LUTE

Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas - 1 Timóteo 6:12

SE DEIXE TRANSFORMAR

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus - Romanos 12:2

ACEITE O SACRIFÍCIO

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - João 3:16

VÁ NA CONTRA-MÃO

Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras, e vocês permanecerão na terra que o Senhor deu a vocês e aos seus antepassados para sempre. Não sigam outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los; não provoquem a minha ira com ídolos feitos por vocês. E eu não trarei desgraça sobre vocês - Jeremias 25:5-6

REFLITA A LUZ DE JESUS

Pois Deus que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo - 2 Coríntios 4:6

Pesquisar

25 de fevereiro de 2014

QUE LUZ SOU EU? SEM ESPAÇO PARA A CULPA

"José o Carpinteiro"
de Georges de La Tour
http://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_the_Carpenter
Em mais uma pregação do meu pastor - Rubens Santos, titular da Igreja Batista Memorial do Centenário em Campinas – uma mensagem bastante interessante nos foi apresentada, ainda baseada nas bem-aventuranças (Mateus 5), na verdade em sua continuação.

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.
Mateus 5:13-16

Há uma conotação, dada pela igreja de forma geral, que diz que DEVEMOS SER sal e luz, e de que exista uma obrigação em sermos assim. Mas o texto não nos conclama a uma obrigação, mas sim a uma natureza: não nos tornamos, já somos.

Somos desafiados pelas pessoas a sermos sal e luz, em uma interpretação equivocada de que devemos nos ater a conter nossos impulsos, a não olharmos e darmos vazão às oportunidades para cometer o mal e aquilo que não é a vontade de Deus. Bem, é isso, mas muito mais e ao mesmo tempo mais simples. É se comportar e ter atitudes que vão contra a cultura humana do egoísmo e submissão pelo uso da força. É se preocupar com o próximo, respeitar o ser humano, agir com bondade, com calma e paciência. É ser equilibrado e justo, buscando o bem comum. É amar.

O conceito de ser sal e luz está logo após os versículos das bem-aventuranças, e não são um novo assunto mas sim uma complementação (ou conclusão) das próprias bem-aventuranças que Jesus falava anteriormente, que são as qualidades do Reino de Deus manifestas em nós e por nós. Não há portanto uma obrigação em ser sal e luz, mas sim uma constatação de que uma vez aceitando Cristo, já somos sal e luz, sendo este sal e luz manifestações da nossa nova natureza como salvos.

E ai me pego nos dias atuais, onde ando sem a menor paciência e a irritação me domina, por um monte de razões que diante de Jesus Cristo não são justificativa alguma.

Uma mulher muito sonsa parou o carro na entrada do meu prédio, bloqueando entrada e saída de veículos (e eu estava tentando chegar em casa, com o dedo dolorido de uma cirurgia e cansado após um sábado inteiro estudando em minha pós graduação), para deixar um papel na portaria. Ela foi se arrastando, e demorou bem mais do que 3 minutos, pegando e depois colocando os papéis no porta-malas do carro. Acabei gritando com ela e minha vontade era de ver o sangue dela escorrendo pelas ruas.

Alguns dias depois, em casa, desejei em voz alta o mal aos proprietários da academia que fica de frente com meu prédio e com a qual tenho sérios problemas, por fazerem imenso barulho todos os dias até as 21h. Minha esposa mesmo me olhou com receio e me disse: "olhe bem o absurdo que você está falando".

Fiz exatamente o oposto do que Deus espera de mim., para minha vergonha e desserviço ao Reino.

Não me vejo como sal e nem como luz. Não vejo em mim as qualidades da nova natureza que eu deveria ter adquirido. Não vejo em meu proceder a mudança que dizem que apenas Jesus promove. Se todas essas mudanças no entanto só ocorrem por meio do poder de Cristo, só posso supor que eu nunca o aceitei verdadeiramente - o que me deixa em maus lençóis pois não sei de que outra forma eu deveria aceitá-lo então - ou as mudanças já ocorreram em mim e eu sou incapaz de reconhecê-las.

