com a própria Constituição, e esta garante o Estado Laico claramente, o que desvincula qualquer lei de atender demandas religiosas que vão além daquelas que garantem o direito de culto.


Mobilizações como esta citada no abaixo assinado me preocupam por causa disso: a maioria das pessoas não se dá ao trabalho de pesquisar e ler a respeito (eu mesmo deixo de pesquisar a maioria das coisas). Ir no site do Congresso e ler o texto da PEC nesse caso foi bem simples, mas as pessoas não leem e apenas assumem que a manifestação é legítima porque a mídia tem falado mal dos evangélicos das religiões e insinuado que estão tentando implementar uma ideologia fundamentalista no país, o que implica automaticamente na sensação de que a acusação é real e, portanto, devem apoiá-la baseado nos seus próprios preconceitos a respeito do assunto, independente do lado que normalmente apoie - religiosos fazem igual ou pior neste quesito infelizmente.


Para mim, ações como esta votação são no mínimo suspeitas.

Até que ponto mobilizações como essa são realmente preocupadas com a liberdade e bem-estar da sociedade? Até que ponto isso é apenas mais uma batalha fútil entre religiosos e laicos, batalhas que visam apenas criar mais divisão na sociedade e fortalecer preconceitos de ambos os lados?

Porque para mim isso tudo é cavalo de batalha apenas para este fim: criar barulho, gerar divisão entre o povo, desviar a atenção pública, desestabilizar a sociedade criando movimentos de interesses antagônicos e irreconciliáveis.

Eu entendo e defendo que o Estado Laico é necessário em uma sociedade plural como a nossa - eu não ia querer que uma religião, mesmo a minha, me obrigasse a fazer qualquer coisa por lei pois espiritualmente eu vivo pela graça de Jesus - mas quando tenho visto manifestações como essa eu tenho ficado com um pé atrás, porque no final das contas se uma religião qualquer questionar algo no STF, a palavra final será dos ministros e não dos religiosos, e espera-se que os ministros façam o que tem que fazer, que é aplicar a lei fria e pura, isenta de qualquer partidarismo.

O que me deixa mais inquieto é a sensação de que a sociedade quer negar aos evangélicos (e outras religiões quem sabe) de se manifestarem, de se fazerem representados e de opinar, de lutarem por certas leis, exatamente como eles tem feito. Querem isolar e exterminar ideologicamente o cristianismo porque incomoda. O que infelizmente é entendível, vendo o comportamento errático, hipócrita e falho dos "cristãos", principalmente daqueles que se dizem líderes e daqueles que se envolvem com a política. O mal testemunho tem matado o cristianismo como movimento mais do que qualquer coisa.

Finalizando, o capítulo 3 de 2 Timóteo sempre me retorna quando penso no porque das coisas serem como são. Creio ser explicação de Deus.

Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes.

São estes os que se introduzem pelas casas e conquistam mulherzinhas sobrecarregadas de pecados, as quais se deixam levar por toda espécie de desejos. Elas estão sempre aprendendo, mas não conseguem nunca de chegar ao conhecimento da verdade.

Como Janes e Jambres se opuseram a Moisés, esses também resistem à verdade. A mente deles é depravada; são reprovados na fé. Não irão longe, porém; como no caso daqueles, a sua insensatez se tornará evidente a todos.

Mas você tem seguido de perto o meu ensino, a minha conduta, o meu propósito, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perseverança, as perseguições e os sofrimentos que enfrentei, coisas que me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra. Quanta perseguição suportei! Mas, de todas essas coisas o Senhor me livrou!

De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Contudo, os perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus.

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra. 

2 Timóteo 3

11 de março de 2013

CONTANDO ATÉ 10

Quando eu era criança eu via muitos desenhos animados na TV. Não vou me lembrar em qual dele foi - Pica-Pau quem sabe - mas foi assistindo a estes desenhos que tive contato com essa história de "contar até 10" para me acalmar diante de alguma irritação. É uma lição importante para crianças e adultos. E fundamental para um convívio tranquilo.

Já passei por muitas situações de irritação, e em muitas delas acabei explodindo (tomando ações de externalização da frustração e descontentamento). Na maioria absoluta delas me senti muito mal depois porque percebi que não havia afinal motivos para ter ficado irritado para início de conversa. Ou seja, o problema era em mim e não na situação/pessoa que havia me irritado.

Não mando muito nas reações emocionais que tenho, mas mando nas reações racionais e conscientes  As emoções são muito mais poderosas no entanto, e tentam comandar as reações racionais - grite, reclame, seja grosso! Mas ai vem nossa força de vontade e sangue frio para nos controlar... e esperar.

