LUTE

Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas - 1 Timóteo 6:12

SE DEIXE TRANSFORMAR

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus - Romanos 12:2

ACEITE O SACRIFÍCIO

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - João 3:16

VÁ NA CONTRA-MÃO

Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras, e vocês permanecerão na terra que o Senhor deu a vocês e aos seus antepassados para sempre. Não sigam outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los; não provoquem a minha ira com ídolos feitos por vocês. E eu não trarei desgraça sobre vocês - Jeremias 25:5-6

REFLITA A LUZ DE JESUS

Pois Deus que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo - 2 Coríntios 4:6

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10 de março de 2020

INCOESÃO - VERDADES PARALELAS

 
Nada mais faz sentido? Ou nunca houve sentido e as pessoas eram apenas mentirosas e buscavam por adequação mais do que se busca hoje?

26 de maio de 2017

O MAL NUNCA ADMITIDO

zona na véspera de mudança

Faz mais de um ano que não posto nada neste blog. Creio que, se há ainda algum leitor assíduo, ele bem sabe como sou dado a esse tipo de comportamento. E o motivo é o mesmo de sempre: a vida me bate tão forte quanto em todo mundo, mas minha sensibilidade me faz sofrer mais do que eu devia. Depressão é isso e muito mais. Lutar contra ela cansa demais e não tenho vontade de fazer nada, muito menos de escrever aqui.

Como tenho este blog como uma espécie de diário público para a posteridade, com o tempo venho dedicando a ele apenas registros de situações realmente importantes em minha vida. Creio que esta seja uma delas: vou me mudar. Amanhã já.

Vim para casa hoje falando para a minha esposa o quanto isso está me matando por dentro e o quanto mudanças me deixam transtornado. O processo de decisão da mudança foi desconfortável e até agora me deixa um sabor ruim na boca. Por mais que eu tenha decidido me mudar em conjunto com minha esposa, eu fui obrigado a fazer isso. Não foi uma escolha portanto, mas sim uma imposição das circunstâncias.

Minha vizinhança é muito barulhenta para o meu gosto. Não é de hoje que eu sofro com isso, como pode ser visto aqui e aqui por exemplo. Meu quadro depressivo me torna uma pessoa que não suporta barulho. Barulho me incomoda mais do que a maioria absoluta das pessoas, e desperta em mim um caos que não desejo a ninguém, nem mesmo aos que me tem causado esse sofrimento - desconfio - propositalmente. Tenho tido crises nervosas quando há barulho, minha pressão cai e eu fico tremendo.

Meu irmão mais velho e sua esposa gentilmente nos cederam um apartamento que eles tentavam alugar faz tempo, em um condomínio maior e mais bem organizado, cerca de 8km daqui, no 7º andar, em uma avenida sem comércios barulhentos. Sem vizinhos loucos - assim espero no Senhor. No Senhor espero reaver um pouco da paz perdida nos últimos anos.

O que mais me incomoda no entanto é perceber o quanto a humanidade decai sem parar.

Esse caso todo envolvendo barulho é apenas um exemplo, bastante pertinente é verdade, mas apenas um exemplo. Eu poderia falar sobre a verdadeira "mãe de todas as tempestades de merda" que vem assolando o Brasil há alguns anos e que piora cada dia que passa, com escândalos de corrupção por todo lado e a operação Lava Jato gastando bilhões de litros de água para limpar toda a lama aparentemente infinita desses malditos filhos da puta que tanto tem fodido o Brasil, mas isso milhares de outros sites já fazem. Ambos os casos mostram apenas como o ser humano tem piorado.

Meus vizinhos de fora do meu condomínio gostam de fazer barulho, de falar alto, de ouvir música alta quando bem lhes der vontade, de fazer festas ruidosas, etc. Se forem chamados a atenção, se revoltam achando que são vitimas. Os vizinhos de dentro do condomínio gostam de deixar seus filhos correrem como gazelas pelos corredores e escadarias do prédio, e gostam de ouvir música ou TV bem alto (neste exato momento, enquanto digito isso alguém no meu bloco está assistindo a Globo e eu sei disso porque consigo ouvir tudo)

Todos eles são incapazes - veja bem: VERDADEIRAMENTE INCAPAZES - de reconhecer que fazem mal aos outros com suas ações e omissões. Conseguem ver a realidade apenas sob sua própria perspectiva, sem qualquer preocupação com quem não faz parte daquilo que eles entendem como circulo de amizades. Sociedade, para eles, é um conceito abstrato, sem significado prático quando suas próprias vontades entram em conflito com ela. Moralmente, são aleijados.

Conversava esta semana com um motorista do Cabify sobre isso, e ele, da minha mesma idade, quicá um pouco mais velho, concordava e complementava de uma forma que me marcou. Ele disse mais ou menos o seguinte:

Transporto muito adolescente e jovem no meu trabalho, e vejo como eles se comportam e como são. Sempre querendo ser "espertões". Sempre querendo levar vantagem em algo de alguma forma. Nossa geração não era santa, mas essa geração atual é nojenta. Eles não sabem viver em sociedade, e nem parecem querer. Para eles tudo pode, tudo é permitido, desde que não façam mal aos outros. Porém, o conceito que eles tem sobre o que significa "fazer o mal ao outro" é doentio. Para eles pode fazer tudo, menos matar.

Voltando aos meus atuais vizinhos: fosse eu reclamar pessoalmente, no mínimo debochariam de mim. Provavelmente me ignorariam. Possivelmente me agrediriam verbalmente, ou até fisicamente.

"Mas você nunca foi falar pessoalmente com eles então não tem como saber" você pode pensar. Bem, fui sim, em alguns casos. E mesmo após isso, nada mudou. Mesmo após eu reclamar dezenas de vezes com o vizinho pessoalmente, com o síndico, com a prefeitura, abrir boletins de ocorrência na PM (estes para vizinhos de fora do condomínio), enfim, mesmo após eles receberem diversos sinais claros de que estavam incomodando muito, nada mudaram. Na verdade, pareceram até piorar, de birra. "Faço o que eu quero e você não tem o direito de achar ruim". Essa parece ser a nova dinâmica social. Bem diferente do que eu fui ensinado por minha mãe.

Alguns problemas foram resolvidos, como foi o caso da academia. Mas outros vão surgindo. E isso me deixou em frangalhos emocionalmente, dia após dia, mês após mês.

Assim, não estou me mudando. Estou fugindo.

Meu pastor, com quem tenho tido encontros periódicos em um treinamento de coaching, me disse animado "puxa, até que você decidiu rápido sobre essa mudança". Infelizmente tive que jogar um balde de água gelada na cabeça dele. "Mas eu não decidi nada. Decidiram por mim. Teoricamente, me botaram para fora da minha própria casa".

E assim, com um sentimento amargo de expulsão, estou deixando meu lar e encarando todas as dificuldades de começar outro temporário para, quem sabe, com a graça de Deus, eu possa encontrar outro um pouco menos temporário. Porque temporária é a própria vida, e meu lar eterno com Jesus, com o qual tanto sonho, ainda há de vir.

26 de abril de 2016

UM DIA COMO OUTRO QUALQUER NA VIDA DE UM DEPRIMIDO EM NEGAÇÃO


Em um rápido levantamento, descobri que em cerca de 27% dos meus posts neste blog foram relativos a depressão, desânimo e tristeza. Cerca de 1/4 de tudo o que escrevi aqui, por baixo, está ligado a como me sinto mal, mas pode ser bem mais do que isso.

Seria errado dizer que, no mínimo 1/4 dos meus dias são assim? Acho que 27% é até otimista demais. Não porque minha vida seja uma droga, pelo contrário. Mas sim por causa da maldita depressão e personalidade que me torna muito mais sensível do que o normal às pequenas e grandes agruras deste mundo.

E hoje não é diferente.

Como em várias outras situações deprimentes, o que sinto é uma fata de energia tremenda. Como se 3/4 da minha energia vital tivessem me deixado. Levantar, respirar e trabalhar são atividades penosas. Não fossem os anos de terapia, as doses intensas de café e a forma com que aprendi a me forçar a fazer as coisas mesmo estando péssimo internamente, acho que estaria enrascado.

Eu gosto de me enganar em muitos aspectos. Gosto de negar que estou com um problema ao mesmo tempo em que estou completamente ciente dele. Duplipensamento, se é que isso é possível. Ou viver em negação. Sou um deprimido em negação. Sei que estou deprimido, mas não quero aceitar e nem me limitar por tal estado. Tem gente que acha que eu não devia me forçar assim, que eu não devia posar de forte ou valente, mas não é nada disso, eu só acho que devo lutar até onde puder lutar, até cair de joelhos sem forças e ser vencido. Só me entregar quando realmente não tiver mais nada a ser feito.

