LUTE

Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas - 1 Timóteo 6:12

SE DEIXE TRANSFORMAR

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus - Romanos 12:2

ACEITE O SACRIFÍCIO

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - João 3:16

VÁ NA CONTRA-MÃO

Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras, e vocês permanecerão na terra que o Senhor deu a vocês e aos seus antepassados para sempre. Não sigam outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los; não provoquem a minha ira com ídolos feitos por vocês. E eu não trarei desgraça sobre vocês - Jeremias 25:5-6

REFLITA A LUZ DE JESUS

Pois Deus que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo - 2 Coríntios 4:6

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21 de janeiro de 2018

SIGNIFICÂNCIA DO SOFRIMENTO


A palavra de Deus é rica em nos confortar diante do medo e da ansiedade diante do sofrimento e das incertezas da vida, afirmando e reafirmando constantemente que não devemos ter medo e que teremos paz em nossa fé em Cristo.

Há, na Bíblia eletrônica da Youversion, um plano chamado "Ansiedade" que oferece todos os dias, durante 7 dias, versículos que reforçam isso:

  1. A ansiedade no coração deixa o homem abatido, mas uma boa palavra o alegra
    Provérbios 12:25
  2. E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
    Mateus 6:27
  3. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus
    Filipenses 4:6,7
  4. Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação
    Timóteo 1:7
  5. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito
    Romanos 8:28
  6. Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai no SENHOR perpetuamente; porque o SENHOR DEUS é uma rocha eterna
    Isaías 26:3,4
  7. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal
    Mateus 6:33,34
Porém, muito me intriga que todo o consolo do Senhor não implica (necessariamente) em passar incólume pelos percalços e desgraças da vida. Desemprego, doença, morte, abandono e solidão fazem parte  de diversos momentos de nossas vidas, sejamos cristãos ou não. Vamos sofrer mais cedo ou mais tarde, como eu tenho sofrido nas ultimas semanas de forma mais incisiva e sei que vou sofrer mais no futuro, possivelmente.

Tenho um entendimento particular, apoiado por tudo o que li e vi em minha vida até aqui, que sofrer faz parte da missão que temos nesse mundo, e que mais importante do que o sofrimento é o significado que damos a ele. A forma como decidimos ser afetados e como lidamos com esse sofrimento nos molda e nos transforma.

Jesus sofreu, e Ele próprio re-significou aquele sofrimento, nos salvando a todos por meio dele.

Tenho orado por livramento sim, pro misericórdia e abreviação do sofrimento, porque não tem sido nada fácil. No olho do furacão, no centro da dor, em meio a tempestade, no interior do ventre da besta, não conseguimos pensar nem raciocinar nada. Apenas choramos, imploramos e padecemos até a proximidade com as portas da morte.

É irreal achar que Deus vai dar esse livramento com certeza porque eu entendo que, além do sofrimento ser uma constante na vida de todos ser humano em maior ou menor grau, o sofrimento tem um propósito e uma lição dolorosa a ensinar.

A mais obvia lição que o sofrimento trás e a humildade. A dor de estar a mercê de uma situação ruim e se ver sem saída por suas próprias forças é humilhante e desesperador. E apesar de não ser esse o desejo do Senhor para nós (Ele nunca nos quer ver sofrer), o sofrimento pode trazer nossos corações de volta a Ele.

Sofrimento de outros nos gera compaixão. Compaixão nos estimula a agirmos no intuito de ajudar a quem sofre, esta ajuda é a manifestação do amor ao próximo e isso é o próprio reino de Deus.

Mas depois, quando nos deslocamos para outro lugar dentro ou fora do sofrimento, começamos a ver com mais clareza. A esperança que Jesus nos dá brilha radiante!

Durante muito tempo, isso foi um mistério para mim, mas agora me é bastante claro.

A esperança de Jesus é a salvação dEle para vivermos uma vida eterna sem sofrimento, de eterna paz e alegria junto a Ele. A esperança de Jesus é, portanto, nossa morte sepultando não apenas nosso corpo físico, mas também toda a dor, sofrimento e choro que passamos aqui neste mundo.

11 de janeiro de 2018

A NECESSIDADE DE EQUILIBRAR CONCEITOS


Voltar a escrever aqui me trouxe algum consolo. Perdi o hábito de escrever sobre o que se passa na minha cabeça e no meu coração conforme envelheci, seja porque alguns conflitos internos eu resolvi, seja porque passei a fazer uso de analgesias diversas para as dores da vida (dentre elas, Netflix é uma das mais poderosas).

Chego aos 40 anos (esse ano vou para 41) com uma sensação de que a vida não vale a pena ser vivida. Calma, não é para se preocupar tanto. Não vou tirar minha vida, nem desistir de nada. Afinal, 8 anos de terapia me ajudaram em algumas coisas, e hoje consigo manter sob controle qualquer impulso negativo grave.

Eu apenas vislumbro que, para a minha personalidade, as coisas ruins tem um peso muito maior do que as coisas boas. Uma coisa ruim tem peso 5 enquanto que uma coisa boa tem peso 1. Assim, se me acontecem 5 coisas boas e 1 coisa ruim, no panorama geral a balança de julgamento da minha vida tende a se equilibrar. Se 2 coisas ruins ocorrerem porém, a coisas descamba para uma avaliação ruim da minha vida, e é o que tem ocorrido comigo.

É claro que a realidade não pode ser vivenciada de maneira saudável por muito tempo dessa forma. Me forço a reavaliar as coisas e considerar que, apesar de toda a situação terrível que eu e minha esposa temos passado com o acidente de minha sogra, ainda temos muitos motivos para continuar em frente com esperança. Jesus é a maior de todas. Ele tem nos sustentado sobrenaturalmente nesses tempos difíceis.

O que eu preciso é mudar o foco. Focar nas coisas boas e não nas ruins, pelo menos não mais do que o necessário para avaliá-las na tentativa de resolvê-las. Como dizem, "o que não tem remédio, remediado está". Mas isso é um esforço racional. Emocionalmente a coisa é bem diferente.

A sensação emocional diante das coisas ruins que vem ocorrendo é a de afogamento em um oceano sem ondas de lágrimas sangrentas, sob um céu escuro, além de qualquer salvação ou ajuda, numa condenação eterna de dor crescente. É uma visão do inferno.

Não consigo deixar de temer pelo futuro. Como será daqui a alguns anos com minha sogra, quando o dia dela chegar? Ela vai partir tranquila e rapidamente ou vamos passar por todo esse sofrimento de novo? O que eu vou fazer quando eu e minha esposa ficarmos idosos (com uma aposentadoria ridícula), sem filhos para nos ajudar como nós estamos ajudando minha sogra? O que farei quando minha esposa pedir demissão do emprego para cuidar da mãe dela?

Deus nos fala em Matheus 6:34 que "Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.". Nos conclama a negar a ansiedade descansar no fato de que Deus está no controle de tudo. Mas como fazer isso?

Submeter o emocional ao racional é um dos maiores desejos humanos, e não é diferente comigo.

9 de janeiro de 2018

DESAMPARO


Tudo começou a menos de um mês atrás, no segundo dia das minhas férias de fim de ano, quando minha sogra caiu dentro do ônibus e quebrou o colo do fêmur. Se você já passou por isso em sua família vai saber o que veio em seguida: descaso total da companhia de ônibus (que falou que não vai se responsabilizar por nada - vamos entrar com processo), desespero ao correr para uma Unidade de Pronto Atendimento, desespero ao transferir minha sogra para um hospital público que esta caindo aos pedaços - no nosso caso foi mais grave já que o hospital está sob intervenção devido a escândalos de corrupção e havia uma total indefinição de quando a cirurgia para colocação de prótese ocorreria, já que não tinha nem algodão, quanto mais uma prótese de quadril.

Some a isso o fato de minha sogra ser uma idosa de 72 anos cheio de problemas médicos como lúpus e perda de visão, viúva, filha única, e minha esposa ser a única filha dela. Some a isso minha sogra não ter plano de saúde por ter desistido do dela (por ser caro demais) sem nos consultar e pedir ajuda para pagá-lo (o que teria evitar muito do desespero pelo qual passamos). Some a isso a situação toda ter ocorrido entre o natal e o ano novo, e absolutamente tudo estar diversas vezes mais difícil de fazer porque todos estão de férias ou folga, ou simplesmente de saco cheio da vida e não querem colaborar em um ambiente naturalmente estressante (hospitais).

Por providência divina, minha sogra, servidora estadual aposentada, paga o plano do IAMSPE (http://www.iamspe.sp.gov.br), e o hospital deles em São Paulo (Hospital do Servidor Público, um excelente hospital) a aceitou para fazer a cirurgia.

