5 de março de 2013
DEVAGAR
Esse começo de ano (começo? já é março!) está bem devagar para mim. Gosto de pensar que é porque este ano será cansativo a partir do começo de abril, uma vez que vou começar minha pós-graduação. Mas não é bem assim. Acho que simplesmente estou cansado e doente.
Eu estava conseguindo ir aos treinos de kung-fu duas vezes por semana desde o retorno das férias da academia, mas estou entrando na segunda semana sem ir devido a orientações médicas. Dores no ombro e clavícula me levaram a fisioterapia e a descoberta do que parece ser não uma mera tendinite ou inflamação, mas sim um quadro de encurtamento dos ligamentos do ombro e pescoço, provavelmente devido a uma vida inteira sentando-me com uma péssima postura, tensionamento constante dos ombros e pescoço e nunca me alongando corretamente, não apenas nessa região do corpo, mas em todas as demais também.
Recomendo você a cuidar do corpo, fazer alongamentos, exercícios e relaxamento. Você pode não sentir os efeitos do descaso com seu corpo nos primeiros anos, mas vai sentir lá na frente com toda certeza.
Os exercícios de alongamento são dolorosos mas necessários agora (assim como eram antes e eu os negligenciava), e já começo a cogitar a possibilidade, ainda não ventilada por nenhum fisioterapeuta ou ortopedista que me atendem, de que tais exercícios serão meus companheiros pelo resto da vida, caso eu opte por não deixar que tais dores voltem a me incomodar.
Além dos exercícios no entanto outra atividade que eu vinha desempenhando bastante ano passado está totalmente parada este ano: minhas leituras. O livro em inglês que estou lendo, enorme, ainda me desafia. Todas as noites o volume me encara de cima de minha mesa, e quase posso ouvi-lo sussurrar ofensas e declarar minha derrota. Não o escuto, e mesmo que em doses menores, volto a ele e dou-lhe combate com leitura.
Nem tudo é dor e derrota no entanto. A grande viagem ao Japão que eu e minha esposa faremos se aproxima, e ela pode ser outro motivo do porque tudo está sendo levado tão vagarosamente até aqui.
O que eu tento entender no entanto é que nem tudo na vida é velocidade. A vantagem de se envelhecer é ir percebendo que a pressão pela velocidade é algo artificial, e a vida encontra um ritmo próprio que muitas vezes é tido como lento. Realizar coisas é importante, mas tudo a seu tempo. Leitura, exercícios, estudos, viagens... tudo ocorrerá, mas no tempo certo e querer acelerar as coisas só causará estresse desnecessário.
13 de fevereiro de 2013
CARA, DE NOVO?
Quarta-feira de cinzas. O ano começa oficialmente no Brasil na próxima segunda, porque quinta e sexta após o Carnaval nunca contam.
Este ano começou como os demais: preguiçoso. A mesma velha luta de sempre em minha mente começa com culpa. Culpa por não me prestar a fazer nada. E ai ela piora por constatar que isso já ocorreu antes uma série de vezes. Frequentemente tenho esta sensação, e se a sinto constantemente é porque não fiz nada para resolvê-la, certo?
Este feriado é um exemplo do que foi meu ano até aqui. Não li nem uma página de um livro. Muito menos a escrevi. Não fiz o passeio que planejei para tirar fotografias, nem dei aquela volta de bicicleta que havia planejado, e nem levei o cachorro para passear. Não aprendi nada, não fiz nada, não fui a lugar algum. Apenas descansei e vi 3 temporadas de "The Office". Os feriados foram feitos para isso, não? Não devia me sentir culpado... mas me sinto. Não pelo tempo gasto com absolutamente nada no feriado, mas pelo restante do tempo, aquele que ocorre entre nosso nascimento e nossa morte, e que chamamos de vida, entende?
A culpa que sinto brota da sensação de que este feriado foi uma espécie de resumo da minha vida. OK, eu fiz faculdade. OK, eu tenho um bom emprego. OK, vou começar a fazer pós-graduação daqui a dois meses. Mas a sensação de que eu não estou de fato fazendo nada de construtivo com minha vida me assombra.
