LUTE

Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas - 1 Timóteo 6:12

SE DEIXE TRANSFORMAR

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus - Romanos 12:2

ACEITE O SACRIFÍCIO

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - João 3:16

VÁ NA CONTRA-MÃO

Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras, e vocês permanecerão na terra que o Senhor deu a vocês e aos seus antepassados para sempre. Não sigam outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los; não provoquem a minha ira com ídolos feitos por vocês. E eu não trarei desgraça sobre vocês - Jeremias 25:5-6

REFLITA A LUZ DE JESUS

Pois Deus que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo - 2 Coríntios 4:6

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20 de dezembro de 2024

ABANDONANDO OS PRAZÓIS PARTE 3


Bem, a última tentativa de abandonar os prazois não deu certo.

Fiquei cerca de 1 ano sem tomá-los, é fato. E fiquei bem por vários meses. Mas, conforme o tempo passou, os problemas foram voltando, azias e e refluxos foram voltando, até o ponto derradeiro.

Tenho problema de apneia do sono há muito tempo. Na metade de 2024 comecei a sofrer com um desconforto nasal, que simplesmente bloqueava o fluxo de ar comigo deitado, mesmo acordado, como se a língua estivesse muito grande e obstruísse a glote. E junto a isso, uma rinite muito forte.

Fui a um otorrino, que me pediu uma polissonografia, e em posse dela, viu que eu tinha apneia grave. Ignorou totalmente o que eu havia reclamado da obstrução, e deu umas medicações pra rinite e me mandou eu comprar um cpap que custava mais de 6 mil reais.

Me achando mal atendido, busquei uma segunda opinião. Este outro otorrino foi mais atencioso e fez diversos exames complementares. O 1º exame foi uma ressonância da face, a fim de identificar se eu possuía algum pólipo nasal, carne esponjosa, ou desvio de septo. Sem nada ser identificado, e após eu lhe perguntar se podia ser algo ligado a refluxo, ele me pediu um exame que eu nunca havia feito: uma manometria com phmetria.

É um exame meio chato de ser feito, bem mais chato do que uma endoscopia, porque diferente dessa, você a faz 100% acordado, sem sedação alguma. Na MANOMETRIA te enfiam um cateter pelo nariz que vai até o esôfago, e eles medem a pressão de cada segmento do seu esôfago e com isso identificam se ele está "fraco" em alguma seção ou não. Este exame dura uns 10 ou 15 minutos, e apesar do cateter ser meio grosso, ele é suportável porque é curto.

Já a PHMETRIA é mais chata porque também te colocam um cateter pelo nariz até o esôfago, mas muito mais fino. O problema é que ele tem uma duração de 24 horas, e visa medir o nível de PH em seu esôfago durante o período. Comer com aquele fio é bastante incômodo, e a sensação de corpo estranho na garganta o tempo todo é bem chato. Mas eram exames necessários de qualquer forma, que nenhum gastro havia me pedido antes.

O resultado é que eu sofro de refluxo grave, ou seja, mecanicamente as válvulas entre meu estômago e esôfago, e entre meu esôfago e laringe, são fracas e não conseguem reter os seus devidos conteúdos.

Como meu ultimo otorrino disse, pra resolver isso "só morrendo de nascendo de novo". Então o que dá pra fazer é manejar. Ou seja: voltar com os prazóis, tentar emagrecer, parar de comer coisas que me atacam a gastrite (gorduras, cebola, etc), esperar pelo menos umas 3 horas depois da ultima refeição antes de deitar, evitar beber qualquer coisa uma hora antes de dormir, etc.

Não tem jeito, o prazol é  que segura a onda.

15 de dezembro de 2023

ABANDONANDO OS PRAZÓIS PARTE 2

 



Em 2014 fiz uma postagem de uma tentativa que fiz de parar de usar pantoprazol que acabou dando muito errado. Desde aquela época foram ai quase 10 anos tomando "prazois" ininterruptamente.

Bem, passou-se o tempo, passou-se a pandemia, e alguns incidentes isolados de dores abdominais me acometiam 2x ou 3x ao ano (gases). Resolvi procurar então um novo gastroenterologista para fazer exames de rotina nestes casos (endoscopia), que me atendeu sem muita curiosidade e simplesmente acabou me receitando um prazól diferente depois de fazer alguns exames mais minuciosos que descartaram intolerância a lactose e outras coisas mais graves.

Passou-se mais um ano e agora em 2023, após as ocasiões de dores abdominais voltarem, fui em um novo gastroenterologista que se interessou um pouco mais pelo meu caso e após alguns exames, me deu um tratamento com uma medicação diferente associada a um novo prazól. Essa nova medicação (Peridal) não visava diminuir a acidez estomacal, mas sim aumentar a motilidade da comida em meu trato intestinal, o que em teoria deveria acelerar o esvaziamento do meu estômago e com isso evitar azia e principalmente o refluxo do qual também sofro bastante.

Eu já tinha conseguido convencer outros médicos em que vou a pedirem um exame de algumas vitaminas, que como eu desconfiava vieram baixas creio eu devido a todos os anos tomando prazóis (que alteram a acidez estomacal e com isso interferem na capacidade do organismo de absorção de nutrientes). Este médico, mais velho, teve uma abordagem mais interessante, olhando para as vitaminas mais ligadas ao meu sistema imune como a B12 e a D, depois de eu relatar a ele do meu temor em acabar desenvolvendo câncer no estômago ou intestino por conta de tantos anos com esse problema e da incidência de pólipos no estômago (que podem ou não estar associados ao uso ininterrupto dos prazóis).

Associado a estas medicações então ele me passou alguns suplementos vitamínicos, e um prazo de 3 meses para suspender o novo prazól da vez, que ele havia me passado. Além disso, ele me passou uma medicação em ampola pra usar em crises de azia (Sucrafilm) que parece bastante com o bom e velho leite de magnésia.

Comecei removendo o prazól aos poucos em um intervalo de 2 semanas (tipo "dia sim, dia não") e hoje estou na 2ª semana totalmente sem ele. Os primeiros dias foram tranquilos mas depois de cerca de 4 dias a azia voltou, alguns dias piores do que outros.

Obviamente que a alimentação influencia bastante: dias em que eu como algo mais leve como uma sopa leve não sinto nada, mas nos dias como hoje, onde no café da manhã comi muita coisa pesada como fritura e salgados, a azia surge forte (eu nem consegui almoçar por causa disso).

Enfim... eu já estou achando que não exista uma "cura" definitiva para a azia e refluxo. Tudo me parece ser temporário (até a cirurgia, que depois de alguns anos perde eficiência com o esfíncter entre o esôfago e o estômago laceando de novo). Boa parte do meu problema é ligado a estresse, depressão, ansiedade, sedentarismo e uma alimentação desregrada. Coisas onde meu controle deveria ser maior mas não são.

Devo refazer os exames de níveis de vitamina e zinco nos próximos dias e então fazer um ultimo retorno com este médico para uma avaliação final. Vamos ver se dessa vez consigo me librar dos prazóis de vez ou não. Mas estou pessimista.

26 de abril de 2016

UM DIA COMO OUTRO QUALQUER NA VIDA DE UM DEPRIMIDO EM NEGAÇÃO


Em um rápido levantamento, descobri que em cerca de 27% dos meus posts neste blog foram relativos a depressão, desânimo e tristeza. Cerca de 1/4 de tudo o que escrevi aqui, por baixo, está ligado a como me sinto mal, mas pode ser bem mais do que isso.