No momento estou cambaleando. Fraco, mas ainda de pé. Só Deus sabe se vou melhorar ou se uma hora meus joelhos vão falhar. Mas por enquanto, "tudo está bem".


11 de abril de 2016

LOBO SOLITÁRIO


Lobos são criaturas sociais. Eles vivem em alcateia, e os relacionamentos sociais dentro do grupo são bastante complexos. Dentro do grupo cada indivíduo tem um papel, uma posição e um grau de importância e poder (que se espelha muitas vezes na ordem de comer), mas todos são importantes para o grupo pois é na união deles que conseguem enfrentar todas as adversidades. Uma alcateia é, de fato, uma família. Lembra das próprias relações humanas, de forma primitiva é verdade.

Porém, existem aqueles lobos que não conseguem ou não podem ficar em um grupo, e a esses é dado o nome de "Lobo Solitário". Existem basicamente 3 tipos de lobos solitários na natureza:
  • Lobos jovens que abandonam a alcateia para procurar um novo grupo para fazer parte, ou então  fundar um novo e ser seu macho alfa.
  • Lobos velhos e doentes expulsos do grupo pelo macho alfa ou pelos membros mais jovens (por entenderem que ele os está atrasando e pondo a alcateia toda em perigo).
  • Lobos fortes ou agressivos demais para viver em alcateia.
Na sociedade humana os motivos de afastamento de uma pessoa do grupo não parecem ser muito diferentes, né?

No geral, em humanos, se dá o nome de "Lobo Solitário" a aquele indivíduo que prefere a solidão, que é dado a introversão ou que prefere trabalhar sozinho (ou que os demais acham que prefere, ou que os demais se confortam por achar isso dele). E neste caso, há ainda um tipo que é chamado de "O Lobo Solitário do Grupo" que é uma pessoa que faz parte de um grupo, interagindo com todos a ponto de ser considerado como integrante, mas que ao mesmo tempo não tem uma forte (ou padronizada) ligação com os outros membros a ponto de não ser visto por eles exatamente como um igual - gerando aquela sensação de estranhamento do qual os introvertidos normalmente são alvos, sendo neste ponto classificados como antipáticos, desinteressados, arrogantes, etc.

Nos últimos tempos, é exatamente como me sinto.

O grupo, diante da estranheza dessa falta de profundidade de relacionamento que o lobo solitário demonstra, pode até tentar botá-lo para fora e quebrar os poucos laços que ainda existem, afastando-o definitivamente em uma clara atitude de rejeição (as vezes de forma bem velada como por exemplo com uma boa e velha negligência), o obrigando a ser um eterno lobo solitário que não busca mais nenhum grupo, ou um lobo que busca um novo grupo ou tenta criá-lo aos moldes do antigo mas com algumas adaptações a fim de ser aceito por ela em definitivo.

Mas lobos são o que são.

Um ser humano pode tentar se adaptar às regras sociais de um grupo a fim de emular o padrão esperado de interação e com isso estabelecer os laços que lhe permitam usufruir da convivência social com os demais, mas isso seria artificial e a pessoa não estaria sendo ela mesma, o que anularia todos os benefícios que ela por ventura viesse a conquistar.

Mas muitas vezes, humanos também são o que são.

Difícil haver alguém que seja introvertido, tímido ou fechado porque quer ser assim. Normalmente é o traço mais forte da personalidade de alguém - a parte que esta pessoa mais odeia por lhe trazer tanto sofrimento. Como mudar isso? Deus mudaria uma pessoa introspectiva? Deus quer mudar quem somos, nossa personalidade? Isso é realmente um traço de personalidade ou é educação - ou doença?



Um último fator sobre o lobo solitário que é igual em lobos e humanos é o sofrimento.

Por mais que seja dado a solidão, tanto lobos quanto humanos precisamos de relacionamentos para dar significado a suas vidas. Sozinhos sofremos muito, seja porque não é efetivo caçar de forma solitária sendo um lobo, seja porque não é efetivo produzir e subsistir como humano. Em ambos os casos, ainda há uma infinidade de outras necessidades emocionais e psicológicas que apenas com relacionamentos pode-se suprir: toque, companhia, amor, dentre várias outras.

Não vou me aprofundar mais nisso, acho que já deu pra entender.

Eu só queria registrar que eu sei que eu sou um lobo solitário há muito tempo, porque nunca me senti integrado a nenhum grupo além da minha família sanguínea. E as vezes, como tem sido nos últimos meses, isso me deixa bastante triste e frustrado.

Eu sei que não é culpa do grupo me rejeitar, afinal as relações sociais são construídas a base de afinidade principalmente. Mas também não é culpa minha ser quem sou. Tão pouco é de Deus. As coisas são como são, não há porque buscar culpados, mas sim minimizar ou anular os efeitos negativos. O que me resta aqui é a auto-aceitação. Entender que nunca vou ter  as relações sociais com as quais eu sonho, que nunca vou ter amizades profundas ou grandes amigos confidentes para os quais posso falar dos meus medos e vergonhas, e ter conselhos e apoio, simplesmente porque eu sou de um jeito que afasta qualquer pessoa que pudesse o ser.

Hoje, vejo que todos os anos de terapia eram provavelmente apenas isso: eu comprava horas com uma pessoa para ter uma emulação paga desse tipo de relacionamento, porque ela me ouvia, me dava conselhos, não me julgava e me apoiava.

O que alguém que contrata prostitutas tem de diferente de mim neste caso? Não que minha psicóloga fosse uma prostituta, entenda o que quero dizer: em ambos os casos a pessoa contrata os serviços de alguém para que lhe seja suprido algo que, se tudo fosse normal, ele teria de graça.

Tudo bem. Como disse, é a vida, e a vida não é fácil e nem tem respostas prontas para essa questão existencial.

8 de abril de 2016

DEPRESSÃO E SEUS REFLEXOS: ANSIEDADE, MEDO E SÍNDROME DO IMPOSTOR


Estou há praticamente 3 meses sem terapia, e há mais de 4 sem medicação.

A sensação é de ansiedade. Controlada, por bem ou por mal. Mas a ansiedade, que é no final das contas um tipo de medo, que acaba incitando minha síndrome do impostor que por sua vez retro-alimenta o ciclo todo, gerando mais ansiedade. Noto e racionalizo toda essa situação. Mas desde quando racionalizar algo resolve uma angústia gerada por pura emoção irracional?

O cuidado em manter-me longe de fatores de estresse exacerbado é o que me mantém minimamente equilibrado, mas você sabe bem como é a vida, não é mesmo? Ainda mais nestes tempos obscuros de crise em todas as esferas que vivemos nestes anos estranhos e conturbados que tornam as atividades já tensas em algo muito mais tenso. Você simplesmente não tem controle de nada e isso é jogado na sua cara a todo instante, e você percebe que não conduz nada mas sim que é conduzido, na maioria das situações, como uma folha morta pela enxurrada.

"Controle" sempre foi uma ilusão, que no final das contas aumenta mais ainda o problema com a ansiedade e todo o resto. A gente cresce sendo educado e ouvindo que tem que se controlar, que tem que ter o controle de sua vida em suas mãos, e que pessoas de sucesso controlam suas atitudes, suas escolhas e colhem o que plantam, e que você tem que ser assim. Nada mal pensar dessa forma, ser alguém de atitude!

Mas ai você cresce, começa a lidar com a vida e vai percebendo que as coisas não são bem assim. Você começa a perceber que você, na verdade, controla muito pouco ou quase nada, e que as pessoas que detém o controle são poucas, muito poucas, e que eu, dentre a grande maioria dos membros da sociedade, não faço parte desta elite controladora. Entre winners e losers, a maioria são losers e eu estou nesse meio.

Não estou entrando no mérito de que em Cristo somos mais do que vencedores. A esperança que alimenta a minha fé é a de que a salvação de Jesus é uma graça, porque se eu tivesse que fazer qualquer coisa para tê-la, eu não conseguiria.

Já a síndrome do impostor sempre me afeta. Tudo anda bem até que algo, por menor que seja, explode na minha cara, e quando isso acontece, é como se um milhão de pessoa apontassem para mim dizendo "você não controla nada, sua suposta competência no que faz é falsa porque é fruto do acaso e não do seu próprio esforço, se alguma pequena coisa der errado você não é capaz de corrigi-la porque você não tem controle de nada afinal, e sua incompetência se tornará evidente".

