LUTE

Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas - 1 Timóteo 6:12

SE DEIXE TRANSFORMAR

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus - Romanos 12:2

ACEITE O SACRIFÍCIO

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - João 3:16

VÁ NA CONTRA-MÃO

Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras, e vocês permanecerão na terra que o Senhor deu a vocês e aos seus antepassados para sempre. Não sigam outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los; não provoquem a minha ira com ídolos feitos por vocês. E eu não trarei desgraça sobre vocês - Jeremias 25:5-6

REFLITA A LUZ DE JESUS

Pois Deus que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo - 2 Coríntios 4:6

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24 de agosto de 2009

OUVINDO VOZES

Quando eu tinha entre 17 e 18 anos eu trabalhava para uma cliente do meu pai fazendo arte para impressos, em uma gráfica. Na verdade trabalhava na casa desta pessoa, em um quarto nos fundos. As vezes eu tinha que ficar até mais tarde e eles saiam de noite para fazer alguma coisa (festas, sei lá), e eu ficava lá sozinho, trancado. Era meio estranho, mas eu precisava do trabalho na ocasião para aprender...


Bom, certa vez eu estava lá sozinho. Estava fazendo meu trabalho no Corel Draw!, com um computador pra lá de lerdo que não tinha multimídia na época, nem nada, quando, no meio daquela noite muito silenciosa, em que eu podia ouvir minha própria respiração, eu escutei claramente um sussurro, como se fosse em meu ouvido: “... daniel...”.


Foi tão claro que eu não parei para pensar, simplesmente respondi: “Fala”. E não obtive resposta alguma.

Achando que o filho do meu chefe estava fazendo alguma brincadeira comigo (ele era gente boa, mas nunca se sabe né?) eu sai rapidamente do quarto e vi que nos fundos da casa estava tudo escuro e silencioso. Não havia ninguém na casa. Estava tudo trancado e quieto. Não ouvi barulhos de passos nem nada. Estava só.


Olhei para o céu: não havia nenhuma luz estranha, então não podiam ser OVNI´s. Nem poderiam ter sido os cachorros da família, porque eles não sabiam falar (acho). Então um arrepio percorreu a minha espinha, pois me dava conta de que existiam poucas explicações para aquele fato.


Ou eu estava ficando esquizofrênico e começava a ouvir vozes em minha mente, ou tinha sido um fantasma/demônio/espírito. De fato, falei com alguém sobre isso certa vez e me disseram que se eu ouvisse a voz de novo, que não deveria responder, e deveria fingir que não havia ouvido nada.


Alguns minutos depois meus empregadores chegaram e eu pude ir embora. Mas foram minutos horripilantes em que eu fiquei temendo ouvir aquela voz de novo.

23 de agosto de 2009

A VEZ EM QUE EU TOMEI MUITO SOL E QUASE FIQUEI LOUCO

Teve um encontro da igreja que eu e minha esposa (na época namorada) freqüentávamos que foi em uma chácara. Com piscina. Eu odeio piscina hoje em dia, e este evento foi um dos que me motivaram a tal.


O dia estava meio nublado, mas estava quente. Por causa disso eu fiz uma das maiores burradas que alguém pode fazer em uma situação dessas: eu tirei a camisa. Pô, sou filho de caiçara!!! Como não fui me lembrar do fator mormaço???


O dia passou numa boa, muito refrigerante e churrasco, muita diversão e conversa. Tudo muito bom. Até que o dia acabou e eu fui pra casa. No dia seguinte me olhei no espelho e então me toquei que eu não estava com a pele vermelha, mas sim roxa. Nas costas, no peito e nos ombros. E o pior, começava a sentir uma coceira indescritível.


Quando eu tentava coçar, uma dor terrível surgia no loca, porque a pele estava muito, muito queimada. E ai, ao perceber que eu não poderia coçar direito é que a coceira começou a se transformar em comichões insuportáveis.