Há ainda uma terceira hipótese, e penso, seja a mais obvia.

Não sou um idiota. Sei que todos os crentes tem explosões como estas e que todos somos pecadores e que todos falhamos e iremos falhar até nossa ida para a Glória do Senhor, e que nossa vida cristã é essa luta constante pelo aperfeiçoamento no Senhor. Me incomoda muito não conseguir ter o domínio próprio que sempre julguei ser marca registrada do crente, o comportamento manso, o amor incondicional e o proceder virtuoso que faz com que as pessoas vejam Cristo vivendo por meio daquela pessoa. Mas acho que esse é o ciclo natural da vida cristã:

Deus nos aperfeiçoa durante todas as crises pelas quais passamos. Falhamos miseravelmente na maior parte do tempo, no início da nossa caminhada, e a consciência de Cristo surge então para nos confrontar, não como um dedo acusador que demonstra "você pecou" mas sim um abraço amoroso que diz "vá e não peques mais" pois o trabalho de acusação já é feito perfeitamente por nós mesmos, pelas pessoas a nossa volta e pelo próprio Satanás, nos esmagando em culpa.

Caminhar com Jesus é um aprendizado, uma evolução, uma mudança gradual em nós rumo ao formato de Cristo. Tudo nesse mundo é temporal, as coisas não ocorrem imediatamente e toda obra leva seu devido tempo. Deus construiu nossa realidade física dentro destes princípios, e mesmo tendo todo o poder para agir fora dessas regras, acho que Ele não faria isso, pois tais regras tem sua razão de existir.

Me incomoda ver como eu devia ser e constatar no quão longe estou de me aproximar dEle, e entristecê-lo, e não conseguir demonstrar por meio da minha vida a verdade que Ele é, e com isso, desestimular pessoas a se aproximar dEle por acharem que, por falhar, eu não creio ou aquilo em que creio é falso.

Não pretendo desistir daquele que nunca desistiu de mim. Porque eu sei que essa é a vontade do Senhor: não que eu peque, mas que eu me deixe mudar, dia a dia, pela percepção de meus pecados e de como meu proceder deveria ser. E se hoje sou uma luz pálida, uma chama frágil que tremula na escuridão e que muitas vezes parece não iluminar nada, sei que Deus está ao meu lado e sempre buscará alimentá-la para que se torne cada vez mais brilhante.

17 de fevereiro de 2014

A PERSEGUIÇÃO PELA ÓTICA DAS BEM-AVENTURANÇAS

William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)
"The Remorse of Orestes" (1862)
obtido na wikipedia

Meu pastor - Rubens Santos, titular da Igreja Batista Memorial do Centenário em Campinas – vem expondo uma série de pregações sobre as bem-aventuranças (Mateus 5) , destacando como elas são características do crente, e não comportamentos que devemos buscar de forma artificial. A mudança vem de Deus, afinal.

Alguns domingos atrás ele falou sobre a perseguição, e tomei notas sobre o que foi falado por achar o assunto extremamente pertinente aos crentes em Jesus, e a mim mesmo especialmente.

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" Mateus 5:10

Há uma interpretação normalmente equivocada com relação e este versículo. Muitas pessoas pensam que simplesmente por serem crentes, qualquer perseguição que sofram em suas vidas é uma perseguição “por causa da justiça”. E isso é um erro.

A perseguição citada nos versículos não ocorrem devido a decisões próprias da pessoa,  ou devido a equívocos e erros nossos, à más ações e problemas criados por nós mesmos.

Na ótica das bem-aventuranças não somos perseguidos por nosso fanatismo religioso ou por nosso fundamentalismo, nem por sermos puritanos e arrogantes por nos acharmos donos da verdade, juízes da humanidade e impositores de doutrinas.

Todas essas coisas geram perseguição contra nós,  mas esta perseguição não ocorre por causa de Cristo, mas sim por nós mesmos.  Perseguição nesse sentido (fora das bem-aventuranças e do significado bíblico) é decorrente de um ato particular e pessoal, uma resposta natural a uma causa natural, e não caracteriza a dita perseguição “por causa da justiça” de forma alguma.