Uma destas pequenas coisas explodiu estes dias. Numa escala de 0 a 10 em importância, pensando de forma bem objetiva, isso foi algo entre 1 e 2 no máximo, mas mesmo assim foi suficiente para disparar o gatilho deste indesejado processo.

7 de janeiro de 2015

MORTALMENTE FERIDO


Hoje eu queria me esconder da dor de estar vivo. Me eximir do tributo a ser pago por viver entre mortais. Hoje eu queria me entocar em um esconderijo, lamber minhas feridas, repousar de tudo o que me mata.

Hoje eu queria um fim para a agonia. Um anestésico para a alma. Um lenço para a lágrima. Uma sutura para os cortes invisíveis que carrego em agonia, uma festa para o cadáver que carrego dentro de mim... um fim, derradeiro, terminal e completo fim.

A dor de viver enquanto se esvai a alma em terrores que ninguém vê está emoldurada em uma parede encardida em um quarto nos fundos de uma casa decrépita em um bairro isolado de periferia sob o título de "frescura". Ninguém vê, ninguém se importa, ninguém dá a devida atenção. É a miséria humana, a tragédia silenciosa que aflige a humanidade, é a tristeza condensada em sua mais pura forma.

O mundo é um lugar inóspito, frio e cheio de pessoas que gostam de ferir. Há aqueles que aprendem a ferir em retribuição, há aqueles que se resignam em sofrer em silêncio e aqueles que com medo do ferimento matam quem tenta se aproximar. Que cansaço é o mundo e todos que nele estão. Tudo é tão difícil...

27 de março de 2014

DEPRESSÃO E O DEMÔNIO DO MEIO DIA

Sorrowing Old Man ('At Eternity's Gate')
Vincent van Gogh


As suas viúvas mais se multiplicaram do que a areia dos mares; trouxe ao meio-dia um destruidor sobre a mãe dos jovens; fiz que caísse de repente sobre ela, e enchesse a cidade de terrores. A que dava à luz sete se enfraqueceu; expirou a sua alma; pôs-se-lhe o sol sendo ainda de dia, confundiu-se, e envergonhou-se; e os que ficarem dela entregarei à espada, diante dos seus inimigos, diz o Senhor.
Jeremias 15:8-9

Van Gogh foi um dos artistas que melhor expressou a depressão em pinturas, e juntamente com Edvard Munch (O Grito) produziu alguns dos quadros mais icônicos sobre essa condição. Mas o que isso tem a ver com as escrituras afinal?

Lendo Jeremias 15 ontem me deparei com o texto acima, e lendo também um interessante estudo sobre o significado do meio-dia na Bíblia, constatei que de fato esse horário era tido como um horário um pouco sinistro de acordo com a Bíblia. Era a hora mais clara do dia, e ao mesmo tempo a mais inesperada para que coisas ruins ocorressem. E como elas ocorreram! Deus demonstra assim que o mal não escolhe hora.

No trecho acima citado Jeremias profetizava contra o povo de Israel devido a suas constantes transgressões contra Deus. A arrogância e prepotência do povo judeu naquela época os levava a uma atitude meramente religiosa e pagã, o que fizeram Deus a castigá-los e dar a eles o pagamento por seu comportamento (mesmo sofrendo por ter que ser duro com seu próprio povo, seus filhos): "Tu me deixaste, diz o Senhor, e tornaste-te para trás; por isso estenderei a minha mão contra ti, e te destruirei; já estou cansado de me arrepender - Jeremias 15:6".

O termo "demônio do meio dia" é análogo à depressão, como muitos sabem (o livro "O Demônio do Meio Dia" de Andrew Solomon é uma leitura extremamente esclarecedora quanto a doença). Mas o que significa afinal o mal ocorrer ao meio dia, ou melhor, o "Destruidor" ser trazido ao meio dia?

Fazendo uma ponte com o texto em Jeremias, fica claro que há alguma ligação com o que hoje conhecemos como depressão. "A que dava à luz sete se enfraqueceu; expirou a sua alma; pôs-se-lhe o sol sendo ainda de dia, confundiu-se, e envergonhou-se".

Na depressão o sol se põe ao meio dia, nos enfraquecemos, ficamos confusos... não é a mesma coisa? Além disso a depressão é um inimigo que surge mesmo às claras luzes de um sol a pino de meio dia. E é implacável. Só os que sofreram com ela direta ou indiretamente sabem de sua capacidade devastadora.

Ao contrário do que muitos ignorantes (no sentido de ignorância sobre o tema) afirmam, não há como evitar a depressão. Algumas pessoas são pré-dispostas a ela naturalmente, e podem aprender a evitá-la por algum tempo com algumas atitudes e terapia, mas nunca o tempo todo. Não é um estado no qual a pessoa se coloca, mas é um buraco aonde se cai e de onde é difícil sair. E quando se sai do buraco, volta e meia acabamos caindo ali de novo, porque como nas ruas brasileiras, os buracos continuam abertos.

As vezes sabemos onde estão estes buracos e aprendemos a evitá-los (situações que nos deprimem) mas muitas vezes não temos escolhas e somos obrigados a passar por eles e resistir - ou não - como pudermos. Situações políticas, econômicas e sociais que nos deprimem são mais difíceis de se evitar do que uma música triste ou uma pessoa irritante, porque evitar tais coisas não estão ao nosso alcance, não estão dentro de nossos poderes. Temos então que aprender a deixar isso passar por nós como vento, sem absorver aquilo, sem deixar que nos atinja.

Para isso vale uma série de coisas: rituais próprios diários como escutar músicas que goste ou fazer atividades físicas, terapia, uso de medicação antidepressiva, ou a boa e velha (e cada vez mais difícil) mudança de vida (para melhor).

No texto de Jeremias, Deus diz que envia o destruidor a aquele povo, mas termina o capítulo com uma promessa, uma esperança de redenção - algo que Ele, em sua infinita sabedoria e amor sempre nos dá.

Portanto assim diz o Senhor: Se tu voltares, então te trarei, e estarás diante de mim; e se apartares o precioso do vil, serás como a minha boca; tornem-se eles para ti, mas não voltes tu para eles. E eu te porei contra este povo como forte muro de bronze; e pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo para te guardar, para te livrar deles, diz o Senhor. E arrebatar-te-ei da mão dos malignos, e livrar-te-ei da mão dos fortes.
Jeremias 15:19-21

18 de março de 2014

CONTAMINAÇÃO CULTURAL DA INTERPRETAÇÃO DA LEI

“O Batismo de Jesus Cristo”
Aert De Gelder
Olhar algo do passado com os olhos do presente sempre gera novas (e nem sempre corretas) interpretações. O quadro de Aert De Gelder nunca teve nenhuma interpretação diferente daquela que ele planejou, não até o ano de 1947, quando ocorreu o incidente com Kennet Arnold e a consequente inauguração da ufologia moderna, ou mais precisamente não até o surgimento da teoria dos alienígenas ancestrais em 1968 com o livro "Eram os Deuses Astronautas?", que aliás surgiu apenas devido os eventos de 1947.

De repente o disco celeste, iconografia recorrente aos artistas do período da obra para representar o divino, virou um disco voador - mesmo que seja obvio que o artista nunca esteve presente no evento, ocorrido milênios antes, ou sequer tenha afirmado ter alguma revelação divina sobre a ocasião.

A simples aparência, diante de informações atuais pós eventos de 1947 e 1968 ganhou um novo significado que não era em nada aquele que o artista desejava expressar. E este é um dos melhores exemplos de como a contaminação cultural temporal pode ocorrer, gerando novas interpretações do antigo sob a ótica do novo, mas sem um critério muito bem estabelecido além do simples empirismo.

Sem um estudo de contextualização, uma representação pode ser entendida de forma totalmente incorreta, levando uma peça que representaria um inseto ser reinterpretada como prova de tecnologia alienígena no passado por exemplo.



Engana-se aquele que julga que tal fenômeno é recente. De fato, a Bíblia demonstra que isso já ocorria, e com a própria Lei divina revelada por meio de Moisés. O que me leva a pensar se não seria isso um vício de pensamento humano, algo recorrente em nosso modo de pensar que o método científico, quer de uma forma ou de outra, pode de fato ajudar a solucionar.

Em mais uma pregação do meu pastor - Rubens Santos, titular da Igreja Batista Memorial do Centenário em Campinas – uma mensagem bastante interessante nos foi apresentada, ainda uma continuação das bem-aventuranças (Mateus 5).

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.
Mateus 5:21-22

Jesus mostra neste trecho que a lei era interpretada de uma forma muito dura e pesada pelo sistema religioso, de tal forma que nem os mestres da lei podiam cumprir. Em suma: a interpretação da lei era muito pesada, em demasia. Mas por que? Como se chegou a isso?