Os problemas que citei nos últimos posts foram resolvidos. Acho que o intervalo que fiz sem escrever nada no final das contas era porque eu precisava de um tempo sem fazer nada mesmo. Espero que isso tenha passado.
Na academia estão me pressionando para fazer o exame para a faixa marrom. Espero conseguir fazê-lo em breve, mas não me sinto bem fisicamente para tal. Dores e um péssimo condicionamento físico me deixam inseguro.
Quanto a tudo isso, seja culpa, ansiedade e inanição (se é que ela é real ou apenas fruto de minha própria paranoia) deixo nas mãos de Deus e vejamos o que Ele tem reservado para mim nos próximos meses.
2 de novembro de 2012
"VÍRUS DO PEN-DRIVE" - PASTAS DO HD EXTERNO VIRAM ATALHOS
Um amigo meu até que tem razão: "Windows é um lixo".
Tenho tido um problema recorrente com meus pen-drives e HD's externos. Alguma espécie de vírus (não consegui identificar qual, mas na Internet chamam-no apenas de "vírus de pen-drive") muda as propriedades de todas as pastas no raiz do dispositivo tornando-os ocultos, criando atalhos para as pastas. Acabo acessando os arquivos da mesma forma, mas é chato assim mesmo.
A solução costuma ser executar o attrib na linha de comando (DOS) com os seguintes parâmetros (sendo o F: a letra mapeada para o pen-drive/hd externo.
attrib -h -r -s /s /d F:\*.*
Comigo funcionou, e logo em seguida apaguei os atalhos e rodei um anti-virus no dispositivo e no meu notebook. Nada é encontrado. Ainda não entendi porque isso ocorre.
O Recicle-bin costuma ser uma pasta legítima do sistema operacional, apenas as ocultei novamente porque o comando attrib as torna visíveis. Mas não custa nada passar anti-vírus em tudo de novo.
Tenho tido um problema recorrente com meus pen-drives e HD's externos. Alguma espécie de vírus (não consegui identificar qual, mas na Internet chamam-no apenas de "vírus de pen-drive") muda as propriedades de todas as pastas no raiz do dispositivo tornando-os ocultos, criando atalhos para as pastas. Acabo acessando os arquivos da mesma forma, mas é chato assim mesmo.
A solução costuma ser executar o attrib na linha de comando (DOS) com os seguintes parâmetros (sendo o F: a letra mapeada para o pen-drive/hd externo.
attrib -h -r -s /s /d F:\*.*
Comigo funcionou, e logo em seguida apaguei os atalhos e rodei um anti-virus no dispositivo e no meu notebook. Nada é encontrado. Ainda não entendi porque isso ocorre.
O Recicle-bin costuma ser uma pasta legítima do sistema operacional, apenas as ocultei novamente porque o comando attrib as torna visíveis. Mas não custa nada passar anti-vírus em tudo de novo.
17 de outubro de 2012
SER HOMEM
Depois de assumir diante de uma pessoa meus erros e pedir perdão, a resposta que me veio foi para que eu virasse homem.
O primeiro sentimento foi de mágoa, depois de abandono (ninguém ficou do meu lado), mas depois veio a reflexão. O que é ser um homem afinal de contas? Quando digo homem, é ser masculino mesmo, excluo desta reflexão portanto as mulheres. Não sou mulher, nunca saberei o que é ser uma e nunca me atreverei a fazer qualquer comentário sobre isso. Assim como uma mulher nunca saberá o que é ser um homem e também deveria se abster de comentários a respeito.
Sejamos francos, nos dispamos da arrogância de nossa suposta sabedoria infalível, nos livremos de nossos pré-conceitos, de nossas "certezas", de nossa espiritualidade, de nosso egoísmo de achar que o que achamos é o certo e o que os outros acham é errado - o contrário também se aplica.
Isso inclui a todos os que dizem "não sou eu quem acha, é Deus, olhe o que diz a Bíblia". Meu amigo, pare. É claro que é o que você acha. Você interpretou o que está escrito na Bíblia com base nos seus conceitos pessoais, apenas isso, não fosse assim haveria apenas uma só igreja cristã no mundo e todos os cristãos pensariam da mesma forma. O que você quer é ter o prazer pecaminoso de julgar. Todo mundo quer julgar a todos, o tempo todo. O mundo é pura loucura e se agarrar a pequenas certezas é tentar por ordem no caos e não pirar de vez. O que é melhor do que você ditar as regras?