Fora o fato de minha esposa ter morado em um hotel próximo ao hospital por quase duas semanas e eu ter pago uma fortuna por uma ambulância u.t.i. móvel para transferir minha sogra de Campinas para São Paulo (nem ambulância nos ofereceram), tudo deu certo, a cirurgia foi feita, minha esposa conseguiu trazer minha sogra de volta para a casa dela e está morando com ela até a recuperação  terminar (o que pode levar de 4 a 6 meses).

Durante todo esse tempo, haverá custos de fisioterapia, viagens para São Paulo a fim de realizar os acompanhamento da cirurgia, medicação, troca de carro para um maior e mais alto (já que minha sogra não vai mais poder andar de ônibus vamos ter que levar ela nos lugares em que ela precisar), custos com acompanhante/enfermeiro e, possivelmente, minha esposa parando de trabalhar para ajudá-la.

Some a isso eu estar sozinho em casa, ajudando-as com tudo o que eu posso presencialmente e financeiramente, mas ainda assim me sentindo um imprestável. Some a isso eu ter crises de ansiedade e depressão sozinho em casa e (tentar) esconder isso de todos, perder totalmente o apetite, não conseguir me concentrar no trabalho devidamente, não conseguir dormir, começar a beber com mais frequência e me sentir totalmente desamparado tendo que amparar minha esposa e sogra, motivá-las, acalmá-las, ser uma referência de segurança a ambas.

É claro que não estou legal.

A sensação de desamparo em um momento desses é massacrante. Nunca em minha vida, nem nos momentos mais baixos da minha depressão, me senti tão... tão... nem tenho uma palavra para definir isso. Acho que eu nem quero definir isso. É mais que desamparo, é ver-se como Jó, totalmente obliterado por uma terrível situação que é incontrolável por mim, totalmente a mercê da situação, tendo apenas no Senhor esperanças, mas morrendo por dentro.

Só houve e está havendo uma única coisa que me mantém inteiro, que tem mantido minha sogra e minha esposa inteiros: Jesus.

Como falei em uma das diversas conversas que tive com minha sogra esses dias, Deus nos permite passar por todo tipo de situação, todas com seus próprios propósitos segundo a vontade dEle. Todas com a finalidade de tratar coisas em nós.

O que ele tratou em mim com essa história toda provavelmente só vou saber totalmente no dia em que eu morrer e, pela graça de Jesus, for aos céus. Até lá, só posso supor, e esperar que isso realmente tenha me aperfeiçoado de alguma forma para Ele, e não que seja um trauma que vá me machucar por mais e mais tempo.

26 de maio de 2017

O MAL NUNCA ADMITIDO

zona na véspera de mudança

Faz mais de um ano que não posto nada neste blog. Creio que, se há ainda algum leitor assíduo, ele bem sabe como sou dado a esse tipo de comportamento. E o motivo é o mesmo de sempre: a vida me bate tão forte quanto em todo mundo, mas minha sensibilidade me faz sofrer mais do que eu devia. Depressão é isso e muito mais. Lutar contra ela cansa demais e não tenho vontade de fazer nada, muito menos de escrever aqui.

Como tenho este blog como uma espécie de diário público para a posteridade, com o tempo venho dedicando a ele apenas registros de situações realmente importantes em minha vida. Creio que esta seja uma delas: vou me mudar. Amanhã já.

Vim para casa hoje falando para a minha esposa o quanto isso está me matando por dentro e o quanto mudanças me deixam transtornado. O processo de decisão da mudança foi desconfortável e até agora me deixa um sabor ruim na boca. Por mais que eu tenha decidido me mudar em conjunto com minha esposa, eu fui obrigado a fazer isso. Não foi uma escolha portanto, mas sim uma imposição das circunstâncias.

Minha vizinhança é muito barulhenta para o meu gosto. Não é de hoje que eu sofro com isso, como pode ser visto aqui e aqui por exemplo. Meu quadro depressivo me torna uma pessoa que não suporta barulho. Barulho me incomoda mais do que a maioria absoluta das pessoas, e desperta em mim um caos que não desejo a ninguém, nem mesmo aos que me tem causado esse sofrimento - desconfio - propositalmente. Tenho tido crises nervosas quando há barulho, minha pressão cai e eu fico tremendo.

Meu irmão mais velho e sua esposa gentilmente nos cederam um apartamento que eles tentavam alugar faz tempo, em um condomínio maior e mais bem organizado, cerca de 8km daqui, no 7º andar, em uma avenida sem comércios barulhentos. Sem vizinhos loucos - assim espero no Senhor. No Senhor espero reaver um pouco da paz perdida nos últimos anos.

O que mais me incomoda no entanto é perceber o quanto a humanidade decai sem parar.

Esse caso todo envolvendo barulho é apenas um exemplo, bastante pertinente é verdade, mas apenas um exemplo. Eu poderia falar sobre a verdadeira "mãe de todas as tempestades de merda" que vem assolando o Brasil há alguns anos e que piora cada dia que passa, com escândalos de corrupção por todo lado e a operação Lava Jato gastando bilhões de litros de água para limpar toda a lama aparentemente infinita desses malditos filhos da puta que tanto tem fodido o Brasil, mas isso milhares de outros sites já fazem. Ambos os casos mostram apenas como o ser humano tem piorado.

Meus vizinhos de fora do meu condomínio gostam de fazer barulho, de falar alto, de ouvir música alta quando bem lhes der vontade, de fazer festas ruidosas, etc. Se forem chamados a atenção, se revoltam achando que são vitimas. Os vizinhos de dentro do condomínio gostam de deixar seus filhos correrem como gazelas pelos corredores e escadarias do prédio, e gostam de ouvir música ou TV bem alto (neste exato momento, enquanto digito isso alguém no meu bloco está assistindo a Globo e eu sei disso porque consigo ouvir tudo)

Todos eles são incapazes - veja bem: VERDADEIRAMENTE INCAPAZES - de reconhecer que fazem mal aos outros com suas ações e omissões. Conseguem ver a realidade apenas sob sua própria perspectiva, sem qualquer preocupação com quem não faz parte daquilo que eles entendem como circulo de amizades. Sociedade, para eles, é um conceito abstrato, sem significado prático quando suas próprias vontades entram em conflito com ela. Moralmente, são aleijados.

Conversava esta semana com um motorista do Cabify sobre isso, e ele, da minha mesma idade, quicá um pouco mais velho, concordava e complementava de uma forma que me marcou. Ele disse mais ou menos o seguinte:

Transporto muito adolescente e jovem no meu trabalho, e vejo como eles se comportam e como são. Sempre querendo ser "espertões". Sempre querendo levar vantagem em algo de alguma forma. Nossa geração não era santa, mas essa geração atual é nojenta. Eles não sabem viver em sociedade, e nem parecem querer. Para eles tudo pode, tudo é permitido, desde que não façam mal aos outros. Porém, o conceito que eles tem sobre o que significa "fazer o mal ao outro" é doentio. Para eles pode fazer tudo, menos matar.

Voltando aos meus atuais vizinhos: fosse eu reclamar pessoalmente, no mínimo debochariam de mim. Provavelmente me ignorariam. Possivelmente me agrediriam verbalmente, ou até fisicamente.

"Mas você nunca foi falar pessoalmente com eles então não tem como saber" você pode pensar. Bem, fui sim, em alguns casos. E mesmo após isso, nada mudou. Mesmo após eu reclamar dezenas de vezes com o vizinho pessoalmente, com o síndico, com a prefeitura, abrir boletins de ocorrência na PM (estes para vizinhos de fora do condomínio), enfim, mesmo após eles receberem diversos sinais claros de que estavam incomodando muito, nada mudaram. Na verdade, pareceram até piorar, de birra. "Faço o que eu quero e você não tem o direito de achar ruim". Essa parece ser a nova dinâmica social. Bem diferente do que eu fui ensinado por minha mãe.

Alguns problemas foram resolvidos, como foi o caso da academia. Mas outros vão surgindo. E isso me deixou em frangalhos emocionalmente, dia após dia, mês após mês.

Assim, não estou me mudando. Estou fugindo.

Meu pastor, com quem tenho tido encontros periódicos em um treinamento de coaching, me disse animado "puxa, até que você decidiu rápido sobre essa mudança". Infelizmente tive que jogar um balde de água gelada na cabeça dele. "Mas eu não decidi nada. Decidiram por mim. Teoricamente, me botaram para fora da minha própria casa".

E assim, com um sentimento amargo de expulsão, estou deixando meu lar e encarando todas as dificuldades de começar outro temporário para, quem sabe, com a graça de Deus, eu possa encontrar outro um pouco menos temporário. Porque temporária é a própria vida, e meu lar eterno com Jesus, com o qual tanto sonho, ainda há de vir.