Seria errado dizer que, no mínimo 1/4 dos meus dias são assim? Acho que 27% é até otimista demais. Não porque minha vida seja uma droga, pelo contrário. Mas sim por causa da maldita depressão e personalidade que me torna muito mais sensível do que o normal às pequenas e grandes agruras deste mundo.

E hoje não é diferente.

Como em várias outras situações deprimentes, o que sinto é uma fata de energia tremenda. Como se 3/4 da minha energia vital tivessem me deixado. Levantar, respirar e trabalhar são atividades penosas. Não fossem os anos de terapia, as doses intensas de café e a forma com que aprendi a me forçar a fazer as coisas mesmo estando péssimo internamente, acho que estaria enrascado.

Eu gosto de me enganar em muitos aspectos. Gosto de negar que estou com um problema ao mesmo tempo em que estou completamente ciente dele. Duplipensamento, se é que isso é possível. Ou viver em negação. Sou um deprimido em negação. Sei que estou deprimido, mas não quero aceitar e nem me limitar por tal estado. Tem gente que acha que eu não devia me forçar assim, que eu não devia posar de forte ou valente, mas não é nada disso, eu só acho que devo lutar até onde puder lutar, até cair de joelhos sem forças e ser vencido. Só me entregar quando realmente não tiver mais nada a ser feito.

No momento estou cambaleando. Fraco, mas ainda de pé. Só Deus sabe se vou melhorar ou se uma hora meus joelhos vão falhar. Mas por enquanto, "tudo está bem".


15 de maio de 2015

DO PRISTIQ AO VELIJA

Semana passada tive nova consulta com meu psiquiatra, e o balanço que fiz nesses 30 dias com o Pristiq (succinato de desvenlafaxina monoidratado), que comecei tomando 25mg e depois de 1 semana passei a tomar 50mg, foi de que não estava fazendo nenhum efeito, seja por ainda estar exposto a situações estressantes (ao menos na minha cabeça) seja porque minhas compulsões não haviam cedido em nada.

O recomendado foi tentar uma outra medicação chamada Velija (cloridrato de duloxetina), que comecei tomando 30mg por dois dias e depois passei a tomar 60mg (hoje já é o 2º dia com 60mg). A ideia segundo meu psiquiatra é que pacientes que não respondiam bem ao Pristiq respondiam bem ao Velija, e ele queria tentar essa mudança.

Tive um sono absurdo no primeiro dia com 60mg. Mas fora isso, não sei se é efeito placebo ou se é porque os eventos que estavam me estressando estão bem menores, ou ainda se é porque a medicação realmente está fazendo efeito, mas estes últimos dias tem sido bem melhores: o humor melhorou, o sono melhorou (o frio ajuda um pouco), a ansiedade melhorou.

O fato de que espiritualmente estou mais engajado, pela graça de Deus, com toda certeza está contribuindo para isso pois, além de mais tranquilo (creio que devido a isso) as compulsões estão começando a voltar ao patamar de controláveis.

Estou esperançoso. Creio que a medicação, somado às mudanças que assumi em minha vida (visando simplificá-la) assim como a graça de Deus vão me tirar dessa com toda certeza.

6 de maio de 2015

ÓDIO DE ESTIMAÇÃO

Infelizmente, uma das características mais marcantes da minha personalidade, contra a qual eu luto bastante, é meu mal-humor. É notório que em momentos como este pelo qual estou passando eu tendo a entrar nesse estado de intolerância com tudo e todos mais facilmente. Era sim desde o ginásio, com colegas e familiares.

Eu fiquei sem escrever neste blog por muito tempo, pois desde meados de setembro do ano passado eu passei por muitas mudanças no meu emprego, virando supervisor. E mudanças são o inferno para mim.

A pressão era muito grande. Eu nunca desejei tal posição, mas aceitei por achar que "era o correto" porque afinal de contas todos olham para promoções como prêmios. Debati o assunto à exaustão na terapia, mas no final das contas eu não conseguia lidar positivamente (do ponto de vista emocional) com o cargo. A experiência não foi ruim, pelo contrário: foi melhor do que eu esperava e me rendeu uma melhora na auto-estima. Mas era pressão demais para mim, e novas mudanças ocorreram mês passado e eu não aguentei - já não vinha aguentando.

Ano de crise, empresa exercendo forte pressão por mudanças, desorganização inerente a um período de mudanças estruturais profundas... eu pedi para sair da supervisão e voltei a minhas antigas atividades, porém com uma carga maior de atribuições, então não estou sentindo tanto alívio, e a medicação que citei no post anterior não parece estar exercendo efeito algum.

A ansiedade e desespero diante de uma enxurrada de trabalho, associada a depressão que voltou (mais fraca que antes mas voltou), mais a situação política e econômica do país me desestabilizaram. E com essa desestabilização, meu mal e velho ódio de estimação roeu a corda da coleira e está dando voltas em meu coração brincando com a depressão. Estou correndo atrás dos desgraçados, mas eles são difíceis de segurar.

Eu até consigo disfarçar o ódio (não é bem ódio, está mais para um mal humor) e a depressão no dia-a-dia, até porque ninguém merece estar do lado de alguém assim, e principalmente porque murmurar não é o que Deus deseja de nós durante as tribulações da vida. Então, como sou educado, responsável e profissional, NA MAIORIA DAS VEZES eu consigo desassociar o sentimento das iterações que realizo. Mas algumas vezes escapa, eu fecho a cara e ou descompensar de alguma forma não muito positiva.

Acho que não posso fazer nada com relação a isso. Apesar de toda minha neurose, continuo a ser tão humano e falho quanto sempre fui e sempre serei.

13 de abril de 2015

PRISTIQ - INÍCIO

Depois de 4 anos de remissão da depressão, fiquei mal de novo devido a muitas mudanças em minha vida, que me bagunçaram internamente. Só de observar que essa é apenas a 2ª postagem que faço aqui este ano, dá pra ter uma ideia do quanto ando sem tempo para nada. Foi uma questão de tempo, infelizmente. Um dia eu explico os motivos. Basicamente é trabalho, mas mais profundamente do que isso, é uma total falta de confiança em mim mesmo.

Meu psiquiatra receitou o Pristiq de 50mg, com uma introdução de 25mg/dia por 4 dias. A previsão do uso da medicação é de 6 meses, mas quando comecei com a fluoxetina/lexapro também era por pouco tempo, e acabei ficando em tratamento por quase 3 anos.

Agora, no segundo dia da introdução, sinto uma leve apatia e sono. Diante do estresse diário, isso é até um alívio.

Não sei bem o que pensar. estou um pouco preocupado, ganhei muitas responsabilidades nos últimos meses e isso tem me zoado bastante. Agora, além de não confiar em mim mesmo, tenho dúvidas se tomei as decisões corretas, pois afinal elas me levaram a essa situação. Mas se não as tivesse tomado, podia estar me arrependendo por não tê-las tomado. Parece ser uma situação onde não tem como ganhar.

Sem me preocupar com os "se", tenho que seguir em frente de uma forma ou de outra. Conto com o Senhor ao meu lado sempre. Mas cá entre nós, estou com um pouco amedrontado diante de toda a situação. Preciso de fé acima de tudo. O Senhor é sempre bom. Tenho paz em saber que mesmo que eu sofra, tudo tem um propósito.