Olha... foi uma das piores agonias que eu já senti. Minha mãe viu minha aflição e encheu a banheira de casa (sim, é uma casa velha e tinha banheira), colocando maisena (!!!) na água. Entrei ali, mas não adiantava nada. A coceira só piorava, e doía cada vez mais. Em sai correndo pela casa, pulando de desespero, chorando sem saber o que fazer. Eu corria de um lado para o outro, me coçava e gritava de dor e de mais coçeira que surgia. Com a atividade física o sangue começou a circular mais rápido e tudo ficou ainda pior.


Meu pai pegou um copo de whisky e me deu para beber. Eu ODEIO whisky, mas bebi, porque fazia um certo sentido (o álcool ia me deixar mais calmo e a coceira ia se acalmar). Mas não adiantou nada. Continuei correndo por toda a casa, minha mãe atrás de mim sem saber o que fazer e meu irmão cascando o bico.


Voltei para o chuveiro, e lasquei água fria em cima de mim. Acho que ai o whisky começou a fazer efeito, e a coceira foi parando. Quase fiquei louco, sério. Eu já cogitava sair correndo pela rua, pelado, para um carro me atropelar e acabar com minha agonia.


Moral da história: nunca mais tomei sol na vida sem proteção. Na maioria das vezes eu simplesmente evito me expor a ele (o que é muito sábio), ou quando não tenho escapatória, passo protetor fator 50.

22 de agosto de 2009

UM DOS MEUS MAIORES VEXAMES PÚBLICOS

No final dos anos 90 eu ainda não era convertido, mas não era um cara de se meter em problemas. No entanto, vivia meio deprimido por um só fato: eu não arrumava mulher nem pagando. Quer dizer, nunca procurei uma que aceitasse pagamento, mas acho que mesmo estas não iam querer trabalhar para mim porque eu devia ter alguma uruca. Não era feito nem chato, sabe? Só era meio recluso. Sei lá, enfim...


No meio dessa pindaíba toda, um amigo meu (o Ricardo, o mesmo do Marins) me chamou para fazer uma das viagens mais bacanas que eu já fiz na vida: ir passar um feriado acampando em Trindade, perto de Paraty, RJ.


O lugar é lindo de morrer, e acampamos na areia da praia. Haviam campings controlados pelos pescadores que moravam lá. Chegamos de madrugada, montamos nossas barracas e desmoronamos. Amanheceu, o sol lindo de morrer, e o Ricardo e o MAD (estávamos em 5, tinha também a Bel, namorada do Ricardo, uma amiga dela e o MAD) estavam cortando limão para tomar com tequila e comer amendoim. DE CAFÉ DA MANHÃ.


Eu entrei na dança. O esquema era jogar sal no limão, chupar e então beber a tequila, direto na garrafa. Comíamos uns amendoins para forrar o estômago. E assim fomos.


Chegou uma hora que eu perdi o controle e não me lembro bem o que aconteceu. Lembro que o Ricardo se levantou para fazer alguma coisa, e o MAD foi junto. Fiquei eu, meia garrafa de tequila, uns limões e uns amendoins. Eu já estava ruim, e por isso mesmo é que fiz uma burrada imensa: continuei a tomar, chupar limão e comer amendoim.


De repente eu me dei conta de que estava muito mal. O mundo girava, e parecia que eu estava dormindo, só que acordado. Olhei para a garrafa e me assustei. Juro que para mim não tinha se passado nem 2 minutos, mas havia ali só um dedo de tequila! Ou eu tinha tomado mais de meia garrafa sozinho, em menos de uma hora, ou a tequila era tão etílica que evaporou rapidamente.


Lembro que me levantei, e ai o mundo girou de vez. É uma sensação terrível! Comecei a andar com a garrafa na mão sem saber o que fazer, mas me lembro que eu pensava “Anda reto, não cambaleie, não dê na cara, olha a vergonha!”.


Hoje eu tenho CERTEZA que qualquer um podia ver que eu estava MUITO bêbado. Eu me encontrei com a Bel, que falava com a amiga dela. Ao me ver, ela se assustou. Eu entreguei a garrafa na mão dela e disse algo como “Toma isso que eu não estou conseguindo parar de beber”. E nisso cambaleei de volta para a minha barraca, porque de repente um sono inacreditável me possuiu. Devia ser um coma alcoólico se aproximando, e um coma alcoólico em um lugar que nem um posto de saúde tinha devia ser algo muito perigoso.