5 de abril de 2016

DIRETO DO INFERNO


O clamor obsessivo dos intelectuais, dos políticos e da mídia pela "supressão das desigualdades" e por uma "sociedade mais justa" pode não produzir, mesmo no longo prazo, nenhum desses dois resultados ou qualquer coisa que se pareça com eles. Mas, de imediato, produz ao menos um resultado infalível: faz as pessoas acreditarem que o predomínio da justiça e do bem depende da sociedade, do Estado, das leis, e não delas próprias. Quanto mais nos indignamos com a "sociedade injusta", mais os nossos pecados pessoais parecem se dissolver na geral iniqüidade e perder toda importância própria.

Que é uma mentira isolada, uma traição casual, uma deslealdade singular no quadro de universal safadeza que os jornais nos descrevem e a cólera dos demagogos verbera em palavras de fogo do alto dos palanques? É uma gota d'água no oceano, um grão de areia no deserto, uma partícula errante entre as galáxias, um infinitesimal ante o infinito. Ninguém vai ver. Pequemos, pois, com a consciência tranqüila, e discursemos contra o mal do mundo.

Eliminemos do nosso coração todo sentimento de culpa, expelindo-o sobre as instituições, as leis, a injusta distribuição da renda, a alta taxa de juros e as hediondas privatizações.

Só há um problema: se todo mundo pensa assim, o mal se multiplica pelo número de palavras que o condenam. E, quanto mais maldoso cada um se torna, mais se inflama no coração de todos a indignação contra o mal genérico e sem autor do qual todos se sentem vítimas.

É preciso ser um cego, um idiota ou completo alienado da realidade para não notar que, na história dos últimos séculos, e sobretudo das últimas décadas, a expansão dos ideais sociais e da revolta contra a "sociedade injusta" vem junto com o rebaixamento do padrão moral dos indivíduos e com a conseqüente multiplicação do número de seus crimes. E é preciso ter uma mentalidade monstruosamente preconceituosa para recusar-se a ver o nexo causal que liga a demissão moral dos indivíduos a uma ética que os convida a aliviar-se de suas culpas lançando-as sobre as costas de um universal abstrato, "a sociedade".

Se uma conexão tão óbvia escapa aos examinadores e estes se perdem na conjeturação evasiva de mil e uma outras causas possíveis, é por um motivo muito simples: a classe que promove a ética da irresponsabilidade pessoal e da inculpação de generalidades é a mesma classe incumbida de examinar a sociedade e dizer o que se passa. O inquérito está a cargo do criminoso. São os intelectuais que, primeiro, dissolvem o senso dos valores morais, jogam os filhos contra os pais, lisonjeiam a maldade individual e fazem de cada delinquente uma vítima habilitada a receber indenizações da sociedade má, e, depois, contemplando o panorama da delinquência geral resultante da assimilação dos novos valores, se recusam a assumir a responsabilidade pelos efeitos de suas palavras. Então têm de recorrer a subterfúgios cada vez mais artificiosos para conservar uma pose de autoridades isentas e cientificamente confiáveis.

Os cientistas sociais, os psicólogos, os jornalistas, os escritores, as "classes falantes", como as chama Pierre Bourdieu, não são as testemunhas neutras e distantes que gostam de parecer em público (mesmo quando em família se confessam reformadores sociais ou revolucionários). São forças agentes da transformação social, as mais poderosas e eficazes, as únicas que têm uma ação direta sobre a imaginação, os sentimentos e a conduta das massas. O que quer que se degrade e apodreça na vida social pode ter centenas de outras causas concorrentes, predisponentes, associadas, remotas e indiretas; mas sua causa imediata e decisiva é a influência avassaladora e onipresente das classes falantes.

Debilitar a consciência moral dos indivíduos a pretexto de reformar a sociedade é tornar-se autor intelectual de todos os crimes - e depois, com redobrado cinismo, apagar todas as pistas. A culpa dos intelectuais ativistas na degradação da vida social, na desumanização das relações pessoais, na produção da criminalidade desenfreada é, no seu efeito conjunto, ilimitada e incalculável. É talvez por eles terem se sujado tanto que suas palavras de acusação contra a sociedade têm aquela ressonância profunda e atemorizante que ante a platéia ingênua lhes confere uma aparência de credibilidade. Ninguém fala com mais força e propriedade contra o pecador do que o demônio que o induziu ao pecado. O discurso dos intelectuais ativistas contra a sociedade vem direto do último círculo do inferno.

18 de outubro de 2015

Paul Washer - "Cristão": você realmente é salvo? (dublado em português)


Essa pregação vai te deixar aterrorizado, mas isso pode ser bom. Pode te despertar para algo que vai ser importante para toda a eternidade.

13 de abril de 2015

PRISTIQ - INÍCIO

Depois de 4 anos de remissão da depressão, fiquei mal de novo devido a muitas mudanças em minha vida, que me bagunçaram internamente. Só de observar que essa é apenas a 2ª postagem que faço aqui este ano, dá pra ter uma ideia do quanto ando sem tempo para nada. Foi uma questão de tempo, infelizmente. Um dia eu explico os motivos. Basicamente é trabalho, mas mais profundamente do que isso, é uma total falta de confiança em mim mesmo.

Meu psiquiatra receitou o Pristiq de 50mg, com uma introdução de 25mg/dia por 4 dias. A previsão do uso da medicação é de 6 meses, mas quando comecei com a fluoxetina/lexapro também era por pouco tempo, e acabei ficando em tratamento por quase 3 anos.

Agora, no segundo dia da introdução, sinto uma leve apatia e sono. Diante do estresse diário, isso é até um alívio.

Não sei bem o que pensar. estou um pouco preocupado, ganhei muitas responsabilidades nos últimos meses e isso tem me zoado bastante. Agora, além de não confiar em mim mesmo, tenho dúvidas se tomei as decisões corretas, pois afinal elas me levaram a essa situação. Mas se não as tivesse tomado, podia estar me arrependendo por não tê-las tomado. Parece ser uma situação onde não tem como ganhar.

Sem me preocupar com os "se", tenho que seguir em frente de uma forma ou de outra. Conto com o Senhor ao meu lado sempre. Mas cá entre nós, estou com um pouco amedrontado diante de toda a situação. Preciso de fé acima de tudo. O Senhor é sempre bom. Tenho paz em saber que mesmo que eu sofra, tudo tem um propósito.

A medicação pode me estabilizar quando atingir a concentração sanguínea de trabalho, o que deve ocorrer daqui uns 7 dias (comecei a tomar sábado, dia 11/04/2015) . Vamos ver.

12 de agosto de 2014

A IMPORTÂNCIA DO EXEMPLO DA LIDERANÇA


A história do Bezerro de Ouro narrada no livro de Êxodo é bem conhecida: Moisés estava no monte com Deus por muito tempo, e o povo (carregado de costumes pagãos adquiridos durante seus anos de escravidão no Egito) não teve fé em Deus sem seu escolhido para liderá-los. Pedem então a Arão:

"O povo, ao ver que Moisés demora­va a descer do monte, juntou-se ao redor de Arão e lhe disse: "Venha, faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moi­sés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu"." - Êxodo 32:1

A liderança estava naquele momento nas mãos de Arão, eleito como o 1º sacerdote do Deus Altíssimo. E esta liderança foi fraca, pois deu vazão ao pecado do povo, e entregou a eles exatamente o que desejavam: um ídolo.

As consequências desse ato são conhecidas e culminaram com o exílio de 40 anos no deserto. Isso porque Moisés pediu misericórdia a Deus pelo povo, pois o desejo do Senhor era acabar com todos ali naquele momento, tamanha sua transgressão em negar um Deus que havia se manifestado a favor deles de inúmeras formas, muitas sobrenaturais e incontestáveis.

Mas isso não acabou por ai.

Em minhas leituras dos lívros de 1 e 2 Reis, noto a quantidade de reis de Judá ou Israel que o autor introduz como "Ele pecou muito contra Deus e levou o povo  a cometer pecados piores do que antes".

A liderança, representada neste livro na figura do rei, é EXEMPLO. Assim como Arão deixou o povo pecar (ele poderia ter repreendido a todos, mas não o fez) estes reis fizeram o mesmo, não apenas dando vazão aos desejos populares que iam contra o Senhor, mas ele próprio cometendo pecados, praticando adoração a ídolos, fomentando o culto a deuses pagãos, profanando o Templo e muito mais, tudo aos olhos de todo o povo. Demonstravam assim ao povo o que ele acreditava, e indiretamente fazia disso um convite a própria prática do pecado.

É obvio que as pessoas conscientes não são levadas pelos exemplos ruins dos líderes (ou nos dias atuais até mesmo de celebridades, ou seja, de pessoas que exercem alguma influência nas massas). Pessoas conscientes não são facilmente influenciadas, e sabem discernir entre o certo e o errado tendo a palavra de Deus como referência.