Doenças, perseguições políticas, bullying, assédio moral no trabalho e preconceito racial, sexual e religioso estão nesta mesma categoria. É algo que ocorre com qualquer pessoa, seja ela crente ou não.

A perseguição citada nas bem-aventuranças diz respeito a uma perseguição muito clara: perseguição por ser cristão. Entenda bem: por SER CRISTÃO, e não por se declarar ou achar que é cristão. Por ter o comportamento de Cristo de fato! Por sermos pessoas que buscam a Deus genuinamente, que se comportam conforme a vontade de Deus verdadeiramente, ou seja,  ocorre com aqueles que SÃO conforme o coração de Deus.

A perseguição ocorre com aqueles que entendem o que significa amar a Cristo, e que o amam totalmente. Este amor gera um comportamento que por sua vez gera a perseguição, “um comportamento de justiça”. Somos perseguidos por sermos diferentes do mundo, por sermos como as bem aventurança revelam que o crente deve ser (e não emular). Mas por que?

O comportamento genuinamente  cristão incomoda as pessoas que não são cristãs. Elas não suportam ver um comportamento genuinamente cristão pois isso demonstra a elas com elas mesmas estão afastadas de Deus, e do que podem ou estão perdendo.

Esse comportamento não é um comportamento meramente caridoso e benevolente. Diversas pessoas não crentes são boas e caridosas, realizando importantes trabalhos, melhorando a vida de várias pessoas em nossa sociedade em uma atitude que precisa ser estimulada. Na verdade o que incomoda as pessoas e gera a perseguição é meramente o relacionamento pessoal e afetuoso que um crente tem com Jesus. A segurança que ele tem sobre as certezas que só Deus trás, a fé, a esperança, o ato de entregar a vida a Deus, de ser como as bem aventuranças falam que o crente é. O ato de viver debaixo da graça de Deus e crer de todo coração.

Enfim, como crentes devemos ser diferentes do mundo. Autênticos, nunca falsos no comportamento. Crentes de coração. Isso trará perseguição sobre nós, mas como dito nas bem aventurança:

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" Mateus 5:10

20 de janeiro de 2014

DEPRESSÃO E IDENTIDADE

Eu sabia que a depressão seria uma espécie ferida que nunca cicatrizaria. Que estaria comigo todos os dias, espreitando alguma fraqueza para poder se alimentar de novo e voltar a ter o tipo de prioridade que tinha em minha vida até alguns anos atrás. Me mudando novamente, fazendo com que eu deixasse de ser eu mesmo mais uma vez. Eu era uma pessoa e passei a ser uma segunda, e agora essa segunda passou a ser uma terceira. Não sei mais quem sou, e como tal não sei o que quero, nem o que aspiro. Não tenho sonhos, desejos, gostos ou propósitos. Estou perdido dentro de um labirinto em mim mesmo.

A depressão me parecia distante até algum tempo atrás. Pelo menos até hoje de manhã, quando vinha andando para o trabalho e, em um lugar muito ruim para se andar, onde a calçada quase não existe e onde eu tenho que andar praticamente na avenida - que é muito movimentada - e observei os carros passando a uma velocidade grande bem próximos a mim e pensei: e se eu "escorregasse" e caísse na frente de um desses carros? Tudo estará resolvido, toda a minha dor desaparecerá, eu não estarei mais vivo e nenhum questionamento e aflição permanecerão.

A ideia pareceu fazer sentido por alguns instantes, que duraram uma eternidade em minha mente.

Pensei se sentiria dor ao ser atropelado por um carro a 80km/h ou se eu sentiria apenas uma inércia confortante, um silêncio e uma paz que não encontro em lugar, momento ou pessoa algumas.

Obviamente constatei que sentiria dor - muita. E ainda haveria o risco de não morrer mas sim ficar aleijado, entrevado em uma cama, sofrendo por anos, definhando, e arrastando minha família comigo.

Isso me fez desistir.