Me joguei dentro da minha barraca e apaguei na hora. De repente, sei lá quanto tempo depois, o Ricardo veio na minha barraca gritando, acho que já imaginando o pior. Ele bateu na barraca e me mandou sair de lá imediatamente. Eu resmunguei alguma coisa, e ele não teve dúvida: com sua delicadeza usual, abriu a barraca, me pegou pelos pés e me arrastou pra fora com uma força tremenda. Eu gritava falando “PARA! PARA QUE EU VOU VOMITAR!”.


Ao ser arrastado para fora, eu fiquei de joelhos no meio do acampamento. Todos estavam olhando para mim, e quando eu digo todos, eram TODOS mesmo. O camping inteiro. Alguns segundos ali e então toda aquela tequila com limão e amendoim se revoltaram e quiseram me abandonar. Vomitei fartamente na areia da praia, ajoelhado, diante de umas 50 pessoas que começaram a rir da minha cara descontroladamente.


Me lembro que quando eu terminei, enterrei o vômito que nem um gato faz com suas necessidades, e então o Ricardo me levantou com a mesma delicadeza (já devia estar se perguntando porque diabos havia me chamado para ir com ele) e me arrastou para fora do camping, falando que a gente tinha que andar e que eu tinha que comer alguma coisa.


Passei o resto do dia completamente zumbi. Mal consegui comer, e naquele resto do feriado (era o primeiro dia) eu não bebi mais nada. Se tinha alguma garota de olho em mim naquela viagem, eu havia exterminado qualquer chance com ela naquele instante (minha esposa falaria “ainda bem”).


Desde aquela ocasião eu não bebi mais tequila. Mas sempre desconfiei que o problema devia ser com o limão.

Sem defender o consumo de bebida, mas verdade seja dita: essa maldita ocasião me ensinou a beber, e eu nunca mais tive problemas com a bebida.

O DIA EM QUE DEI UM TIRO NA MINHA PRIMA

Meus irmãos tinham, nos anos 90, daquelas armas de brinquedo que pareciam de verdade, e que atiravam bolinhas de plástico. Eram perfeitas, tanto que a polícia proibiu a venda delas no país porque tinha gente as usando em assaltos, e a maioria das pessoas não era capaz de diferenciá-las de armas de verdade.


Na festa de formatura da faculdade do meu irmão mais velho veio a família toda para prestigiar. E eu não sei porque cargas d'água eu resolvi dar um susto na minha prima. Provavelmente uma babaquice passageira. Peguei a Beretta 92S de brinquedo do meu irmão, tirei o pente dela e vi que não havia nenhuma bolinha. Pensei que assim seria seguro usá-la para assustar minha prima.


Armei a arma e pulei dento do quarto aonde ela estava conversando com minha mãe e com minhas outras primas. Mirei e atirei. O que eu não sabia é que tinha uma bola na agulha. Meu Deus do céu, foi um desespero total!!! Minha prima levou o tiro da bola de plástico bem no peito, acima do seio. Fez uma cara de que estava morrendo, ela e todo mundo gritou, fui xingado até por minha mãe, e fiquei sem saber o que fazer, me sentindo o maior idiota da Terra.


Depois minha prima deu risada e me disse que pensou que tinha levado um tiro de verdade, e que tinha ficado desesperada por causa disso (ainda bem que ela é bem-humorada, porque hoje ela é advogada e poderia me processar). No final das contas eu implorei perdão, tomei uns 2 copos de vinho para ficar meio groge e superar aquilo tudo, e no fim tudo ficou bem, fora uma marquinha que ficou na minha prima por conta da bolinha. Sumiu uns 3 dias depois.


Mas no final, meu objetivo foi atingido: eu realmente dei um baita susto nela, e por tabela em todo mundo que estava presente.

21 de agosto de 2009

QUANDO EU LEVEI UM SOCO NA CARA POR NADA

Moleque é uma desgraça, né? Me lembro com amargura dos meus anos de escola. Não pela escola em si, mas pela companhia “agradável” daqueles pequenos bastardos a quem eu chamava de colegas. OK, tive bons amigos com os quais ainda falo bastante, como o Ricardo e o Antônio, mas que a maioria eu nem lembro nome, é fato.