A medicação pode me estabilizar quando atingir a concentração sanguínea de trabalho, o que deve ocorrer daqui uns 7 dias (comecei a tomar sábado, dia 11/04/2015) . Vamos ver.

29 de dezembro de 2014

RETORNO AO PANTOPRAZOL

Há algumas semanas escrevi sobre minha tentativa de substituir a medicação Pantoprazol, que tomo a quase 5 anos, por limão, aqui e aqui.

Após insistir por quase 3 semanas no suco puro de limão, tive que desistir por apresentar uma azia constante que piorava com qualquer alimento, mesmo aqueles extremamente leves como leite de soja e saladas.

A queimação na boca do estômago era constante, dormia com ela, acordava com ela... enfim, estava me deixando com dor de cabeça e muita irritação.

Mas de qualquer forma não voltei ao estado em que eu estava antes. No início do meu tratamento eu tomei pantoprazol de 40mg por alguns meses e a anos tomava o de 20mg. Nesta retomada, no primeiro dia tomei um comprimido inteiro, mas depois do segundo dia em diante passei a tomar metade de um, ou seja, 10mg.

Já estou no 5º dia de retomada, e nenhuma azia, nenhum problema até aqui. Então, se não consegui suspender a medicação, pelo menos a diminui pela metade, o que já é algo a se comemorar. Imagino que a acidez não decaia tanto e que a absorção e nutrientes não seja tão comprometida. De qualquer forma, planejo voltar ao gastroenterologista  em março para reavaliar o tratamento.

Se o limão funciona mesmo ou não, eu não sei. Para mim parecia que ia funcionar mas nos últimos dias ficou claro que não estava dando em anda, e que os resultados inicialmente promissores morreram na praia, ou porque realmente não funcionavam (placebo) ou porque minha gastrite é de fundo nervoso e o limão não resolve uma acidez tão intensa quando a produzida pela ansiedade e nervosismo.

18 de dezembro de 2014

MAIS SOBRE O ABANDONO DO PANTOPRAZOL


ATUALIZAÇÃO: INFELIZMENTE ISSO NÃO FUNCIONOU, LEIA AQUI.

Quando eu falei que estava abandonando o pantoprazol há cerca de uma semana, não sabia que já no mesmo dia teria outra crise de azia, e pelo menos mais uma dias depois. O consumo do limão ajuda bastante, mas não é a solução mágica. Não há solução mágica. O que há é uma série de mudanças que juntas, resolvem o problema. É isso que tenho buscado.

A mudança da alimentação é um dos fatores mais importantes. Nos dias em que tive azia foi quando comi coisas que não devia ter comido em quantidades indevidas. Coisas simples como panquecas de carne, ou até mesmo beber suco durante a refeição pioram minha situação. Daí que comer mais verduras cruas e vegetais, carnes magras e evitar beber durante as refeições é o básico a se fazer quando se deseja parar com a medicação, além de evitar comer e se deitar em seguida. Não faz sentido pensar que vai poder continuar a comer o que quiser, quando quiser, e se manter sem problemas com a gastrite.

Outro fator que percebi que dificulta muito o processo é que minha gastrite é, acima de tudo, nervosa. Aos finais de semana dificilmente tenho uma crise, mas durante a semana, principalmente naqueles dias em que algum problema mais estressa e abala, é quando a crise vêm e eu acabo sendo obrigado a recorrer a um antiácido pontual.

O fato de ser nervosa é tão obvio que mesmo quando como algo mais pesado no jantar (ontem eu tive que comer rápido então fomos a um Burguer King), pelo fato de ir para casa e relaxar já evita que a azia surja na maioria das vezes.

Ainda tenho que voltar a me consultar com um médico gastrointestinal, mas por enquanto o limão e a calma ainda são o melhor remédio.

12 de dezembro de 2014

ABANDONANDO O PANTOPRAZOL


ATUALIZAÇÃO: INFELIZMENTE ISSO NÃO FUNCIONOU, LEIA AQUI.

Já faz 4 meses que não posto nada. Muita coisa aconteceu nesse período, muitas mudanças de vida, e na correria nunca sobra um tempo para escrever.

Bem, uma das mudanças é com relação a minha recente tentativa de abandonar o uso da medicação chamada pantoprazol, que tem efeito similar ao omeprazol, atuando no aumento do p.h. do estômago diminuindo sua acidez excessiva que causa refluxo gastroesofágico.

Apesar de tomar a dosagem mínima de 20mg diárias e de ter tido informações sobre a segurança da medicação (de fato, esses anos todos gastrite não foi um problema para mim e não tive nenhum efeito colateral) eu já o usava a 5 anos (desde quando tive uma incrível dor no tórax que acabou sendo diagnosticada como refluxo) e após ler artigos que indicam o perigo do uso prolongado de antiácidos (por mais de 2 anos, como no meu caso), eu decidi tentar parar de tomar.

Na verdade minha nutricionista já havia me falado sobre a necessidade de suspender a medicação devido a esse risco muito antes desses artigos começarem a surgir. O fato do p.h. natural do estômago ser mudado com tal medicação impede que a digestão e absorção de vários nutrientes ocorra adequadamente, com destaque para alguns mais importantes como cálcio e vitamina B12.

Mas o fato é que sem a medicação, a gastrite volta. Estresse (que nestes últimos meses tem sido intensos), ansiedade, alimentação inadequada e sedentarismo ajudam, mas o fato é que desde criança eu tenho esse problema, que era tratado de forma totalmente caseira com leite de magnésia e sal de fruta.

Comecei a pesquisar sobre opções da medicina natural e me deparei com o limão, por mais estranho que isso possa parecer a princípio. Como o limão, que é ácido, pode ajudar a diminuir a acidez? As repostas encontrei no site Doce Limão.

Descobrir que o limão, apesar de ácido, desempenha forte efeito alcalinizante no estômago me deixou surpreso. Funcionando como uma espécie de omeprazol natural, o limão tem inúmeras outras vantagens, sendo a vitamina C a mais conhecida, mas atuando também como um poderoso desintoxicador do organismo.

Depois de ler os depoimentos a respeito do uso do limão contra a gastrite e azia, me animei a começar um teste. Após ler mais alguns artigos, me convenci de que deveria tentar a substituição do pantoprazol pelo limão de forma sistemática, contínua e moderada.

Assim, há duas semanas parei de tomar pantoprazol e comecei a tomar o limão. O suco de um limão inteiro espremido logo pela manhã, em jejum (puro, sem água, açúcar, mel ou adoçante) e um repeteco dessa mesma dose a noite, antes do jantar. De preferência 30 minutos antes de comer ou beber qualquer coisa.

Fiz isso acompanhado de mudanças significativas de alimentação, procurando comer mais verduras e vegetais crús (vivos, como a autora do site cita) e não beber mais durante as refeições (principalmente bebidas adoçadas e carbonadas). Diminuir as doses de café também estavam no pacote. O restante não era um problema para mim (não fumo e consumo pouco álcool), mas sair do sedentarismo ainda é difícil devido a outros problemas. Mas manter a alimentação "na linha" é algo difícil para mim. Ontem mesmo quase fraquejei e comi uma pizza. Consegui optar por um lanche natural cheio de alface e rúcula.