Muitos dizem que um homem é um macho responsável, heterossexual, forte, firme, inabalável, justo, cortes, temente a Deus e crente fiel, santificado, honesto, amoroso, bondoso, másculo, perspicaz, equilibrado, participativo, que toma a iniciativa e é maduro em seus pensamentos e atitudes. Além disso é bonito, divertido, trabalhador, socialmente estimulante, cheio de amigos, influente, não tem vícios, nem problemas emocionais ou psicológicos, sabe liderar, é esforçado, higiênico e estudioso. Os adjetivos positivos podem ser complementados por você mesmo, leitor.
Ou seja: só é homem quem é perfeito.
Mas perfeito aos olhos do avaliador. Cada avaliador tem seus conceitos. Ser um homem para uma pessoa não é o mesmo que ser um homem para a pessoa ao lado. Portanto, o conceito de homem é absolutamente relativo.
Mas o que é ser um homem aos olhos de Deus? Alguém que não peca? Difícil isso heim? Todos somos pecadores. Como disse, só Deus julga. Quem é você para achar que entendeu o suficiente sequer para se sentir seguro que está praticando o que é certo aos olhos de Deus, quanto mais para dizer aos outros o que é correto aos olhos Dele? Diga logo que é aos seus próprios olhos, assuma que é humano arrogante de uma vez! "O que eu acho que é certo é o que é certo, o resto é besteira".
Cada vez mais fica a minha sensação pessoal e particular (e eu nem sequer afirmo que isso é uma certeza minha) de que "ser homem" é caminhar sozinho em meio a multidão e não se sentir um coitado por isso. É viver apenas consigo mesmo depois de entender que ninguém sabe como é ser você além de Deus (se é que você crê em Deus). Nem seus pais, nem sua mulher, nem seus amigos, nem sua terapeuta, nem seu pastor. Muitas vezes nem nós mesmos sabemos bem, mas ainda assim somos os que mais sabem.
Um amigo me falou algo semelhante e eu concordei porque penso atualmente de forma semelhante. Amanhã estarei pensando assim? Não sei. Simplesmente me dou o direito a esta liberdade, de pensar nas coisas sem a prisão de considerá-las mais absolutas.
Homem que é homem caminha sozinho em meio a multidão que o cerca. Não se isola, mas se mistura. Sem esperar que o entendam, veste uma máscara para não mostrar quem na verdade é (afinal isso não interessa a ninguém mesmo), e a cada pessoa que aparece na sua frente, coloca uma máscara nova, adequada a aquela pessoa.
Não é falsidade, veja bem. Não é agir de forma leviana, nem interpretar. É simplesmente se modular para aquilo que as pessoas querem que você seja, porque sendo quem você é, nunca estará bom para os outros, sempre tentarão te transformar para aquilo que elas anseiam. As pessoas não querem saber quem você é na verdade. Elas não querem saber do que você precisa, de suas necessidades, de sua dor. Elas apenas querem que você as ouça, que você dê a elas o que elas querem, que você concorde com elas e se comporte como acham que é certo. Pode ser um sorriso. Um "bom dia". Dinheiro. Compreensão. Um ouvido amigo. Falar algo tranquilizador e agradável. Ter uma atitude qualquer. Qualquer coisa! Mas elas não querem saber de você na verdade. Esta é a solidão do homem. Este é seu "caminhar sozinho".
Você se torna um doador. Se você não tiver nada para doar, você não é homem. Se estiver triste, você não é homem. Se estiver irritado, deprimido, se não concordar com a pessoa, você não é homem.
Homem, portanto, nada mais é do que um excelente ator. Ou não. Depende do que você achar.