A lei foi manipulada, tornando-se não a vontade de Deus para o povo, mas sim numa mera tradição. Tornou-se em uma manifestação cultural passada de geração em geração (Ouvistes que foi dito aos antigos), mas durante as eras esse conhecimento foi interpretado e reinterpretado de acordo com as mudanças culturais pelas quais a sociedade judaica passou, algo totalmente fora da vontade de Deus e fruto do pecado do próprio povo - um desvio imenso da rota que Deus havia planejado para a salvação do ser humano. Mas quais mudanças foram essas?

Houveram inúmeras mudanças em Israel entre a revelação da Lei por meio de Moisés e a vinda de Jesus Cristo. Inúmeras misturas e choques culturais ocorreram devido às constantes invasões pelas quais o povo passou - persas, babilônios e romanos sendo os de maior destaque. As próprias sinagogas surgiram neste contexto de exílio e dominação, já que nestas ocasiões o povo judeu não tinha acesso ao Templo, seu local tradicional de adoração e sacrifício.

Sob inúmeras formas os judeus e toda a sociedade israelense sofreu severas mudanças de pensamento diante tantas dominações, e a forma como compreendiam inúmeras coisas foi alterada pouco a pouco. 

Jesus deixa claro não só nessa passagem como também em todos os seus ensinamentos que Deus não exigia e nem exige aquele peso compreendido por eles incorretamente - de acordo com suas tradições que sequer eram questionadas. Por que se a lei fosse segundo aquela compreensão, seria impossível de ser cumprida.

Jesus por outro lado explica o real significado da Lei, sendo portanto o filtro que todos nós precisamos para compreendê-la adequadamente - daí o termo "analisar o antigo testamento sob a ótica do novo" faz sentido.

Quando Jesus fala "eu porém vos digo" é o momento em que ele faz a "tradução" do que Deus realmente quer dizer com determinado trecho da Lei, seu verdadeiro princípio e significado, o verdadeiro espírito da lei. Há neste instante um RESGATE do significado da Lei.

Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou.
1 João 2:6

Esse trecho de 1 João diz que devemos viver como Jesus viveu. A esperança futura de sermos como  Ele - nosso alvo, nosso objetivo máximo - pode ocorrer de fato aqui e agora pois fica claro que devemos ser moralmente semelhantes à Jesus nas atitudes do dia-a-dia! Jesus deixou claro que Ele não veio para negar a Lei, mas para cumpri-la (como visto neste post). Não a lei interpretada de acordo com a visão distorcida da cultura humana, mas sim na sua mais sublime e pura essência: amor.

Cada momento e experiência de vida nos transforma e nos molda. Devemos trabalhar para orientar esta mudança em direção a Jesus.

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Romanos 8:28-29

Ao contrário que muitos pensam, isso não é um peso, mas sim um enorme e revigorante estímulo! A compreensão de que isso é um processo e que nenhuma mudança ocorre da noite pro dia exige de nós apenas humildade, pois afinal a mudança vêm por nossa mera vontade e persistência em permitir verdadeiramente que o Espírito Santo, a inspiração divina, nos mude de dentro para fora.

Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.
2 Coríntios 3:18

As pequenas vitórias morais do dia a dia, como deixar de cobiçar um bem de outra pessoa, ou deixar de cobiçar uma mulher fora do casamento, ou deixar de ludibriar alguém em algum negócio, ou deixar de fazer o mal por negligência direta e consciente ou ação direta nos moldam pelo significado que elas ganham ao orientarmos isso tudo à santificação diária (fazermos o bem deixarmos de fazer o mal por amor a Jesus e a Deus), e não são destruídas pelas nossas falhas - que ocorrerão, pois somos todos pecadores.

Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.
1 Pedro 2:21

11 de março de 2014

INSENSIBILIDADE DE UM FALSO SAMARITANO

O Bom Samaritano
Ferdinand Hodler

E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.
Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.
Lucas 10:30-37

A passagem do Bom Samaritano é uma das mais marcantes da Bíblia para mim por manifestar uma das principais características que um cristão genuíno tem: a caridade e o comprometimento com o próximo. Essa passagem é direta e prática, carregada de ensinamento e significado, simples... mas absurdamente difícil de ser aplicada no nosso dia a dia.

O "não ajudar a quem parece precisar de ajuda" é um comportamento natural na nossa sociedade, pois muitos espertalhões folgados e mal intencionados se aproveitam da situação para se fazerem de coitados e praticar desde a mendigagem desnecessária até roubos e chantagens. Você provavelmente já passou por isso, tenho certeza.

Mas e quando é claro que uma pessoa precisa de fato de ajuda e você, desacostumado a praticar esse tipo de amor, ignora, olha pro outro lado, se esquiva? Eu passo muito por isso, e todas as vezes me sinto um idiota porque eu devia ter o desprendimento de ser caridoso, de ajudar, de me envolver. Todos nós devíamos. E não por sentimento de culpa - que é usado por muitos para arrancar uma "caridade" sua - ma sim pelo amor e sincero desejo de ajudar um ser humano. Um ser humano! Um ser para o qual desaprendemos a amar.

Estes dias eu estava indo almoçar, e na porta do restaurante havia um morador de rua sentado, meio acabado, olhando para o infinito. Pensei se ele queria algo para comer, mas fiquei com medo de perguntar. Medo dele querer conversar comigo ou de que ele me visse como um salvador e ficasse sempre atrás de mim para dar comida a ele? Medo de me tornar responsável por ele em algum grau? Não importa, foi apenas medo. Mas por que eu não tenho mais medo do fato de não cumprir a vontade de Deus?

Veja bem, não foi pelo dinheiro: uma marmita naquele restaurante seria barata de pagar. Então por que eu não fui lá, perguntei pra ele se ele queria uma marmita? Por que fui omisso?

E esse é só mais um exemplo da minha babaquice e auto-engano. É uma barreira que não consigo quebrar, e assim vou agindo como levita ou como sacerdote... sem me sujar, sem me envolver, sem amar.

Esse post não contém nenhuma reflexão - o ensinamento que Jesus deu ao falar essa parábola é claro como cristal. Este post é apenas um desabafo e um reconhecimento do meu pecado e da percepção - antiga - de que eu preciso mudar e melhorar, não apenas - mas ainda sim - nisso.

Assim, como um falso samaritano, finjo ajudar, finjo me importar, finjo ser o que não sou mas devia ser, e tento me enganar quanto ao estado deplorável que é minha moral e minha ética.

7 de março de 2014

O CUMPRIMENTO DA LEI

Justice and Divine Vengeance Pursuing Crime
Pierre-Paul Prud'hon

Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim obrigar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
Mateus 5:17-20

Em mais uma pregação do meu pastor - Rubens Santos, titular da Igreja Batista Memorial do Centenário em Campinas – uma mensagem bastante interessante nos foi apresentada, ainda baseada nas bem-aventuranças (Mateus 5), na verdade em sua continuação.

Jesus coloca-se mais uma vez como O exemplo. Ele demonstra em sua vida que sua justiça é a própria justiça moral de Deus em toda a sua amplitude. O próprio Pilatos reconheceu esta justiça e a falta de qualquer culpa que Jesus poderia ter, tornando portanto o ato do sacrifício da cruz algo de profundeza espiritual infinita como pode ser visto adiante..

Jesus disse no trecho acima citado que veio para cumprir a Lei e não para anulá-la. Não sei você, mas para para mim o fato de que a Lei não podia ser cumprida por ninguém (apenas por Ele próprio) e ao mesmo tempo Ele dizer que nós devemos ser como Ele (imitá-lo inclusive no cumprimento da Lei) causa uma (falsa)  sensação de contradição.

Primeiramente é preciso entender o que é "a Lei". A Lei são as "regras, deveres e privilégios" espirituais ensinadas pelo sistema religioso de Israel na época e até os dias atuais dentro da religião judaica (e cristã). Tal "Lei" era pesada demais para os judeus (e cristãos) devido a própria interpretação que os "doutores da Lei" (clero) davam a elas. Resumindo: os fariseus ensinavam interpretações falhas (humanas) das escrituras, exigindo um comportamento dos fiéis, comportamento que eles próprios não eram e não são capazes de cumprir.

Cientes disso, nos fica claro que a doutrina que Jesus trouxe não era diferente - não houve mudança da "Lei". Ela apenas foi despida da sua interpretação falha, humana e cheia de peso, culpa e julgamento. Jesus a mostrou segundo sua verdadeira natureza, ou seja: segundo a verdadeira intensão de Deus. Não a toa Jesus fala que seu julgo era leve: Ele demonstra que seguir a Lei não é difícil como somos levados a crer, ficando sua dificuldade e peso atribuídos às interpretações falhas criadas pelo sistema religioso.