Essa história é curta: teve um dia, quando eu estava na 5ª ou 6ª série (não lembro) em que eu estava andando tranqüilamente pelos corredores da escola após o intervalo, voltando para a sala de aula, quando o Eli, o maior moleque da minha classe (e também o mais bobo) me abordou todo nervoso falando: “Você chamou a minha mãe de puta!”. E então meteu um socão na minha cara.


O detalhe é que eu não entendi nada. Por alguns instantes pensei se eu tinha xingado a mãe de alguém, mas não me lembrava de nada. Sai chorando e fui passar água no olho, que estava doendo. Alguém viu e chamou o meu irmão, que estudava na mesma escola, mas estava uns 2 ou 3 anos na minha frente porque era mais velho que eu.


Ele veio e pegou este tal de Eli, falando pra ele nunca mais encostar um dedo em mim, porque se não "sangue iria rolar" (nessas horas é bom ter irmão mais velho pra tocar o terror, ele nunca faria isso, mas conseguiu assustar o moleque).


Depois eu fui saber o motivo daquilo tudo: um outro moleque foi falar para o Eli que eu tinha xingado a mãe dele, mas eu não tinha. A troco do que ele fez isso eu não sei até hoje. Só sei que o Eli me pediu desculpas depois, não sei se por perceber a idiotice que fez ou se por medo do meu irmão.


Mas uma coisa eu aprendi naquele dia: você pode fazer tudo certo na sua vida, ser uma pessoa honesta e direita, mas sempre, SEMPRE tem um desgraçado querendo te ferrar a troco de nada.

Sabe, se eu tivesse feito alguma coisa contra ele, até entenderia aquela porrada. Mas eu não tinha feito nada! Agora eu me lembro bem porque queria tanto virar adulto naquela época: eu já não entendia o que passava pela cabeça das pessoas nesta idade.

20 de agosto de 2009

QUANDO A MORTE FUNGOU NO MEU CANGOTE

Eu sempre fui um cara comportado, mas houveram duas vezes em que eu quase morri. Em uma eu me machuquei muito, na outra milagrosamente não me aconteceu nada.


A primeira vez foi quando a rua da minha casa ficou bloqueada por meses a fio, porque para chegar no nosso bairro era preciso passar por uma ponte sobre um ribeirão e a ponte estava velha, de tal forma que a derrubaram para construir outra no lugar. Assim, nós crianças ficávamos brincando ali, livres, sem carros para nos preocupar.


A rua em si fica em uma enorme ladeira, e era de paralelepípedos. Eu andava de bicicleta havia pouco tempo, mas adorava fazer isso. Só que eu não tinha bicicleta. Quem tinha era meu irmão, o Leandro. Aquela freestyle azul era o xodó dele. Mas ele me deixava andar nela de vez em quando, pra infelicidade dele.


Um dia meus primos e primas de Santos estavam em casa para passar um feriado, e estávamos todos brincando na rua, empinando pipa, brincando de pique-esconde, estas coisas. Foi quando eu tive uma idéia genial: vou pegar a bicicleta e descer com tudo, e mostrar pras chatas das minhas primas que eu sou fera sobe duas rodas (pensei nisso porque ela viviam me importunando, porque eu já era meio gordinho na época).


Minha mãe sempre me falava para descer sem pedalar, e freando. Imagina se eu pensei no motivo dela me falar aquilo naquele momento... não lembrava de nada, e nem de ninguém naquele instante. Eu só pensava em mim, na bicicleta do meu irmão e nos paralelepípedos. Subi até o topo da ladeira, olhei para todos lá em baixo, e então comecei a pedalar com toda a força que tinha nas minhas pernas. Aquela era a hora da verdade, quando eu ia fazer todo mundo ali engolir aqueles apelidos idiotas que colocavam em mim. Seria o meu momento de glória, a minha redenção.


Imaginava chegar lá em baixo após quebrar a barreira do som, com a música do Top Gun tocando ao fundo, uma multidão me aplaudindo e todos falando emocionados como se sentiam orgulhosos de mim. Seria fantástico!