1 de outubro de 2012
PEDRAS DA CONSTRUÇÃO
E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.Mateus 16:13-19
Quando reconhecemos Jesus como quem Ele é - o Cristo, filho de Deus, Salvador da humanidade - nos tornamos salvos ao nos entregarmos, submetermos e nos deixar transformar cotidianamente por esta verdade. A salvação, como está escrito em Romanos 6:23, é gratuita: Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor. E este dom gratuito, como escrito em João 3:16, é fruto do amor que Deus tem para conosco, mesmo pecadores: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. E mesmo aprisionados pelos nossos pecados, o conhecimento da Verdade (com "V" maiúsculo mesmo) nos liberta, como está escrito em João 8:31-32: Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
Contra esta graça o inferno nunca prevalecerá. Nossa salvação que provêm do Senhor é eterna e intransferível. Quando nos entregamos a Jesus nos tornamos igreja de Cristo, e como Pedro, nos tornamos pedras da construção espiritual chamada Corpo de Cristo. Como corpo, temos as chaves do reino dos céus, ou seja, podemos ser instrumento de salvação ao vivermos e promovermos o evangelho de Jesus Cristo diante das pessoas no mundo. Amando como Ele amou e buscando a justiça e a paz. E permitindo assim que elas entrem e façam parte do reino dos céus, tornando-se semelhantemente mais pedras para a construção e portadores das chaves.
O que eu espero para mim é simplesmente me tornar mais parecido com Jesus a cada dia, me deixar transformar por seu amor e seus ensinamentos, viver o evangelho - cuja profundidade do significado é muito mais poderosa do que a maioria pensa - e assim ser instrumento na obra de Deus na Terra. Mesmo sendo tão falho quanto sou hoje.
20 de setembro de 2012
SANTUÁRIO DE DEUS
Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.
1 Coríntios 3:16-17
Um santuário segundo o Dicionário Web é:
- A parte secreta do templo judaico de Jerusalém.
- Parte da igreja onde está o altar-mor.
- Edifício consagrado às cerimônias de uma religião.
- Capela onde são guardadas e veneradas relíquias de vários santos.
- Fig. Asilo sagrado e inviolável; sede de nobres sentimentos; o que há de mais íntimo: o santuário da sua alma.m.
- Lugar reservado e consagrado pela religião. O lugar mais sagrado do templo de Jerusalém, onde estava a Arca da Aliança. Templo, capela. Sacrário; relicário. (Fig.) A parte mais íntima (do peito, do coração, da alma).
De uma forma geral um santuário costuma ser um lugar físico separado para adoração e reflexão. Expressa fisicamente e comporta dentro de si idéias e manifestações espirituais, caracterizando-se como um lugar de cura em suas mais diversas formas e oração. A Bíblia nos diz que somos santuários de Deus. Nos diz que somos especiais e particulares.
Mas eu me comporto assim? Demonstro que Deus habita em mim, ou demonstro que monstros com enormes tentáculos verdes é que estão habitando abaixo da minha pele?
Da mesma forma que um templo comporta pessoas, aquele quem eu sou (e não apenas meu corpo físico) comportam o Espírito Santo a partir do momento que convidei-o a me habitar. Daí é importante refletir: este templo que eu sou é confortável e funcional para o Espírito? Ele consegue usar este templo para operar sua obra? Sua arquitetura e decoração expressam Deus dentro de minha cultura? Meus atos e comportamentos são condizentes com Jesus?
Com certeza tenho muito o que melhorar.
O que me resta é procurar, todos os dias, pouco a pouco, me adequar cada vez mais ao Deus que amo e que me amou primeiro, que me vinga quando é justo e o glorifica, e que cuida e zela por mim mesmo eu não merecendo.
Não é apenas uma questão estética e acho que isso está bastante claro a todos. Muitas pessoas gostam de citar esta passagem para complementar sua opinião de que tatuagem, piercing ou cortes de cabelo e acessórios que não aprovam sejam condenáveis, e não é sobre isso apenas que Paulo falava neste texto (mesmo porque isso é cultural).
É no contexto global. É sobre significado, comportamento, motivação e resultado. Uma pessoa pode ir a igreja e se "fantasiar" se crente sendo uma pessoa com atitudes e comportamento geral perversos, mas pode ter um visual diferenciado e em seu coração ser totalmente entregue e obediente a Deus, tendo atitudes e comportamento adequados com Jesus.