Na maioria das vezes em que me segurei, e esperei por exemplo um dia, percebi o que disse antes: não havia razão legítima para me irritar. E evitei os problemas, mágoas e ferimentos que minha explosão teria causado. Analisando a mim mesmo, pude me conter, porque no final das contas esse é um dos únicos pequenos controles que temos nesse mundo - nosso comportamento, assim mesmo, bastante limitado de certo modo.

É claro que se conhecer é fundamental, e conversar é tão importante quanto. Se você convive com alguém que faz alguma coisa da qual você não gosta, que te irrita, mesmo que não seja nada errado, é sábio conversar com a pessoa e explicar o que ocorre, já que assim a pessoa pode te ajudar, quem sabe, evitando fazer aquilo, que como eu disse não era algo necessariamente errado para início de conversa - apenas te irrita. Ao mesmo tempo você passa a se esforçar para deixar de achar aquilo irritante, e ambos podem viver bem juntos.

Pensar desta forma é saudável, e já vivenciei bençãos por evitar falar diversas coisas a diversas pessoas simplesmente porque contei até 10.

Minha esposa por exemplo se esquece de muitas coisas, e isso me irritava muito. Depois que entendi que ela não faz por mal, e que o fato dela ter DDA e hiperatividade a impede de se lembrar de tarefas e compromissos como alguém dito "normal" (porque não há como estabelecer um critério de normalidade nesse caso) eu passei a ser mais tolerante, contar até 10, e muitas vezes antecipar os esquecimentos dela e avisá-la de compromissos, ajudando-a.

Recomendo muito que todos aprendamos a tolerância. O mundo carece muito dela. Uma matéria da revista Galileu diz que pesquisadores descobriram que a rejeição dói tanto quanto uma queimadura. Bater boca a troco de banana também deve machucar bastante a gente.

24 de fevereiro de 2012

BANALIZAÇÃO

http://www.umsabadoqualquer.com/
O que você entende com esta charge?

Eu entendo como banalização.

Por que comemorar se há ainda tanta coisa errada ocorrendo? Por que se deixar levar por uma comemoração vazia se os cavaleiros do apocalipse estão diante de nós? Por que fingir que as dificuldades e os problemas nao existem?

Na ânsia de fuga, o ser humano banaliza: seguir a Deus é difícil, então vamos assumir que Ele não existe. Os políticos são ruins e corruptos então eu vou votar nulo e nem vou pensar em ir em manifestaçõs populares. Nem sequer quero pensar nestas coisas, elas são apenas fantasias.

13 de janeiro de 2012

HOUSE E O DESEJO DE SER BABACA


Dificilmente você não sabe quem é o Dr. House. Caso não saiba, a Wikipedia diz o seguinte:

House, M.D.,[1] também conhecida como Dr. House ou simplesmente House, é uma aclamada série médica norte-americana, criada por David Shore e exibida originalmente nos Estados Unidos pela Fox desde 16 de Novembro de 2004. Já recebeu vários prémios, entre eles dois Globos de Ouro.[2]
O personagem principal é o Dr. Gregory House, interpretado pelo ator inglês Hugh Laurie.
House é um infectologista e nefrologista que se destaca não só pela capacidade de elaborar excelentes diagnósticos diferenciais, como também pelo seu mau humor, ceticismo e pelo seu distanciamento dos pacientes, comportamento anti-social (misantropia), já que ele considera completamente desnecessário interagir com eles.

Como série, HOUSE é muito boa. As histórias são interessantes, os personagens são elaborados, as interpretações são convincentes, a produção é de alto nível. Mas de qualquer forma, eu parei de assistir anos atrás porque enjoei. Séries que não tem uma história muito cronológica não me atraem por muito tempo, e a fórmula deste tipo de série é sempre a mesma, todo capítulo é um ou mais casos de doenças que ninguém sabe qual é, vários diagnósticos errados, piadinhas sarcásticas, e então o diagnóstico final. Não foge muito disso, salvo os momentos em que a vida pessoal dos personagens aparece. E ai vemos um House com a vida pessoal em frangalhos, viciado em analgésicos, quase sem amigos, sem a esposa, etc.

Se você tem Twitter, Orkut ou Facebook, é quase certo que já viu pelo menos algumas pessoas de sua lista de contato publicando fotos como a acima, ou então a esta aqui:


Sabe, que as pessoas queiram ser aceitas como elas são é legal. Que as pessoas aprendam a aceitar os outros como são é uma coisa muito bacana e bonita. Ser autêntico é muito bom, ser verdadeiro, melhor ainda.