Mas as massas tem vida própria, e a degradação moral acompanha aquilo que é difundido na mídia, que em ultima instância é o canal de influência pela qual os atuais "reis" demonstram seus exemplos e propagam suas filosofias e ideologias. Opiniões divergentes que tentam amenizar ou anular conhecimentos prévios sobre a vontade de Deus são uma constante, e visam apenas nos levar para longe do Senhor, pois tais práticas e ideologias partem do pressuposto de que Deus não existe, portanto não existe pecado, então como a máxima esotérica diz, "faz o que tu queres, pois é tudo da lei". E assim o povo peca.

Saber observar  com consciência seu líder (ou a pessoa que exerce alguma influencia sobre você), e até mesmo escolhê-lo (já que vivemos em um regime democrático) é fundamental. Somos humanos e como tal, altamente influenciáveis.

Sejamos influenciados por Jesus, portanto.

10 de junho de 2014

PROBLEMAS, DESGRAÇAS E DORES DE CABEÇA: AS TEMPESTADES DA VIDA E SUA FUNÇÃO

Melancolia - Edvard Munch (1894/96)

Eu sou o homem que viu a aflição trazida pela vara da sua ira.
Ele me impeliu e me fez andar na escuridão, e não na luz;
sim, ele voltou sua mão contra mim vez após vez, o tempo todo.
Fez que a minha pele e a minha carne envelhecessem e quebrou os meus ossos.
Ele me sitiou e me cercou de amargura e de pesar.
Fez-me habitar na escuridão como os que há muito morreram.
Cercou-me de muros, e não posso escapar; atou-me a pesadas correntes.
Mesmo quando chamo ou grito por socorro, ele rejeita a minha oração.
Ele impediu o meu caminho com blocos de pedra; e fez tortuosas as minhas sendas.
Como um urso à espreita, como um leão escondido,
arrancou-me do caminho e despedaçou-me, deixando-me abandonado.
Preparou o seu arco e me fez alvo de suas flechas.
Atingiu o meu coração com flechas de sua aljava.
Tornei-me motivo de riso de todo o meu povo; nas suas canções eles zombam de mim o tempo todo.
Fez-me comer ervas amargas e fartou-me de fel.
Quebrou os meus dentes com pedras; e pisoteou-me no pó.
Tirou-me a paz; esqueci-me do que significa prosperidade.
Por isso digo: "Meu esplendor já se foi, bem como tudo o que eu esperava do Senhor".
Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar.
Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim.
Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança:
Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis.
Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade!
Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor; portanto, nele porei a minha esperança.
O Senhor é bom para com aqueles cuja esperança está nele, para com aqueles que o buscam;
é bom esperar tranqüilo pela salvação do Senhor.
É bom que o homem suporte o jugo enquanto é jovem.
Leve-o sozinho e em silêncio, porque o Senhor o pôs sobre ele.
Ponha o seu rosto no pó; talvez ainda haja esperança.
Ofereça o rosto a quem o quer ferir, e engula a desonra.
Porque o Senhor não o desprezará para sempre.
Embora ele traga tristeza, mostrará compaixão, tão grande é o seu amor infalível.
Porque não é do seu agrado trazer aflição e tristeza aos filhos dos homens.
LAMENTAÇÕES 3:1-33

Fazia algum tempo que uma leitura não era tão especial para mim de acordo com o momento vivido. Nos últimos tempos tenho tido aquela terrível sensação de que tudo está dando errado. Alguns chamam isso de maré de azar, outros de inferno astral. Não importa desde que você entenda o que eu quero dizer. Imagine isso tudo ao mesmo tempo:

  • Problemas de saúde contigo, com sua esposa e até com seu cachorro.
  • Um artigo para finalizar sua pós-graduação que parece ser infindável.
  • Seu emprego está em um momento bastante estressante e instável.
  • Você está impossibilitado de fazer qualquer atividade física por causa do problema de saúde.
  • Você vive em um ambiente com ruído e barulho quase todo tempo, gerando-lhe explosões de ódio, devido a vizinhos donos de carros com problemas de partida há mais de 2 anos que saem com o veículo às 5 da manhã e que ainda por cima tem filhos que parecem cavalos andando pelos corredores do prédio; estabelecimentos comerciais que iniciam atividades barulhentas às 6 da manhã ou que resolvem dar festas irregulares com som alto a noite; colegas de trabalho que ficam conversando generalidades entre si ao seu lado enquanto trabalha, etc.
  • Compras pela Internet que simplesmente não chegam.
  • Serviços contratados que não são realizados, ou quando são, muito porcamente.
  • Transito cada dia pior e motoristas cada vez mais psicopatas.
  • Dentre outros.
O termo "com os nervos à flor da pele" lhe diz algo?

Imagine então o que senti quando li Lamentações 3. Ainda mais quando ele diz em Lamentações 3:57 - Tu te aproximaste quando a ti clamei, e disseste: "Não tenha medo".

Mais adiante, em Lamentações 3:34-38 é dito Esmagar com os pés todos os prisioneiros da terra, negar a alguém os seus direitos, enfrentando o Altíssimo, impedir a alguém o acesso à justiça; não veria o Senhor tais coisas? Quem poderá falar e fazer acontecer, se o Senhor não o tiver decretado? Não é da boca do Altíssimo que vêm tanto as desgraças como as bênçãos?.

Nos sentimos muito revoltados quando sofremos. Imputamos à situação um caráter de injustiça e não merecimento do mal, mas a verdade da qual esquecemos é esta revelada neste texto: Deus está no controle de TODAS as coisas, e tanto as bençãos quanto as desgraças provêm dEle. Muitas pessoas falam que tudo o que nos ocorre de mal é culta do outro, ou de Satanás. Mas leia o que o texto diz: tanto bençãos quanto desgraças são decretados pelo Senhor!

Se passamos portanto por situações ruins e desgraçadas, temos que ter em mente isso, e entender que:

  1. Tudo de ruim que sofremos, nós de fato merecemos devido a nossos pecados contra o Senhor. Na verdade, merecíamos muito mais.
  2. As desgraças ocorrem com autorização de Deus, pois Deus é onipotente e Senhor.
  3. As desgraças tem seu propósito no plano de Deus e são fruto de seu amor por nós. As vezes são a única forma de disciplina para que a pessoa entenda, aprenda ou mude algo em sua vida. Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem - Provérbios 3:11-12
  4. Deus não nos entrega às desgraças pura é simplesmente. Como o texto acima diz, Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Sua natureza é misericordiosa e seu amor se renova todas as manhãs.
  5. Somos salvos pela graça, de forma imerecida, por amor e pelo sacrifício de Jesus Cristo. Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie - Efésios 2:8-9.
Assim, percebi hoje que entender um pouco mais sobre a natureza do sofrimento e que ele vem do Senhor é um passo muito grande para diminuir a revolta, o que é algo muito intenso e explosivo em mim. Costumo reclamar que o ser humano é péssimo e só causa conflito com seus semelhantes, mas no final das contas não há por que me revoltar já que sou igual ou pior a todos eles, e cometo os mesmos erros para com eles e, mais grave do que isso, para com Deus.

A oração que Jesus ensinou, "Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido" fecha o ciclo.

O sofrimento é santo pois nos ensina muito.

Sofrer nos leva a compaixão, pois por meio dele criamos empatia com os que sofrem, e assim amá-los torna-se mais fácil.

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo. Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação é, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos; - 2 Coríntios 1:3-6

Amar a Jesus e a Deus, assim, também se torna mais fácil, pois Jesus sofreu por nossos pecados e Deus sofre por nós todos os instantes em que pecamos contra Ele.

Que o Senhor me perdoe por todo o ódio e revolta, e me permita adorá-lo em meio às tempestades, ensinando o meu coração e a minha mente, para sempre, que tudo está sob o controle do Senhor.

8 de maio de 2014

A IDOLATRIA DE SALOMÃO E A REALIDADE DE QUE BOAS AÇÕES NÃO JUSTIFICAM AS MÁS

King Solomon's idolatry (1644)
Salomon Koninck


E o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, das nações de que o Senhor tinha falado aos filhos de Israel: Não chegareis a elas, e elas não chegarão a vós; de outra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor.
E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração. Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era perfeito para com o Senhor seu Deus, como o coração de Davi, seu pai, porque Salomão seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e Milcom, a abominação dos amonitas.
Assim fez Salomão o que parecia mal aos olhos do Senhor; e não perseverou em seguir ao Senhor, como Davi, seu pai. Então edificou Salomão um alto a Quemós, a abominação dos moabitas, sobre o monte que está diante de Jerusalém, e a Moloque, a abominação dos filhos de Amom. E assim fez para com todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e sacrificavam a seus deuses.
Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão; porquanto desviara o seu coração do Senhor Deus de Israel, o qual duas vezes lhe aparecera. E acerca deste assunto lhe tinha dado ordem que não seguisse a outros deuses; porém não guardou o que o Senhor lhe ordenara.
Assim disse o Senhor a Salomão: Pois que houve isto em ti, que não guardaste a minha aliança e os meus estatutos que te mandei, certamente rasgarei de ti este reino, e o darei a teu servo. Todavia nos teus dias não o farei, por amor de Davi, teu pai; da mão de teu filho o rasgarei; porém todo o reino não rasgarei; uma tribo darei a teu filho, por amor de meu servo Davi, e por amor a Jerusalém, que tenho escolhido.
1 Reis 11:1-13
Lendo os livros do profeta Samuel que contam a historia de Davi e depois o livro de 1 Reis, foi com dor no coração que vi a queda de Salomão em um assunto que, pelo menos para nós leitores, era tão obviamente um pecado grave. O homem era o mais sábio da face da Terra e tinha intimidade imensa com Deus, e mesmo assim caiu. Ai de nós, pessoas com sabedoria infinitamente menor.