Jesus portanto não descumpriu a Lei mesmo em situações em que fariseus acharam que sim, como nos casos de pegar espigas e curar pessoas no sábado. Jesus demonstrou nestas passagens que a prática do bem e do amor nunca descumprirem a Lei, pelo contrário, cumprem-na. Esta é a verdadeira Lei: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Entendimento, cordialidade, paz, justiça, respeito. Tudo isso e muito mais.

Jesus cumpriu esta Lei na sua plenitude, realizando a vontade de Deus e dando sua vida pelo próximo, que somos todos nós. Jesus uniu assim o velho e o novo testamento, pois só Ele pode cumprir a Lei plenamente.

Tendo em mente que a Lei apresentada no Antigo Testamento é doutrinária (pois ensina a vontade de Deus), profética (pois revela a existência de Deus e a salvação do homem de seu pecado) e moral (ensina o comportamento que os filhos de Deus tem por natureza), fica claro que Jesus não rompe com o Antigo Testamento, mas sim o reinterpreta da maneira pura, sem a cultura do homem associada, como visto na carta de Paulo aos Hebreus.

Jesus é assim a continuidade da conversa que Deus começou com a humanidade no antigo tratamento. Desde o Gênesis a doutrina da salvação é a principal mensagem das escrituras, assim como o espiamento dos pecados pelo sacrifício de um inocente (o surgimento do sistema sacrificial), que por sua vez é plenamente cumprido em Jesus, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Jesus é de fato O exemplo. Ele cumpriu todos os preceitos éticos dados por Deus, como amor, bondade, sacrifício e amizade. Por meio dEle, fica claro que nosso relacionamento com Deus se resume em estabelecer um novo padrão de vida diante do Pai, um padrão segundo sua vontade.

25 de fevereiro de 2014

QUE LUZ SOU EU? SEM ESPAÇO PARA A CULPA

"José o Carpinteiro"
de Georges de La Tour
http://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_the_Carpenter
Em mais uma pregação do meu pastor - Rubens Santos, titular da Igreja Batista Memorial do Centenário em Campinas – uma mensagem bastante interessante nos foi apresentada, ainda baseada nas bem-aventuranças (Mateus 5), na verdade em sua continuação.

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.
Mateus 5:13-16

Há uma conotação, dada pela igreja de forma geral, que diz que DEVEMOS SER sal e luz, e de que exista uma obrigação em sermos assim. Mas o texto não nos conclama a uma obrigação, mas sim a uma natureza: não nos tornamos, já somos.

Somos desafiados pelas pessoas a sermos sal e luz, em uma interpretação equivocada de que devemos nos ater a conter nossos impulsos, a não olharmos e darmos vazão às oportunidades para cometer o mal e aquilo que não é a vontade de Deus. Bem, é isso, mas muito mais e ao mesmo tempo mais simples. É se comportar e ter atitudes que vão contra a cultura humana do egoísmo e submissão pelo uso da força. É se preocupar com o próximo, respeitar o ser humano, agir com bondade, com calma e paciência. É ser equilibrado e justo, buscando o bem comum. É amar.

O conceito de ser sal e luz está logo após os versículos das bem-aventuranças, e não são um novo assunto mas sim uma complementação (ou conclusão) das próprias bem-aventuranças que Jesus falava anteriormente, que são as qualidades do Reino de Deus manifestas em nós e por nós. Não há portanto uma obrigação em ser sal e luz, mas sim uma constatação de que uma vez aceitando Cristo, já somos sal e luz, sendo este sal e luz manifestações da nossa nova natureza como salvos.

E ai me pego nos dias atuais, onde ando sem a menor paciência e a irritação me domina, por um monte de razões que diante de Jesus Cristo não são justificativa alguma.

Uma mulher muito sonsa parou o carro na entrada do meu prédio, bloqueando entrada e saída de veículos (e eu estava tentando chegar em casa, com o dedo dolorido de uma cirurgia e cansado após um sábado inteiro estudando em minha pós graduação), para deixar um papel na portaria. Ela foi se arrastando, e demorou bem mais do que 3 minutos, pegando e depois colocando os papéis no porta-malas do carro. Acabei gritando com ela e minha vontade era de ver o sangue dela escorrendo pelas ruas.

Alguns dias depois, em casa, desejei em voz alta o mal aos proprietários da academia que fica de frente com meu prédio e com a qual tenho sérios problemas, por fazerem imenso barulho todos os dias até as 21h. Minha esposa mesmo me olhou com receio e me disse: "olhe bem o absurdo que você está falando".

Fiz exatamente o oposto do que Deus espera de mim., para minha vergonha e desserviço ao Reino.

Não me vejo como sal e nem como luz. Não vejo em mim as qualidades da nova natureza que eu deveria ter adquirido. Não vejo em meu proceder a mudança que dizem que apenas Jesus promove. Se todas essas mudanças no entanto só ocorrem por meio do poder de Cristo, só posso supor que eu nunca o aceitei verdadeiramente - o que me deixa em maus lençóis pois não sei de que outra forma eu deveria aceitá-lo então - ou as mudanças já ocorreram em mim e eu sou incapaz de reconhecê-las.

Há ainda uma terceira hipótese, e penso, seja a mais obvia.

Não sou um idiota. Sei que todos os crentes tem explosões como estas e que todos somos pecadores e que todos falhamos e iremos falhar até nossa ida para a Glória do Senhor, e que nossa vida cristã é essa luta constante pelo aperfeiçoamento no Senhor. Me incomoda muito não conseguir ter o domínio próprio que sempre julguei ser marca registrada do crente, o comportamento manso, o amor incondicional e o proceder virtuoso que faz com que as pessoas vejam Cristo vivendo por meio daquela pessoa. Mas acho que esse é o ciclo natural da vida cristã:

Deus nos aperfeiçoa durante todas as crises pelas quais passamos. Falhamos miseravelmente na maior parte do tempo, no início da nossa caminhada, e a consciência de Cristo surge então para nos confrontar, não como um dedo acusador que demonstra "você pecou" mas sim um abraço amoroso que diz "vá e não peques mais" pois o trabalho de acusação já é feito perfeitamente por nós mesmos, pelas pessoas a nossa volta e pelo próprio Satanás, nos esmagando em culpa.

Caminhar com Jesus é um aprendizado, uma evolução, uma mudança gradual em nós rumo ao formato de Cristo. Tudo nesse mundo é temporal, as coisas não ocorrem imediatamente e toda obra leva seu devido tempo. Deus construiu nossa realidade física dentro destes princípios, e mesmo tendo todo o poder para agir fora dessas regras, acho que Ele não faria isso, pois tais regras tem sua razão de existir.

Me incomoda ver como eu devia ser e constatar no quão longe estou de me aproximar dEle, e entristecê-lo, e não conseguir demonstrar por meio da minha vida a verdade que Ele é, e com isso, desestimular pessoas a se aproximar dEle por acharem que, por falhar, eu não creio ou aquilo em que creio é falso.

Não pretendo desistir daquele que nunca desistiu de mim. Porque eu sei que essa é a vontade do Senhor: não que eu peque, mas que eu me deixe mudar, dia a dia, pela percepção de meus pecados e de como meu proceder deveria ser. E se hoje sou uma luz pálida, uma chama frágil que tremula na escuridão e que muitas vezes parece não iluminar nada, sei que Deus está ao meu lado e sempre buscará alimentá-la para que se torne cada vez mais brilhante.

17 de fevereiro de 2014

A PERSEGUIÇÃO PELA ÓTICA DAS BEM-AVENTURANÇAS

William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)
"The Remorse of Orestes" (1862)
obtido na wikipedia

Meu pastor - Rubens Santos, titular da Igreja Batista Memorial do Centenário em Campinas – vem expondo uma série de pregações sobre as bem-aventuranças (Mateus 5) , destacando como elas são características do crente, e não comportamentos que devemos buscar de forma artificial. A mudança vem de Deus, afinal.

Alguns domingos atrás ele falou sobre a perseguição, e tomei notas sobre o que foi falado por achar o assunto extremamente pertinente aos crentes em Jesus, e a mim mesmo especialmente.

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" Mateus 5:10

Há uma interpretação normalmente equivocada com relação e este versículo. Muitas pessoas pensam que simplesmente por serem crentes, qualquer perseguição que sofram em suas vidas é uma perseguição “por causa da justiça”. E isso é um erro.

A perseguição citada nos versículos não ocorrem devido a decisões próprias da pessoa,  ou devido a equívocos e erros nossos, à más ações e problemas criados por nós mesmos.