Quando eu cheguei mais ou menos na altura da minha casa, aonde todo mundo estava me olhando preocupado, eu gritei: “SEM FREAAAAAAR!!!”. Não devia ter feito isso. Eu olhei para eles, e perdi o controle da bicicleta. Que mané! Eu tentei estabilizá-la, mas a coisa só piorou. Foi então que eu pensei: “Ferrou! É melhor eu frear!” E então a criatura que vos escreve teve a moral de acionar o freio... DA FRENTE!


Eu devia estar a uns 40Km/h. Ao travar a roda da frente em uma descida como aquela, a traseira da bicicleta passou por cima da minha cabeça, e eu fui arremessado para frente. Acho que fui o único filho da minha mãe que planou no ar por mais de 3 segundos sem ser dentro de um avião.


Após aquele tempo, que me pareceu uma eternidade, eu pousei DE BOCA NOS PARALELEPÍPEDOS. Me lembro do barulho dos meus dentes batendo nas pedras até hoje, e do meu corpo deslizando pela descida. Do início do vôo até o pouso acho que foram uns 4 ou 5 metros, e do pouso até eu efetivamente parar, deve ter rolado mais uns 5.


Disseram que eu fiquei de cara no chão por alguns segundos, imóvel. Um desespero se abateu sobre todos. Meu irmão começou a correr desesperado na minha direção, gritando. Foi neste instante que eu me levantei, olhei para os lados, me arrastei como um bebê até o meio fio, me sentei e cuspi sangue, muito sangue, e como na maioria das vezes em que estou em um momento desses, falei a coisa mais óbvia do mundo: “EU TÔ SANGRANDO!!!”.


Neste instante meu irmão mudou de rumo porque viu que eu estava vivo, e começou a correr para os restos de sua bicicleta, que estava literalmente do avesso. Ele quase chorou, de pena da bicicleta e de ódio de mim.


Milagrosamente eu não quebrei nem um osso sequer, e nem mesmo um dente! Foi naquela época, em minha pré-adolescência, que a impressão de imortalidade de mostrou mais forte em mim. Mas eu acabei me machucando bastante, e fiquei cheio de hematomas por um bom tempo. Tenho uma cicatriz grande no meu joelho até hoje fruto daquele acidente. E o pior é que o tiro saiu pela culatra, porque meus primos passaram a me zoar mais ainda depois desse mico.


Depois disso teve outra vez em que eu fui, em 2006, com uns malucos subir o Pico dos Marins. Eu já havia ido lá uma vez, mas não havíamos conseguido chegar ao cume. Na segunda vez, chegar lá era questão de honra. “Como assim vamos no Martins e não chegamos ao pico? Até crianças chegam ao pico!”.


Passei um aperto danado pra subir, cansado pra caramba. Definitivamente meu organismo nunca foi otimizado para resistência, mas sim para explosão. Nunca seria um maratonista, mas acho que teria alguma chance como velocista.


De qualquer forma subimos e dormimos lá em cima. No dia seguinte começamos a descer. Eu estava com um tênis apropriado para a ocasião, mas ele era velho, MUITO VELHO. Descer a encosta de uma montanha como aquela, que estava escorregadia por causa da neblina forte, e com um par de tênis velhos e gastos foi pedir para acontecer alguma coisa ruim. E ela aconteceu, no pior momento em que poderia ter acontecido.


Bem no começo de um declive bem acentuado (estimo entre 30º e 40º) eu perdi a aderência em um dos meus pés. Instintivamente eu tentei me equilibrar jogando um pé para frente e firmando-o no terreno a frente. Só que eu estava descendo. E estava com uma mochila pesada pra caramba nas costas. Perdi o equilíbrio, e comecei a cair para frente.


Para não cair de cara na pedra e me arrebentar todo, tentei me equilibrar dando uma acelerada pra frente e tentando firmar o pé de novo na rocha, mas ai é que eu perdi a aderência totalmente, e comecei a literalmente correr para baixo para retardar a queda inevitável.