Salomão se deixou seduzir pelo perigo sutil da influência. Deus o havia advertido anteriormente, não só a ele mas a todo o povo de Israel sobre tal risco. Mas não deu atenção a estes, e seja por motivação política, seja por motivação realmente espiritual, praticou idolatria e adorou a outros deuses, inclusive criando altares para tais deuses. Daí as lendas de que a estátua da figura de  Baphomet (que não se trata de um demônio mas sim de uma figura esotérica carregada de significados diversos e uma rica simbologia ocultista) foi encontrada pelos templarios no templo de Salomão, fruto de sua idolatria e alegados estudos esotéricos antigos. Algo que demanda de confirmação histórica obviamente, e que preenche livros, blogs e discussões há séculos.

Baphomet
Existe muito a ser falado e muitos ensinamentos a serem tirados dessa passagem, mas hoje, enquanto eu lia esse trecho, entendi algumas valiosas (pelo menos para mim):

  • Idolatria pode ser algo tão sutil que penetra em nossas vidas sem que nos demos conta - mesmo que sejamos pessoas sábias. Devemos nos examinar, à luz das escrituras e do Senhor, e avaliar se não estamos sendo idólatras (as vezes com coisas que nem sequer julgamos ser idolatráveis, como emprego, hobbies, dinheiro e nós mesmos).
  • A influência sutil é poderosa como a água: devagar e persistente que muda cursos de rios e desbasta as rochas mais duras. Ela muda nossa forma de pensar.
  • Boas ações não justificam as más. Salomão foi um cara fenomenal e fez coisas incríveis (dentre elas o primeiro Templo). Sob seu reinado Israel prosperou como nunca antes e nunca depois. Mas isso não serviu para anular seu pecado de idolatria, nem cancelou o as consequências desse pecado (a separação do reino de Israel).
  • Sabedoria é bom, mas fé é melhor. A sabedoria de Salomão foi dada por Deus, mas ela não era causa e sim consequência de sua fé e de seu amor a Deus. Entre a sabedoria e uma fé inabalável, eu peço ao Senhor e busco uma fé inabalável, pois creio que ela me permite estar com Deus, e isso sim me leva à sabedoria.
  • A idolatria é a rejeição a Deus e sua natureza divida e única - adorar a outros deuses é assumir que Deus mentiu ao afirmar que Ele é o único Deus, e portanto mentiu ao afirmar que não era capaz de mentir. Isso sem dizer que prestamos aquilo que é devido apenas ao Senhor (adoração) a imagens e deuses irreais.
Nós não somos melhores e nem piores do que Salomão. Somos iguais. Todas as qualidades e defeitos das pessoas retratadas nas escrituras são o que constituem nossa humanidade, e como tal, somos passíveis das mesmas.

Oro ao Senhor grato por Jesus. Sem Ele de fato ninguém se salvaria, tamanhas são as nossas iniquidades.

27 de março de 2014

DEPRESSÃO E O DEMÔNIO DO MEIO DIA

Sorrowing Old Man ('At Eternity's Gate')
Vincent van Gogh


As suas viúvas mais se multiplicaram do que a areia dos mares; trouxe ao meio-dia um destruidor sobre a mãe dos jovens; fiz que caísse de repente sobre ela, e enchesse a cidade de terrores. A que dava à luz sete se enfraqueceu; expirou a sua alma; pôs-se-lhe o sol sendo ainda de dia, confundiu-se, e envergonhou-se; e os que ficarem dela entregarei à espada, diante dos seus inimigos, diz o Senhor.
Jeremias 15:8-9

Van Gogh foi um dos artistas que melhor expressou a depressão em pinturas, e juntamente com Edvard Munch (O Grito) produziu alguns dos quadros mais icônicos sobre essa condição. Mas o que isso tem a ver com as escrituras afinal?

Lendo Jeremias 15 ontem me deparei com o texto acima, e lendo também um interessante estudo sobre o significado do meio-dia na Bíblia, constatei que de fato esse horário era tido como um horário um pouco sinistro de acordo com a Bíblia. Era a hora mais clara do dia, e ao mesmo tempo a mais inesperada para que coisas ruins ocorressem. E como elas ocorreram! Deus demonstra assim que o mal não escolhe hora.

No trecho acima citado Jeremias profetizava contra o povo de Israel devido a suas constantes transgressões contra Deus. A arrogância e prepotência do povo judeu naquela época os levava a uma atitude meramente religiosa e pagã, o que fizeram Deus a castigá-los e dar a eles o pagamento por seu comportamento (mesmo sofrendo por ter que ser duro com seu próprio povo, seus filhos): "Tu me deixaste, diz o Senhor, e tornaste-te para trás; por isso estenderei a minha mão contra ti, e te destruirei; já estou cansado de me arrepender - Jeremias 15:6".

O termo "demônio do meio dia" é análogo à depressão, como muitos sabem (o livro "O Demônio do Meio Dia" de Andrew Solomon é uma leitura extremamente esclarecedora quanto a doença). Mas o que significa afinal o mal ocorrer ao meio dia, ou melhor, o "Destruidor" ser trazido ao meio dia?

Fazendo uma ponte com o texto em Jeremias, fica claro que há alguma ligação com o que hoje conhecemos como depressão. "A que dava à luz sete se enfraqueceu; expirou a sua alma; pôs-se-lhe o sol sendo ainda de dia, confundiu-se, e envergonhou-se".

Na depressão o sol se põe ao meio dia, nos enfraquecemos, ficamos confusos... não é a mesma coisa? Além disso a depressão é um inimigo que surge mesmo às claras luzes de um sol a pino de meio dia. E é implacável. Só os que sofreram com ela direta ou indiretamente sabem de sua capacidade devastadora.

Ao contrário do que muitos ignorantes (no sentido de ignorância sobre o tema) afirmam, não há como evitar a depressão. Algumas pessoas são pré-dispostas a ela naturalmente, e podem aprender a evitá-la por algum tempo com algumas atitudes e terapia, mas nunca o tempo todo. Não é um estado no qual a pessoa se coloca, mas é um buraco aonde se cai e de onde é difícil sair. E quando se sai do buraco, volta e meia acabamos caindo ali de novo, porque como nas ruas brasileiras, os buracos continuam abertos.

As vezes sabemos onde estão estes buracos e aprendemos a evitá-los (situações que nos deprimem) mas muitas vezes não temos escolhas e somos obrigados a passar por eles e resistir - ou não - como pudermos. Situações políticas, econômicas e sociais que nos deprimem são mais difíceis de se evitar do que uma música triste ou uma pessoa irritante, porque evitar tais coisas não estão ao nosso alcance, não estão dentro de nossos poderes. Temos então que aprender a deixar isso passar por nós como vento, sem absorver aquilo, sem deixar que nos atinja.

Para isso vale uma série de coisas: rituais próprios diários como escutar músicas que goste ou fazer atividades físicas, terapia, uso de medicação antidepressiva, ou a boa e velha (e cada vez mais difícil) mudança de vida (para melhor).

No texto de Jeremias, Deus diz que envia o destruidor a aquele povo, mas termina o capítulo com uma promessa, uma esperança de redenção - algo que Ele, em sua infinita sabedoria e amor sempre nos dá.

Portanto assim diz o Senhor: Se tu voltares, então te trarei, e estarás diante de mim; e se apartares o precioso do vil, serás como a minha boca; tornem-se eles para ti, mas não voltes tu para eles. E eu te porei contra este povo como forte muro de bronze; e pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo para te guardar, para te livrar deles, diz o Senhor. E arrebatar-te-ei da mão dos malignos, e livrar-te-ei da mão dos fortes.
Jeremias 15:19-21

18 de março de 2014

CONTAMINAÇÃO CULTURAL DA INTERPRETAÇÃO DA LEI

“O Batismo de Jesus Cristo”
Aert De Gelder
Olhar algo do passado com os olhos do presente sempre gera novas (e nem sempre corretas) interpretações. O quadro de Aert De Gelder nunca teve nenhuma interpretação diferente daquela que ele planejou, não até o ano de 1947, quando ocorreu o incidente com Kennet Arnold e a consequente inauguração da ufologia moderna, ou mais precisamente não até o surgimento da teoria dos alienígenas ancestrais em 1968 com o livro "Eram os Deuses Astronautas?", que aliás surgiu apenas devido os eventos de 1947.