Na ótica das bem-aventuranças não somos perseguidos por nosso fanatismo religioso ou por nosso fundamentalismo, nem por sermos puritanos e arrogantes por nos acharmos donos da verdade, juízes da humanidade e impositores de doutrinas.

Todas essas coisas geram perseguição contra nós,  mas esta perseguição não ocorre por causa de Cristo, mas sim por nós mesmos.  Perseguição nesse sentido (fora das bem-aventuranças e do significado bíblico) é decorrente de um ato particular e pessoal, uma resposta natural a uma causa natural, e não caracteriza a dita perseguição “por causa da justiça” de forma alguma.

Doenças, perseguições políticas, bullying, assédio moral no trabalho e preconceito racial, sexual e religioso estão nesta mesma categoria. É algo que ocorre com qualquer pessoa, seja ela crente ou não.

A perseguição citada nas bem-aventuranças diz respeito a uma perseguição muito clara: perseguição por ser cristão. Entenda bem: por SER CRISTÃO, e não por se declarar ou achar que é cristão. Por ter o comportamento de Cristo de fato! Por sermos pessoas que buscam a Deus genuinamente, que se comportam conforme a vontade de Deus verdadeiramente, ou seja,  ocorre com aqueles que SÃO conforme o coração de Deus.

A perseguição ocorre com aqueles que entendem o que significa amar a Cristo, e que o amam totalmente. Este amor gera um comportamento que por sua vez gera a perseguição, “um comportamento de justiça”. Somos perseguidos por sermos diferentes do mundo, por sermos como as bem aventurança revelam que o crente deve ser (e não emular). Mas por que?

O comportamento genuinamente  cristão incomoda as pessoas que não são cristãs. Elas não suportam ver um comportamento genuinamente cristão pois isso demonstra a elas com elas mesmas estão afastadas de Deus, e do que podem ou estão perdendo.

Esse comportamento não é um comportamento meramente caridoso e benevolente. Diversas pessoas não crentes são boas e caridosas, realizando importantes trabalhos, melhorando a vida de várias pessoas em nossa sociedade em uma atitude que precisa ser estimulada. Na verdade o que incomoda as pessoas e gera a perseguição é meramente o relacionamento pessoal e afetuoso que um crente tem com Jesus. A segurança que ele tem sobre as certezas que só Deus trás, a fé, a esperança, o ato de entregar a vida a Deus, de ser como as bem aventuranças falam que o crente é. O ato de viver debaixo da graça de Deus e crer de todo coração.

Enfim, como crentes devemos ser diferentes do mundo. Autênticos, nunca falsos no comportamento. Crentes de coração. Isso trará perseguição sobre nós, mas como dito nas bem aventurança:

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" Mateus 5:10

17 de outubro de 2013

THE BIBLE 1 - ABRAÃO


Ontem teve início, na Record, a exibição nacional da minissérie “The Bible”, uma produção moderna da TV norte-americana que visa exibir as principais passagens das escrituras da melhor forma possível, visto que exibir tudo o que as escrituras trazem em episódios de uma hora de duração é algo humanamente impossível.

Assim, dividido em 10 episódios, a série começa mais ou menos pelo início, com a primeira aliança que Deus faz com um homem, a saber, Abrão (mais adiante renomeado para Abraão).

O interessante é que, com uma boa produção, ver a mesma história na TV leva a outros tipos de reflexão. A primeira delas é que nem todos naquela época eram crentes. É interessante observar que muitas pessoas descritas na Bíblia sequer acreditavam em Deus, e muitas eram crentes nominais, que se revelavam quando um problema real surgia e sua fé precisava ser praticada.

Abraão fala a sua família que Deus falou com ele (prometendo terras e descendência). A reação dos atores foi interessante, demonstrando a descrença deles diante do exposto. Deus? Por que Deus falaria com ele? Estraria Abraão louco?

Descrentes, ainda assim o seguiram, provavelmente por ser ele um líder. Logo houve diversas divisões e dores devido basicamente a falta de fé daqueles que com ele estavam. Inclusive sua esposa, Sara, arrumou sua serva Hagar para ter um filho com Abraão e depois se comportou de forma ciumenta e magoada, inclusive fazendo Abraão mandar a mulher e o filho embora, para o deserto, após Isaque nascer.

Depois disso, quando Isaque cresceu e Abraão foi impactado pelo pedido de seu sacrifício por Deus, e ele levou o garoto disposto verdadeiramente a sacrificá-lo, mesmo com profunda tristeza e sofrimento por ter que matar seu único filho – uma apologia ao sacrifício que o próprio Deus faria séculos depois por meio de Jesus – Abraão demonstrou fé ao realmente estar pronto para tal ato, do qual foi poupado por Deus em cima da hora.

E ai, outra reação que julgo bastante humana demonstrada pelos atores, foi que Sara sentiu ódio de Abraão por ele ter estado disposto a matar seu único filho em sacrifício a Deus. Não sei se ela teve maturidade espiritual para entender o que Abraão fez ali, mas a alegoria é interessante.

Quando ouvimos a voz de Deus (ou seja, quando lemos as escrituras, oramos, descobrimos a sua vontade para nossas vidas e passamos a nos comportar segundo esta vontade) as pessoas a nossa volta acham que estamos loucos, que somos estúpidos. É a loucura da salvação citada por Paulo.

E então, quando sacrificamos aquilo que mais amamos – quando conseguimos – por ser o correto perante Deus, algumas pessoas nos odeiam, mesmo as mais próximas.

Assim, a história de Abraão me fez refletir que nossa relação com Deus é de fato pessoal, e não pode depender do entendimento de ninguém externo. Não se deve esperar que entendam, nem que aceitem, nem que nos sigam, nem que nos amem. É impossível agradar a Deus e aos homens ao mesmo tempo. E disso seria falado mais adiante nas escrituras, que não podemos ter dois senhores.

O próximo capítulo será sobre Moisés. Espero conseguir assistir. Creio que novas reflexões surgirão, já que a minissérie realmente é muito boa.

23 de setembro de 2013

DEPENDÊNCIA DE VIDA


Nos últimos meses tenho tido muito estresse e tenho andado muito ocupado com trabalho e pós-graduação. Mas ao mesmo tempo, tenho tido oportunidade - dada por Deus, disso tenho certeza - de ler a Bíblia diariamente, usando um aplicativo para Android muito bacana chamado YOUVERSION.

Um dos motivos do porque não tenho escrito aqui com frequência é essa essa situação, mas hoje consegui vencer as tarefas para escrever uma impressão sobre o que li hoje. Na verdade, tenho tido vontade de escrever todos os dias para expor o que aprendi de Deus e de Jesus com o que ando lendo, mas o tempo anda bastante curto e a energia mental, baixa. O fato é que tenho andado exausto, mas sei que Deus me nutre, e isso me impede de parar ou até mesmo de entrar em depressão novamente.

Ler a palavra de Deus é fundamental, assim como orar e se deixar mudar por Deus, tendo um comportamento que o agrade, que o declare por meio de ações, que é amar as pessoas de inúmeras formas, das mais óbvias as mais sutis e improváveis.

A oração é meu momento de conversar com Deus - pedir perdão, pedir forças para ser como Ele sabe que eu devo ser, força para superar pecados e dificuldades, para dar graças, para interceder por outras pessoas e por qualquer outro motivo. Já o ler a Bíblia é meu momento de aprender e ouvir de Deus, de entender por meio das escrituras a vontade dEle, de apreciar o que Jesus fez e ainda faz por nós, e de como isso me afeta pessoalmente, seja internamente em minhas bases emocionais e psicológicas, seja em minhas capacidades comportamentais e sociais.

Ler a Bíblia por si só não salva ninguém. Não há nenhum poder místico no ato da leitura, e mutas pessoas que conhecem as escrituras de cabo a rabo provavelmente irão para o Inferno porque uma coisa é ler e a outra é deixar a Palavra entrar em seu coração e deixá-la nutrir sua vida, transformando-o à imagem de Cristo. Satanás é doutor das escrituras. Mas isso não tira a importância das escrituras e da necessidade fundamental que estudá-las representa.

Hoje, lendo João 6 vi Jesus falando palavras consideradas pesadas por alguns discípulos (versículo 60) que logo em seguida o abandonaram. As palavras, conhecidas, são as seguintes:

Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
João 6:53-56

A mensagem de Jesus não tinha nada de canibal, como muitas pessoas gostam de brincar a respeito de forma nada decorosa, ou por um entendimento ao pé da letra como muitos naquela ocasião manifestaram incorretamente.