Mas achar que é legal ser chato, antipático, grosso, cruel, mal, sem educação e não pensar nas pessoas a sua volta é uma estupidez, é uma babaquice, é perverso. Não pensar na consequência de seu comportamento é imaturidade pura. Vivemos em relacionamento um com os outros, e para que ele sejam agradáveis devemos nos esforçar para torná-lo leve, agradável e harmonioso. Mesmo que tenhamos que mudar nosso comportamento, a forma como falamos, nossas atitudes, etc.

Uma coisa é ser fiel a suas convicções, como eu sou em minha convicção sobre Jesus e sobre Deus. Outra coisa é ser babaca. E o que as pessoas querem não é defender suas convicções (porque como eu disse no post passado ter convicções é praticamente um pecado mortal para a sociedade atual), mas sim serem babacas. Só isso.

Sei que nem todos pensam assim, mas cada vez mais as pessoas acham o House um exemplo a ser seguido, um modelo de comportamento adequado ao mundo em que vivemos. Caramba, o cara é um personagem fictício! Você acha mesmo que um médico como ele conseguiria ficar mais do que algumas semanas trabalhando em um mesmo hospital? Ele é muito competente no trabalho dele, mas é intragável como pessoa e como profissional! Você acha que uma coisa justifica a outra? A genialidade dá  a ele uma licença para ser babaca? Porque o que me parece é que todo mundo quer ter uma licença dessas.

O que mais me chama a atenção nessa história toda é que a adoração ao House me parece ser fruto do próprio conjunto de valores da sociedade atual. Pode observar, House tem todos os atributos que se vê em maior ou menos grau na sociedade.

  • É bom ser grosseiro porque ser gentil é sinal de fraqueza.
  • É melhor não ligar para o que os outros pensam porque refletir e possivelmente mudar meu comportamento da trabalho e não é o que eu quero fazer. Os outros é que tem que mudar e se adaptar a mim.
  • É melhor ser ingrato do que reconhecer a ação de outras pessoas em meu benefício porque isso me torna dependente delas.
  • É melhor acreditar só no que eu vejo e analiso porque o resto é apenas fé, e a fé é algo errado.
  • É melhor as pessoas me aceitarem chato como sou porque se elas se distanciarem, quem perde mais são elas.
E por ai vai.

Não se vê mais as pessoas reconhecendo os antigos valores, defendendo a bondade, a gentileza, a educação, a colaboração, a inserção, a doação, o amor, a paz, a cordialidade e a honra (nossa, honra é um conceito praticamente medieval para a sociedade atual). Tudo o que se vê são as pessoas dizendo que o mundo precisa aceitá-las como elas são.

Paulo nos diz em Romanos que o reino de Deus vem ao mundo por meio da transformação não do outro, mas de nós mesmos:
Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

Romanos 12:1-2
Como elemento transformador interno a religião de uma forma geral tem um papel muito grande. Mas a religião tem sido combatida fortemente pelo movimento humanista secular. E conforme eles ganham terreno as coisas acontecem de uma forma totalmente oposta ao que eles pregam.

Dizem que o secularismo traria a paz ao mundo, mas ao contrario, o mundo nunca esteve tão violento e em crise, porque o conceito de transformação e submissão a um ente maior, a algo transcedental, não pressiona mais o ser humano à mudança para adequação, e o resultado disso é puro conflito entre as pessoas.

Finalizando, gostaria de compartilhar uma letra de música. Um dos poucos artistas contemporâneos que eu vi falando sobre o assunto e entendendo a realidade desta questão foi Micheal Jackson em sua canção "Man in the Mirror":


Man In The Mirror

I'm gonna make a change
On once in my life
It's gonna feel real good
Gonna make a difference
Gonna make it right

As I turn up the collar on
My favorite winter coat
This wind is blowing my mind

I see the kids in the streets
With not enough to eat
Who am I to be blind?
Pretending not to see their needs

A summer disregard
A broken bottle top
And a one man soul

They follow each other on the wind, ya' know
'Cause they got nowhere to go
That's why I want you to know

I'm starting with the man in the mirror
I'm asking him to change his ways
And no message could have been any clearer:
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself and then make a change

I've been a victim of a selfish kind of love
It's time that I realize
That there are some with no home
Not a nickel to loan

Could it be really me
Pretending that they're not alone?

A willow deeply scarred
Somebody's broken heart
And a washed-out dream

They follow the pattern of the wind, ya' see
'Cause they got no place to be
That's why I'm starting with me

I'm starting with the man in the mirror (Oh!)
I'm asking him to change his ways (Oh!)
And no message could have been any clearer:
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself and then make a change

I'm starting with the man in the mirror (Oh!)
I'm asking him to change his ways (Oh!)
And no message could have been any clearer:
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself and then make that CHANGE!