De repente o disco celeste, iconografia recorrente aos artistas do período da obra para representar o divino, virou um disco voador - mesmo que seja obvio que o artista nunca esteve presente no evento, ocorrido milênios antes, ou sequer tenha afirmado ter alguma revelação divina sobre a ocasião.

A simples aparência, diante de informações atuais pós eventos de 1947 e 1968 ganhou um novo significado que não era em nada aquele que o artista desejava expressar. E este é um dos melhores exemplos de como a contaminação cultural temporal pode ocorrer, gerando novas interpretações do antigo sob a ótica do novo, mas sem um critério muito bem estabelecido além do simples empirismo.

Sem um estudo de contextualização, uma representação pode ser entendida de forma totalmente incorreta, levando uma peça que representaria um inseto ser reinterpretada como prova de tecnologia alienígena no passado por exemplo.



Engana-se aquele que julga que tal fenômeno é recente. De fato, a Bíblia demonstra que isso já ocorria, e com a própria Lei divina revelada por meio de Moisés. O que me leva a pensar se não seria isso um vício de pensamento humano, algo recorrente em nosso modo de pensar que o método científico, quer de uma forma ou de outra, pode de fato ajudar a solucionar.

Em mais uma pregação do meu pastor - Rubens Santos, titular da Igreja Batista Memorial do Centenário em Campinas – uma mensagem bastante interessante nos foi apresentada, ainda uma continuação das bem-aventuranças (Mateus 5).

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.
Mateus 5:21-22

Jesus mostra neste trecho que a lei era interpretada de uma forma muito dura e pesada pelo sistema religioso, de tal forma que nem os mestres da lei podiam cumprir. Em suma: a interpretação da lei era muito pesada, em demasia. Mas por que? Como se chegou a isso?

A lei foi manipulada, tornando-se não a vontade de Deus para o povo, mas sim numa mera tradição. Tornou-se em uma manifestação cultural passada de geração em geração (Ouvistes que foi dito aos antigos), mas durante as eras esse conhecimento foi interpretado e reinterpretado de acordo com as mudanças culturais pelas quais a sociedade judaica passou, algo totalmente fora da vontade de Deus e fruto do pecado do próprio povo - um desvio imenso da rota que Deus havia planejado para a salvação do ser humano. Mas quais mudanças foram essas?

Houveram inúmeras mudanças em Israel entre a revelação da Lei por meio de Moisés e a vinda de Jesus Cristo. Inúmeras misturas e choques culturais ocorreram devido às constantes invasões pelas quais o povo passou - persas, babilônios e romanos sendo os de maior destaque. As próprias sinagogas surgiram neste contexto de exílio e dominação, já que nestas ocasiões o povo judeu não tinha acesso ao Templo, seu local tradicional de adoração e sacrifício.

Sob inúmeras formas os judeus e toda a sociedade israelense sofreu severas mudanças de pensamento diante tantas dominações, e a forma como compreendiam inúmeras coisas foi alterada pouco a pouco. 

Jesus deixa claro não só nessa passagem como também em todos os seus ensinamentos que Deus não exigia e nem exige aquele peso compreendido por eles incorretamente - de acordo com suas tradições que sequer eram questionadas. Por que se a lei fosse segundo aquela compreensão, seria impossível de ser cumprida.

Jesus por outro lado explica o real significado da Lei, sendo portanto o filtro que todos nós precisamos para compreendê-la adequadamente - daí o termo "analisar o antigo testamento sob a ótica do novo" faz sentido.

Quando Jesus fala "eu porém vos digo" é o momento em que ele faz a "tradução" do que Deus realmente quer dizer com determinado trecho da Lei, seu verdadeiro princípio e significado, o verdadeiro espírito da lei. Há neste instante um RESGATE do significado da Lei.

Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou.
1 João 2:6

Esse trecho de 1 João diz que devemos viver como Jesus viveu. A esperança futura de sermos como  Ele - nosso alvo, nosso objetivo máximo - pode ocorrer de fato aqui e agora pois fica claro que devemos ser moralmente semelhantes à Jesus nas atitudes do dia-a-dia! Jesus deixou claro que Ele não veio para negar a Lei, mas para cumpri-la (como visto neste post). Não a lei interpretada de acordo com a visão distorcida da cultura humana, mas sim na sua mais sublime e pura essência: amor.

Cada momento e experiência de vida nos transforma e nos molda. Devemos trabalhar para orientar esta mudança em direção a Jesus.

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Romanos 8:28-29

Ao contrário que muitos pensam, isso não é um peso, mas sim um enorme e revigorante estímulo! A compreensão de que isso é um processo e que nenhuma mudança ocorre da noite pro dia exige de nós apenas humildade, pois afinal a mudança vêm por nossa mera vontade e persistência em permitir verdadeiramente que o Espírito Santo, a inspiração divina, nos mude de dentro para fora.

Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.
2 Coríntios 3:18

As pequenas vitórias morais do dia a dia, como deixar de cobiçar um bem de outra pessoa, ou deixar de cobiçar uma mulher fora do casamento, ou deixar de ludibriar alguém em algum negócio, ou deixar de fazer o mal por negligência direta e consciente ou ação direta nos moldam pelo significado que elas ganham ao orientarmos isso tudo à santificação diária (fazermos o bem deixarmos de fazer o mal por amor a Jesus e a Deus), e não são destruídas pelas nossas falhas - que ocorrerão, pois somos todos pecadores.

Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.
1 Pedro 2:21

11 de março de 2014

INSENSIBILIDADE DE UM FALSO SAMARITANO

O Bom Samaritano
Ferdinand Hodler

E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.
Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.
Lucas 10:30-37

A passagem do Bom Samaritano é uma das mais marcantes da Bíblia para mim por manifestar uma das principais características que um cristão genuíno tem: a caridade e o comprometimento com o próximo. Essa passagem é direta e prática, carregada de ensinamento e significado, simples... mas absurdamente difícil de ser aplicada no nosso dia a dia.

O "não ajudar a quem parece precisar de ajuda" é um comportamento natural na nossa sociedade, pois muitos espertalhões folgados e mal intencionados se aproveitam da situação para se fazerem de coitados e praticar desde a mendigagem desnecessária até roubos e chantagens. Você provavelmente já passou por isso, tenho certeza.

Mas e quando é claro que uma pessoa precisa de fato de ajuda e você, desacostumado a praticar esse tipo de amor, ignora, olha pro outro lado, se esquiva? Eu passo muito por isso, e todas as vezes me sinto um idiota porque eu devia ter o desprendimento de ser caridoso, de ajudar, de me envolver. Todos nós devíamos. E não por sentimento de culpa - que é usado por muitos para arrancar uma "caridade" sua - ma sim pelo amor e sincero desejo de ajudar um ser humano. Um ser humano! Um ser para o qual desaprendemos a amar.

Estes dias eu estava indo almoçar, e na porta do restaurante havia um morador de rua sentado, meio acabado, olhando para o infinito. Pensei se ele queria algo para comer, mas fiquei com medo de perguntar. Medo dele querer conversar comigo ou de que ele me visse como um salvador e ficasse sempre atrás de mim para dar comida a ele? Medo de me tornar responsável por ele em algum grau? Não importa, foi apenas medo. Mas por que eu não tenho mais medo do fato de não cumprir a vontade de Deus?

Veja bem, não foi pelo dinheiro: uma marmita naquele restaurante seria barata de pagar. Então por que eu não fui lá, perguntei pra ele se ele queria uma marmita? Por que fui omisso?

E esse é só mais um exemplo da minha babaquice e auto-engano. É uma barreira que não consigo quebrar, e assim vou agindo como levita ou como sacerdote... sem me sujar, sem me envolver, sem amar.

Esse post não contém nenhuma reflexão - o ensinamento que Jesus deu ao falar essa parábola é claro como cristal. Este post é apenas um desabafo e um reconhecimento do meu pecado e da percepção - antiga - de que eu preciso mudar e melhorar, não apenas - mas ainda sim - nisso.

Assim, como um falso samaritano, finjo ajudar, finjo me importar, finjo ser o que não sou mas devia ser, e tento me enganar quanto ao estado deplorável que é minha moral e minha ética.

7 de março de 2014

O CUMPRIMENTO DA LEI

Justice and Divine Vengeance Pursuing Crime
Pierre-Paul Prud'hon

Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim obrigar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
Mateus 5:17-20

Em mais uma pregação do meu pastor - Rubens Santos, titular da Igreja Batista Memorial do Centenário em Campinas – uma mensagem bastante interessante nos foi apresentada, ainda baseada nas bem-aventuranças (Mateus 5), na verdade em sua continuação.