Os resultados do teste foram os seguintes até aqui:


  1. No primeiro dia não senti absolutamente nenhum aumento da acidez.
  2. No segundo e terceiro dias, tive um pouco de azia. Mas depois descobri que isso ocorreu porque, ao parar com o pantoprazol, o organismo teve um efeito rebote. Enquanto se toma a medicação o organismo entende que há uma supressão da acidez e isso o obriga a produzir um nível maior de ácido estomacal na tentativa de manter a acidez adequada. Quando se tira o remédio a acidez elevada continua por um tempo até que o organismo entenda que não tem mais nada suprimindo. Ai os níveis de acidez se normalizam novamente após algum tempo. Por isso que a retirada do pantoprazol (ou omeprazol) devem ser feitas aos poucos e sob orientação médica.
  3. Do quarto dia em seguida as coisas melhoraram, pois foi um final de semana onde dormi muito e descansei bastante, e onde passei 2 dias comendo apenas peixe fresco e comendo salada e frutas (evitando aquelas coisas que o site indicava como ruins para a acidez, como cebola e tomate).
Atualmente estou indo para a 3ª semana de limão. Apesar de ser inicialmente incômodo o sabor (acaba-se acostumando) e ter que bochechar com água após a ingestão (para impedir que o ácido do limão ataque o esmalte dos dentes), a experiência está sendo muito boa. A qualidade da saúde se mantém e o fantasma de enfrentar uma desnutrição silenciosa sumiu e agora sei que agora meu organismo vai absorver os nutrientes com eficiência. A vitamina C diária será um reforço positivo para o sistema imune, e o valor que gasto semanalmente com limões, na ponta do lápis, é bem inferior ao do pantoprazol. A digestão melhorou, e associada a mudança que já havia feito anos atrás de comer bem cedo e deitar apenas umas 3 ou 4 horas depois de me alimentar, continuo sem nenhum episódio de refluxo noturno.

Não me arrisquei a fazer o tratamento de desintoxicação com limão que compreende a ingestão progressiva de sucos de limão inteiros (com casca e tudo) chegando a tomar 10 frutos por dia. Acho isso radical demais. Além disso meu foco não é a desintoxicação em si, mas sim controlar a gastrite, e para isso 2 limões por dia parecem ser o suficiente.

Se você busca uma alternativa natural ao omeprazol e pantoprazol, o limão pode ser sua opção. Leia os artigos do site Doce Limão e se tiver disposição consulte um médico ayurvédico para lhe orientar adequadamente.

E que Deus o abençoe a todos nós com uma melhora de saúde!

27 de março de 2014

DEPRESSÃO E O DEMÔNIO DO MEIO DIA

Sorrowing Old Man ('At Eternity's Gate')
Vincent van Gogh


As suas viúvas mais se multiplicaram do que a areia dos mares; trouxe ao meio-dia um destruidor sobre a mãe dos jovens; fiz que caísse de repente sobre ela, e enchesse a cidade de terrores. A que dava à luz sete se enfraqueceu; expirou a sua alma; pôs-se-lhe o sol sendo ainda de dia, confundiu-se, e envergonhou-se; e os que ficarem dela entregarei à espada, diante dos seus inimigos, diz o Senhor.
Jeremias 15:8-9

Van Gogh foi um dos artistas que melhor expressou a depressão em pinturas, e juntamente com Edvard Munch (O Grito) produziu alguns dos quadros mais icônicos sobre essa condição. Mas o que isso tem a ver com as escrituras afinal?

Lendo Jeremias 15 ontem me deparei com o texto acima, e lendo também um interessante estudo sobre o significado do meio-dia na Bíblia, constatei que de fato esse horário era tido como um horário um pouco sinistro de acordo com a Bíblia. Era a hora mais clara do dia, e ao mesmo tempo a mais inesperada para que coisas ruins ocorressem. E como elas ocorreram! Deus demonstra assim que o mal não escolhe hora.

No trecho acima citado Jeremias profetizava contra o povo de Israel devido a suas constantes transgressões contra Deus. A arrogância e prepotência do povo judeu naquela época os levava a uma atitude meramente religiosa e pagã, o que fizeram Deus a castigá-los e dar a eles o pagamento por seu comportamento (mesmo sofrendo por ter que ser duro com seu próprio povo, seus filhos): "Tu me deixaste, diz o Senhor, e tornaste-te para trás; por isso estenderei a minha mão contra ti, e te destruirei; já estou cansado de me arrepender - Jeremias 15:6".

O termo "demônio do meio dia" é análogo à depressão, como muitos sabem (o livro "O Demônio do Meio Dia" de Andrew Solomon é uma leitura extremamente esclarecedora quanto a doença). Mas o que significa afinal o mal ocorrer ao meio dia, ou melhor, o "Destruidor" ser trazido ao meio dia?

Fazendo uma ponte com o texto em Jeremias, fica claro que há alguma ligação com o que hoje conhecemos como depressão. "A que dava à luz sete se enfraqueceu; expirou a sua alma; pôs-se-lhe o sol sendo ainda de dia, confundiu-se, e envergonhou-se".

Na depressão o sol se põe ao meio dia, nos enfraquecemos, ficamos confusos... não é a mesma coisa? Além disso a depressão é um inimigo que surge mesmo às claras luzes de um sol a pino de meio dia. E é implacável. Só os que sofreram com ela direta ou indiretamente sabem de sua capacidade devastadora.

Ao contrário do que muitos ignorantes (no sentido de ignorância sobre o tema) afirmam, não há como evitar a depressão. Algumas pessoas são pré-dispostas a ela naturalmente, e podem aprender a evitá-la por algum tempo com algumas atitudes e terapia, mas nunca o tempo todo. Não é um estado no qual a pessoa se coloca, mas é um buraco aonde se cai e de onde é difícil sair. E quando se sai do buraco, volta e meia acabamos caindo ali de novo, porque como nas ruas brasileiras, os buracos continuam abertos.

As vezes sabemos onde estão estes buracos e aprendemos a evitá-los (situações que nos deprimem) mas muitas vezes não temos escolhas e somos obrigados a passar por eles e resistir - ou não - como pudermos. Situações políticas, econômicas e sociais que nos deprimem são mais difíceis de se evitar do que uma música triste ou uma pessoa irritante, porque evitar tais coisas não estão ao nosso alcance, não estão dentro de nossos poderes. Temos então que aprender a deixar isso passar por nós como vento, sem absorver aquilo, sem deixar que nos atinja.

Para isso vale uma série de coisas: rituais próprios diários como escutar músicas que goste ou fazer atividades físicas, terapia, uso de medicação antidepressiva, ou a boa e velha (e cada vez mais difícil) mudança de vida (para melhor).

No texto de Jeremias, Deus diz que envia o destruidor a aquele povo, mas termina o capítulo com uma promessa, uma esperança de redenção - algo que Ele, em sua infinita sabedoria e amor sempre nos dá.

Portanto assim diz o Senhor: Se tu voltares, então te trarei, e estarás diante de mim; e se apartares o precioso do vil, serás como a minha boca; tornem-se eles para ti, mas não voltes tu para eles. E eu te porei contra este povo como forte muro de bronze; e pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo para te guardar, para te livrar deles, diz o Senhor. E arrebatar-te-ei da mão dos malignos, e livrar-te-ei da mão dos fortes.
Jeremias 15:19-21

10 de outubro de 2011

A RAIVA E A DEPRESSÃO

Pacientes deprimidos podem processar sentimentos de ódio de forma diferente
FONTE: SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL

LindaYolanda / iStockPhoto


Os resultados mostram que pessoas deprimidas têm anormalidades no chamado "circuito do ódio" no cérebro. Normalmente, a atividade cerebral está em funcionamento nas três regiões do circuito, mas em pacientes deprimidos, a atividade nessas regiões fica fora de sincronia, segundo o pesquisador Jianfeng Feng, da University of Warwick, no Reino Unido.