Como já li em muitos lugares, suicídio não é para os fracos e covardes. Uma pessoa precisa de muita coragem para dar fim a própria vida - uma coragem que eu não tenho e nem sei se um dia terei. E se a pessoa tem coragem para isso, por que não tem coragem para algo menos drástico, como por exemplo dar uma guinada em sua vida e mudar o que tanto lhe aflige?

Porque essa pessoa não tem poder para mudar o que lhe aflige já que o que lhes afligem é a própria vida, as próprias pessoas, o próprio conceito de viver.

Me sinto oco novamente. Vazio, repleto de dor, aflição, ansiedade, auto-piedade, abandono e ódio. Muito ódio. Ódio contra o mundo e contra mim mesmo. Ódio devido a impotência diante de tudo. A incapacidade de resolver qualquer coisa, de solucionar o menor dos problemas, de ser alguém... alguém que nunca serei. Ódio das pessoas por vê-las bem e felizes (algo que me parece ofensivo e patético). Ódio por me sentir totalmente diferente delas, inferior. Ódio por não ser capaz de sentir e viver e apreciar o mundo. Ódio, ódio, ódio... apenas ódio por me ver preso em armadilhas mortais, amarrado a situações das quais poderia me desamarrar mas com medo das conseqüências não o faço. Ódio por ser um covarde, por temer mudanças, por não ser seguro de quem sou e do que posso fazer e de como me sairei. Ódio, apenas ódio... e vergonha, e medo, e pânico, e nojo de mim mesmo.

1 de janeiro de 2014

UM AUTÊNTICO ALIENÍGENA

Illustrations from the Nuremberg Chronicle, by Hartmann Schedel (1440-1514)
Um autêntico alienígena. É assim que me sinto em momentos como este - réveillon de 2013 para 2014.

Com a existência do Facebook fica mais fácil experimentar esta sensação. Vejo todos compartilhando fotos e comentários sobre como estão curtindo o momento, festejando com amigos e familiares na praia ou em suas casas ou em shows da virada, queimando fogos de artifício, comendo, bebendo e conversando. E eu aqui, em casa, escrevendo isso, jogando, conversando com minha esposa, ouvindo música, ou seja, passando este período tentando ao máximo possível ignorar o que meu preconceito classifica como reação exagerada de felicidade incondicional, mas que na verdade é apenas a expressão da liberdade individual que cada um tem em comemorar um acontecimento como lhe convêm dentro dos limites legais - e se todos aceitam uma convenção social que lhes diz para usar roupas brancas, queimar fogos de artifício e se comportar de uma certa forma, não tenho o direito de julgar, mas me reservo a opção de não adotar a conduta convencional - não para ser intransigente, mas sim por não gostar desta.

Voltando ao Facebook, vejo postagens das pessoas se vestindo e maquiando super bem, se produzindo, tirando fotos para mostrar como estão felizes, como tem vidas divertidas, como são bacanas e como a depressão, estresse, miséria psicológica, intriga, maldade, pressão, medo, abandono e tudo o mais podem ser esquecidos por uns instantes. E eu aqui, de pijamas, tentando acalmar meu cachorro que está todo aflito com os barulhos dos rojões, e fazendo questão de viver este momento exatamente como vivo todos os demais.

Sei que momentos como este são importantes do ponto de vista psicológico e emocional. Ciclos são importantes e a comemoração destes (para a maioria das pessoas) é algo muito importante. Não acho nada disso errado. Eu mesmo devia estar na igreja - íamos passar o ano novo lá em uma reunião de oração e comunhão com outros membros e que deve ter sido maravilhosa, mas não fomos por receio das ruas, repletas de pessoas bêbadas guiando carros e porque não bandidos a espreita de pessoas desavisadas indo e vindo de comemorações, totalmente distraídas. Ficamos em casa, como sempre temos ficado há anos. Esperamos os fogos passarem, e então vamos dormir. Este anos fizemos um brinde com Calpis.