Jesus coloca-se mais uma vez como O exemplo. Ele demonstra em sua vida que sua justiça é a própria justiça moral de Deus em toda a sua amplitude. O próprio Pilatos reconheceu esta justiça e a falta de qualquer culpa que Jesus poderia ter, tornando portanto o ato do sacrifício da cruz algo de profundeza espiritual infinita como pode ser visto adiante..

Jesus disse no trecho acima citado que veio para cumprir a Lei e não para anulá-la. Não sei você, mas para para mim o fato de que a Lei não podia ser cumprida por ninguém (apenas por Ele próprio) e ao mesmo tempo Ele dizer que nós devemos ser como Ele (imitá-lo inclusive no cumprimento da Lei) causa uma (falsa)  sensação de contradição.

Primeiramente é preciso entender o que é "a Lei". A Lei são as "regras, deveres e privilégios" espirituais ensinadas pelo sistema religioso de Israel na época e até os dias atuais dentro da religião judaica (e cristã). Tal "Lei" era pesada demais para os judeus (e cristãos) devido a própria interpretação que os "doutores da Lei" (clero) davam a elas. Resumindo: os fariseus ensinavam interpretações falhas (humanas) das escrituras, exigindo um comportamento dos fiéis, comportamento que eles próprios não eram e não são capazes de cumprir.

Cientes disso, nos fica claro que a doutrina que Jesus trouxe não era diferente - não houve mudança da "Lei". Ela apenas foi despida da sua interpretação falha, humana e cheia de peso, culpa e julgamento. Jesus a mostrou segundo sua verdadeira natureza, ou seja: segundo a verdadeira intensão de Deus. Não a toa Jesus fala que seu julgo era leve: Ele demonstra que seguir a Lei não é difícil como somos levados a crer, ficando sua dificuldade e peso atribuídos às interpretações falhas criadas pelo sistema religioso.

Jesus portanto não descumpriu a Lei mesmo em situações em que fariseus acharam que sim, como nos casos de pegar espigas e curar pessoas no sábado. Jesus demonstrou nestas passagens que a prática do bem e do amor nunca descumprirem a Lei, pelo contrário, cumprem-na. Esta é a verdadeira Lei: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Entendimento, cordialidade, paz, justiça, respeito. Tudo isso e muito mais.

Jesus cumpriu esta Lei na sua plenitude, realizando a vontade de Deus e dando sua vida pelo próximo, que somos todos nós. Jesus uniu assim o velho e o novo testamento, pois só Ele pode cumprir a Lei plenamente.

Tendo em mente que a Lei apresentada no Antigo Testamento é doutrinária (pois ensina a vontade de Deus), profética (pois revela a existência de Deus e a salvação do homem de seu pecado) e moral (ensina o comportamento que os filhos de Deus tem por natureza), fica claro que Jesus não rompe com o Antigo Testamento, mas sim o reinterpreta da maneira pura, sem a cultura do homem associada, como visto na carta de Paulo aos Hebreus.

Jesus é assim a continuidade da conversa que Deus começou com a humanidade no antigo tratamento. Desde o Gênesis a doutrina da salvação é a principal mensagem das escrituras, assim como o espiamento dos pecados pelo sacrifício de um inocente (o surgimento do sistema sacrificial), que por sua vez é plenamente cumprido em Jesus, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Jesus é de fato O exemplo. Ele cumpriu todos os preceitos éticos dados por Deus, como amor, bondade, sacrifício e amizade. Por meio dEle, fica claro que nosso relacionamento com Deus se resume em estabelecer um novo padrão de vida diante do Pai, um padrão segundo sua vontade.

25 de fevereiro de 2014

QUE LUZ SOU EU? SEM ESPAÇO PARA A CULPA

"José o Carpinteiro"
de Georges de La Tour
http://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_the_Carpenter
Em mais uma pregação do meu pastor - Rubens Santos, titular da Igreja Batista Memorial do Centenário em Campinas – uma mensagem bastante interessante nos foi apresentada, ainda baseada nas bem-aventuranças (Mateus 5), na verdade em sua continuação.

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.
Mateus 5:13-16

Há uma conotação, dada pela igreja de forma geral, que diz que DEVEMOS SER sal e luz, e de que exista uma obrigação em sermos assim. Mas o texto não nos conclama a uma obrigação, mas sim a uma natureza: não nos tornamos, já somos.

Somos desafiados pelas pessoas a sermos sal e luz, em uma interpretação equivocada de que devemos nos ater a conter nossos impulsos, a não olharmos e darmos vazão às oportunidades para cometer o mal e aquilo que não é a vontade de Deus. Bem, é isso, mas muito mais e ao mesmo tempo mais simples. É se comportar e ter atitudes que vão contra a cultura humana do egoísmo e submissão pelo uso da força. É se preocupar com o próximo, respeitar o ser humano, agir com bondade, com calma e paciência. É ser equilibrado e justo, buscando o bem comum. É amar.

O conceito de ser sal e luz está logo após os versículos das bem-aventuranças, e não são um novo assunto mas sim uma complementação (ou conclusão) das próprias bem-aventuranças que Jesus falava anteriormente, que são as qualidades do Reino de Deus manifestas em nós e por nós. Não há portanto uma obrigação em ser sal e luz, mas sim uma constatação de que uma vez aceitando Cristo, já somos sal e luz, sendo este sal e luz manifestações da nossa nova natureza como salvos.

E ai me pego nos dias atuais, onde ando sem a menor paciência e a irritação me domina, por um monte de razões que diante de Jesus Cristo não são justificativa alguma.

Uma mulher muito sonsa parou o carro na entrada do meu prédio, bloqueando entrada e saída de veículos (e eu estava tentando chegar em casa, com o dedo dolorido de uma cirurgia e cansado após um sábado inteiro estudando em minha pós graduação), para deixar um papel na portaria. Ela foi se arrastando, e demorou bem mais do que 3 minutos, pegando e depois colocando os papéis no porta-malas do carro. Acabei gritando com ela e minha vontade era de ver o sangue dela escorrendo pelas ruas.

Alguns dias depois, em casa, desejei em voz alta o mal aos proprietários da academia que fica de frente com meu prédio e com a qual tenho sérios problemas, por fazerem imenso barulho todos os dias até as 21h. Minha esposa mesmo me olhou com receio e me disse: "olhe bem o absurdo que você está falando".

Fiz exatamente o oposto do que Deus espera de mim., para minha vergonha e desserviço ao Reino.

Não me vejo como sal e nem como luz. Não vejo em mim as qualidades da nova natureza que eu deveria ter adquirido. Não vejo em meu proceder a mudança que dizem que apenas Jesus promove. Se todas essas mudanças no entanto só ocorrem por meio do poder de Cristo, só posso supor que eu nunca o aceitei verdadeiramente - o que me deixa em maus lençóis pois não sei de que outra forma eu deveria aceitá-lo então - ou as mudanças já ocorreram em mim e eu sou incapaz de reconhecê-las.

Há ainda uma terceira hipótese, e penso, seja a mais obvia.

Não sou um idiota. Sei que todos os crentes tem explosões como estas e que todos somos pecadores e que todos falhamos e iremos falhar até nossa ida para a Glória do Senhor, e que nossa vida cristã é essa luta constante pelo aperfeiçoamento no Senhor. Me incomoda muito não conseguir ter o domínio próprio que sempre julguei ser marca registrada do crente, o comportamento manso, o amor incondicional e o proceder virtuoso que faz com que as pessoas vejam Cristo vivendo por meio daquela pessoa. Mas acho que esse é o ciclo natural da vida cristã:

Deus nos aperfeiçoa durante todas as crises pelas quais passamos. Falhamos miseravelmente na maior parte do tempo, no início da nossa caminhada, e a consciência de Cristo surge então para nos confrontar, não como um dedo acusador que demonstra "você pecou" mas sim um abraço amoroso que diz "vá e não peques mais" pois o trabalho de acusação já é feito perfeitamente por nós mesmos, pelas pessoas a nossa volta e pelo próprio Satanás, nos esmagando em culpa.

Caminhar com Jesus é um aprendizado, uma evolução, uma mudança gradual em nós rumo ao formato de Cristo. Tudo nesse mundo é temporal, as coisas não ocorrem imediatamente e toda obra leva seu devido tempo. Deus construiu nossa realidade física dentro destes princípios, e mesmo tendo todo o poder para agir fora dessas regras, acho que Ele não faria isso, pois tais regras tem sua razão de existir.

Me incomoda ver como eu devia ser e constatar no quão longe estou de me aproximar dEle, e entristecê-lo, e não conseguir demonstrar por meio da minha vida a verdade que Ele é, e com isso, desestimular pessoas a se aproximar dEle por acharem que, por falhar, eu não creio ou aquilo em que creio é falso.