Estes níveis de atividade diferem no que os investigadores chamam de "desacoplamento" do circuito, o que pode explicar o sentimento de auto-desprezo das pessoas deprimidas. Elas não conseguem lidar adequadamente com os sentimentos e, consequentemente, desenvolvem raiva de si mesmas e se retiram de situações sociais, explicam os pesquisadores.

No entanto, é necessário que ainda sejam feitas muitas pesquisas para mostrar conclusivamente que pacientes deprimidos, de fato, tenham problemas com o controle dos sentimentos de ódio, ligados a este circuito cerebral. Os pacientes do estudo não estavam fazendo nada em particular enquanto tiveram seus cérebros escaneados, por isso é impossível saber quais eram seus sentimentos na época. Além disso, não está claro se as anormalidades cerebrais são uma causa ou uma conseqüência da depressão, disse Feng ao MyHealthNewsDaily.

Imagens do cérebro

No estudo, os pesquisadores analisaram os cérebros de 39 pacientes deprimidos e 37 pessoas saudáveis usando ressonância magnética funcional (fRMI). Os pesquisadores usaram os exames para criar mapas de redes no cérebro.

Eles descobriram que o “circuito do ódio”, que consiste no giro frontal superior, ínsula e putâmen do cérebro, foi dissociado em pacientes deprimidos.
“O método utilizado neste estudo para analisar o cérebro é animador”, disse Angela Laird, professora associada de radiologia da University of Texas Health Science Center, em San Antonio. Os pesquisadores estavam tentando olhar para a chamada "conectividade funcional" do cérebro, isto é, as interações entre as regiões cerebrais durante o curso de uma determinada tarefa, ou em repouso, segundo Laird. Este método permite que os pesquisadores examinem cerca de 100 regiões do cérebro, em vez de apenas oito ou dez regiões que antogamente eram possíveis de ser examinadas.

Críticas
No entanto, segundo Laird, ela está "menos entusiasmada" com as conclusões dos pesquisadores provenientes sua descoberta. "Eles fizeram uma ligação muito direta" entre os padrões de atividade cerebral que viram e sua conclusão de que o "circuito do ódio" é desacoplado.

O circuito do ódio, que foi identificado em 2008 por Semir Zeki, da University College London, está associado a outras tarefas, para Laird. Na verdade, acredita-se que duas das regiões do cérebro no "circuito do ódio" também estão relacionadas a sentimentos de amor.

Laird afirmou que vê problemas com a prática da rotulagem de um conjunto de regiões do cérebro como um circuito específico, como o "circuito do ódio."

Segundo ela, esta prática "tenta reduzir e simplificar funções muito complexas associadas a um conjunto de regiões ainda mais complexas do cérebro a meia dúzia de palavras”.

Embora as novas tecnologias tenham avançado na nossa forma de analisar o cérebro, os nossos métodos para interpretar os resultados do estudo não alcançaram o mesmo nível, disse Laird.

No próximo estudo, os pesquisadores disseram que pretendem não mostrar imagens de objetos ou pessoas que os pacientes deprimidos não gostam enquanto seus cérebros são escaneados, disse Feng.

O estudo foi publicado no dia 4 de outubro na revista Molecular Psychiatry.

20 de setembro de 2011

PESO

Não sei porque estou escrevendo isso agora. Só estou chateado com meu corpo. Sim. Não é só com minha mente e com minha alma que me deprimo. Meu corpo também me tira do sério. E como.

Estou bem acima do meu peso. "Faça exercícios para perder peso" é o que me disseram. OK, comecei a fazer. Mas os exercícios que faço exigem que eu seja mais magro para poder fazê-los sem me machucar, com um desempenho mediano.

Então vou ter que fazer outro tipo de exercício que não me da nenhuma vontade de fazer. E uma dieta que me dá calafrios. Porque eu ja fiz dietas antes, emagrecia e depois de um tempo a dieta acabava e eu engordava tudo de novo, até mais do que antes.

"Procure um médico então" me falaram. Ok, procurei. E logo de cara ele me diz que não faz o tratamento pelo plano de saúde e que eu teria que fazer particular, pagando uns R$1.500,00 logo de cara. Eu não tenho este dinheiro. Na verdade até poderia arrumar, mas não quero gastar este valor todo com isso.

Os planos de saúde (o meu é Unimed Campinas) realmente não ligam para seus clientes, falam em ações preventivas, mas mentem. Se realmente dessem importância a isso não iam dificultar tanto o acesso a psicólogos e nutricionistas.

31 de maio de 2011

VOCÊ NÃO GANHA NADA COM A DEPRESSÃO

Como falei no post anterior, tem muita gente, ignorante obviamente, que acha que depressão é frescura, que é coisa de quem quer chamar atenção, de quem quer se fazer de coitadinho. Vou listar aqui algumas coisas que ocorreram e ocorrem comigo para você entender que, se for frescura, é frescura de uma pessoa muito burra, porque a pessoa só perde e se ferra nessa "brincadeira".

  1. Você não consegue gostar de fazer mais nada. Nem sexo. Nem trabalho. Nem hobbys. Prazer é algo que você não conhece mais.
  2. Você gasta uma grana e tanto com antidepressivos, psiquiatras e terapia, grana que podia usar para um monte de outras coisas mais divertidas, como viajar, comprar livros, ir ao cinema, jantar fora, etc.
  3. Você começa a ficar doente de um monte de outras coisas. Engorda ou emagrece muito, fica com muito ou pouco sono, e doenças como gripes, dores, gastrites e úlcerações começam a se tornar comuns. Seu corpo começa a manifestar seu estado de espírito, ou seja, começa a morrer também.
  4. As pessoas passam a te tratar como um retardado ou como um safado. Ou te acham incapaz de tudo ou acham que você está fazendo graça. E qualquer um dos dois é péssimo.
  5. Você começa a se sentir inútil porque não consegue trabalhar ou estudar direito. Começa a pensar que vai perder o emprego ou reprovar. Começa a viver uma paranóia que te arrebenta a cabeça e massacra o pouco de você mesmo que havia preservado.
  6. Você começa a perder o senso de identidade e olha para si mesmo como um estranho. Refere-se a si mesmo como uma pessoa no passado, antes da depressão. O seu novo eu é vergonhoso e você não sabe o que fazer com ele.
  7. Seus laços se afrouxam, você perde o contato com familiares e amigos, perde seu emprego, porque quer ficar só e não quer conversar com ninguém e nem fazer nada. E mesmo quando se recuperar, muitas destas pessoas podem ter se ofendido bastante com você, sem a possibilidade de reatar-se estes laços.
Eu podia extender isso para outros tópicos, mas acho que isso basta.

30 de maio de 2011

CONSELHOS PARA OS NOVATOS

Se você chegou a este blog procurando sobre depressão, e leu os diversos posts que eu já escrevi aqui sobre o assunto, você deve ter entendido que depressão é provavelmente a pior doença que existe na face da Terra, e porque tantos profissionais de saúde pelo mundo afora concordam com isso.