13 de setembro de 2012
PROCESSO DE MUDANÇA (OU SANTIFICAÇÃO)
É duro quando se
percebe que nossos avanços pessoais simplesmente não são reais,
mas sim frutos de uma falsa percepção particular, falta de foco e
típica miopia autoanalítica.
Eu estava indo muito
bem nas últimas semanas, achando que havia superado algumas coisas
em mim, mudado alguns procedimentos da minha vida, até que em uma
simples e calma conversa com uma pessoa, com uma única frase, me dei
conta de que na verdade não mudei nada, e que continuo a ter as
mesmas respostas aos mesmos estímulos. Como o Cão de Pavlov eu
continuo a salivar ao ouvir a campainha, mesmo que não exista
comida. Há ai um condicionamento.
Isso é da natureza
humana afinal de contas, não? Culpa, arrependimento, desejo por
mudança (salvo os psicopatas). Existem diversas coisas na vida de nós, pessoas, que uma hora ou outra nos leva a uma resolução por mudança.
“Preciso mudar isso e aquilo em minha vida” pensamos nós. E então buscamos algo que nos ajude a mudar. Algumas vezes buscamos em nosso interior, muitas outras, no exterior.
Eis o sucesso de livros
e palestras de autoajuda, da religião desenfreada de promessas
fáceis, da própria psicanálise, das terapias diversas, da mitologia
de uma forma geral, e porque não do álcool e das drogas lícitas ou ilícitas.
Na maioria das vezes buscamos tecnologias farmacológicas ou psicológicas que nos auxiliam - muitas vezes sem que percebamos isso - a alcançar tal mudança. Alguns de nós mudamos, outros não. Dos
que mudam, muitos mudam temporariamente de forma artificial, voltando à condição inicial após algum tempo ou após alguma crise onde suas novas convicções demonstram-se frágeis como cristal. Poucos de nós conseguem realmente mudar. E
assim a vida segue, e vamos nos resignando com uma
frustração constante, com a culpa que nos corrói,
com a falta de esperança de se ver livre daquilo que nos aflige.
Mas e Jesus?
Sempre ouvi nas igrejas
que Jesus muda a vida do crente. Vou ser sincero: eu nunca senti isso
de forma intensa e febril.
Eu não tinha uma vida louca antes de
minha conversão, sabe? Na verdade as mudanças que eu buscava e
busco são de atitude e resposta emocional. Não quero ficar magoado
com certas coisas que continuam a me magoar mesmo que eu racionalize
que não devo ficar assim (já que o evangelho as explica e eu
concordo serem erradas). Não quero ficar irritado com certas pessoas
ou situações que racionalmente sei que não deviam despertar em mim
tal resposta emocional ou comportamental negativas. Quero deixar de agir de forma a magoar ou fazer mal a outras pessoas. Quero começar a
agir e fazer certas coisas que sei que são certas, mas simplesmente
não as faço.
Onde Jesus se encontra nessas horas? Por que não
consigo sair do mesmo lugar?
Revelo que eu pensava
até pouco tempo atrás que a mudança que Jesus nos dava era, até
certo ponto, sobrenatural. Bastaria eu crer e a mudança viria de
forma mágica e imediata , claro, com algum esforço da minha parte,
mas nada muito pesado.
Mas ela nunca veio, pelo menos não para mim.
O que veio em seu lugar
foi uma crise de fé. “Será que na verdade nunca cri? Será que me
engano e não sou cristão porcaria nenhuma? Será que no juízo
final Jesus vai se virar para mim e dizer que não me conhece?”. Já
pensei que sim, mas hoje penso que não. A crença está aqui, forte
e madura. Não fosse assim, porque a situação me incomodaria tanto
e a autoanálise seria tão recorrente? Ela é fruto da maior preocupação que ronda minha mente e alma: estou sendo como Deus espera que eu seja? Estou deixando-o feliz com quem sou? Estou glorificando-o?
Assim sendo, o que está
dando errado então? Onde eu estou errando?
Foi ai que eu pensei:
espera aí... será que eu estou mesmo errando?