Não pretendo desistir daquele que nunca desistiu de mim. Porque eu sei que essa é a vontade do Senhor: não que eu peque, mas que eu me deixe mudar, dia a dia, pela percepção de meus pecados e de como meu proceder deveria ser. E se hoje sou uma luz pálida, uma chama frágil que tremula na escuridão e que muitas vezes parece não iluminar nada, sei que Deus está ao meu lado e sempre buscará alimentá-la para que se torne cada vez mais brilhante.

17 de fevereiro de 2014

A PERSEGUIÇÃO PELA ÓTICA DAS BEM-AVENTURANÇAS

William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)
"The Remorse of Orestes" (1862)
obtido na wikipedia

Meu pastor - Rubens Santos, titular da Igreja Batista Memorial do Centenário em Campinas – vem expondo uma série de pregações sobre as bem-aventuranças (Mateus 5) , destacando como elas são características do crente, e não comportamentos que devemos buscar de forma artificial. A mudança vem de Deus, afinal.

Alguns domingos atrás ele falou sobre a perseguição, e tomei notas sobre o que foi falado por achar o assunto extremamente pertinente aos crentes em Jesus, e a mim mesmo especialmente.

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" Mateus 5:10

Há uma interpretação normalmente equivocada com relação e este versículo. Muitas pessoas pensam que simplesmente por serem crentes, qualquer perseguição que sofram em suas vidas é uma perseguição “por causa da justiça”. E isso é um erro.

A perseguição citada nos versículos não ocorrem devido a decisões próprias da pessoa,  ou devido a equívocos e erros nossos, à más ações e problemas criados por nós mesmos.

Na ótica das bem-aventuranças não somos perseguidos por nosso fanatismo religioso ou por nosso fundamentalismo, nem por sermos puritanos e arrogantes por nos acharmos donos da verdade, juízes da humanidade e impositores de doutrinas.

Todas essas coisas geram perseguição contra nós,  mas esta perseguição não ocorre por causa de Cristo, mas sim por nós mesmos.  Perseguição nesse sentido (fora das bem-aventuranças e do significado bíblico) é decorrente de um ato particular e pessoal, uma resposta natural a uma causa natural, e não caracteriza a dita perseguição “por causa da justiça” de forma alguma.

Doenças, perseguições políticas, bullying, assédio moral no trabalho e preconceito racial, sexual e religioso estão nesta mesma categoria. É algo que ocorre com qualquer pessoa, seja ela crente ou não.

A perseguição citada nas bem-aventuranças diz respeito a uma perseguição muito clara: perseguição por ser cristão. Entenda bem: por SER CRISTÃO, e não por se declarar ou achar que é cristão. Por ter o comportamento de Cristo de fato! Por sermos pessoas que buscam a Deus genuinamente, que se comportam conforme a vontade de Deus verdadeiramente, ou seja,  ocorre com aqueles que SÃO conforme o coração de Deus.

A perseguição ocorre com aqueles que entendem o que significa amar a Cristo, e que o amam totalmente. Este amor gera um comportamento que por sua vez gera a perseguição, “um comportamento de justiça”. Somos perseguidos por sermos diferentes do mundo, por sermos como as bem aventurança revelam que o crente deve ser (e não emular). Mas por que?

O comportamento genuinamente  cristão incomoda as pessoas que não são cristãs. Elas não suportam ver um comportamento genuinamente cristão pois isso demonstra a elas com elas mesmas estão afastadas de Deus, e do que podem ou estão perdendo.

Esse comportamento não é um comportamento meramente caridoso e benevolente. Diversas pessoas não crentes são boas e caridosas, realizando importantes trabalhos, melhorando a vida de várias pessoas em nossa sociedade em uma atitude que precisa ser estimulada. Na verdade o que incomoda as pessoas e gera a perseguição é meramente o relacionamento pessoal e afetuoso que um crente tem com Jesus. A segurança que ele tem sobre as certezas que só Deus trás, a fé, a esperança, o ato de entregar a vida a Deus, de ser como as bem aventuranças falam que o crente é. O ato de viver debaixo da graça de Deus e crer de todo coração.

Enfim, como crentes devemos ser diferentes do mundo. Autênticos, nunca falsos no comportamento. Crentes de coração. Isso trará perseguição sobre nós, mas como dito nas bem aventurança:

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" Mateus 5:10

5 de novembro de 2013

SONHO: INCÊNDIO EM HOTEL ASIÁTICO

O lugar era alguma cidade na Ásia, quente e úmido (Tailândia, Malásia, etc). Em uma cidade com uma luz amarelada, eu estava em um hotel. Estava na cidade para fazer algo, algo que algumas pessoas dessa cidade não queriam que eu fizesse. Era como se eu fosse um agente secreto, buscando alguma coisa oculta na cidade tentando não chamar a atenção, e as autoridades desta cidade não quisessem que eu a encontrasse.

Estas autoridades começam a me procurar, e em uma perseguição eu consigo me esconder. Vejo-os perguntando por mim na recepção, já que toda a ação ocorre dentro do prédio deste hotel.

As autoridades começam a me perseguir novamente, e é neste momento que o prédio do hotel começa a pegar fogo. O fogo está em andares superiores a aquele em que estou, e no meio da multidão, sou evacuado do prédio. Não chego a ver fogo, apenas a fumaça. E assim sei que as autoridades não me pegarão. Me sinto livre, mas ao mesmo tempo triste. O ar parece pesado e eu não estou exatamente feliz. O sentimento é de perda.

E neste momento eu acordei.

Interessante notar que tenho passado por um momento de estresse mais intenso em meu trabalho e a sensação de depressão vem me atormentando novamente desde então. No dia anterior, na Igreja, tive uma sensação, um pensamento. Foi como se Deus estivesse falando comigo porque um pensamento surgiu do nada, e não foi agradável pois o pensamento foi “você terá que perder tudo o que tem”. Esse pensamento me arrebatou sem um motivo aparente. Pode ter sido apenas minha mente estressada? Pode ter sido uma influência maléfica? Pode ter sido Deus? Não sei.

Acho que quando Deus fala conosco, ainda mais assim, sabemos que foi Ele quem falou por vir acompanhado de uma sensação de paz e liberdade – se bem que Deus pediu a muitas pessoas que fizessem coisas que elas não queriam e que as perturbou bastante também. Paz e felicidade não foi o que eu senti quando o pensamento me surgiu. O que eu senti foi pavor, medo e, acima de tudo, opressão. De onde veio esse pensamento então? Da minha mente cansada e estressada, ou de fora de mim mesmo?

Tentei entender o que essa possível perda significaria. Será que minha vida atual me desvia de Deus de tal forma que tenho que ser despojado de tudo e todos para poder ter uma vida de acordo com a  vontade de Deus? Essa foi a única interpretação que tive, mas mesmo assim, a coisa é muito mais complicada do que meramente meus bens – que na verdade são bem comuns e até simplórios. Ocorre em todo o meu ser – meu comportamento, minhas atitudes, meus desejos, meus pensamentos, meus objetivos (ou falta deles).

Seria a perda relativa a algo diferente do material? Seria a perda, por exemplo, da sanidade? Seria minha depressão voltando? Ou o surgimento de alguma nova condição psicológica, desencadeada pelo estresse e sentimento de prisão, falta de escolha e falta de orientação que se intensificou mais nos últimos tempos? Coisas que debati de forma bastante intensa em minha última sessão de terapia, poucos dias antes deste sonho.

O sonho veio depois disso tudo, e não pude notar de ver estampado nele algumas situações que vivenciei naqueles dias e em momentos anteriores de estresse. Desejo de fuga de uma situação onde me sinto oprimido e perseguido. A fuga ocorrendo por meio de algo que está fora do meu controle, que ocorre de forma quase milagrosa – um incêndio. E o próprio incêndio, analisado do ponto de vista simbólico no subconsciente, sendo o fogo um elemento destruidor e ao mesmo tempo purificador. A mente é uma coisa fantástica e incompreendida, e o subconsciente trabalha medos, ansiedades e memórias de formas estranhas, usando s sonhos para diversas funções. Mas ao mesmo tempo, há muitos casos que demonstram que os sonhos são mais do que mero produto dos processos mentais.

Algo ocorrerá? Sofrerei alguma perda? Sofrerei a perda de tudo que tenho? Ficarei esquizofrênico ou depressivo? Eu não sei. A ansiedade inicial com a situação já diminuiu, de bem que permaneça aqui inconvenientemente.

Porém, ocorrendo alguma perda ou não, que Deus esteja no total controle de minha vida, e seja lá o que for, que me leve cada vez mais para perto de Jesus. O medo de sofrer perdas materiais e/ou emocionais são grandes, ninguém as quer sofrer, muito menos eu. Mas se for ocorrer, que ocorra para a glória de Deus.