Você pode alegar que existem outras doenças muito piores, mas além desta argumentação não ajudar em nada um deprimido, ela é falsa.

Existem outras doenças que num primeiro momento parecem ser piores do que a depressão, mas não são. Câncer é uma desgraça, mas enquanto ela não te der depressão, você luta, você vive.

Esquisofrenia a pessoa vive, estranhamente e vendo e ouvindo coisas que não existem além de sua mente, mas vive. Imagine qualquer outra doença, por mais degraçada e imobilizante que ela seja. Imagine qualquer situação de miséria humana. Tudo é uma desgraça, mas enquanto isso não instala na pessoa uma depressão, ela vive de certa forma. Ela segue adiante, ela tem força de vontade de viver e de mudar a situação, e tem esperança, e algo queima nas fornalhas de sua alma alimentando-a e movendo-a por pior que seja a situação. Ela VIVE.

Porém, quando a depressão se apossa das pessoas, elas deixam de viver. É sério. Elas não vivem mais. Pessoas com depressão sempre se descrevem como "cascas vazias", "pessoas ocas", "pessoas sem nada por dentro" e "anestesiadas". Elas perdem a si mesmas, e consequentemente tudo a sua volta é perdido junto, mesmo que continue lá. Não há mais nada dentro delas para dar significado a aquelas coisas, pessoas, laços e atividades. Elas deixam de ser uma luz e passa a ser uma sombra. Não importa se a causa seja uma outra doença tão foda que a tenha derrubado psicológicamente para o vale da depressão, ou se a depressão simplesmente surge na pessoa como que vinda do nada. A depressão é morte em vida, e os deprimidos são a coisa mais próxima a um zumbi que você verá.

Se você entendeu um pouco disso que eu acabei de falar, você deve começar a fugir da depressão como o diabo foge da cruz. Mas muitas pessoas simplesmente não tem opção. A depressão não é escolha da pessoa, e sim parte dela. É como um câncer, surge quase que naturalmente, só que na mente, para o qual não há quimio ou radioterapia, para o qual não há cirurgia de remoção de tumores porque simplesmente não é físico. É uma doença dos processos mentais de pensamento.

Eu sinceramente começo a questionar a possibilidade de cura para a depressão. Vejo-a mais como tratável do que curável. Enquanto eu tomava antidepressivos estava relativamente bem, mas foi parar que a coisa descambou.

Bem, os conselhos que eu quero dar a você, que acabou de cair aqui neste blog e quer ouvir conselhos de uma pessoa que tem depressão, são os seguintes:

  1. Não desenvolva depressão, esse é o melhor conselho que posso te dar. Sei lá, procure um hobbie e transforme-o em uma filosofia de vida, procure se empolgar muito com esta coisa e não reprima esta empolgação, apenas viva-a intensamente. Mas não caia na depressão. Depressão é vazio, é insignificância, é incapacidade e imobilidade. Não pare, ande! Se você esta vendo a depressão se aproximar saia andando para qualquer lugar, corra, mas não a deixe se aproximar muito de você.
  2. Não espere que outras pessoas tenham pena de você. Se você tem depressão, você ficará tentado a desejar e até mesmo a providenciar eventos, pensamentos e ações para que as pessoas fiquem com pena de você, dependendo do grau da sua depressão, é claro (na minha é assim, mas tem pessoas com depressão profunda que nem isso conseguem, elas simplesmente se desconectaram da realidade e nem mesmo a pena das pessoas a sua volta lhe interessa mais, nada lhe interessa). Acredite: ninguém terá pena de você verdadeiramente. Ninguém vai te ajudar. Simplesmente porque não há o que fazer para te ajudar a não ser em questões práticas, como lhe levar ao médico, comprar coisas para você, etc... coisas que não tem interferência direta ou tem interferência periférica na sua condição.
  3. Entenda como as pessoas a sua volta funcionam para não se deprimir com elas. Se você estiver mal de depressão, primeiro as pessoas vão olhar para você e vão se preocupar, depois vão sentir um pouco de pena rasa de você, quer você queira ou não. Depois vão tentar de ajudar de maneiras totalmente inadequadas (como por exemplo falando para você se animar, falando que sua vida é boa, que não há motivos para você ficar assim), depois vão te culpar e ficar irritados com você pelo fato da ajuda não ter surtido efeito e por ultimo vão dizer que você é fraco por não sair dessa situação sozinho e vão passar a te evitar ou a te irritar tremendamente só com a presença delas, o que obviamente vai te deixar muito pior. Isso explica porque quem tem depressão quer se distanciar de tudo e todos, e se isolar em uma casca de solidão fria porém inócua. Eu faço isso cada vez mais, isolei um monte de gente, no Facebook bloqueei boa parte dos meus contatos porque estavam me irritando muito e me deixando deprimido demais. Mas não caia nessa. Simplesmente tente evitar de reclamar para as pessoas a sua volta, não discorde delas para evitar discussões, fale de amenidades, comente sobre o clima, evite discussões desnecessárias. As pessoas, no fundo, não querem saber dos problemas dos outros mas sim dos seus próprios problemas. Deixe isso para seu psicólogo e psiquiatra, ou para pessoas realmente próximas a você que te entendam e te apoiem. E tente não dar ouvidos a si mesmo. Nestas horas você é um péssimo conselheiro para si mesmo.
  4. Não espere que alguém venha e lhe cure. Vá você atrás da cura, porque em ultima instância a cura para a depressão está dentro da sua mente. Trancada a sete chaves, mas ainda sim dentro da sua mente. É claro que ir ao médico e tomar medicação ajuda, e é claro que na depressão você não tem condição de fazer isso por si só.
  5. Muitas vezes na depressão você não quer se curar (sério), você só quer que o mundo acabe para o seu sofrimento acabe com ele (por isso o suicídio em muitos casos). Mas acredite, ele não vai acabar só porque você quer (se fosse assim já tinha acabado há muito tempo antes de todos nós nascermos). Então você vai ter que aprender a se amar, porque quem tem depressão não se ama, é fato, falo porque comigo é assim. Isso é complicado pra caramba. Eu ainda não consegui. Mas tento. Quando você se amar de verdade, vai encontrar forças para ter vontade de sair dessa situação. E eu acho que quando você tem essa vontade grande dentro de você mesmo, sua condição já estará muito melhor. Depressão é não vontade... quando você tem vontade de algo, isso é não depressão portanto. Mas não é uma vontade besta, como vontade de comer um chocolate ou de beber uma cerveja. É vontade de mudar a si mesmo, de se reencontrar com aquele velho eu que você não vê há tanto tempo, aquele que tinha vivacidade, que queria fazer coisas, que fazia estas coisas, que estudava e se interessava.
  6. Não desista. Quando a gente está com depressão a gente não pensa direito. Acha que está tudo acabado, que não tem mais jeito. Mas tem sim. Repita isso para você mesmo. Mesmo que você ache que está se enganando, não está.
Vou tentar escrever mais sobre os efeitos negativos da depressão na vida da pessoa no próximo post, porque muita gente acha que quem tem depressão está "com graça". Mas não está. Ninguém ia sofrer desse jeito só "por graça".

7 de abril de 2011

NIVELANDO?