A fé não é para
pessoas fracas como muitas pessoas (ateus principalmente) gostam de
alegar. A conversão a Cristo é dolorosa e continua, e qualquer
pessoa sã fugiria de tamanho tormento (Ora, o homem natural não
compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem
loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem
espiritualmente – I Corinthios 2:14).
Assim, desconfio de pessoas
que se “convertem” rapidamente porque estou entendendo que
mudanças de comportamento não ocorrem sobrenaturalmente. São fruto
de trabalho extenuante e cotidiano, que exige de nós grande esforço
moral - ou seja, escolhas conscientes sobre o que é certo e errado
de ser feito de acordo com um modelo inicial - sendo portanto Jesus
meu modelo.
Quem toma as decisões
de como responder a um dado estímulo somos nós mesmos afinal de
contas, e não Deus. Isso é livre arbítrio.
Quando oramos e pedimos
que Deus leve uma pessoa a conversão por exemplo eu tenho certeza
que Deus não vai enfiar essa decisão goela abaixo da pessoa, mas
sim colocar situações na vida dela onde tal pessoa se veja forçada
a refletir sobre coisas que podem levá-la a uma decisão de
conversão ou não. Mas a conversão em si depende obviamente da
pessoa, e apenas dela.
O mesmo se aplica a
mim.
Quando eu oro pedindo a
Deus que me de forças para ser cada vez mais como Jesus, que me mude a superar meus erros e tendências pecaminosas, Ele não
vai fazer isso de forma sobrenatural. Arrisco em dizer que Deus não pode fazer isso, já que fazê-lo seria
interferir com meu livre arbítrio - e se Ele fizesse isso, estaria
ferindo e contradizendo sua própria palavra.
Assim fosse eu não teria escolha a não ser plenamente seguidor e imitador de Cristo, e nem ninguém,
e todos seriamos santos, e não haveria pecado pois todos seriamos
salvos, e Jesus não teria que ter feito seu sacrifício, e o pecado
original não teria sido cometido.
Não. As coisas são como elas são.
Mas Deus não é limitado. Ele apenas trabalha da forma que estabeleceu desde o início dos tempos
porque assim Ele desejou. A escolha está conosco, e é do fruto desta escolha que podemos glorificá-lo - não porque somos obrigados mas sim porque somos criaturas conscientes e com vontade própria que escolheram submeter-se a Deus.
O que Deus faz é
nos colocar em situações que muitas vezes não percebemos. Nos faz
passar por momentos que são oportunidades de aprendizado e exercimento
de novos comportamentos mais alinhados com Cristo.
Daí que o falhar é,
na verdade, natural. Precisamos errar muito até acertar. Caímos
muito antes de aprender a andar. Falamos muito errado até dominarmos
um idioma. E pecamos muito até atingirmos a santidade.
É frustrante? Sim...
demais. Frustrante, desestimulante, depressivo, triste, desesperador... mas eis ai o lado
sobrenatural da coisa toda, a evidência do Espírito Santo de Deus habitando em mim: Deus me dá forças para
continuar a luta contra mim mesmo. Porque Jesus se doou na cruz para que eu pudesse carregar
essas dificuldades - minha própria cruz - e com elas crescer, já que este foi o exemplo que Cristo nos deixou. E mesmo que pareça que não saio do lugar, o que Deus vê não é o quanto arrastei minha cruz, mas sim que eu não desisti de arrastá-la até que o fim venha, e a convicção de que mesmo que eu perceba que a arrastei pouco, dei o meu melhor amando-o genuinamente.
Eu sei que vou morrer
carregando pecados. Todos nós vamos. Não fosse assim, o maior dom de Deus não seria
necessário: o dom gratuito da salvação mediante a fé em Jesus Cristo. Nada além disso é capaz de me conceder a salvação que busco. Nem mesmo carregar minha cruz em volta do planeta inteiro.
Veja, eu não defendo que podemos mudar a nós mesmos. A mudança vem obviamente de Deus, mas as decisões de mudança partem de nossa decisão e de nossas escolhas. Somos responsáveis por isso. E está na hora de voltarmos a assumir tal responsabilidade.

