Comer a carne e beber o sangue de Jesus é se alimentar da própria vida de Cristo. É ler a Bíblia? Não. É ler a Bíblia e aceitar a Cristo ali pregado. É deixá-lo ser o Senhor da minha vida no sentido de ser meu alvo e objetivo e guia. É entender que, assim como nosso corpo precisa de carne e sangue para viver, nossa alma imortal precisa da carne e sangue espirituais de Jesus - seu exemplo, seu sacrifício, seu ensinamento, sua existência - para o mesmo propósito, porque só isso pode nutrir meu corpo espiritual. É aceitar o sacrifício do Cordeiro de Deus e nos alimentar dEle como nosso Cordeiro Pascal. É entender que sem essa carne e esse sangue, sem essa comida e bebida, NÃO PODEMOS VIVER.

E esse alimentar nos transforma. Assim como um alimento fortalece nosso corpo, esse alimento fortalece nossa alma, nossa mente no intuito de fazermos escolhas de acordo com a vontade de Deus, buscando seu querer. Essa é a vida cristã. Essa é a batalha que travamos cotidianamente, contra os principados e potestades, contra o príncipe desse mundo, e contra nossa própria carne decaída e nosso ego, contra o descrédito que muitos tentam nos imputar, contra as dúvidas que tentam nos gerar, contra a dor que tentam nos infligir, contra o mundo que insiste em catalogar Deus como um simples objeto filosófico, invertendo a ordem entre criador e criação.

Eu preciso de Jesus para viver, não apenas espiritualmente, mas carnalmente, essa vida aqui, por meio da qual posso falar dEle e buscar a vontade dEle para mim. E sem a carne e o sangue de Jesus para me alimentar, sem o sacrifício de amor dEle se entregando por cada um de nossos pecados, eu já teria sido consumido, se não pela morte e pelo inferno, por meu próprio ego.

2 de abril de 2013

A GUERRA SANTA MODERNA

Uma acusação séria, mas no meu entender, improcedente

Discussões acaloradas, bate boca, irritação, divisão. Tudo o que mais odeio na raça humana tem infestado a Internet há muito tempo, mas vem se intensificando muito nos últimos meses. Isso porque o ser humano é puro ego e quer estar sempre certo, não quer se submeter a nada e nem a ninguém, muito menos em termos filosóficos. Cada um vê a vida de uma forma, cada um deseja vivê-la como bem entender. Todos querem estar certos. Mas para sentirem-se certos, precisam que todos a sua volta comportem-se da mesma forma. O certo é o que todo mundo faz, certo?

A Bíblia diz que não. Multidões exaltaram Jesus em sua entrada em Jerusalém, e a mesma multidão, poucos dias depois, pediu por sua crucificação. A multidão é portanto volúvel e manipulável desde a antiguidade, e confiar nela é como confiar suas posses aos políticos ladrões.

Mas como muitos acham que o certo é o que a maioria faz, manipular a massa para uma dada ideia, preconceito ou comportamento é fundamental, e para pessoas com dinheiro, poder e conhecimento, é algo relativamente simples. Os mecanismos usados para isso são os mesmos desde sempre:

  • Falta (restrição) de informação indesejada e isenta
  • Manipulação da pouca informação que chega até as pessoas
  • Uso das paixões e medos (e preconceitos previamente criados inclusive) das pessoas para potencializar a ação da informação manipulada


Diferenças de idéias é algo que existe desde o início dos tempos, e esse planeta já bebeu muito sangue devido a conflitos decorrentes da falta de capacidade que o ser humano tem de conviver e respeitar diferenças. Não há inocentes nessa história: qualquer um dos lados comeria o outro se tivesse oportunidade.

O que vem ocorrendo no Brasil e no mundo é uma polarização de ideais, uma guerra ideológica que usa dos mesmos mecanismos acima citados como "armas de guerra". Dizem que os cristãos - especialmente nós de fé protestante, os genericamente chamados de "evangélicos" - tem síndrome de perseguição, mas no Brasil ao menos o que ocorre é exatamente isso: perseguição.

Uma guerra santa moderna está em andamento. Um preconceito imenso e generalizado toma conta da sociedade. Se uma pessoa no congresso é dita evangélica, e ela é uma má pessoa, não protestam falando que ele é uma má pessoa, mas sim protestam porque ele é evangélico, como se evangélico significasse imediatamente uma pessoa de mal caráter, fundamentalista, preconceituosa e atrasada. Você não vê isso ocorrer com um católico, ou com um espírita, ou com qualquer pessoa de qualquer outra religião.

Como exemplo, vou citar algo que vi hoje: um manifesto na Internet (coisa cada vez mais comum) com abaixo assinado pelo AVAAZ, que conclama as pessoas a se mobilizarem contra o PEC 99/11. Peço que leia ambos os links e note o "aumento" do problema pela declaração que está no AVAAZ. Lá ela afirma  que a aprovação da lei vai, na prática, levar ao fim do Estado Laico. Mas leia bem o que a PEC propõe, e veja se em algum lugar ela diz que isso vai ocorrer direta ou indiretamente.

O que a PEC propõe é, no meu entender, desnecessário. Mas está longe de ser o fim do Estado Laico. Ela apenas propõe algo que eu entendo já ser garantido pela Constituição, que é a de que qualquer um possa questionar a constitucionalidade de uma lei - ou seja, questionar perante o judiciário se uma dada lei fere alguma disposição constitucional prévia. A PEC apenas tenta garantir que entidades religiosas tenham o mesmo direito, o que para mim é redundante. Mas não é perigoso para o Estado Laico.

Entidades religiosas não poderiam chegar ao STF, portanto, e alegar que uma lei não pode ser validada por ir contra a Bíblia ou o Alcorão ou a doutrina espírita ou qualquer outra coisa. A única comparação que poderiam fazer seria com a própria Constituição, e esta garante o Estado Laico claramente, o que desvincula qualquer lei de atender demandas religiosas que vão além daquelas que garantem o direito de culto.


Mobilizações como esta citada no abaixo assinado me preocupam por causa disso: a maioria das pessoas não se dá ao trabalho de pesquisar e ler a respeito (eu mesmo deixo de pesquisar a maioria das coisas). Ir no site do Congresso e ler o texto da PEC nesse caso foi bem simples, mas as pessoas não leem e apenas assumem que a manifestação é legítima porque a mídia tem falado mal dos evangélicos das religiões e insinuado que estão tentando implementar uma ideologia fundamentalista no país, o que implica automaticamente na sensação de que a acusação é real e, portanto, devem apoiá-la baseado nos seus próprios preconceitos a respeito do assunto, independente do lado que normalmente apoie - religiosos fazem igual ou pior neste quesito infelizmente.


Para mim, ações como esta votação são no mínimo suspeitas.

Até que ponto mobilizações como essa são realmente preocupadas com a liberdade e bem-estar da sociedade? Até que ponto isso é apenas mais uma batalha fútil entre religiosos e laicos, batalhas que visam apenas criar mais divisão na sociedade e fortalecer preconceitos de ambos os lados?

Porque para mim isso tudo é cavalo de batalha apenas para este fim: criar barulho, gerar divisão entre o povo, desviar a atenção pública, desestabilizar a sociedade criando movimentos de interesses antagônicos e irreconciliáveis.

Eu entendo e defendo que o Estado Laico é necessário em uma sociedade plural como a nossa - eu não ia querer que uma religião, mesmo a minha, me obrigasse a fazer qualquer coisa por lei pois espiritualmente eu vivo pela graça de Jesus - mas quando tenho visto manifestações como essa eu tenho ficado com um pé atrás, porque no final das contas se uma religião qualquer questionar algo no STF, a palavra final será dos ministros e não dos religiosos, e espera-se que os ministros façam o que tem que fazer, que é aplicar a lei fria e pura, isenta de qualquer partidarismo.

O que me deixa mais inquieto é a sensação de que a sociedade quer negar aos evangélicos (e outras religiões quem sabe) de se manifestarem, de se fazerem representados e de opinar, de lutarem por certas leis, exatamente como eles tem feito. Querem isolar e exterminar ideologicamente o cristianismo porque incomoda. O que infelizmente é entendível, vendo o comportamento errático, hipócrita e falho dos "cristãos", principalmente daqueles que se dizem líderes e daqueles que se envolvem com a política. O mal testemunho tem matado o cristianismo como movimento mais do que qualquer coisa.

Finalizando, o capítulo 3 de 2 Timóteo sempre me retorna quando penso no porque das coisas serem como são. Creio ser explicação de Deus.

Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes.