De novo, como sempre, gritei o óbvio: “ESTOU CAÍNDO!!!!!!!”. O Ricardo, que estava comigo na época, até hoje me zoa por causa desse grito. Mas na hora ele se jogou no chão e esticou a mão para tentar me pegar, porque ele estava mais para baixo. Sabe quando você tenta pegar alguém caindo, mas suas mãos só se batem inutilmente no ar por uma fração de segundo?


Eu continuei a cair, e vi minha vida toda passar diante dos meus olhos. Percebi que o declive terminava em um pequeno precipício. Era o fim. Só sei que pela velocidade em que estava, ao flutuar (olha eu planando de novo) eu dei um mortal em pleno ar, e cai de costas bem em cima de uma tosseira, que caprichosamente amorteceu minha queda, me permitindo passar por aquele evento mortal SEM NENHUM ARRANHÃO.


Eu não acreditava naquilo. Fiquei estático por alguns segundos, pensando se eu já estava morto ou se tinha acontecido um milagre. Ao longe ouvia meus companheiros desesperados gritando por mim. É, era um milagre. Agradeci muito a Deus naquele instante e fiz um juramento de nunca mais fazer algo tão estúpido como aquilo outra vez. Me levantei e continuamos a descida. E ainda tive que ouvir bronca do pessoal reclamando pra eu tomar cuidado, que se eu me machucasse eles iam embora e iam mandar os bombeiros me resgatarem.


Vai rindo...

19 de agosto de 2009

O MEU TRAUMA DO E.T.

Quando eu tinha uns 3 ou 4 anos eu era um pivete muito simplório. Nunca tinha ido ao cinema na minha vida. Minha mãe teve então a brilhante idéia de resolver esse problema, e começou a ver quais filmes estavam passando nos cinemas na época para me levar.


Era o início dos anos 80, e o filme que estava bombando nos cinemas do mundo todo era “E.T. - O Extra Terrestre”. Era um filme com crianças (uma das crianças aliás era a Drew Barrymore com uns 4 ou 5 aninhos) e dizia a lenda que era feito para ser visto por todas as idades (crianças inclusive).


Bom, minha mãe fez que fez, e fomos nós ao cinema, que era no centro da cidade ainda. São os mesmos que hoje só passam filmes pornô, afinal todos os cinemas de verdade em Campinas migraram para os shoppings devido à violência no centro.


Lembro que antes de irmos eu perguntei que filme era, e minha mãe disse que era de um extra-terrestre bonzinho, que vinha pra terra e que um menino o ajudava. Logo imaginei o tal extra-terrestre como um anão engraçadinho e com um simpático sorriso no rosto, vestindo macacão metálico, tendo um nariz e orelhas pontudas e engraçadas, todo prateado, com um boné com antenas de bolinha. Um amiguinho e tanto!


Quando chegamos ao cinema eu fiquei encantado. “Puxa, que tela grande” eu devo ter pensado. Digo “devo” porque além de ser muito pequeno, o trauma que eu passei naquela pequena sessão do inferno deve ter causado um blackout em minha memória. Lembro de algumas coisas com clareza, mas de outras não me lembro nada. A mente humana é fantástica, ela cria proteções contra lembranças ruins.


O que aconteceu depois que nos sentamos foi o seguinte: as luzes se apagaram. Mas é óbvio! Só que eu não sabia disso. E ai meu cagaço começou. Não sei se foi antes ou depois disso, mas eu tinha um medo aterrorizante do escuro que preservei até uns 12 anos de idade. Não dormia de luz apagada nem amarrado. Sei que perguntei “mãe, não vai ficar uma luz acessa?” porque minha mãe me lembra disso até hoje.


Começou o filme. Fiquei aliviado, porque dava pra me ver e ver minha mãe do meu lado com a luz que vinha da tela. Passou os traillers, e até ai tudo beleza. Mas então começou o filme. Fiquei intrigado com aquela nave espacial, que achei até bonitinha. Mas ela então pousou, e algumas coisas horripilantes com luzes vermelhas emanando de seus peitos assustadoramente enrugados e marrons rastejaram para fora daquilo. Mãos longas com dedos demoníacos eram mostradas habilmente por Spielberg (maldito). Eu estava começando a surtar.