Ontem e hoje eu já me encontrava bem mais controlado. O ódio, a irritação e o descontrole emocional que experimentei na terça-feira parecem ter desaparecido, graças a Deus.

Mas não sei ainda se aquilo ocorreu devido a fatores externos (acontecendo um monte de coisas muito irritantes ao mesmo tempo) ou se eu estava mesmo desequilibrado por causa da suspensão da medicação (Lexapro). Ainda resta-me a possibilidade de que na verdade eu apenas continuo deprimido (a irritação era uma das marcas registradas do meu quadro) e esta depressão se manifestou fortemente após anos adormecida pelos remédios.

Prefiro pensar que era um desequilíbrio momentâneo na neuroquímica de meu cérebro, e que estou agora me nivelando após as fortes turbulências pelas quais passei, com meu cérebro assumindo novamente a produção das substâncias que até agora eu vinha ingerindo artificialmente. Acreditar nisso é a única coisa que me dá esperanças.

Me acompanham ainda apenas as vertigens, mas tenho a sensação de que elas estão menos frequentes e menos intensas. Acho que no sábado já poderei voltar para a academia sem me preocupar com a possibilidade de perder o equilíbrio e cair.

Restam-me os demais dias da minha vida. Como um alcoólatra, acho que sempre vou me preocupar com possíveis recaídas, e em como evitá-las. Que eu tenha sucesso nessa luta, assim peço a Cristo.

5 de abril de 2011

DESCONTROLE POR ABSTINÊNCIA?

O dia começa com uma irritação contra algo quase cotidiano: meu computador no meu serviço é velho e está muito lento. Abro alguns aplicativos e eles demoram 10 vezes mais do que deveriam levar em um computador moderno. Isso parece ser como uma faísca que começa um incêndio.

Segue o dia e mais coisas chatas e burocraticamente lentas e sem propósito técnico para serem feitas em um computador lento que deveria ter sido trocado há pelo menos 2 anos. Meu ódio parece que brota da terra como um fungo vindo sabe-se lá de onde.

Surgem mais problemas para resolver. Um membro da minha equipe me pergunta coisas sobre o projeto as quais não sei e nem quero saber. Estou cansado de ter que fazer coisas com as quais não concordo. Outro membro vem e discorda de uma decisão que tomei após falar com nosso superior. O primeiro membro da equipe volta e me conta o que descobriu. Eu expludo.

Fecho meu computador com violência, digo que não aguento mais e desapareço diante das pessoas atônitas. Vou a outro lugar da empresa, um lugar aonde não me conhecem, e tomo café encolhido em um canto solitário. Não quero ver ninguém, nem falar com ninguém. Sinto vontade de matar pessoas, de cometer violências que nem bem sei quais são. Espero minha adrenalina descer por cerca de 30 minutos, e então retorno para a minha mesa e tento continuar a fazer o que estava fazendo antes, como se nada tivesse acontecido. Mas trabalho com uma velocidade 10 vezes menor do que antes. Minha cabeça lateja, e me sinto com febre sem de fato a manifestar. Me sinto esgotado, e o dia mal começou.

Consigo fazer em 6 horas o que julgo ser capaz de fazer normalmente em 1. Não sei se este julgamento é válido, mas me sinto incapacitado.

Olho para como foi meu dia e por dentro choro desesperadamente, imaginando que estou sendo vencido pela doença que os medicamentos não foram capazes de curar, mas apenas controlar. Me sinto o maior dentre todos os perdedores. Me sinto tão perdido quanto nunca estive. Me sinto fadado ao vexame, ao fracasso e à derrota. Me sinto morto, mesmo que vivo. Me sinto um idiota.

4 de abril de 2011

ABANDONANDO O LEXAPRO

Conforme eu havia dito antes, estou abandonando o Lexapro conforme meu psiquiatra me orientou. Até o dia 26/03/2011 eu estava tomando 10mg/dia, e deste dia até o dia 31/03/2011 eu estive tomando 5mg/dia. Desde o dia 01/04/2011 então estou sem medicação alguma.

O fato da semana passada ter sido uma semana anormal para mim não contribuiu muito para que eu pudesse ter uma dimensão exata do meu estado emocional sem medicação. Tive muitas discussões, decepções e conflitos, e estava esgotado na sexta-feira. Não fui na academia de kung-fu esta semana toda porque eu estava tão esgotado que a ultima coisa que eu queria era ver pessoas ou fazer qualquer coisa. Só queria ir pra casa e cuidar da minha fazenda no Farmville.

Mas no sábado eu já estava sentindo algo mais estranho, que imagino ser decorrente da falta da medicação: vertigens. Muitas vertigens. E estou sentindo-as até este momento. É a mesma vertigem que eu sentia quando começava a tomar um medicamento novo (foi assim com a Sibutramina, Fluoxetina e o Lexapro).

É como se minha mente estivesse amortecida, meio em câmera-lenta. Sabe aquela sensação que você tem quando tropeça em algo inesperado na rua enquanto anda? É mais ou menos a mesma sensação, só que um pouco menos violenta, ocorre diversas vezes ao dia e dura mais. Uma delícia!

Hoje as coisas estão mais complicadas porque eu tenho que trabalhar assim, e sinceramente pensar está um pouco difícil. Já andava complicado, mas com esta vertigem, está um pouco pior. Já emocionalmente falando, não me sinto deprimido, mas não estou feliz também. Tudo bem. Não posso exigir muita coisa de mim mesmo em uma segunda-feira chuvosa.

21 de março de 2011

LIVRE?

Sexta passada fui ao meu psiquiatra e ele resolveu me dar alta. Tudo começou porque eu e minha esposa estamos tentando engravidar já faz um ano e a medicação (Lexapro) não tem ajudado muito. Ela altera bastante a libido, bem menos do que a fluoxetina (Prozac, que foi o que eu tomei primeiro). Mas ainda assim, atrapalhava consideravelmente.

Ainda estou tomando o resto da medicação que eu tinha (mais uns 6 dias), mas se por um lado é recompensador pensar que eu não vou mais ter que tomar uma medicação que eu vinha tomando há mais de 2 anos, por outro vem o temor: como vou me comportar sem o remédio? Vou conseguir manter-me no estado em que me encontro ou vou ficar novamente super-irritado, deprimido, cansado, acabado?

A depressão me mudou profundamente. Não consigo mais lembrar de como eu era antes da doença me detonar em 2008. Mas como falei para minha terapeuta, todo mundo, com ou sem depressão, é uma pessoa diferente a cada dia que passa. Todas as coisas nos transformam de uma forma ou de outra, e ninguém é a mesma pessoa depois de alguns anos. Aprendemos, sofremos, lutamos. Nossas ideias mudam, assim como nosso pensamento, nosso corpo e nosso semblante. Com ou sem doença, eu não seria o mesmo de anos atrás de qualquer forma.

O que resta é a esperança de que eu tenha sabido fazer a limonada com os limões que recebi. De ter mudado para melhor e não para pior. E de ser grado às pessoas que me apoiaram nesse tempo e a Deus pela sua constante presença em minha vida, mesmo que eu não tenha visto isso claramente na época.

14 de fevereiro de 2011

MALDITOS CÁSEOS

Comecei a sentir um desconforto na garganta há mais ou menos um mês atrás, como se houvesse um pequeno pedaço de comida preso em minha garganta. Abri bem a boca diante do espelho, e com a ajuda de uma lanterna, vi que havia em minha amídala direita um ponto branco que pensei ser de pus.