São estes os que se introduzem pelas casas e conquistam mulherzinhas sobrecarregadas de pecados, as quais se deixam levar por toda espécie de desejos. Elas estão sempre aprendendo, mas não conseguem nunca de chegar ao conhecimento da verdade.

Como Janes e Jambres se opuseram a Moisés, esses também resistem à verdade. A mente deles é depravada; são reprovados na fé. Não irão longe, porém; como no caso daqueles, a sua insensatez se tornará evidente a todos.

Mas você tem seguido de perto o meu ensino, a minha conduta, o meu propósito, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perseverança, as perseguições e os sofrimentos que enfrentei, coisas que me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra. Quanta perseguição suportei! Mas, de todas essas coisas o Senhor me livrou!

De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Contudo, os perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus.

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra. 

2 Timóteo 3

11 de março de 2013

CONTANDO ATÉ 10

Quando eu era criança eu via muitos desenhos animados na TV. Não vou me lembrar em qual dele foi - Pica-Pau quem sabe - mas foi assistindo a estes desenhos que tive contato com essa história de "contar até 10" para me acalmar diante de alguma irritação. É uma lição importante para crianças e adultos. E fundamental para um convívio tranquilo.

Já passei por muitas situações de irritação, e em muitas delas acabei explodindo (tomando ações de externalização da frustração e descontentamento). Na maioria absoluta delas me senti muito mal depois porque percebi que não havia afinal motivos para ter ficado irritado para início de conversa. Ou seja, o problema era em mim e não na situação/pessoa que havia me irritado.

Não mando muito nas reações emocionais que tenho, mas mando nas reações racionais e conscientes  As emoções são muito mais poderosas no entanto, e tentam comandar as reações racionais - grite, reclame, seja grosso! Mas ai vem nossa força de vontade e sangue frio para nos controlar... e esperar.

Na maioria das vezes em que me segurei, e esperei por exemplo um dia, percebi o que disse antes: não havia razão legítima para me irritar. E evitei os problemas, mágoas e ferimentos que minha explosão teria causado. Analisando a mim mesmo, pude me conter, porque no final das contas esse é um dos únicos pequenos controles que temos nesse mundo - nosso comportamento, assim mesmo, bastante limitado de certo modo.

É claro que se conhecer é fundamental, e conversar é tão importante quanto. Se você convive com alguém que faz alguma coisa da qual você não gosta, que te irrita, mesmo que não seja nada errado, é sábio conversar com a pessoa e explicar o que ocorre, já que assim a pessoa pode te ajudar, quem sabe, evitando fazer aquilo, que como eu disse não era algo necessariamente errado para início de conversa - apenas te irrita. Ao mesmo tempo você passa a se esforçar para deixar de achar aquilo irritante, e ambos podem viver bem juntos.

Pensar desta forma é saudável, e já vivenciei bençãos por evitar falar diversas coisas a diversas pessoas simplesmente porque contei até 10.

Minha esposa por exemplo se esquece de muitas coisas, e isso me irritava muito. Depois que entendi que ela não faz por mal, e que o fato dela ter DDA e hiperatividade a impede de se lembrar de tarefas e compromissos como alguém dito "normal" (porque não há como estabelecer um critério de normalidade nesse caso) eu passei a ser mais tolerante, contar até 10, e muitas vezes antecipar os esquecimentos dela e avisá-la de compromissos, ajudando-a.

Recomendo muito que todos aprendamos a tolerância. O mundo carece muito dela. Uma matéria da revista Galileu diz que pesquisadores descobriram que a rejeição dói tanto quanto uma queimadura. Bater boca a troco de banana também deve machucar bastante a gente.

17 de outubro de 2012

SER HOMEM

Depois de assumir diante de uma pessoa meus erros e pedir perdão, a resposta que me veio foi para que eu virasse homem.

O primeiro sentimento foi de mágoa, depois de abandono (ninguém ficou do meu lado), mas depois veio a reflexão. O que é ser um homem afinal de contas? Quando digo homem, é ser masculino mesmo, excluo desta reflexão portanto as mulheres. Não sou mulher, nunca saberei o que é ser uma e nunca me atreverei a fazer qualquer comentário sobre isso. Assim como uma mulher nunca saberá o que é ser um homem e também deveria se abster de comentários a respeito.

Sejamos francos, nos dispamos da arrogância de nossa suposta sabedoria infalível, nos livremos de nossos pré-conceitos, de nossas "certezas", de nossa espiritualidade, de nosso egoísmo de achar que o que achamos é o certo e o que os outros acham é errado - o contrário também se aplica.

Isso inclui a todos os que dizem "não sou eu quem acha, é Deus, olhe o que diz a Bíblia". Meu amigo, pare. É claro que é o que você acha. Você interpretou o que está escrito na Bíblia com base nos seus conceitos pessoais, apenas isso, não fosse assim haveria apenas uma só igreja cristã no mundo e todos os cristãos pensariam da mesma forma.  O que você quer é ter o prazer pecaminoso de julgar. Todo mundo quer julgar a todos, o tempo todo. O mundo é pura loucura e se agarrar a pequenas certezas é tentar por ordem no caos e não pirar de vez. O que é melhor do que você ditar as regras?

Muitos dizem que um homem é um macho responsável, heterossexual, forte, firme, inabalável, justo, cortes, temente a Deus e crente fiel, santificado, honesto, amoroso, bondoso, másculo, perspicaz, equilibrado, participativo, que toma a iniciativa e é maduro em seus pensamentos e atitudes. Além disso é bonito, divertido, trabalhador, socialmente estimulante, cheio de amigos, influente, não tem vícios, nem problemas emocionais ou psicológicos, sabe liderar, é esforçado, higiênico e estudioso. Os adjetivos positivos podem ser complementados por você mesmo, leitor.

Ou seja: só é homem quem é perfeito.

Mas perfeito aos olhos do avaliador. Cada avaliador tem seus conceitos. Ser um homem para uma pessoa não é o mesmo que ser um homem para a pessoa ao lado. Portanto, o conceito de homem é absolutamente relativo.

Mas o que é ser um homem aos olhos de Deus? Alguém que não peca? Difícil isso heim? Todos somos pecadores. Como disse, só Deus julga. Quem é você para achar que entendeu o suficiente sequer para se sentir seguro que está praticando o que é certo aos olhos de Deus, quanto mais para dizer aos outros o que é correto aos olhos Dele? Diga logo que é aos seus próprios olhos, assuma que é humano arrogante de uma vez! "O que eu acho que é certo é o que é certo, o resto é besteira".

Cada vez mais fica a minha sensação pessoal e particular (e eu nem sequer afirmo que isso é uma certeza minha) de que "ser homem" é caminhar sozinho em meio a multidão e não se sentir um coitado por isso. É viver apenas consigo mesmo depois de entender que ninguém sabe como é ser você além de Deus (se é que você crê em Deus). Nem seus pais, nem sua mulher, nem seus amigos, nem sua terapeuta, nem seu pastor. Muitas vezes nem nós mesmos sabemos bem, mas ainda assim somos os que mais sabem.

Um amigo me falou algo semelhante e eu concordei porque penso atualmente de forma semelhante. Amanhã estarei pensando assim? Não sei. Simplesmente me dou o direito a esta liberdade, de pensar nas coisas sem a prisão de considerá-las mais absolutas.

Homem que é homem caminha sozinho em meio a multidão que o cerca. Não se isola, mas se mistura. Sem esperar que o entendam, veste uma máscara para não mostrar quem na verdade é (afinal isso não interessa a ninguém mesmo), e a cada pessoa que aparece na sua frente, coloca uma máscara nova, adequada a aquela pessoa.

Não é falsidade, veja bem. Não é agir de forma leviana, nem interpretar. É simplesmente se modular para aquilo que as pessoas querem que você seja, porque sendo quem você é, nunca estará bom para os outros, sempre tentarão te transformar para aquilo que elas anseiam. As pessoas não querem saber quem você é na verdade. Elas não querem saber do que você precisa, de suas necessidades, de sua dor. Elas apenas querem que você as ouça, que você dê a elas o que elas querem, que você concorde com elas e se comporte como acham que é certo. Pode ser um sorriso. Um "bom dia". Dinheiro. Compreensão. Um ouvido amigo. Falar algo tranquilizador e agradável. Ter uma atitude qualquer. Qualquer coisa! Mas elas não querem saber de você na verdade. Esta é a solidão do homem. Este é seu "caminhar sozinho".

Você se torna um doador. Se você não tiver nada para doar, você não é homem. Se estiver triste, você não é homem. Se estiver irritado, deprimido, se não concordar com a pessoa, você não é homem.

Homem, portanto, nada mais é do que um excelente ator. Ou não. Depende do que você achar.