Eu sei que sou recluso, e esse tipo de comportamento se repete nas demais festividades coletivas, ou mesmo nas particulares que são comuns a todos (aniversários por exemplo). Eu ão tenho a necessidade de comemorar estas coisas com a mesma importância e intensidade que o coletivo parece precisar - ou desejar. Não vejo motivos para comemorar entusiasticamente uma passagem de ano além de fazer uma simples reflexão do que passou no ano, aprender com os erros e acertos, ser grato a Deus por tudo e no máximo pensar em algumas coisas que gostaria de fazer no ano seguinte, pedindo a orientação de Deus sobre isso e sua benção de acordo com sua vontade.

Na verdade já estou acostumado a ser "estranho" neste sentido - e muitas vezes me sentir estranho por mim mesmo, sem um julgamento ou sensação de julgamento de uma outra pessoa. Ou seja, eu mesmo me acho estranho por não ser como os demais.

Por exemplo: a própria comemoração do Natal já me incomoda há bastante tempo e eu não compartilho do senso comum quanto a como ela deve ser experimentada. O mesmo diz respeito a maioria do modo operante em quase todas as coisas. Eu tenho opiniões próprias quanto a muitas coisas, mas que vão contra o senso comum.

Isso me causava, na infância e adolescência, uma sensação de deslocamento imenso. Isso evoluiu para revolta por muitos anos, e creio que meus familiares se lembram dessa época com medo pois eu era bem revoltado. Depois isso evoluiu para indiferença, e hoje, para o que acho ser o início de uma compreensão mais equilibrada: sou um ser humano como outro qualquer, mas que está fadado a viver com o constrangimento de ser sempre visto como diferente porque de fato eu sou.

Assim, consigo imaginar um pouco como um alienígena se sentiria disfarçado entre nós.

27 de dezembro de 2013

DESCONECTADO

De novo o Natal passou e mais uma virada de ano se aproxima. De novo aquele mesmo ritual de reflexão surge. A desconexão com o mundo, com as pessoas, com a sociedade, permanecem como uma barreira entre mim e todo o resto. E por que, se existem coisas boas na minha vida como minha esposa, minha família, meus amigos e minha saúde?

Moro em um lugar que não gosto, trabalho em um serviço que me desmotiva, com pessoas que não simpatizo, em um país que odeio, com uma cultura que não valorizo e em meio a um povo que julgo estúpido, sórdido, alienado, tolo, ignorante, mau e nocivo, que anda por ai em carros com o som "no talo" e que não se preocupam com o próximo mas sim com as celebridades - e consigo mesmos. Pessoas que se acham excelentes, baluartes da justiça e da educação que são, no máximo, elaborados embustes.

Mas eu ainda persisto. Por que?

O que me move se não uma esperança profundamente baseada na fé?

Mas fé no que?

De que as coisas vão melhorar ou que eu vou mudar e não me importar mais com o que tanto me incomoda?

Não, não mudarei. Tão pouco julgo que o mundo vá mudar. As pessoas, idem.

Tudo permanecerá como está, degradando-se cada vez mais, caminhando ao inexorável destino da degradação completa do ser humano e da matéria.

Minha fé não repousa neste mundo e nem em qualquer conquista ou recompensa.

Sofro, choro, agonizo. Mas sei que isso terá um fim. Pois todo desatino, toda maldade, toda espera, toda dor, toda aflição serão sepultadas com meu corpo - ou melhor, queimadas, já que prefiro pensar que serei cremado.

Minha fé repousa no dia da minha morte e no que ocorrerá comigo após abandonar essa realidade.

Só me resta aguentar, suportar a tortura deste mundo, de ver pessoas comendo pessoas, de ver a crueldade cotidiana, mesquinha, gananciosa, opressora e silenciosa da qual ninguém se da conta correndo solta, de ver pessoas em pior estado do que eu, de ver o estimulante para o mal ser distribuído de graça em qualquer esquina, conversa, trajeto, trabalho, computador, revista e relacionamento.

Minha fé repousa na salvação de Deus, minha crença em Jesus Cristo, a quem me machuca envergonhar por todas as minhas falhas e pecados, mas que a cada dia vejo trabalhando em mim um pouco mais, me entristecendo e me  revoltando comigo mesmo, me incomodando com minhas fraquezas, me despertando para seus objetivos. Me preparando não para ser perfeito, mas para entender que a busca pela perfeição representada nEle é o que chamamos de caminho da santificação, e que nunca estaremos aptos ao reino dos céus por nós mesmos, mas sempre e unicamente porque Ele nos ama e nos ofereceu isso de graça.