I'm starting with the man in the mirror
(Man in the mirror - Oh yeah!)
I'm asking him to change his ways (Better change!)
No message could have been any clearer
(If you wanna make the world a better place)
(Take a look at yourself and then make the change)

(You gotta get it right, while you got the time)
('Cause when you close your heart)
You can't close your, your mind!
(Then you close your mind!)

That man, that man, that man, that man
With the man in the mirror
(Man in the mirror, oh yeah!)
That man, that man, that man
I'm asking him to change his ways (Better change!)
You know... that man

No message could have been any clearer
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself and then make the change

I'm gonna make a change
It's gonna feel real good

Come on! (Change)
Just lift yourself, you know
You've got to stop it, yourself!
(Yeah! Make that change!)

I've got to make that change, today!
(Man in the mirror)
You got to, you got to not let yourself, brother
(Yeah! - Make that change!)

You know, I've got to get
That man, that man... (Man in the mirror)
You've got to, you've got to move!

Come on! Come on! You got to...
Stand up! Stand up! Stand up!
(Yeah! - Make that change)
Stand up and lift yourself, now!
(Man in the mirror)

(Yeah! - Make that change!)
Gonna make that change.
Come on! (Man in the mirror)

You know it! You know it
You know it! You know it
(Change) Make that change

Homem No Espelho

Eu vou fazer uma mudança
De uma vez em minha vida
Vai ser bom de verdade
Vou fazer uma diferença
Vou fazer isso direito

Enquanto eu dobro a gola
Do meu casaco de inverno favorito
O vento assopra em minha mente

Eu vejo as crianças nas ruas
Sem o suficiente para comer
Quem sou eu para estar cego
Fingindo não perceber suas necessidades

Uma indiferença de verão
Uma tampa de garrafa quebrada
E a alma de um homem

Eles seguem uns aos outros no vento, você sabe
Porque eles não tem nenhum lugar para ir
É por isto que eu quero que você saiba

Estou começando com o homem no espelho
Estou pedindo a ele que mude seus modos
E nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:
Se você quer fazer do mundo um lugar melhor
Olhe para si mesmo e faça uma mudança

Eu tenho sido vítima de um tipo de amor egoísta
É hora de eu compreender
Que existem alguns sem casa
Nenhum centavo para emprestar

Seria realmente eu
Fingindo que eles não estão sozinhos?

Um salgueiro profundamente marcado
O coração partido de alguém
E um sonho desanimado

Eles seguem o rumo do vendo, você vê
Porque não tem lugar para ir
É por isso que estou começando comigo

Estou começando com o homem no espelho (Oh!)
Estou pedindo a ele para mudar seus modos (Oh!)
E nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:
Se você quer fazer do mundo um lugar melhor
Olhe para si mesmo e faça uma mudança

Estou começando com o homem no espelho (Oh!)
Estou pedindo a ele para mudar seus modos (Oh!)
E nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:
Se você quer fazer do mundo um lugar melhor
Olhe para si mesmo e faça uma mudança

Estou começando com o homem no espelho
(Homem no espelho - Oh, sim!)
Estou pedindo a ele que mude (É melhor mudar!)
Nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:
(Se você quer fazer do mundo um lugar melhor)
(Olhe para si mesmo e faça a mudança)

(Você tem de fazer bem, enquanto tem tempo)
(Porque quando você fecha seu coração)
Você não pode fechar sua, sua mente!
(Então você fecha sua mente!)

Aquele homem, aquele homem, aquele homem...
Com o homem no espelho...
(Homem no espelho, oh, sim!)
Aquele homem, aquele homem, aquele homem...
Estou pedindo a ele para mudar ( É melhor mudar!)
Você sabe... aquele homem

Nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:
Se você quer fazer do mundo um lugar melhor
Olhe para si mesmo e faça a mudança

Eu vou fazer uma mudança
Vai ser bom de verdade

Vamos! (Mude)
Apenas levante-se, você sabe
Você tem de parar isso, você mesmo!
(Sim! Faça aquela mudança!)

Eu tenho de fazer aquela mudança, hoje!
(Homem no espelho)
Você tem de não deixar seu próprio irmão
(Sim! - Faça a mudança!)

Você sabe, preciso entender
Aquele homem, aquele homem... (Homem no espelho)
Você precisa, você precisa se mexer!

Vamos! Vamos! Você tem de...
Levantar-se! Levantar-se! Levantar-se!
(Sim! - Faça aquela mudança)
Levante-se e eleve a si mesmo, agora!
(Homem no espelho)

(Sim! Faça aquela mudança!)
Vou fazer aquela mudança
Vamos! (Homem no espelho)

Você sabe! Você sabe como!
Você sabe! Você sabe como!
(Mude) Faça aquela mudança