Acho que me mantive bem até que finalmente aquele desgraçado do E.T. foi mostrado ao vivo e a cores, com aqueles imensos olhos azuis piscando, aquela boca entre aberta com dentes horríveis, aquela cabeça medonha e aquele corpo que parecia um coco gigante. E aquele grito dele!!! Meu, eu pirei grandão!


Minha mãe me disse que nunca passou tamanha vergonha em público. Eu comecei a gritar de pavor, implorando para sair dali. Conversando hoje com minha terapeuta, eu cogito a possibilidade de que eu não tenha entendido, pela idade que eu tinha, que aquilo era um filme, e devo ter imaginado que aquele monstro do 7º círculo do inferno estava realmente ali na minha frente, e que ia vir me pegar.


Um monte de gente no cinema reclamou do meu esperneio, e eu não vi o filme. Fiquei abaixado o tempo todo, ou melhor, quase todo. Tinha partes que o E.T. não aparecia e minha mãe me dizia “pode ver agora, ele não está aparecendo”, e ai eu via, aliviado. Mas de repente o bicho aparecia de novo, e eu gritava de pânico uma vez mais, e me enfiava atrás das poltronas, me escondendo dele. Foi assim o filme inteiro. Os outros espectadores devem se lembrar deste evento amargamente até hoje. “Lembra daquele fedelho que se borrou vendo o E.T.? Coitado, deve estar gritando atá hoje!”.


Você pode achar que a história termina ai, né? Mas não termina não. Infelizmente.


Muitos e muitos anos mais tarde, quando eu já estava namorando minha esposa, num domingo a tarde, anunciou no Telecine que iam passar o maldito filme. Vi ai a oportunidade de ouro de confrontar um trauma do meu passado com uma cabeça adulta e superar isso de uma vez por todas, afinal eu nem podia nem ver uma foto do E.T. que eu ficava todo tremendo, com uma má impressão terrível. Eu tinha que mostrar que era macho pra mim mesmo. Resolvi enfrentar.


O filme começou, e eu numa boa. O E.T. apareceu, fiquei meio incomodado, mas encarei. Foi tudo bem, até a cena em que as crianças acham ele caído no riacho, branco que nem um chokito velho (lembro que eu não comia chokito porque me lembrava o E.T.). Desviei o rosto da cena por alguns segundos, e foi ai que percebi que diante de mim tinha algo contra o qual eu não podia lutar.


O filme continuou, e eu estava numa boa. Vi ele inteirinho! É um filme bonito e bem feito, mas puts... COMO O E.T. É FEIO! Sei que tem um lance por trás disso, de mostrar que as aparências não mostram o coração (que no caso do E.T. era muito bom), mas vai explicar isso para uma criança de 3 anos, ou para um adulto que se traumatizou com a criatura na mais tenra infância!


Vi o filme até o fim para ter na minha mente uma única coisa: “pronto, essa desgraça foi embora na nave espacial dele e ele NUNCA MAIS VAI VOLTAR. ESTOU LIVRE!”. Sério mesmo, encarei como uma sessão de exorcismo pessoal. Aquilo era um peso que eu tirava das minhas costas, e fiquei aliviado por ter visto o filme todo. Fui macho pra caramba.


O filme tinha acabado e ainda era luz do dia. Você acha que eu ia encarar de ver aquilo lá de noite? Nem maluco! Sai, dei um rolê, voltei pra casa, joguei um pouco... ou seja, desencanei. Fiquei de boa. E ai eu fui dormir...


Sério mesmo: eu tinha até me esquecido que tinha visto aquele filme desgraçado. Mas foi apagar a luz que meus olhos ficaram estalados, e eu não conseguia dormir. Tudo o que pensava era naquele corpo esbranquiçado do E.T. no riacho, os gritos horripilantes dele, aquela cara tenebrosa e aqueles dentes vindo me morder. Eu não consegui dormir naquele dia. O E.T. VAI VIR ME PEGAR!!!


O resultado é que o E.T. venceu e eu não preguei o olho naquela noite. Ainda não posso ver sequer imagens dele sem ter um sentimento de pânico irracional percorrer todas as células do meu corpo, e sou super impressionado com coisas ligadas a OVNI´s e extra-terrestres, creio que por causa desse filme.


Vai rindo...