Continue trabalhando em mim, Senhor. Cada dia que passa fico mais consciente de que em vida nunca serei perfeito como Jesus, e nunca deixarei de pecar. Mas coloco-me em suas mãos para ser moldado pela Sua vontade, pois como disse, toda a minha esperança repousa em Ti.

6 de dezembro de 2013

SONHO: PERSEGUIÇÃO


Recorrentemente (pelo menos 3 vezes nas ultimas 4 semanas) tenho sonhos cujo tema é minha perseguição por alguém não identificado. Em pelo menos um dos sonhos eu me virei contra meu perseguidor e o enfrentei. Nos demais, o perseguidor me seguia de perto. Em pelo menos um dos sonhos (o que tive esta noite) meu perseguidor me lembrava muito o homem que vem aparecendo nos sonhos de milhares de pessoas pelo mundo, o que pode indicar alguma contaminação cultural no meu subconsciente - afinal eu acompanho essa história há alguns anos - ou simplesmente que as teorias a respeito dele sejam reais.

De qualquer forma refletir o porque destes sonhos é quase obrigatório para mim. E de certa forma, creio que simples. Após uma pesquisa pela Internet, o significado ficou relativamente claro, para não dizer obvio: ansiedade.

Tenho tido alguns problemas chatos ultimamente. Nada que seja o fim do mundo, veja bem. mas são problemas que me deixam inquieto. Pelo menos dois problemas de saúde moderados - um dos quais pode ser fruto da ansiedade ou sintoma de um inicio de diabetes, que é um boca seca e leve desconforto na região do visícula - fora problemas sociais, com uma academia barulhenta na porta do meu condomínio e uma operadora de telefonia celular que insiste em fazer cobranças incorretas há meses mesmo eu reclamando e pedindo correção da situação desde o início da situação. Fora situações pontuais em meu emprego - estresse, mudanças, etc.

Destes problemas há um - o da operadora de telefonia - que eu encaixo no sonho e que me virei contra o perseguidor e o enfrentei, uma vez que estou entrando com ação contra a empresa no juizado de pequenas causas. Dos demais, eu literalmente fujo.

Há ainda o ódio e sentimento de frustração e impotência diante desses problemas, o que gera uma boa dose de irritação e frustração. Os sonhos de perseguição normalmente significam uma forma de lidar com problemas ou sentimentos que queremos negar, ocultar ou fugir, e aspectos de nosso eu que deixamos nas sombras de nosso subconsciente por não aceitarmos ser como somos. E eu não aceito muitas coisas em mim.

O que fazer então? Como lidar com isso? Enfrentamento? Continuidade da fuga? O que manter e o que mudar? Não tenho tido tempos fáceis ultimamente, e o fato de achar que não devia achar essa situações tão pesadas quanto a sinto torna meu sentimento de culpa e fraqueza piores ainda, gerando mais ansiedade e vergonha de quem sou. Há pessoas enfrentando problemas muito piores e com muito mais alegria, então porque eu, enfrentando coisas mais leves, sofro tanto?

Peço a Deus orientação, proteção, mudança de meu ser e livramento.

Não sei se esse sonho pode ser ligado a um outro sonho que tive anos atrás. A situação era outra, não me lembro pelo que eu andava passando na época, mas agora eu sei que meus sonhos atuais tem a ver com o que falei acima.

5 de novembro de 2013

SONHO: INCÊNDIO EM HOTEL ASIÁTICO

O lugar era alguma cidade na Ásia, quente e úmido (Tailândia, Malásia, etc). Em uma cidade com uma luz amarelada, eu estava em um hotel. Estava na cidade para fazer algo, algo que algumas pessoas dessa cidade não queriam que eu fizesse. Era como se eu fosse um agente secreto, buscando alguma coisa oculta na cidade tentando não chamar a atenção, e as autoridades desta cidade não quisessem que eu a encontrasse.