Após ir ao pronto socorro e tomar antibióticos sem que isso me fizesse ficar melhor, fui a um otorrino e ele me explicou que aquilo era uma espécie de secreção que a amídala gera e acumula, e que a amídala tem uma estrutura de câmeras aonde esta secreção fica acumulada. Ele tentou tirar o acúmulo mas só conseguiu tirar uma pequena parte.

A solução segundo ele era tentar remover o acúmulo de secreção manualmente em casa, de tempos em tempos (com a mão ou com um cotonete) ou então, se a situação causava muito desconforto, remover a amídala cirurgicamente, o que eu deveria pensar se realmente valeria a pena porque a dor era grande.

Hoje fui pesquisar um pouco mais sobre o problema porque o acúmulo voltou a causar incômodo e é muito difícil para mim tocar na amídala, pois fico com muita ânsia de vômito. Descobri que o problema se chama CÁSEOS (em inglês se chama TONSIL STONE) e é na verdade acúmulo de restos de comida na estrutura da amídala, que sofre decomposição e calcificação, ficando com o nojento aspecto de queijo estragado, e um cheiro muito pior.


A solução que vi na Internet é a mesma que o médico me deu: remoção manual do acúmulo ou extração da amídala. Depois de ver esses vídeos peguei um cotonete, fiz um gargarejo com enxaguante bucal e em meio a fortíssimas ânsias de vômito consegui remover só um pequeno pedaço da coisa na minha garganta, o que deu um pequeno alívio.

Mas se as coisas continuarem desta forma por mais tempo, acho que vou ter que encarar a dolorida remoção de amídalas, pelo menos não fico com este incômodo chato.

24 de janeiro de 2011

AUTOCONHECIMENTO NÃO TRAZ NECESSARIAMENTE FELICIDADE

Autoconhecimento pode não trazer felicidade, diz psiquiatra
Por Richard A. Friedman*
The New York Times
fonte: UOL


Para muitos terapeutas, o autoconhecimento como pré-requisito para uma vida feliz é praticamente um artigo de fé. A introspecção, diz o pensamento, pode libertá-lo de suas manias psicológicas e promover o bem-estar.

Pode ser, mas uma experiência recente me fez pensar se o autoconhecimento é mesmo tão bom quanto todos dizem.

Não muito tempo atrás, vi um jovem de trinta e poucos anos triste e angustiado por ter sido deixado pela namorada - pela segunda vez em três anos. Estava claro que seus sintomas eram uma reação à perda de um relacionamento, e que ele não estava clinicamente deprimido.

"Já repassei o assunto muitas vezes na terapia", contou ele. Ele tinha dificuldade em lidar com qualquer separação de namoradas. Se elas iam embora por apenas um final de semana ou se ele estava viajando a trabalho, o resultado era sempre o mesmo: o doloroso estado de depressão e angústia.

Ele inclusive conseguiu rastrear seus sentimentos até a separação de sua mãe, que ficara hospitalizada por vários meses, quando ele tinha quatro anos, para um tratamento contra o câncer. Em resumo, ele havia tido grandes epifanias na terapia, atingindo a natureza e as origens de sua ansiedade - mas não se sentia melhor.

O que a terapia havia conseguido era dar a este jovem uma narrativa coerente de sua vida; ela havia desmistificado seus sentimentos, sem grandes progressos para alterá-los.

Seria isso porque seu autoconhecimento era imperfeito ou incompleto? Ou a própria introspecção, independente de quão profunda, teria um valor limitado?

Psicanalistas e outros terapeutas discutiram por anos essa questão, que chega ao núcleo de como funciona a terapia (quando ela funciona) para aliviar a agonia psicológica.

Debates teóricos não resolveram a questão, mas uma pista sobre a possível relevância do autoconhecimento vem de estudos comparativos sobre diferentes tipos de psicoterapia - sendo que apenas alguns deles enfatizam a introspecção.

Na verdade, quando dois tipos distintos de psicoterapia são comparados diretamente - e existem mais de 100 estudos desse tipo -, muitas vezes é difícil encontrar qualquer diferença entre eles.

Pesquisadores chamam apropriadamente esse fenômeno de "efeito Dodo", referindo-se ao pássaro Dodo de "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, que preside uma corrida das mais extravagantes e declara todos como vencedores.

O significado para os pacientes é incerto. Um paciente com depressão, por exemplo, provavelmente se sentirá melhor com o terapeuta usando uma abordagem cognitiva-comportamental, que busca corrigir ideias e sentimentos distorcidos, ou com uma terapia psicodinâmica orientada pelo autoconhecimento.

Como o ingrediente comum a todas as terapias não é a introspecção, mas uma indefinida ligação humana com seu terapeuta, parece justo dizer que a introspecção não é nem necessária e nem suficiente para melhorar.

E não é só isso: algumas vezes, a introspecção parece até mesmo agravar o sofrimento de uma pessoa.

Lembro-me de um paciente que era cronicamente deprimido e insatisfeito. "A vida é um grande empecilho", dizia ele, antes de catalogar uma lista bastante real de problemas sociais e econômicos.

É claro, ele estava certíssimo sobre o perigoso estado da economia, embora fosse rico e não estivesse diretamente ameaçado por ela. Ele era um analista financeiro muito bem-sucedido, mas estava entediado com o trabalho, que, para ele, era mecânico e pessoalmente insatisfatório.

Ele já tinha feito anos de terapia antes de se consultar comigo, e havia chegado à conclusão de que escolhera sua profissão para agradar seu exigente pai - em vez de seguir sua paixão pela arte. Mesmo sendo muito perceptivo a respeito de grande parte de seu comportamento, ele claramente não era mais feliz por isso.

Quando ficava deprimido, porém, essa percepção agravava sua dor - pois ele repreendia a si mesmo por não ter enfrentado o pai e seguido seu próprio caminho.

Pesquisadores sabem há anos que pessoas deprimidas têm essa inclinação seletiva da memória para eventos negativos em suas vidas; não é que elas estejam fabricando histórias negativas, e nem se esquecendo das boas. Nesse sentido, suas percepções e visões podem ser tristemente precisas, embora parciais e incompletas. Sua introspecção lhes faz tão bem!

Isso inclusive nos faz imaginar se um pouco de autoilusão é algo necessário para a felicidade.

Nada disso significa dizer que a introspecção não tem valor. Longe disso. Se você não quer ser um prisioneiro de seus conflitos psicológicos, a introspecção pode ser uma poderosa ferramenta para afrouxar seu aperto. Você provavelmente sentirá menos dores emocionais, mas isso é diferente da felicidade.

Falando nisso, meu paciente cronicamente deprimido veio me ver recentemente, parecendo excessivamente feliz. Ele tinha largado o emprego e conseguido outro, com salário infinitamente menor, no mundo das artes. Nós começamos a conversar sobre por que ele se sentia tão bem. "Simples", respondeu ele. "Estou fazendo o que gosto".

Percebi, então, que sou muito bom em tratar a tristeza clínica com remédios e terapia, mas que trazer felicidade é algo além. Talvez a felicidade seja um pouco como a autoestima: as duas requerem esforço. Pois, até onde eu sei, é impossível obter uma infusão de qualquer uma delas com um terapeuta.

* Richard A. Friedman é professor de psiquiatria na Faculdade de Medicina Weill Cornell, em Manhattan