Estas autoridades começam a me procurar, e em uma perseguição eu consigo me esconder. Vejo-os perguntando por mim na recepção, já que toda a ação ocorre dentro do prédio deste hotel.

As autoridades começam a me perseguir novamente, e é neste momento que o prédio do hotel começa a pegar fogo. O fogo está em andares superiores a aquele em que estou, e no meio da multidão, sou evacuado do prédio. Não chego a ver fogo, apenas a fumaça. E assim sei que as autoridades não me pegarão. Me sinto livre, mas ao mesmo tempo triste. O ar parece pesado e eu não estou exatamente feliz. O sentimento é de perda.

E neste momento eu acordei.

Interessante notar que tenho passado por um momento de estresse mais intenso em meu trabalho e a sensação de depressão vem me atormentando novamente desde então. No dia anterior, na Igreja, tive uma sensação, um pensamento. Foi como se Deus estivesse falando comigo porque um pensamento surgiu do nada, e não foi agradável pois o pensamento foi “você terá que perder tudo o que tem”. Esse pensamento me arrebatou sem um motivo aparente. Pode ter sido apenas minha mente estressada? Pode ter sido uma influência maléfica? Pode ter sido Deus? Não sei.

Acho que quando Deus fala conosco, ainda mais assim, sabemos que foi Ele quem falou por vir acompanhado de uma sensação de paz e liberdade – se bem que Deus pediu a muitas pessoas que fizessem coisas que elas não queriam e que as perturbou bastante também. Paz e felicidade não foi o que eu senti quando o pensamento me surgiu. O que eu senti foi pavor, medo e, acima de tudo, opressão. De onde veio esse pensamento então? Da minha mente cansada e estressada, ou de fora de mim mesmo?

Tentei entender o que essa possível perda significaria. Será que minha vida atual me desvia de Deus de tal forma que tenho que ser despojado de tudo e todos para poder ter uma vida de acordo com a  vontade de Deus? Essa foi a única interpretação que tive, mas mesmo assim, a coisa é muito mais complicada do que meramente meus bens – que na verdade são bem comuns e até simplórios. Ocorre em todo o meu ser – meu comportamento, minhas atitudes, meus desejos, meus pensamentos, meus objetivos (ou falta deles).

Seria a perda relativa a algo diferente do material? Seria a perda, por exemplo, da sanidade? Seria minha depressão voltando? Ou o surgimento de alguma nova condição psicológica, desencadeada pelo estresse e sentimento de prisão, falta de escolha e falta de orientação que se intensificou mais nos últimos tempos? Coisas que debati de forma bastante intensa em minha última sessão de terapia, poucos dias antes deste sonho.

O sonho veio depois disso tudo, e não pude notar de ver estampado nele algumas situações que vivenciei naqueles dias e em momentos anteriores de estresse. Desejo de fuga de uma situação onde me sinto oprimido e perseguido. A fuga ocorrendo por meio de algo que está fora do meu controle, que ocorre de forma quase milagrosa – um incêndio. E o próprio incêndio, analisado do ponto de vista simbólico no subconsciente, sendo o fogo um elemento destruidor e ao mesmo tempo purificador. A mente é uma coisa fantástica e incompreendida, e o subconsciente trabalha medos, ansiedades e memórias de formas estranhas, usando s sonhos para diversas funções. Mas ao mesmo tempo, há muitos casos que demonstram que os sonhos são mais do que mero produto dos processos mentais.

Algo ocorrerá? Sofrerei alguma perda? Sofrerei a perda de tudo que tenho? Ficarei esquizofrênico ou depressivo? Eu não sei. A ansiedade inicial com a situação já diminuiu, de bem que permaneça aqui inconvenientemente.

Porém, ocorrendo alguma perda ou não, que Deus esteja no total controle de minha vida, e seja lá o que for, que me leve cada vez mais para perto de Jesus. O medo de sofrer perdas materiais e/ou emocionais são grandes, ninguém as quer sofrer, muito menos eu. Mas se for ocorrer, que ocorra para a glória de Deus.